Os Sete Pecados do Rock Nacional – Parte VII: A luxúria (Raimundos [1994])

24 de abril, 2012 | por Mairon
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Por Mairon Machado

Chegou o ano de 1994, e o rock nacional estava jogado às traças. Depois do lançamento de seis álbuns totalmente diferentes, por seis dos principais nomes da cena musical brasileira, o marasmo predominava. Não somente os álbuns lançados por Ira!, Ultraje a Rigor, Raul Seixas e Marcelo Nova, Engenheiros do Hawaii, Titãs e Legião Urbana, eram os culpados. A invasão do grunge na quarta edição do Hollywood Rock, em 1993, com Nirvana, Alice in Chains e ainda o Red Hot Chili Peppers botando o Sambódromo do Rio de Janeiro  e o estádio Morumbi abaixo, praticamente humilhou nossos músicos.

Se antes a Europa havia começado a ser conquistada por Titãs e Engenheiros do Hawaii, entre outros, agora, restava para os brasileiros divertir-se com novas bandas, como Skank. Somente o Thrash Metal do Sepultura ainda resistia bravamente aquele período insosso e sem criatividade, com o álbum Chaos A. D. (1993) também causando uma mudança sensível no som do grupo, tornando-o mais pesado e com letras sem conotações satanistas, voltadas para política e problemas sociais. Tanto que estes foram os nomes principais que representaram o país na quinta edição do Hollywood Rock, em 1994, ao lado do Titãs, que apesar de Titanomaquia (1993) não ter feito tanto sucesso, ainda tinha sua reputação em alta com os produtores de shows.
Até mesmo o Viper, principal expoente do heavy nacional, que havia lançado há pouco o magistral Maniac in Japan (1993), parecia estar sofrendo de algum problema na sua engrenagem, com o álbum Coma Rage (1995) voltando suas raízes para o punk rock e em nada lembrando os momentos melódicos que consagraram a banda na europa e nos países asiáticos.
O mais engraçado (e estranho) é que até mesmo o grunge já tinha passado seu auge. Tanto que a tal quinta edição do Holywood Rock não contou com nenhum grupo do gênero, deixando para Poison e Ugly Kid Joe, bem como os veteranos Aerosmith e Robert Plant, o posto de tentar cativar o público, que por incrível que pareça, aplaudiu e vibrou muito mais com a apresentação da recém-falecida Whitney Houston do que com os já vovôs Steven Tyler e Robert Plant.
Algo realmente novo precisava surgir na música nacional, que sacudisse as paradas e a mentalidade do povo brasileiro. O que pouca gente esperava é que esse algo novo fosse surgir em Brasília, mesma terra de onde praticamente começou a BRock com o Plebe Rude, Legião Urbana e Capital Inicial, e que isso fosse resultar no pecado da LUXÚRIA de forma escancarada. O nome do pecador, tão brasileiro quanto a feijoada: Raimundos.
Canisso, Fred, Digão e Rodolfo
Nascido em 1988, o grupo possuía em sua formação Digão (bateria), Rodolfo Abrantes (guitarra) e Canisso (baixo). O som era totalmente inspirado nos grandes nomes do punk rock, como Dead Kennedys, Sex Pistols e principalmente, Ramones, sendo que bem no começo, o grupo era uma banda cover dos americanos, tanto que o nome Raimundos é uma homenagem à Joey Ramone e cia. 
Aos poucos, o trio começou a cômpor suas próprias canções, e assim começou a aparecer a influência da música nordestina no som do Raimundos. Porém, o sucesso não aconteceu, e dois anos depois, o Raimundos deixou de existir. A partir dali, Canisso foi cursar direito, Rodolfo foi morar no Rio de Janeiro e Digão começou a aprender e tocar guitarra, pois passava por problemas de audição por causa da bateria.
Mas, em 1992, em um bar de Goiânia, o trio de amigos voltou a se ver depois de algum tempo, e a vontade de tocar voltou à cena. Com Digão assumindo a função das guitarras, faltava um baterista, e o posto foi ocupado por um antigo amigo do grupo, Fred. Surgia a formação clássica do Raimundos, que no ano seguinte, gravou sua primeira fita demo, trazendo as canções “Nega Jurema”, “Marujo”, “Palhas do Coqueiro” e “Sanidade”. Essa demo já demonstrava o lado inovativo do grupo, com letras de pura sacanagem e uma mistura perfeita e contagiante de forró e axé em meio ao peso das guitarras do punk e por que não, do thrash metal, e rapidamente, o nome do Raimundos cresceu entre produtores e organizadores de festivais, levando-os a mudar para o Rio de Janeiro, onde viram figurinha carimbada apresentando-se no Circo Voador, abrindo para gigantes do porte de Ratos de Porão e Camisa de Vênus.
Digão, Rodolfo, Fred e Canisso
O grande passo dado foi uma temporada ao lado do Titãs. O som dos garotos de Brasília agradou aos paulistanos, que estavam vivenciando sua fase mais thrash metal, levando então o Raimundos a ser um dos primeiros contratados do selo Banguela Records, criado pelo Titãs em parceria com o produtor Carlos Eduardo Miranda. Não demorou para que Canisso, Digão, Rodolfo e Fred entrassem nos estúdios Be Bop em São Paulo, registrando o LP de estreia.
Lançado em 12 de maio de 1994, Raimundos chocou a população brasileira e aos jovens que buscavam algo novo. O estilo intitulado forró-core era algo tão inovador que acabou abrindo espaço para muitos outros grupos fazerem algo parecido, influenciando muitos jovens a formarem bandas no mesmo estilo, e principalmente, a ter um entusiasmo por aprender a tocar um instrumento (algo que nenhuma das bandas do BRock conseguia fazer naquela época).
Outro fator que ajudou ainda mais a chamar a atenção para os brasilienses era o conteúdo das letras, abrangendo em sua maioria temas relacionados ao sexo, proporcionando uma LUXÚRIA jamais vista e ouvida em um vinil nacional, auxiliado por um peso que aumentava ainda mais a sujeira sexual cantada por Rodolfo em doze das quatorze canções do LP (dezesseis do CD), sendo as demais defendendo o uso de drogas como a maconha. 
Digão, Fred, Rodolfo e Canisso
Finalmente, a participação especial de diversos nomes de peso, como João Gordo (Ratos de Porão), Carlos Eduardo Miranda (Atahualpa Y Os Panquis) e os Titãs Branco Mello, Nando Reis, Paulo Miklos e Sérgio Britto, complementaram e fizeram com que a receptividade de Raimundos fosse bem aceita pela mídia, admiradora convicta, apesar dos pecaminosos Tudo ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia, do trabalho dos Titãs.
Raimundos abre com a história de Dudu, o jovem menino que perde a virgindade em um “Puteiro em João Pessoa”. O ritmo lento dos violões e da bateria, com vocalizações, tendo um nordestino reclamando que quer rock, traz as vocalizações de “na-na-na“, para Rodolfo contar a história sobre o riff grudento de Digão e Canisso, sem ser veloz, com o menino sendo levado para o aprendizado por seus primos. Ao chegar no roda-viva (o tal puteiro), a canção ganha peso, e com baixo e guitarra fazendo notas velozes, Rodolfo mostra um dos seus principais talentos, que é a capacidade de entoar várias palavras em poucos segundos. O ritmo inicial volta, e assim, chegamos ao refrão, onde Dudu perde a virgindade, descobrindo que a vida é boa, encerrando esse grande clássico do Raimundos.
A canção seguinte trata a história de um cidadão que espera pela amada, sozinho debaixo  das “Palhas do Coqueiro“, vislumbrando que a garota amada está traindo-o em um motel. Um punk rock mais simples, começando com o riff e as vocalizações de Rodolfo, que canta de forma debochada, no estilo brega, destacando a sujeira das guitarras e as belas viradas de Fred. A canção ganha velocidade quando o cidadão começa a imaginar o que está acontecendo no motel onde supostamente está sua amante, voltando ao ritmo inicial para encerrar a canção com as mesmas vocalizações.
A agressiva “MM’s” conta a fúria de um garoto com uma menina safada, que apenas o provoca  através de brigas infantis. Os xingamentos e palavrões são expelidos por Rodolfo em um ritmo veloz, com Fred socando a bateria e com Digão e Cassino fazendo a base que lembra muito canções do Toy Dolls. A voz de Rodolfo soa agressiva, tendo a participação de backing vocals fazendo intervenções, destacando o virtuoso solo que encerra a canção, feito por Guilherme Bonolo. 
“Minha Cunhada” é outra agressiva, com a cunhada ensinando o cunhado como fazer sexo, lembrando bastante o Ramones na fase inicial, e com Rodolfo novamente cantando várias palavras por segundo. O engraçado refrão, apesar dos palavrões, agitou muita festa país afora. Já o uso do crack é apresentado em “Rapante”, que tem poucas frases com conotação sexual (em comparação as demais), começando com o baixo de Cassino imitando um ritmo nordestino, seguido pela pesada guitarra de Digão e o ritmo de Fred. Rodolfo canta como se fosse um nordestino, com sua voz fanha, e essa é uma das canções mais pesadas do LP, e é a terceira mais longa, com 3 minutos e 3 segundos, ficando atrás apenas de “Puteiro e João Pessoa” (3 minutos e 8 segundos) e “Selim (4 minutos e 14 segundos). Isso dá mais relevância ao lado punk no som do grupo.
Os palavrões continuam na canção seguinte, com o homem explicando como a mulher é um “Carro Forte” em mais uma canção tipicamente Ramones, principalmente pelo seu riff introdutório, com destaque para o baixão de Canisso. A segunda canção a defender o uso de drogas é “Nêga Jurema“, a qual começa com uma pessoa acendendo um baseado, virando mais um punkzão ramoneano na sequência, porém com mais peso, e com Rodolfo cantando muito, soltando diversas palavras em poucos segundos de muita pauleira.
O lado A encerra com mais um punk no estilo Ramones de tocar, que é “Deixei de Fumar / Cana Caiana”, duas canções em uma só, onde a primeira defende o uso da maconha e a segunda fala da traição de uma esposa, porém com palavras em duplo sentido, com acordes simples e sem inovações. 

Face do encarte de Raimundos
A história de como Maricota começou a fazer sexo é contada em “Cajueiro / Rio das Pedras”, a canção que abre o lado B, sendo “Cajueiro” uma canção de domínio público adaptada ao estilo Raimundos, com Rodolfo cantando, como se fosse uma dupla de sertanejo, chorosamente a letra da canção, repetindo-a posteriormente em um ritmo punk, entrando então em “Rio das Pedras”, que mantém o ritmo do punk rock tradicional, tendo a participação da sanfona de Zenilton.
Drogas e sexo são os temas de “Bê A Bá”, começando com o baixão de Canisso e as notas  da guitarra de Digão, trazendo a bateria de Fred para comandar uma canção próxima ao grunge, com várias mudanças de andamento, sendo uma das melhores do LP. “Bicharada” é uma canção estranha, que obviamente, fala de sexo, mas sem um sentido mais concreto, como as demais, voltando a levada punk, e com Rodolfo cantando com a voz mais suja e agressiva, destacando o famoso o refrão que fala que “o passarinho tão bonitinho é viadinho“.
Já “Marujo” fala a história de um maconheiro nordestino que decide se alistar na marinha, e acaba se dando mal, sem ter muitas conotações sexuais. A guitarra de Digão imita o apito de um navio, entre barulhos de água, começando uma lenta e pesada faixa, que aos poucos transforma-se em um veloz punk rock, com os riffs sujos de Digão mandando ver, e finalmente, chegando na levada característica das canções do Toy Dolls, sendo que o refrão é um forró pesado contando novamente com a presença da sanfona de Zenilton.
A canção com menos palavrões de Raimundos narra a história de um cidadão que se apaixona pela mulher mais feia que o mundo já viu, e que possui uma “Cintura Fina“, outra fortemente posicionada entre as melhores, com um belíssimo riff de guitarra e baixo, e com Rodolfo cantando muito bem, sendo que esta possui o melhor refrão e o melhor arranjo instrumental e vocal de todas as faixas do LP.

O LP encerra-se com a clássica “Selim”, onde o homem deseja ser o “banquinho da bicicleta” e “a calcinha daquela menina”, somente para ficar perto das partes sexuais da menina. Assim como “Puteiro em João Pessoa”, essa foi a responsável por fazer de Raimundos o grande sucesso de 1994. O tema inicial, acompanhado levemente pelo baixo e pela bateria, traz Rodolfo cantando com voz grossa e chorosa a safada letra da canção, na mesma melodia do tema inicial, uma pseudo-balada-pornográfica, com muita sacanagem, e que tocou muito país afora, destacando o bonito solo de encerramento feito por Guilherme Bonolo.
Contra-face de Raimundos
Cinco singles foram lançados: “Puteiro em João Pessoa”, “Palhas do Coqueiro”, “Nêga Jurema”, “Bê A Bá” e “Rapante”. “Nêga Jurema” recebeu um clipe especial, dirigido por José Eduardo Belmonte, e que acabou sendo uma das escolhidas para representar o Brasil na programação da MTV americana, perdendo porém para o clipe de “Territory”, do Sepultura. A versão em CD ainda conta com “Puteiro em João Pessoa II”, sem a participação do nordestino no início da canção, e uma versão acústica para “Selim”, preservando da parte elétrica apenas o solo de guitarra.
Branco Mello, Paulo Miklos e Sérgio Britto fazem backing vocals em “Carro Forte”, “Bê A Bá” e “Bicharada”. Nando Reis tocou violão em “Puteiro em João Pessoa” e viola em “Selim”. Paulo Miklos faz backing vocals em “Carro Forte”. Já Carlos Eduardo Miranda faz backing vocals em “Minha Cunhada” e toca pandeiro em “Cintura Fina”. Já João Gordo faz backing vocals em “MM’s”. Além destes, Raimundos também tem a participação de Guilherme Bonolo (backing vocals em “Puteiro em João Pessoa”, “Palhas do Coqueiro”, “Minha Cunhada”, “Nêga Jurema”, “Cana Caiana”, “Marujo” e “Cintura Fina”, além do solo de “MM’s” e “Selim”), Ivan David (backing vocals em “Puteiro em João Pessoa” e “Nêga Jurema”) e Zenilton (berro em “Rapante”, sanfona em “Rio das Pedras” e “Marujo”).
Raimundos, com suas letras falando abertamente sobre sexo, em uma LUXÚRIA inédita no país, alcançou mais de 150 mil cópias vendidas e consolidou o nome do Raimundos entre os principais grupos de rock do país, com a revista Rolling Stone brasileira colocando-o entre os 100 melhores discos da música brasileira, na posição 45. “Puteiro em João Pessoa” virou história em quadrinhos na coletânea Cesta Básica (1996), tendo ilustrações do cartunista Angeli.
A revista do álbum Cesta Básica, inspirada em “Puteiro em João Pessoa”
Porém, já em 1995, o Brasil foi acometido da vergonha do É O Tchan, onde através de letras de duplo sentido, e de duas dançarinas extremamente gostosas, com shortinhos curtos e rebolando suas nádegas sem parar, criou um novo (e horroroso) jeito de se fazer música, e sendo um sucesso em tudo que é canto do país. As letras diretas sobre sexo do Raimundos não faziam mais sentido, pois o que era legal mesmo era o duplo sentido (“Segura o tchan“, “vai ralando na boquinha da garrafa” e por aí afora). 

Para o rock nacional, nenhum grupo foi tão capaz de unir as letras de duplo sentido com a irreverência do Raimundos como o Mamonas Assassinas. Dinho (vocais), Bento (guitarras), Samuel (baixo), Júlio (teclados) e Sérgio (bateria) venderam mais de um milhão e meio de cópias em todo o país, e tiveram sua meteórica carreira aniquilada por um trágico acidente aéreo em 03 de março de 1996, deixando apenas um disco registrado (Mamonas Assassinas, de 1995), o qual foi o último disco do rock nacional com alguma inovação até o início dos anos 2000, quando o Los Hermanos chutou o balde e lançou Bloco do Eu Sozinho, misturando samba, choro, rock e outros estilos.

Mamonas Assassinas (acima) e Los Hermanos (abaixo);
Os últimos inovadores do rock nacional?

Ao Raimundos, coube adaptar-se a onda do duplo sentido, vindo com o álbum Lavô Tá Novo (1995), que apesar de manter o punk rock de seu álbum antecessor, não contém tanta LUXÚRIA quanto Raimundos, deixando muito disso escondido através de letras com duplo sentido, que fizeram com que Lavô Tá Novo vendesse quase meio milhão de cópias.

Mas, o sentido e a graça da estreia haviam se perdido. Cada vez mais, o grupo brasiliense foi sofrendo do pecado de ter cometido a LUXÚRIA inicial, e afastando-se ainda mais da imagem hilariante, voltando a atenção para as letras de duplo sentido, como  “Andar na Pedra” (Lapadas do Povo, de 1997) e “Me Lambe” (Só No Forévis, de 1999). Apesar de ambos os discos terem vendido bastante, os fãs antigos não enxergavam o Raimundos original, e claro, a presença constante do grupo na mídia, animava aos jovens, mas fazia com que os seguidores iniciais torcessem o nariz, ainda mais com o grupo tendo aparecido no programa TV Xuxa. Para se ter ideia do sucesso que Só No Forévis atingiu (graças à suas letras de duplo sentido), o álbum vendeu 850 mil cópias, quase oito vezes mais que o álbum de estreia.

Formação atual do Raimundos, longe de serem os pecadores do início da carreira
O pior ocorreu em 2001, com o anúncio oficial do término do grupo, com Rodolfo indo integrar uma Igreja Evangélica (sendo que inclusive lançou um disco com letras religiosas). Uma vergonha geral para os fãs do grupo, que mesmo com a volta do Raimundos ainda em 2001, nunca mais teve o número e a paixão como nos anos 90.

O Raimundos mantém-se na ativa, graças a vontade de Fred e Canisso, os únicos remanescentes da formação original, fazendo shows de médio porte, contabilizando mais de 300 apresentações em três anos, mas o que é pouco para este que foi considerado o maior grupo de rock do país na década de 90.
E quanto ao rock nacional, como citado, depois do Mamonas Assassinas demorou para haver algo de novo. Vários foram os grupos que surgiram, mas que acabaram virando “bandas de um hit só”, como é o caso de Virgulóides (esse também lançado por Carlos Eduardo Miranda, seguindo uma linha parecida com o Raimundos, mas empregando bastante as letras de duplo sentido), LS Jack, P. O. Box e Wilson Sideral. Poucos foram os que conseguiram sobreviver, como é o caso do O Rappa, Skank e Jota Quest. Pior ainda foi ver surgir grupos como Detonautas, CPM 22, e mais recentemente, Restart e todos os seguidores do chamado “rock colorido”, que em nada acrescenta à música nacional.
Restart, uma das novas baboseiras do rock colorido
O Los Hermanos foi o único dessa geração que, apesar de ter tido tudo para viver apenas do hit “Anna Julia” (lançado no álbum de estreia, em 1999), resolveu virar as costas para a mídia e inovou de vez, mesclando choro, samba, rock, poesias líricas e temas belamente trabalhados, que se não apareciam na rádio e na TV, eram difundidos pelo boca-a-boca dos fãs, criando uma legião de seguidores do mesmo nível do que era a legião que seguia Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. A pausa iniciada em 2006, com várias idas e vindas nesse meio tempo, só demonstra que passados seis anos, o Los Hermanos ainda é o grupo de rock nacional (com exceção dos grandes nomes do metal como Angra e Sepultura) que mantém os fãs comprando e falando sobre a banda.
Os demais, ainda não tiveram a capacidade de fazer algo diferente, e principalmente, tão pecaminoso que pudesse revolucionar o rock nacional, como fizeram Ira!, Ultraje a Rigor, Raul Seixas e Marcelo Nova, Engenheiros do Hawaii, Titãs, Legião Urbana e Raimundos no final dos anos 80 e início dos anos 90. Os grandes pecadores citados acabaram com aquilo que podia ter sido o estouro mundial do BRock, já que tanto Titãs e Engenheiros do Hawaii haviam tocado no exterior. Mas, a tentação foi maior, e hoje, sofremos idolatrando os grupos internacionais que se aventuram por nossas selvas-de-pedra brasileiras, quando, se não fossem os Sete Pecados do Rock Nacional, quem sabe não seriam os gringos quem estivessem idolatrando nossos músicos.



7 Comentarios

  1. Anônimo disse:

    Apesar de ler essa série sobre os pecados capitais do BRock, me abstive até o momento de fazer comentários. Primeiramente por desconhecer na íntegra estas obras citadas. Segundo, porque via de regra, detesto essas bandas. Mas agora, finalizada esta série, acho que é bom dar algum pitaco. Na boa, essa época no geral pro som no Brasil foi simplesmente péssima, em tudo. MPB, música de povão, rock, pop, programas de televisão, quase tudo de péssimo gosto. A tal "década perdida" foi bem mais do que 10 anos. E a impressionante prova de que a criatividade estava num lastimável baixa é a orda imensa de palavrões, palavreado chulo e sem um mínimo de inteligência presente nestes discos e em vários outros. Era uma coisa do tipo – vamos ver se a ditadura acabou mesmo, danem-se os ouvidos alheios. Até parece que esse pessoalzinho dos Titãs, Ira, era militante de alguma coisa. Pegaram a ditadura já definhando, quase nunca foram incomodados por ela. Uma revoltinha bastante fabricada pra chamar atenção. Nada protesta melhor contra a ditadura do que a beleza de coisas do tipo "com o peito frágil, completamente a prova de bala toffes, só quero beber a vida num gole só, ainda que o gole me custe a vida". Endurecer sem perder a ternura jamais, como diria Che.
    Meu caro amigo Mairon, sugiro que vc use seu grande talento pra dissecar discos melhores!!! Apesar da importância de vc ter pego e tratado tb de um determinado momento da trajetória do rock nacional nesta sua série.
    Abraço!!
    Ronaldo

  2. Legal o teu pitaco Ronaldo. Eu honestamente, talvez tenha deixado meio claro que não sou apreciador das bandas citadas. Com raras exceções (Raul Seixas somente), as demais bandas não agradam ao meu ouvido em sua discografia integral. Esses Sete Pecados surgiram em conversas de bar, internet, e me instigou a pesquisar sobre os mesmos, principalmente por serem discos que eu curto ouvir. Como me conheces bem, sabes que o rock nacional para mim acabou em 1978, quando acabou o Mutantes, mas penso que não dá para menosprezar o BRock, até por que muitos jovens, adolescentes e até adultos conhecem de cor e salteado a discografia do Legião, e nunca ouviram o 1974 (vergonha total, mas enfim). Essa história dos discos precisava ser trazida à tona, até parar gerar uma discussão maior, que infelizmente não vêm ocorrendo nas postagens por fatores que desconheço.
    Com certeza não voltarei a fazer uma série como essa, hehehe, mas foi bem interessante perceber que o que estava sendo configurado nas conversas como uma hipotese, acabou sendo consolidado nas pesquisa que fiz como fatos (em sua maioria) comprovados históricamente.
    Enfim, gostei muito de fazer essa série, e espero ter trazido novidades para os fãs dessa geração da música nacional, mas, voltarei para o rock progressivo, a psicodelia californiana e o hard setentista que é minha verdadeira terra (fora o jazz e a música clássica)
    Abração!

  3. Marco Gaspari disse:

    Com todo respeito ao Ronaldo e até mesmo ao Mairon, que não precisava estar se justificando, eu achei muito pertinente a escolha dos discos dentro da proposta dos 7 pecados capitais. Claro que se fosse avaliada uma dessas bandas fora desse contexto, outros álbuns talvez merecessem destaque. Mas o tema e seu desenvolvimento foram fascinantes e ofereceram no todo uma aula de BRock. Essa falta de comentários citada pelo Mairon é realmente um problema, pois mascara o interesse despertado pelos textos e broxa qualquer um. Mas isso sempre foi uma cisma minha por aqui. Vamos em frente, Mairon, que agora eu quero ler os 7 pecados capitais na versão Velho Testamento (até 1980).

  4. Marco, tu leste meus pensamentos. Achei quatro discos dessa fase, e acredito que tu podes me ajudar a montar esse projeto para o segundo semestre. Topas?

    Agradeço também teus elogios, mas na realidade apenas trouxe um pouco de informação não divulgada normalmente.

  5. Fabiano Leal disse:

    Parabéns pela série, aprendi bastante sobre o BRock.

  6. Marco Gaspari disse:

    Ihhh!!!! Sobrou pra mim. Não sei lá essas coisas de rock, principalmente o nacional. Mas sou um grande pecador. Se precisar, Mairon, estamos aí.

  7. Anônimo disse:

    O primeiro disco dos Raimundos, junto com o terceiro, Lapadas do povo, são os melhores discos dos caras. O segundo Lavo ta novo, também é ótimo, ainda mais harcore,e mais trabalhado, que o primeiro. Depois de toda essa putaria, de toda a esbórnia, Rodolfo se cansou de tudo, virou crente, e pra piorar, PASTOR!!!! É isso que eu acho engraçado, o nego, é filho da p…(no bom sentido claro) a vida toda, depois vira crente e zera tudo!! Eu chamo isso de aposentadoria de malandro. E adivinhem, quem levou ele para a igreja??? Alguém ai, gritou, a mulher dele??? Acertou na mosca. Alexandra Horn, que em 2000, se não me engano, tinha reatado, o namoro com o então porra-louca, do Rodolfo, tinha virado crente, depois de ter se envolvido com drogas pesadas, e um romance com um traficante. Ela viu o estado deploráavel, no qual nosso amigo Rodolfo se encontrava, depois de anos de abuso, e chamou as "irmãs da igreja", para irem até o apartamento deles, para desencapetar Rodolfinho. O Rodolfo conta até hoje, que nessa época, ele estava sofrendo uma dor de estômago crônica, possuía várias ínguas pelo corpo, e estava encanado, qque pudesse ter alguma doença grave, tanto que ele não procurou médico nenhum. Rodolfo, afirma, que foram a s orações da irmãs, que o curaram, e a partir daí, ele abandonou as drogas e começou a andar na linha. O caratinha barro preso,e achava, que tinha cancêr, vai entender…

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