“A Coluna Cinco Discos Para Conhecer será publicada excepcionalmente hoje, quinta feira, para dar lugar amanhã à uma matéria especial”.

Por Igor Miranda
Músicos nem sempre são os únicos responsáveis pelo produto final, que no caso é um álbum. Existem produtores que imprimem a sua marca de diversas formas possíveis. O homenageado de hoje não é simplesmente um produtor: é músico multi-instrumentista, pragmático e sempre entra de cabeça em qualquer projeto que se envolve. A seguir, cinco discos para conhecer o excêntrico Bob Ezrin.

Alice Cooper – Welcome to My Nightmare [1975]

O primeiro trabalho de reconhecimento de Bob Ezrin foi com a tia Alice: Love It To Death, de 1971. Quatro anos depois, a banda havia se desmanchado e, de agora em diante, o nome Alice Cooper correspondia ao próprio cantor e sua carreira solo. Um carrasco era necessário para aflorar a genialidade do personagem de Vincent Furnier, e Bob foi o responsável, já começando pela sugestão de contratar a banda de apoio de Lou Reed (com o maravilhoso guitarrista Dick Wagner, diga-se de passagem). Em suma, Welcome To My Nightmare é exuberante. Todos os seus 2610 segundos de duração parecem ter sido pensados e propositalmente colocados, nada por acaso, desde suas orquestrações (cortesia do produtor) até as composições de letra e melodia. O trabalho não só foi um dos maiores sucessos de Alice Cooper, como anunciou Ezrin para o mundo, servindo como referência para seu estilo de trabalho minucioso, versátil e altamente influente de acordo com a proposta.
2. Devil’s Food
4. Some Folks
5. Only Women Bleed
6. Department Of Youth
7. Cold Ethyl
8. Years Ago
9. Steven
10. The Awakening
11. Escape
Alice Cooper (vocal); Dick Wagner (guitarra, violão, backing vocals); Steve Hunter (guitarra, violão); Gerry Yons (guitarra); Prakash John (baixo); Tony Levin (baixo); Pentti “Whitey” Glan (bateria); Johnny “Bee” Badanjek (bateria); Bob Ezrin (sintetizadores, teclados, Fender Rhodes, backing vocals); Vincent Price (sintetizadores, backing vocals); Josef Chirowski (sintetizadores, teclados, clavinete, Fender Rhodes, backing vocals); David Ezrin (backing vocals) e Gary Lyons (backing vocals)

Kiss – Destroyer [1976]
Destroyer foi o maior desafio da carreira do Kiss e de Bob Ezrin. O desafio principal era fazer com que a banda desse um grande passo para a frente, adotando uma sonoridade que não fugisse dos padrões impostos nos trabalhos anteriores, mas que também não continuasse apenas reciclando o que já foi feito. Dessa forma, Ezrin pegou quatro garotos iniciantes e os transformou em quatro verdadeiros músicos. Para atingir o objetivo, algumas atitudes drásticas para o conceito Kiss foram tomadas: desde suas clássicas orquestrações em algumas composições, até aulas de teoria musical para os mascarados regidas pelo professor Ezrin. Dessa união saiu um clássico do Rock n’ Roll, que traz tanto seriedade quanto diversão na medida certa e que realmente elevou o Kiss a um novo patamar, mantido até a crise da formação clássica, ao fim da década.
2. King Of The Night Time World
4. Great Expectations
5. Flaming Youth
6. Sweet Pain
7. Shout It Out Loud
8. Beth
9. Do You Love Me?
Paul Stanley (guitarra, backing vocals, vocal); Gene Simmons (baixo, backing vocals, vocal); Ace Frehley (guitarra, violão, backing vocals) e Peter Criss (bateria, vocal, backing vocals)
Músicos adicionais:
Dick Wagner – guitarra solo em 5 e 6
Brooklyn Boys Chorus – vocal em 4
David e Josh Ezrin – vozes infantis em 3

Pink Floyd – The Wall [1979]

Em qualquer dicionário, a definição de música gira em torno de “uma forma de arte”. Tal definição foi perdida com o tempo, desde que o Elvis Presley gerou muitas cifras na década de 1950. A banda que melhor recuperou a real definição de música (ligada à arte) foi o Pink Floyd. E um de seus trabalhos supremos contou com um dedo de Bob Ezrin na produção: The Wall foi gravado e lançado em 1979 e permanece como um sucesso de vendas em âmbito mundial. Conceitual, minucioso e ousado, The Wall é milimetricamente perfeito. Representa o auge da criatividade do controverso Roger Waters e o melhor momento dos integrantes como conjunto e como integrante, solitário. Ezrin é creditado por ter sido a força que controlou o Pink Floyd no momento, e apesar do relacionamento conturbado com os integrantes (principalmente com Richard Wright), teve presença decisiva para absorver o que poderia sair de melhor para construir um dos best-sellers e um dos discos mais artísticos do Rock.
CD 1:
1. In The Flesh?
2. The Thin Ice
3. Another Brick In The Wall (Part 1)
4. The Happiest Days of Our Lives
5. Another Brick In The Wall (Part 2)
6. Mother
7. Goodbye Blue Sky
9. Young Lust
10. One Of My Turns
11. Don’t Leave Me Now
12. Another Brick In The Wall (Part 3)
13. Goodbye Cruel World
CD 2:
1. Hey You
2. Is There Anybody Out There?
3. Nobody Home
4. Vera
5. Bring The Boys Back Home
7. The Show Must Go On
8. In The Flesh
9. Run Like Hell
10. Waiting For The Worms
11. Stop
13. Outside The Wall
Roger Waters (vocal, baixo, guitarra e violão adicional, sintetizadores); David Gilmour (vocal, guitarra, baixo adicional, seqüenciador, sintetizadores, clavinete, percussão); Richard Wright (piano, órgão, sintetizadores, clavinete) e Nick Mason (bateria, percussão)
Músicos adicionais:
Jeff Porcaro – bateria em Mother
Lee Ritenour – guitarra-base em One Of My Turns e violão em Comfortably Numb
Joe Porcaro – caixa em Bring The Boys Back Home
Bleu Ocean – caixa em Bring The Boys Back Home
Freddie Mandel – órgão Hammond em In The Flesh? e In The Flesh
Bobbye Hall – percussão
Ron di Blasi – violão clássico em Is There Anybody Out There?
Larry Williams – clarineta em Outside The Wall
Trevor Veitch – mandolin
Frank Marrocco – concertina
Bruce Johnston – backing vocals
Toni Tennille – backing vocals
Joe Chemay – backing vocals
Jon Joyce – backing vocals
Stan Farber – backing vocals
Jim Haas – backing vocals
Fourth Form Music Class, Islington Green School, London – backing vocals
Bob Ezrin – teclados, arranjos orquestrais
Michael Kamen – arranjos orquestrais
James Guthrie – percussão, sintetizadores em Empty Spaces, sequenciador, bateria emThe Happiest Days Of Our Lives

Bonham – The Disregard Of Timekeeping [1989]

A estreia do Bonham é uma das mais diferentes do Hard Rock oitentista, gênero que se enquadrou, mesmo que erroneamente. Talvez pela presença de Bob Ezrin, não muito experiente em gêneros mais acessíveis. Mas é um dos discos de Hard Rock mais geniais feitos nos anos 1980, e vendeu muito bem. A trupe de Jason Bonham, filho do lendário John Bonham, soube dosar o experimental com o comercial, agradando os fãs dos dois lados. Seria equivocado esperar algo como o Zeppelin, aliás. The Disregard Of Timekeeping apresenta um instrumental arrojado e muito bem composto aliado aos vocais grudentos de Daniel MacMaster. Jason se destaca por suas linhas de bateria pesadas e nada “feijão com arroz”, como a maioria dos bateras que surgiram na época. Guitarra e baixo soam muito bem também. Há as esperadas orquestrações de Bob Ezrin, mas moderadas. Sintetizadores e teclados marcam maior presença. O produtor ocupou-se em gerenciar a criatividade do quarteto nas composições, tanto que tem crédito autoral em três faixas.
1. The Disregard Of Timekeeping
3. Bringing Me Down
4. Guilty
6. Dreams
7. Don’t Walk Away
8. Playing To Win
9. Cross Me And See
11. Room For Us All
Daniel MacMaster (vocal), Ian Hatton (guitarra), John Smithson (baixo, teclados, violino) e Jason Bonham (bateria, percussão)
Músicos adicionais:
Bob Ezrin – orquestração
Trevor Rabin – baixo, backing vocals
Jimmy Zavala – gaita
Bill Millay – teclados, sintetizadores
Duncan Faure – backing vocals

30 Seconds To Mars – 30 Seconds To Mars [2002]

Muita gente não deu nada para o 30 Seconds To Mars quando o mesmo surgiu: afinal, era um projeto do ator Jared Leto. Mero engano de quem não apostou nada, pois o grupo vendeu seus três lançamentos como água. Ao ver de quem vos escreve, apenas o primeiro atingiu um patamar de qualidade admirável – e advinha quem foi o produtor? Diferente de seus sucessores, a estreia auto-intitulada não descambou para o post-hardcore, pois apresentou composições ligadas ao rock progressivo, incluindo nuances variantes e instrumental complexo e pesado, além de vocalizações menos “berradas” (que não foi evitada nos sucessores) e forte presença de sintetizadores. É o único trabalho dos cinco que não contém ao menos uma composição assinada por Bob Ezrin, mas a presença e influência do cara no registro é notável mesmo assim.
1. Capricorn (A Brand New Name)
2. Edge of the Earth
3. Fallen
6. Echelon
7. Welcome to the Universe
9. End of the Beginning
10. 93 Million Miles
11. Year Zero (Hidden track: The Struggle)
Jared Leto (vocal, guitarra, baixo, sintetizadores, programação); Shannon Leto (bateria, vocal e guitarra na faixa oculta de 11) e Solon Bixler (baixo em 6, sintetizadores em 10, guitarra em 2, 4, 9, 10 e 11)
Músicos adicionais:
Bob Ezrin – piano em 8
Dr. Nner Tesy – sintetizadores adicionais
Maynard James Keenan – backing vocals em 3
Danny Lohner – programação em 3
Joe Bishara – programação em 4
Jeffrey Jaeger – baixo adicional em 4, 9 e 10
Brian Virtue – sintetizadores em 6

Bob Ezrin ao centro, com o Kiss, em 1976

2 comentários

  1. Mairon Machado

    Não conheço os dois últimos, mas é inegável que Bob Ezrin transformou a vida do Kiss, e principalmente, do Alice Cooper, através dos espetaculares Love it to Death, Killers, School's Out e o álbum citado. Não acredito que no The Wall ele tenha tido muita influência (até pq o Sr. Waters mandava e desmandava na época). Acho que o Division Bell tem muito mais da mão dele do que o The Wall, mas enfim, as escolhas estão muito boas, e eu realmente substituiria o 30 seconds (que não conheço) pelo Can't Look Away (Trevor Rabin)

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