Por Leonardo Castro
Formado em San Francisco, em 1985, pelo guitarrista Craig Locicero e pelo vocalista Russ Anderson, o Forbidden foi uma das melhores bandas surgidas na segunda geração do thrash metal norte-americano, que também revelou nomes como Testament, Death Angel e Vio-Lence. Após encerrar suas atividades em 1997, a banda se reuniu para um show no festival Thrash Of The Titans em 2001, mas o retorno definitivo só se deu em 2007, quando o grupo começou a trabalhar em composições para um novo álbum, que viria a ser Omega Wave, lançado em 2011.


Forbidden Evil [1988]

Lançado originalmente pela Combat Records, o primeiro disco do Forbidden é considerado por muitos um dos álbuns definitivos do estilo. Contando com os ótimos riffs de Craig Locicero e Glen Alvelais, o baixo marcante de Matt Camacho, a bateria precisa de Paul Bostaph, que no futuro substituiria Dave Lombardo no Slayer, e com o vocal agressivo e melódico de Russ Anderson, o álbum apresenta um thrash metal vigoroso, técnico e extremamente empolgante. A faixa de abertura, “Chalice Of Blood”, dona de um riff fenomenal e de uma ótima linha vocal, acabaria se tornando o primeiro clássico da banda, mas outros destaques são a sensacional “Through Eyes Of Glass”, que tem um trabalho de guitarras absurdo e uma performance vocal insana de Russ Anderson, e a faixa-título, com seus riffs cavalgados e um belo refrão. Ainda que a produção soe um pouco datada hoje em dia, as composições e o desempenho dos músicos fazem de Forbidden Evil um disco essencial para os amantes do thrash metal, especialmente para quem curte bandas como Testament, Overkill e Death Angel.

Twisted Into Form [1990]

1990 foi um ótimo ano para o thrash metal. Discos como Never, Neverland (Annihilator), Rust In Peace (Megadeth) e Seasons In The Abyss (Slayer), todos lançados nesse ano, foram louvados como obras-primas do estilo. Foi em meio a essa competição ferrenha que o Forbidden lançou o seu melhor álbum, Twisted Into Form, um disco à altura dos outros citados anteriormente. O álbum apostava em um estilo similar ao seu anterior, um thrash metal técnico e variado, mas com uma produção mais caprichada e composições mais fortes. Após uma pequena introdução instrumental, “Inifinte” já deixa clara a evolução que a banda teve em tão pouco tempo, com riffs e solos sensacionais, além de diversas mudanças de andamento. Outro destaque é “Step By Step”, que passou exaustivamente nos bons tempos do Fúria Metal na MTV, e é uma música perfeita para o mosh e para as rodas em shows, com uma levada sensacional e um refrão inesquecível. O restante do disco, como a faixa-título e “R.I.P.”, mostra a banda apostando em músicas mais complexas e intricadas, mas sempre empolgantes, pesadas e marcantes. O vocal de Russ Anderson também apresentou uma grande evolução, e os riffs e solos de Locicero e do então novo guitarrista, Tim Calvert, são de arrepiar. Ainda assim, o principal destaque do disco é o baterista Paul Bostaph, que mostra que não foi à toa que o Slayer o convidou para assumir suas baquetas. Vale a pena mencionar que tanto Forbidden Evil quanto Twisted Into Form foram relançados há pouco tempo no Brasil pela Shinigami Records, ambos com encartes com fotos e faixas bônus.

Distortion [1994]

Depois do sucesso do Metallica com o Black Album e da ascenção do grunge, a cena thrash metal nunca mais foi a mesma. Enquanto albumas bandas, como o Megadeth,  suavizaram seu som, outras, como o Kreator e o Testament, passaram a experimentar com outros estilos. O Forbidden acabou escolhendo a segunda opção, e Distortion mostra uma banda bem diferente dos dois discos anteriores, apostando em climas mais lentos e soturnos, com Russ Anderson utilizando vocais mais graves e rasgados ao invés dos gritos e agudos, como fica claro na faixa-título, que abre o disco. Ainda assim, há momentos que lembram o Forbidden de outrora, principalmente em “Hypnotized By The Rythm” e “Feed The Hand”, as melhores faixas do disco. Contudo, músicas como “Mind’s I” e “The Undertaker” chegam a lembrar o Black Sabbath e até mesmo o Alice In Chains em alguns momentos, com resultados surpreendentemente bons. Há ainda uma versão de “21st Century Schizoid Man”, do King Crimson, bastante pesada e arrastada. Em resumo, Distortion não é um disco tão imediato quanto seus dois antecessores, mas possui alguns bons momentos. Só não espere por algo como “Chalice Of Blood” ou “Step By Step”.

Green [1997]

No fim dos anos 90, uma banda reinava suprema na cena heavy metal norte-americana: o Pantera. E esta posição certamente influenciou a sonoridade de diversas bandas na época, incluindo o Forbidden. Green é pesado, com uma ênfase maior no groove, e até o vocal de Russ Anderson está mais agressivo, remetendo diretamente ao estilo de Phil Anselmo. Algumas músicas ainda se destacam dentro desta nova sonoridade, como “Phat” e “Over The Middle”, mas no geral, pouca coisa se salva no disco, que se perde em riffs repetitivos e pouco inspirados.

Omega Wave [2011]

Quatorze anos após seu último disco, o Forbidden retornou com um álbum digno de seus dois primeiros e melhores, álbuns. A capa de Omega Wave remete à de Forbidden Evil, e os riffs intricados e empolgantes ao Twisted Into Form, mas com uma dose extra de peso e modernidade, como uma mistura entre o thrash clássico do conjunto com a sonoridade do Nevermore, banda da qual seu novo guitarrista, Steve Smyth, fazia parte. A faixa de abertura, “Forsaken At The Gates”, demonstra isto muito bem, com riffs e solos excelentes de Locicero e Smyth, além de uma ótima performance vocal de Russ Anderson.“Overthrow” é mais cadenciada e tem a participação de Steve “Zetro” Souza (ex-Exodus) e Chuck Billy (Testament) no refrão. No geral, o disco tem faixas mais diretas, como “Immortal Wounds” e “Dragging My Casket”, e outras mais complexas e progressivas, como a excelente “Hopenosis”, uma das melhores do álbum. Um ótimo retorno, que mostra uma banda em contato com as suas raízes, mas também apontando para o futuro.

1 comentário

  1. diogobizotto

    Vergonhosamente eu não havia nunca tomado um tempo para explorar a discografia do Forbidden, mas essa falha acabou de ser corrigida. A descrição da mudança ocorrida no terceiro e no quarto álbum encontra paralelo exato no que ouvi. Os dois primeiros discos são realmente muito bons e dignos de seus contemporâneos, que estavam tinindo na época.

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