Cinco Discos Para Conhecer: Power Metal

9 de dezembro, 2011 | por Van do Halen
Cinco Discos Para Conhecer
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Por Igor Miranda (publicado originalmente no blog Van do Halen)

Guitarristas espancadores de gatinhos. Baixistas e bateristas tocando na velocidade da luz. Vocalistas sem gônadas. Tecladistas que tocam guitarra no teclado. Letras que falam sobre dragões, mitologia e coisas fofas. Saibam que o segmento mais melódico do Heavy Metal, também conhecido pelo nome de Power Metal, vai bem além de estereótipos. Conheça mais através dessa postagem, que abrange os cinco discos mais recomendados para conhecer o estilo.

Helloween – Keeper Of The Seven Keys: Part II [1988]
O Helloween sempre foi creditado como o grupo pioneiro do estilo, ou ao menos de sua popularização. O seu primeiro trabalho com a formação dita clássica foi a primeira parte de Keeper Of The Seven Keys, já responsável por causar um grande alvoroço na cena. Mas a consagração veio com a segunda parte desse trabalho. Keeper Of The Seven Keys Part 2 traz a grande maioria dos standards do gênero, incluindo forte ênfase nos vocais, guitarras sincronizadas, velozes e que não executavam as mesmas trilhas, cozinha extremamente rápida e muitas vezes com a estrutura rítmica desuniforme e temáticas líricas com uma pontinha de fantasia. Hoje em dia é fácil encontrar dezenas de bandas tentando soar como o Helloween soou nesse disco, justificando a importância deste para uma boa introdução ao estilo.

Michael Kiske (vocal), Michael Weikath (guitarra, teclado), Kai Hansen (guitarra), Markus Grosskopf (baixo), Ingo Schwichtenberg (bateria)
1. Invitation
3. You Always Walk Alone
4. Rise and Fall
5. Dr. Stein
6. We Got the Right
8. I Want Out
9. Keeper of the Seven Keys
10. Save Us
Angra – Angels Cry [1993]
O Brasil sempre teve certa força quando o assunto é Metal melódico, e o principal expoente do estilo em terras tupiniquins continua sendo o Angra. A visibilidade inicial pode ser justificada pela intenção ambiciosa do projeto, formado pelo empresário Antônio Pirani, proprietário da revista Rock Brigade, mas se os músicos corretos não fossem escolhidos, dificilmente estaríamos falando dessa banda hoje. Angels Cry foi o primeiro full-length dos caras, e é um trabalho envolvente, que cativa fãs de várias vertentes do Metal. Os músicos, talentosíssimos, exalam competência, entrosamento, criatividade e versatilidade nos 55 minutos que constituem o play. Não obstante, se consagraram em outras regiões do mundo nessa época – ganharam disco de ouro no Japão – e permanecem como uma das poucas bandas brasileiras de Metal realmente conhecidas no exterior. E cá entre nós, Andre Matos permanece como um mito do estilo, pois definitivamente nunca conseguiu apresentar tanta qualidade como trouxe aqui.

Andre Matos (vocal), Kiko Loureiro (guitarra), Rafael Bittencourt (guitarra), Luis Mariutti (baixo), Alex Holzwarth (bateria)
Músicos adicionais:
Kai Hansen – guitarra em 6
Dirk Schlächter – guitarra em 6
Sascha Paeth – guitarra e violão em 6
Thomas Nack – bateria em 7

1. Unfinished Allegro
2. Carry On
3. Time
4. Angels Cry
6. Never Understand
7. Wuthering Heights
8. Streets Of Tomorrow
10. Lasting Child
Gamma Ray – Land Of The Free [1995]
Até então, o Metal melódico permanecia como um estilo que flertava com vários outros. E foi com um flerte de Kai Hansen – o mesmo que foi guitarrista do Helloween até o fim da década de 1980 – que o Gamma Ray se imortalizou e tornou esse flerte essencial para novas bandas do estilo. Land Of The Free foi o primeiro a ter Hansen também nos vocais, fazendo com que o cara assumisse o controle de vez da banda que montou. Felizmente, o resultado foi muito bom e o êxito comercial veio novamente. A aproximação com o Speed Metal se apresentou consistente e mais íntima a partir deste álbum e esse surto de criatividade de Hansen e seus comparsas influenciou o bastante para ter um espaço nessa lista.

Kai Hansen (vocal, guitarra), Dirk Schlächter (guitarra, backing vocals), Jan Rubach (baixo, backing vocals), Thomas Nack (bateria)
Músicos adicionais:
Sascha Paeth – teclados
Michael Kiske – vocal em 12, backing vocals em 9
Hansi Kürsch – vocal adicional em 7, backing vocals em 9 e 11

1. Rebellion In Dreamland
3. Fairytale
4. All Of The Damned
5. Rising Of The Damned
7. Farewell
8. Salvation’s Calling
9. Land Of The Free
10. The Saviour
11. Abyss Of The Void
12. Time To Break Free
13. Afterlife

Stratovarius – Visions [1997]

Demorou, mas o sexto álbum do Stratovarius foi o responsável por colocar o grupo entre os maiores do estilo e por alavancar as vendas de seus registros. Visions foi incessantemente elogiado por trazer uma sonoridade pra lá de aprimorada, fruto, principalmente, da genialidade do genial guitarrista Timo Tolkki. O líder das composições do conjunto já havia experimentado a inserção de outros gêneros no som da banda, mas a partir de Visions o foco musical da banda foi estabelecido. O entrosamento dos músicos é o principal destaque de Visions, principalmente entre Tolkki e o tecladista Jens Johansson, que fez bem ao sair da banda de Yngwie Malmsteen para mostrar ao mundo o seu talento. Vale lembrar que o Stratovarius revolucionou por ser uma das primeiras bandas do estilo e talvez até uma das primeiras do Metal, no geral, a trazer teclados em primeiro plano. Assim como copiam o Helloween, outros conjuntos copiam o Stratovarius freneticamente ao redor do mundo.

Timo Kotipelto (vocal), Timo Tolkki (guitarra), Jari Kainulainen (baixo), Jörg Michael (bateria), Jens Johansson (teclados)

1. The Kiss Of Judas
2. Black Diamond
3. Forever Free
4. Before the Winter
5. Legions
6. The Abyss of Your Eyes
7. Holy Light
8. Paradise
9. Coming Home
10. Visions (Southern Cross)

Blind Guardian – Nightfall In Middle-Earth [1998]

Os integrantes do Blind Guardian nunca tiveram experiências como videntes, mas em Nightfall In Middle-Earth serviram para prever o futuro na ala mais melódica do metal. Antes de todo o estrondoso sucesso da trilogia “Senhor dos Anéis” nos cinemas, esse disco era lançado, inspirado em “O Silmarillion” de J.R.R. Tolkien, mesmo autor da trilogia citada. O álbum serviu para elevar o sucesso do Blind Guardian, que experimentou algo novo para eles, saindo de sua zona de conforto e criando um novo som, ainda com foco no Power/Melodic Metal mas com genialidade o suficiente para influenciar uma nova leva de conjuntos do estilo, ao lado do Stratovarius. O trabalho consegue ser complexo e acessível ao mesmo tempo, algo que cativou admiradores de outros tipos de música pesada.

Hansi Kürsch (vocal), André Olbrich (guitarra, violão), Marcus Siepen  (guitarra), Thomas “Thomen” Stauch (bateria, percussão)
Músicos adicionais:
Oliver Holzwarth – baixo
Mathias Weisner – teclados, efeitos
Michael Schüren – piano
Max Zelzner – flauta
Norman Eshley, Douglas Fielding – narração
Billy King, Rolf Köhler, Olaf Senkbeil, Thomas Hackmann – coral

1. War Of Wrath
3. Lammoth
4. Nightfall
5. The Minstrel
6. The Curse Of Feanor
7. Captured
8. Blood Tears
10. Face The Truth
11. Noldor (Dead Winter Reigns)
12. Battle Of Sudden Flames
13. Time Stands Still (At The Iron Hill)
14. The Dark Elf
15. Thorn
16. The Eldar
17. Nom The Wise
18. When Sorrow Sang
19. Out On The Water
20. The Steadfast
21. A Dark Passage
22. Final Chapter: Thus Ends
E lembrem-se…



3 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Muito boa a lista. Não consigo mudá-la. Sou fã e adoro todos os discos listados.

  2. Leandro disse:

    Esse Power metal ai é o que o metal tem de pior: Melodias irritantes, teclados com timbres horríveis, vocalistas péssimos e principalmente a pobre estrutura musical e temática. O heavy metal não merecia isso…

  3. diogobizotto disse:

    Acredito que, em se tratando do gênero melódico, essas sejam mesmo as bandas mais importantes e dignas de citação. Hoje em dia ouço muito menos esses grupos, dado que o risco de que sua música torne-se mais enjoativa é bem acima do normal, mas não nego sua qualidade, em especial do Helloween, que criou com os "Keepers" verdadeiros arquétipos do gênero.

    De diferente, provavelmente escolheria "Imaginations from the Other Side", do Blind Guardian, ao invés de "Nightfall…". Do Stratovarius, prefiro "Episode", mas admito a relevância maior de "Visions"…

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