Mark Stein, Carmine Appice, Vince Martell e Tim Bogert
Por Mairon Machado
Se você é fã de nomes como Deep Purple, Uriah Heep, Queen, Black Sabbath, Jeff Beck, Cactus, Cliff Burton (Metallica) e John Bonham (Led Zeppelin), entre outros, saiba que todos eles têm algo mais em comum do que o fato de serem grandes nomes do rock mundial. Todos de alguma forma foram influenciados por um quase desconhecido grupo norte-americano, cujo nome saiu de um simples sorvete com sabor baunilha. Estou falando do Vanilla Fudge.

Formado em 1965, o grupo durou apenas cinco anos, sempre com a mesma formação: o mágico Mark Stein (órgão, vocais), Carmine Appice (bateria, vocais), Vince Martell (guitarra, vocais) e Tim Bogert (baixo, vocais). Músicos de extremo talento – pequeno desconto para Martell, que evoluiu bastante com o passar do tempo -, que fizeram da união hammond, arranjos vocais, bateria e distorção uma saborosa guloseima sonora, exibida através de cinco álbuns de estúdio. Nesses discos, psicodelia e peso são colocados em um caldeirão efervescente, repleto de lisergia e alucinógenos, criando um som único, que foi copiado sem dó nem piedade pela Mark I do Deep Purple e pela fase inicial do Uriah Heep.

Depois de 1970, idas e vindas geraram mais três álbuns e mais alguns ao vivo, totalizando portanto oito álbuns de estúdio, que a coluna Discografias Comentadas deste domingo apresenta.

Vanilla Fudge [1967]
A estreia do Fudge é uma aula de psicodelismo e trabalho musical. Inovador é a palavra que melhor define esse disco. Com exceção das vinhetas “Illusions of My Childhood (Part One)” ”Illusions of My Childhood (Part Two)” e “Illusions of My Childhood (Part Three)” que são apenas trechos de 30 segundos intercalando as canções do lado B, citando momentos de “Strawberry Fields Forever” (The Beatles), as demais canções são covers, ou melhor, novos e belos arranjos para clássicos de Beatles (“Ticket to Ride” e “Eleanor Rigby”), Curtis Mayfield (“People Get Ready”), Zombies (“She’s Not There”), Sonny & Cher (“Bang Bang”), Supremes (“You Keep Me Hanging On“) e Trade Martin (“Take Me for a Little While”). O órgão de Stein é o centro das atenções nesses arranjos, criando camadas e camadas de tensão e barulhos insanos, inéditos até aquele momento, e que com o auxílio das violentas pancadas de Appice, as tinhosas linhas de Bogert, e os sentimentais (mas carente de técnica) solos de Martell, misturam-se aos arranjos vocais extremamente bem trabalhados, sessões instrumentais intrincadas (primórdios do progressivo) e que talvez, na época, somente o Moody Blues com Days of Future Passed conseguia igualar. Destacar alguma canção entre tantas pérolas é difícil, mas se for para começar, ouça a emocionante “You Keep Me Hanging On” (e veja de quem Ian Gillan copiou suas linhas vocais), o belíssimo trabalho vocal de “People Get Ready”, também apresentado na linda “Bang Bang” (esta para entender as experimentações clássicas do Deep Purple), e o espetáculo lisérgico de “Ticket to Ride”, para deixar o órgão fritar seu cérebro sem dó nem piedade, em uma das melhores versões para uma canção do Beatles. Citar o Deep Purple como referência é chover no molhado, já que Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Gillan sempre enaltecem a importância de terem ouvido os americanos para formarem suas ideias sobre música. Um clássico, que chegou rapidamente na sexta posição nas paradas americanas, mas não o melhor do Fudge.

The Beat Goes On [1968]
Tido por muitos como um dos maiores erros da história do rock, o segundo disco do Vanilla Fudge é daqueles que facilmente entra na lista do ame ou odeie. Para começar, nele não existe uma única canção completa, a exceção da curta faixa-título (mais uma versão para um clássico de Sonny & CHer) e de “Sketch“, uma bonita peça instrumental de Stein ao órgão e ao piano, apresentando a melodia de “The Beat Goes On”, que aparece repetidamente em quase todo o álbum. A história por detrás do disco é tão bizarra quanto o mesmo. O grupo havia brigado com o produtor George Morton, que resolveu criar o álbum sozinho, pegando partes de diversas canções e entrevistas de pessoas famosas, misturando tudo de forma que fosse criada uma história conceitual sobre o desenvolvimento da humanidade, e utilizando-se da sua criatividade para comandar o que o quarteto precisava gravar. São quatro Phases no total. A “Phase One” concentra-se na evolução da música, passando por trechos de nomes do século XVIII (Mozart), XIX (Stephen Foster) e o rock do século XX (destacando obviamente The Beatles). A maravilhosa “Phase Two” é voltada especialmente para Beethoven, mesclando passagens de “Moonlight Sonata” e “Fur Elise”, o que gerou uma grande polêmica na imprensa, pois ninguém havia ousado fazer uma versão rock pesado para músicas clássica até então. “Phase Three” é a mais desnecessária, já que traz apenas vozes de líderes de estado, como Winston Churchill, Franklin Roosevelt, John Kennedy, entre outros, durante discursos famosos. Por fim, “Phase Four”  apresenta os solos individuais de cada um dos membros do grupo, e serve para percebermos um pouco da evolução musical de Martell. A ideia acabou não surtindo efeito, e os próprios membros do Vanilla Fudge se recusam a comentar sobre o disco, alegando que a participação dos mesmos foi somente para não perder o emprego. Mesmo assim, ouvindo de cabeça aberta, é um álbum muito interessante, principalmente pelas passagens de “Phase One” e “Phase Two”, e que chegou na décima sétima posição nos Estados Unidos.

Renaissance [1968]

Fugindo da psicodelia e encarando o progressivo de frente, o Vanilla Fudge lança seu melhor trabalho. Maduros do ponto de vista de composição, praticamente abdicam do fato de criar em cima do que já havia sido criado, e passam a criar suas próprias canções. Cinco das sete canções são composições do grupo, quase todas com um clima soturno e assustador. Logo na abertura já podemos se arrepiar com a incrível “The Sky Cried – When I Was a Boy“, onde todos os instrumentos englobam os vocais graves de Stein, fazendo uma canção pesada e experimental, fugindo bastante do estilo do álbum de estreia, ainda mais com a inclusão dos barulhos de chuva e trovões. Outra paulada destruidora é o tornado “Faceless People”, composto por Appice e causador de muitas dores no pescoço por causa de seu riff pesadíssimo. “Thoughts” e “Paradise” são pequenas dicas do que o Uriah Heep veio a fazer meses depois, enquanto “That’s What Makes a Man” é uma balada poderosa, com um majestoso arranjo vocal. Aliás, os arranjos vocais estão cada vez mais trabalhados, e o órgão diminui seu espaço para complexas sessões instrumentais entre baixo, bateria e guitarra, como atesta a ótima “The Spell That Comes After“, imponente recriação para essa pérola escondida na obra de Essra Mohawk. Os tons sombrios são amplificados na melhor faixa de todas (e talvez a melhor da carreira dos americanos), a satânica e arrepiante versão de “Season of the Witch” (original de Donovan), que faz muito marmanjo headbanger se borrar todo com as assombrosas vocalizações imitando as bruxas que passeiam por detrás da janela do personagem principal, e a verdadeira tortura para cuecas e calcinhas causada pela mulher sussurrando por socorro. Com certeza, a frase “help me!” ainda fazem esses mesmos headbangers perderem várias noites de sono. O melhor disco do Vanilla Fudge, e fim de papo, que alcançou a vigésima posição nas paradas americanas.

Near the Beginning [1969]
Apesar de ser o maior exemplo da guerra de egos que ocorria internamente na banda, este é outro trabalho magistral, apresentando a evolução individual de cada membro do Fudge. Quem mais se destaca é Martell, atacando o wah-wah sem piedade durante quase todos os 45 minutos desse grande disco, que retira o Vanilla Fudge do progressivo e finca seu pé no hard pesado. “Shotgun” (Jr. Walker & The All Stars), é para colocar o quarto abaixo através de um boogie pesado e dançante, no qual o wah-wah é o rei soberano, tendo a companhia dos solos de baixo, órgão e bateria, tudo isso em pouco mais de seis minutos, aglomerados com maravilhosas vocalizações. “Some Velvet Morning” (Lee Hazlewood) é um ataque aéreo do baixo, carregado de distorção (algo inédito naquela época),  e comandado pelo general Appice, que diz quando e como as pesadas notas do baixo devem ser aliadas ao órgão e a guitarra. O mais impressionante é a alternância da mesma, pois logo após o barulho inicial, recebemos uma divina balada, na qual os vocais se destacam sobre emocionantes passagens do órgão, voltando à leveza e continuando este ciclo até o final. Já “Where is Happiness” resgata o lado psicodélico dos discos anteriores, tendo uma sinistra introdução, que lembra bastante “A Saucerful of Secrets” (Pink Floyd), e o mais complicado acompanhamento da vida de Appice. O lado B é totalmente dedicado para “Break Song“, gravada ao vivo no Shrine Auditorium ainda em 1968, e que possui solos magistrais de cada membro do Fudge, sempre com uma base muito veloz da bateria e baixo, sendo este carregado de distorção até o último volume. Grande disco, que atingiu a décima sexta posição nos charts americanos, e que nasceu no mesmo ano de lançamentos épicos como Tommy (The Who), Volunteers (Jefferson Airplane) e Led Zeppelin (Led Zeppelin), mas não perde em nada para esses álbuns, pois a extravagante mistura de peso e psicodelia criada pelo Vanilla Fudge foi registrada no melhor momento da banda. 

Rock & Roll [1969]
Poderia um comercial para a Coca-Cola acabar com uma banda? Se esta fosse o Vanilla Fudge, sim. O disco que encerra a primeira fase do grupo é o mais fraco da mesma. Apesar do nome, em Rock & Roll temos o mais eclético dos álbuns Fudgeanos. Ele começa com o hard alucinante de “Need Love“, mais uma prova da evolução musical de Martell, com um rock furioso, com solos rasgados de hammond e guitarra, e que já vale a aquisição do LP. No mais, temos flerte com a música gospel (“Lord in the Country”), hards simples (“Street Walking Woman”) e muitas baladas emotivas, as quais são “I Can’t Make it Alone”, cover para a canção de Carole King; “Church Bells of St. Martins”, com vocalizações muito parecidas com o que o Queen faria anos depois; e a linda “The Windmills of Your Mind“, cover emocionante para essa pérola da música francesa de Michel Legrand; e a ótima versão para “If You Gotta Make a Feel Somebody”, de Rudy Clark, com Martell e Stein rasgando a voz como podem.  Um disco mediano, que talvez pelo excesso de baladas, demora a agradar, mas com o passar do tempo, se torna uma apreciável audição. Com ele, o Vanilla Fudge chegou pela derradeira vez a figurar nos charts americanos, atingindo a trigésima quarta posição. Pouco depois o quarteto acabou, com Bogert e Appice indo fundar o Cactus (a ideia era montar um power trio com Jeff Beck, o guitarrista do comercial citado, e que gerou toda a controvérsia para o fim da banda, mas o trio só ocorreu em 1972, o hoje idolatrado Beck Bogert Appice), Martell abandonando a música e Stein tentando seguir mais algum tempo com o Vanilla Fudge, ao lado de Sal D’Nofrio (baixo) e Jimmy Galluzi (bateria), o que não durou mais de dois meses. Demorariam doze anos para que o nome Vanilla Fudge voltasse à cena.

Mystery [1984]
Após o lançamento da coletânea Best of Vanilla Fudge, em 1982, o grupo se reuniu quatorze anos após o fim em 1970, tendo na formação Appice, Bogert, Stein e o guitarrista Ron Mancuso. A expectativa em torno do que iria sair de Mistery foi maior do que o resultado final, que desagradou em muito aos fãs originais, e também a imprensa. O resultado pode ser decepcionante, mas visto com outros olhos, é fácil entender por que poucos gostam deste disco. Na verdade, nele não há nenhum indício da barulheira e peso da década de 60, mas uma revitalização e adaptação ao som oitentista, tendo como referência o “na  moda” AOR. O resultado é um disco carregado de sintetizadores, sem nenhuma participação do famoso órgão hammond, levadas e solos de guitarra de tirar o fôlego, belos arranjos vocais ou viradas de baixo e bateria para colocar a casa abaixo. Mas é um AOR da melhor qualidade. “Jealousy” (com participação especial de Jeff Beck, escondido sob o pseudônimo J. Toad), “Walk on By” e “The Stranger” são as melhores faixas, mas pode ser dado destaque para os perfeitos arranjos AORianos de “Golden Age Dreams“, “Under Suspicion” (esta carregada de eletrônicos), “Don’t Stop Me Now” e “Hot Blood”. Difícil mesmo é entender como a pior canção do disco acabou dando nome ao mesmo, e aturar “It Gets Stronger” ou “My World is Empty” é pedir para chorar e muito. O grupo separou-se novamente, reunindo-se em 1987 e 1988 para comemorar os 40 anos da Atlantic Records, até cada um seguir seu caminho de vez. E quanto a Mistery, é um forte candidato a participar da sessão I Wanna Go Back, do colega Diogo Bizzoto, mas infelizmente, apesar de ser um disco bem regular, disparado o candidato a pior disco do Vanilla Fudge.

Vanilla Fudge 2001 – The Return [2001]
Se Mystery poderia estar na sessão I Wanna Go Back, Vanilla Fudge 2001 – The Return é um bom exemplo a ser utilizado na sessão Oops … I did it Again. Tudo por que depois de mais uma tentativa frustrada de retorno do grupo em 1990, que resultou no álbum ao vivo The Best of Vanilla Fudge – Live (1991), chegaram os anos 2000, e com ele, outra reunião, dessa vez com Martell, Appice e Bogert, além do tecladista Bill Pascali. O quarteto lançou um novo álbum, resgatando velhos clássicos Fudgeanos para os jovens, além de criar arranjos para canções que na época eram as principais nas rádios do planeta. Concentrando-se nas revisões para suas próprias canções, oito das onze faixas são pertencentes a essa classificação. Algumas delas ficaram quase iguais as versões originais (“You Keep Me Hanging On”, “People Get Ready”, “Take Me for a Little While”, “Need Love” e “She’s Not There”) sendo a bateria o vilão do arranjo. Já  “Shotgun” e “Good Good Lovin’” ficaram muito piores do que as versões originais, não merecendo o atentado aqui cometido. Por fim, a versão de “Season of the Witch” acaba sendo uma maravilhosa busca por alguma diferença entre a versão original e a nova versão, revelada no final dessa assustadora e fantástica canção, que aqui, admito sem medo de errar, acaba ficando bem melhor que o que ouvimos em Renaissance. Das covers novas, duas surpreendem, as quais são “Ain’t That Peculiar” (original de Marvin Gaye) e “Tearin’ Up My Heart” (original do N’ Sync). Sim, uma canção dos almofadinhas americanos conseguiu ficar bem legal com o Vanilla Fudge, e a homenagem surpresa não para por aí, já que os também almofadinhas Backstreet Boys foram homenageados com uma versão para “I Want it That Way“, essa sim, apesar de pesada, não fazendo jus ao grandioso nome do Vanilla Fudge. Um bom álbum, apesar de algumas derrapadas, e que recebeu três relançamentos distintos. Return (2002) trouxe uma versão suingada de “Do Ya Think I’m Sexy”, de Rod Stewart, cantada por Appice e com a participação especial do próprio Stewart fazendo vocalizações, em adição as demais. Já Return (2003) possui as mesmas canções da versão de 2002, acrescidas de uma versão psicodélica para “Tearing Up My Heart”. O último lançamento foi Then and Now (2004), que retirou do track list “Ain’t That Peculiar”, substituindo-a por uma interessante revisão de “Eleanor Rigby”. 

Out Through the In Door [2007]
Stein voltou ao grupo em 2006, e com o quarteto original, pintou a ideia de homenagear um dos grupos que teve pequena mas importante influência do Vanilla Fudge, o Led Zeppelin, já que John Bonham fazia suas viradas totalmente saídas das viradas de Appice. O Vanilla Fudge até que tentou seguir o arranjo original, mas apenas em seis das doze canções selecionadas ouvimos igualdade, sendo os outros 50% bem diferente e excepcional. “Immigrant Song” está nas que manteve um formato similar ao original, destacando o baixo cavalgante de Bogert, apesar dos sintetizadores, assim como “Trampled Under Foot”, “Dazed and Confused”, “Fool in the Rain”, “Rock and Roll” e “All My Love”, onde a principal diferença fica no timbre vocal de Stein e Bogert em comparação à Plant. “Ramble On”, “Black Mountain Side”, “Babe I’m Gonna Leave You”, “Dancin’ Days”, “Moby Dick” e “Your Time is Gonna Come” receberam uma revitalizada que em pouco lembram as versões originais. “Black Mountain Side” e “Your Time is Gonna Come” são as que mais chama a atenção, tendo um bonito arranjo com órgão e violão, e o arranjo com piano elétrico e guitarra para “Babe I’m Gonna Leave You” ficou muito bom, dando mais peso e dramaticidade para essa pérola do álbum de estreia do Zeppelin. E o que dizer de “Moby Dick”? Appice transformou o solo de Bonham, falecido em setembro de 1980, colocando velocidade e principalmente, demonstrando a técnica e pegada que influenciou o homenageado. O álbum contou com a participação especial de Vince Wasilewski nos vocais de duas faixas: “Ramble On” e “Immigrant Song”, e é o último disco oficial do grupo até o presente momento.

Tim Bogert, Mark Stein, Vince Martell e Carmine Appice.
Vanilla Fudge versão 2000.

Complementando a discografia do Vanilla Fudge, em 2007 foi lançado o ao vivo Good Good Rockin’ – Live at Rockpalast. Em 2008, mais dois álbuns ao vivo chegaram às lojas: Orchestral Fudge e When Two Worlds Collide. Na década atual, o grande lançamento foi a caixa Bof of Fudge (2010), trazendo quatro CDs que abrangem a primeira fase do Vanilla Fudge, sendo dois CDs somente com versões ao vivo nunca lançadas anteriormente. Os cinco primeiros álbuns foram relançados em CD, trazendo diversas faixas bônus cada um, em versões que valem a pena serem adquiridas. Entre 2003 e 2007, foram lançados os ao vivo The Return – Live in Germany Part 1 (2003), The Real Deal – Vanilla Fudge Live (2003) e Rocks the Universe – Live in Germany Part 2 (2006), outros interessantes acréscimos na discografia do Fudge.

O grupo permanece na ativa, fazendo shows revivals ao lado do Yardbirds, e tendo na formação Appice, Stein, Martell e o baixista Pete Bremy. Uma ótima forma de trazer para os jovens a fonte da inspiração de algumas das principais bandas da década de 70.

Encerro essa postagem com o comentário de um dos principais guitarristas do rock, Ritchie Blackmore (Deep Purple, Rainbow, …), e a sua opinião sobre o Vanilla Fudge:

A lenda do rock diz que o maior nome do rock em 1967 era Jimi Hendrix, mas isto não é verdade. Era o Vanilla Fudge. Todo mundo ia assistir eles, desde Eric Clapton até os caras do Beatles. Eles tocavam músicas de oito minutos, que eram dinâmicas. Nós ouvíamos aquilo e pensávamos: “Que está acontecendo? Como que isso não tem três minutos?”. Era um grupo além de seu tempo, e quando eu encontrei com Jon Lord, nossa ideia era ser exatamente um clone do Vanilla Fudge“. 

6 comentários

  1. Marco Gaspari

    Essa declaração final do Richie Blackmore até arrepia. Quem é fã de Vanilla Fudge sempre teve que conviver com entusiastas do hard que encaram a banda mais pela cozinha fenomenal de Bogert e Appice. Bobagem, o grupo todo era nivelado por cima e sabia dosar talento e pretensão como poucos. Tenho um VHS antigo com um clip deles na época do disco de estréia (deve ter no Youtube, mas não procurei) que é uma das coisas mais soturnas que já vi. Esse Lp chegou a sair no Brasil, mas foi só ele, o que pode explicar esse pouco caso pelo grupo, já que é um disco de covers (e que covers!!!). Mas quem foi além ama esse grupo de paixão. Achei que o Mairon foi bonzinho com The Beat Goes On ao descrevê-lo como um dos maiores erros da história do rock. Nunca vi disco tão malhado. 9 entre 10 reviews escritos entre os anos 60 e 70 o apontavam como o pior disco de rock já gravado. Não é à toa que o grupo nunca se sentiu à vontade para falar desse trabalho. Conheci o disco no comecinho dos anos 70, numa cópia stereo (existe mono) que tive o prazer de passá-la recentemente para um amigo muito querido. Felizmente The Beat Goes On foi aos poucos conquistando fãs a partir dos anos 80 e hoje dificilmente você lê algo a respeito dele que não contenha ressalvas mais que positivas. É mais uma prova do quanto o Fudge estava à frente do seu tempo. Renaissance e Near the Beginning são irretocáveis. Densos, pesados, intrincados e pouco lembrados ou comentados nos fóruns virtuais. Não concordo que a banda seja desconhecida. Talvez sim pelas novas gerações, mas foi um nome de respeitável sucesso e muito prestígio em seus áureos dias. E mesmo gravando músicas dos outros influenciou até aqueles a quem copiou. O disco baladeiro deles, Rock & Roll, eu ainda tenho em vinil. Ouvi muito pouco, assim como não conheço os discos mais recentes. Gostei de ler esta sua discografia comentada, Mairon. Você foi uma mãe pra mim neste 13 de maio.

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  2. Mairon Machado

    Muito obrigado por vossas palavras Marco, foi como um Discografia Comentada em doses homeopáticas, mas que resumem bem a importância dos discos iniciais do Fudge. Eu acredito que a história ainda vai dar mais valor ao grupo, e o fato de não termos seus discos lançados no Brasil ajuda para este que vos escreve pensar que não são tão reconhecidos assim. Talvez nos states os caras tenham mais fama, mas o que me indigna mais é que a maioria só conhece o Carmine Appice por ser irmão do Vinnie Appice, que em comparação com o Carmine é muiiiiiito mais fraco.

    Escrevi um pouco da história do Fudge no meu blog. A segunda parte entrará em breve. Para quem quiser dar uma lida, aqui está

    http://baudomairon.blogspot.com.br/2012/05/vanilla-fudge-parte-i.html

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  3. Fábio RT

    O Vinnie Apice não toca 1/5 do que o irmão…alias o Carmine deve entrar em qualquer lista séria dos mais importantes bateristas do rock… dos discos aí…ouvi os mais antigões e o tributo ao LED… são beeeeemmmm bacanas…mas confesso que o the beats goes on eu ainda não consegui processar…mas vamos dando tempo ao tempo… quem sabe um dia …

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  4. Pedro1969

    Reparei que a capa do album Mistery lembra muito a capa do grupo alemão Rage Reign of Fear de 1986…Abs. Pedro1969…

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