Podcast Grandes Nomes do Rock # 40: Postagem 666

11 de julho, 2012 | por Mairon
Diversos
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Por Fernando Bueno e Mairon Machado

Excepcionalmente, o Podcast Grandes Nomes do Rock não será apresentado na segunda-feira como costumeiramente tem sido nos últimos meses, mas sim hoje, uma quarta-feira, já que exatamente hoje temos uma data mais que especial para o Consultoria do Rock. 

Há exatamente uma semana, atingimos a incrível marca de 500 mil acessos, e na data de hoje, estamos colocando no ar a postagem de número 666. Em homenagem à esse número tão significativo e presente no rock, os consultores Fernando Bueno e Mairon Machado montaram um Podcast Especial somente com canções relacionadas à esse número, associado erroneamente com o Coisa-Ruim. 

Não somente isso. Esse é o Podcast de número 40, uma marca muito importante para o Consultoria e para você leitor que permite-nos continuar com o programa mensalmente.

O número 666 aparece no Livro da Revelação (13:17-18) dentro do Novo Testamento, mais precisamente no Apocalipse de João, associado erroneamente à Lúcifer (o demônio). Porém, este número na realidade, como bem mostra o clássico “The Number of the Beast” (Iron Maiden) é o número do homem, sendo o homem a própria besta. Ainda na Bíblia, 666 aparece por diversas vezes como em referência ao número de talentos de ouro coletados pelo Rei Salomão a cada ano, e o judaísmo cabalístico, o número representa a criação e a perfeição do mundo que foi criado em seis dias e com seis pontos cardeais (Norte, Sul, Leste, Oeste, Cima e Baixo).

Folha do Novo Testamento

Tentando entender um pouco dessa história relacionada ao demônio, precisamos voltar nas velhas traduções (e interpretações) do texto citado e também do Velho Testamento (N. R. essa é uma interpretação livre do autor que segue vários livros e artigos especializados na área, mas que em nenhum momento tem a pretensão de desmistificar ou polemizar o assunto em termos das interpretações religiosas como o catolicismo, o evangelismo e outros).

Lúcifer era um dos principais anjos de Deus, com todos os poderes e forças que Deus possuía, mas com a incapacidade de racionalizar, obedecendo única e exclusivamente as ordens divinas. Seu nome significa “O Portador da Luz” e servia para descrever a estrela Vênus (a primeira estrela criada por Deus). O livro bíblico de Ezequiel, no capítulo 28, é o primeiro a tratar Lúcifer com relação ao mal, como sendo um anjo caído. A interpretação católica considera Lúcifer como sendo o próprio Satanás (o adversário) e aqui veio a ideia do Anjo Caído, que foi expulso do céu por ter se rebelado contra Deus, apesar de em nenhum momento isso aparecer na Bíblia.

Aqui começa o principal erro e a principal associação do número 666 com Lúcifer (e consequentemente ao Coisa-Ruim). Segundo a Igreja Católica, Lúcifer teria ficado revoltado por que Deus criou um ser a sua imagem e semelhança, mas com capacidade de agir independente dos desejos de Deus, apenas obedecendo alguns mandamentos. 

O quadro 666, de William Blake

Enciumado (ou com raiva), Lúcifer organiza uma reunião com os demais anjos e comenta que aquilo era uma injustiça com a classe. Exatamente um terço (33.3 %) dos anjos saem a favor de Lúcifer, enquanto os demais dois terços (66,6 %) são contra o mesmo, defendendo então a criação da nova criatura, que é o homem. Assim, 66.6 % dos anjos aprovam o nascimento do homem, caracterizando o número 666 como o número do homem.

Os 33.3% seguidores de Lúcifer são expulsos do reino dos céus, gerando um conflito entre eles e os demais anjos, tudo por causa do homem, a verdadeira Besta (causadora de problema em sua etimologia original) da história. 

666, um dos principais discos do rock progressivo

Essa seria a verdadeira origem do número 666 e sua associação como sendo o número da Besta, que com traduções diversas, e outras interpretações, acabou fazendo com que a associação contrária se consolidasse no mundo cristão.

De qualquer forma, muitos grupos passaram a dedicar canções para o Coisa-Ruim (e seus diversos nomes-sinônimos como Satã, Diabo, Leviatã, …), ao inferno e ao que quer que seja relativo ao mal. Esse Podcast resgata algumas das principais canções com esse tema, destacando um bloco especial ao disco do Aphrodite’s Child que carrega exatamente o nome do número de postagens que o blog atinge hoje: 666.

Quem não queria um demônio desses em casa?
Track list Podcast # 39 – 45 Anos de Monterey Pop Festival
Bloco 01
Abertura: “Along Comes Mary” [do bootleg Live at Smothers Brothers – 1967 (The Associations)]
“Numbers” [do álbum Ellis Island – 1968 (The Paupers)]
“St. James Infirmary” [do álbum Live! – 1971 (Lou Rawls)]
“Where the Good Times” [do compacto “Happy New Year” / “Where the Good Times” – 1966 (Beverley)]
“Do You Wanna Dance” [do álbum Classic – 2008 (Johnny Rivers)]
“Paint it Black” [do álbum Live Stockholm – 1968 (The Animals)]
“The Sound of Silence” [do álbum Live at Monterey – 1967 (Simon & Garfunkel)]
Bloco 02
Abertura: “Up On the Roof” [do álbum Christmas and the Beads of Sweet –  1970 (Laura Nyro)]
“Amphetamine Annie” [do álbum Boogie with Canned Heat – 1968 (Canned Heat)]
“Ball and Chain” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (Big Brother & The Holding Company)]
“Flying High” [do álbum Electric Music for the Mind and Body – 1967 (Country Joe & The Fish)]
“Jolie” [do álbum Naked Songs – 1973 (Al Kooper)]
“East-West [do álbum East-West – 1967 (Paul Butterfield Blues Band)]
“Killing Floor” [do bootleg Live – 1967 (Electric Flag)]
Bloco 03
Abertura: “Serenade” [do álbum Greatest Hits 1974/78 – 1978 (Steve Miller Band)]
“The Fool” [do bootleg First LP Outtakes – 1967 (Quicksilver Messenger Service)]
“Omaha” [do álbum Moby Grape – 1967 (Moby Grape)]
“Babajula Bonke (Healing Song)” [do álbum The Promise of a Future by Hugh Masekela – 1968 (Hugh Masekela)]
“Eight Miles High” [do bootleg Live at Fillmore East – 1970 (The Byrds)]
“Green Onions” [do álbum Green Onions – 1962 (Booker T & The MG’s)]
“(Sittin’ On) The Dock of Bay” [do DVD Dreams to Remember – 2007 (Otis Redding)]
Bloco 04
Abertura: “Raga” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (Ravi Shankar)]
“Flute Thing” [do álbum Projections – 1966 (Blues Project)]
“Stop Children What’s That Sound” [da bootleg Buffalo Springfield 67/68 – 2000 (Buffalo Springfield)]
“My Generation” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (The Who)]
“Wild Thing” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (Jimi Hendrix)]
“San Francisco” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (Scott McKenzie)]
“California Dreamin'” [do álbum Live at Monterey Pop Festival – 1967 (The Mamas & The Papas)]
Encerramento: “Morning Dew” [do bootleg Live at Barton Hall – 1977 (Grateful Dead)]



1 Comentario

  1. Obrigado ao Fernando pela dica de diversos sons que eu não conhecia, e parabéns para todos nós por chegarmos em um número tão expressivo de postagens, todas elas sendo escritas, comentadas e pensadas, não apenas um simples vídeo ou uma sequência de fotos retiradas de sabe-se lá onde. Mesmo com as colaborações com o Progshine e o Van do Halen, 97% do que está no blog é material próprio, elaborado pelas mentes de nossos consultores, e creio que é por isso que atingimos mais de 500 mil acessos em pouco mais de um ano na atividade.
    Vamos em frente, e que mais e mais postagens mantenham nossa chama e amor pela escrita sempre acesa!

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