Discografias Comentadas – Black Sabbath [Parte 1: 1970 – 1978]

27 de novembro, 2011 | por Pablo Ribeiro
Discografias Comentadas
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Por Pablo Ribeiro

Originalmente formada em 1968 em Birmingham, na Inglaterra, pelo guitarrista Anthony Frank “Tony” Iommi, o baixista Terence Michael Joseph “Geezer” Butler, o baterista William Thomas “Bill” Ward, e o vocalista John Michael “Ozzy” Osbourne, o Black Sabbath lançou oito discos de estúdio com essa formação inicial, que durou dez anos, pelo menos cinco deles clássicos absolutos e seminais do que hoje conhecemos por “Heavy Metal” e suas ramificações. Mesmo nos seus momentos menos inspirados, há material de inquestionável qualidade. Com a recente confirmação de uma reunião dessa formação – não por acaso, a que produziu o maior número de músicas seminais do gênero supracitado – os inúmeros fãs do grupo se preparam para um novo álbum previsto para o próximo ano de 2012, e uma turnê de divulgação do mesmo, com shows repletos de clássicos, a rodar o mundo. 

Mesmo tendo produzido músicas de imensa qualidade após a debandada do Sabbath original, é na primeira década do grupo que, sem sombra de dúvidas, encontra-se seu material mais poderoso. E é dela que iremos tratar na primeira parte do Discografias Comentadas em homenagem ao Black Sabbath, deixando para a semana que vem a segunda parte, com o período entre 1980 e 1995 (o qual foi o ano do último lançamento oficial de estúdio de um álbum do grupo), o que completará nossa análise sobre a discografia das três bandas da chamada “Santíssima Trindade” do heavy metal”, o Led Zeppelin, o Deep Purple e o próprio Sabbath.

Bem vindos ao Sabá Negro!

Black Sabbath [1970] 
Um dos mais impactantes discos de estreia da história, o disco homônimo do quarteto de Birmingham é também um dos mais importantes. Considerado o grupo que deu origem ao heavy metal, não tem como não concordar com esta afirmação. O disco é pesado não somente no som das guitarras de Iommi (com um timbre grave que funciona como um soco na cabeça) ou da cozinha da dupla Butler/Ward. O clima todo é pesado e denso, quase palpável! Tudo isso corroborado pelos vocais desoladores de Ozzy. “N. I. B.” (uma declaração de amor do capeta à sua amada), “The Wizard” (e sua Harmônica) e “Behind The Wall Of Sleep” são as mais conhecidas do disco, e presença constante nos shows do grupo (e de Ozzy solo), assim como a faixa-título, uma monstruosidade de pouco mais de seis minutos, que define com perfeição o som do Black Sabbath, com seu ruído de chuva e badalar de sinos do ínicio. 
Paranoid [1971] 
No mesmo ano de 1970, chega às lojas Paranoid, contendo uma clara evolução no som e na produção da músicas. Além disso, as letras também estão mais maduras, tratando de loucura (o hino “Paranoid“), guerra (o épico “War Pigs”, que seria, originalmente, o nome do disco, antes do mesmo ser mudado por pressão da gravadora, já que a guerra do Vietnã estava a pleno vapor), ou uma visão de um desolador – e mortal – futuro próximo em “Hand Of Doom”. Os riffs de Iommi, por sua vez estão ainda mais poderosos, cortantes e certeiros. Confira a maravilhosa “Electric Funeral”, por exemplo. Outro claro exemplo da evolução do grupo é a melancólica – e experimental – “Planet Caravan” com sua atmosfera dark e letra versando sobre uma viagem espacial rumo à marte. Considerado o maior clássico do Black Sabbath até os dias de hoje, atingindo a impressionante marca de 4 milhões de cópias vendidas (excetuando-se vendas digitais), Paranoid faz jus ao título, uma vez que todas as suas faixas possuem força e impactos únicos não só para a época, como também para o todo o parâmetro musical desde então. Obrigatório! 

Master Of Reality [1971] 
Menos de um ano depois do arrasa-quarteirão Paranoid, é lançado em julho de 1971, Master Of Reality. Seguindo a evolução do disco anterior – e mantendo o peso e a atmosfera característica que cada vez firmava mais a identidade única do grupo – o álbum traz mais temas clássicos do então nascente heavy metal. O instrumental cada vez mais afiado do grupo interage perfeitamente com as letras mais elaboradas. Além disso, os temas estão, de forma geral, mais diversificados ainda que no disco anterior. Se “Sweet Leaf” é uma ode à maconha, e “Solitude” é uma das mais tristes canções sobre a solidão, por outro lado temos a supreendente “After Forever” e a impressionante “Children Of The Grave”. Se a segunda é um aviso alertando sobre uma futura revolta da juventude, que irá tomar conta do mundo antes que esse torne-se definitivamente inabitável, a primeira, com letra do então Católico – hoje assumidamente Agnóstico – Butler, deixa claro que, para o baixista e compositor, esse aviso seria “Deus existe, e é bom…” Além das músicas citadas, Master Of Reality traz outros quatro temas, todos no mesmo – altíssimo – padrão de qualidade. 
Esses três primeiros álbuns foram relançados em 2009, em edições “Deluxe”, todos com CDs bônus contando com faixas inéditas e versões alternativas (no caso de Paranoid, o pacote ainda inclui um DVD-A com a mixagem Quadrifônica do álbum principal). 
Vol. 4 [1972] 
Em junho de 1972, é a vez do apropriadamente intitulado Vol. 4 chegar às lojas. Outro lançamento de qualidade indiscutível do quarteto de Birmingham, o álbum marca mais um passo em direção a experimentação (sem perder o estilo característico da banda). Entre as porradas pelos quais os fãs esperavam, como “Snowblind” e sua letra sobre cocaína – então paixão dos músicos – “Supernaut” e seu riff maravilhoso, a abertura arrasadora com “Wheels Of Confusion“, e outras, estava lá “Changes”, uma balada ao piano (sim, ao piano) destilando tristeza e melancolia, com uma letra pra lá de amarga. Se por um lado “Changes” passa longe do que convencionou-se esperar das músicas mais Sabbathianas em termo de peso instrumental, sua aura de desolação se equipara com as outras faixas da banda. Mais uma vez, o Black Sabbath presenteia os fãs de rock com outra obra digna de nota. 
Sabbath Bloody Sabbath [1973] 
Terminando o ano de 1973, o Black Sabbath lança seu quinto disco. Sabbath Bloody Sabbath é um desfile de porradas da melhor qualidade. Mesmo introduzindo sintetizadores, teclados, moog e cordas em arranjos mais complexos, novamente o grupo nao fica devendo nada aos amantes de seu peso ja bem conhecido. Assim como nos discos anteriores, Sabbath Bloody Sabbath é extremamente coeso, e mesmo assim, é impossível não citar a faixa título, “Sabbra Cadabra”, “Killing Yourself To Live” e “A National Acrobat“. Mais uma obra prima do quarteto. 
Sabotage [1975] 
Quase dois anos depois de seu antecessor, é a vez de Sabotage chegar às prateleiras. Se nos cinco discos lançados até aqui, a evolução musical do Sabbath não havia prejudicado seu som de maneira geral, e até tenha colaborado para sua afirmação enquanto banda, em Sabotage a coisa se mostrava ligeiramente diferente. Não que o disco seja ruim, ou fraco, muito pelo contrário. O melhor exemplo é a poderosíssima “Symptom Of The Universe“, inacreditavelmente pesada e agressiva, e uma das melhores e mais representativas  faixas da carreira do quarteto. “Hole In The Sky“, a faixa de abertura do trabalho, é outro puta som, digno dos melhores momentos do grupo. O problema em Sabotage, é que aqui a coisa de uma maneira geral está menos coesa e “redonda” que nos discos anteriores, tornando o álbum difuso. Apesar disso, é, sim, um ótimo disco, apenas um pouco menor, se comparado aos lançamentos anteriores. 
Technical Ecstasy [1976] 
Com brigas internas, abuso de álcool e drogas, e o egocentrismo dos integrantes corroendo a banda, em setembro de 1976 é lançado Technical Ecstasy, sétimo disco da banda até então. Com um som que se distancia em muito de sua característica musical, Technical Ecstasy guarda pouca semelhança com o Sabbath característico em termos instrumentais. Muitos teclados, sintetizadores e orquestrações descaracterizam a linha musical do quarteto. A atmosfera e as letras das canções, por outro lado, atingem aqui um grau de angústia e tristeza únicos. Exemplos são “You Won’t Change Me”, com seu andamento arrastado, e uma letra encharcada de resignação, e “She’s Gone” uma canção de despedida guiada por violinos, que faz a clássica “Changes” parecer até alegre. Há um pouco de rock em “Rock n Roll Doctor” e “Back Street Kids”, mas a melhor música do álbum acaba sendo “Dirty Women“. Destaque curioso para “It’s Alright”, balada (descartável) com os vocais do baterista Bill Ward. 
Never Say Die! [1978] 
Depois de Technical Ecstasy, Ozzy mandou a banda às favas e caiu fora para iniciar uma carreira solo, chegando a ser substituído por Dave Walker (Fleetwood Mac & Savoy Brown). Logo após o começo das composições de novo material, Ozzy retornou ao Sabbath, recusando-se a gravar qualquer material composto por Walker. Never Say Die, o disco registrado no meio dessa tempestade de egos e desentendimentos, foi lançado no segundo semestre de 1978, e reflete bem o estado em que a banda se situava à época. É fraco, instável, e com uma gravação e produção um tanto equivocadas. Algumas músicas se salvam, como a faixa título e “A Hard Road“. Algumas boas ideias podem ser ouvidas aqui e ali, em algumas passagens, mas muito pouco, em se tratando de uma entidade poderosa como o Black Sabbath. Depois do lançamento do álbum, o Sabbath ainda saiu em turnê, mas era evidente que o fim dessa formação estava próximo, o que logo se confirmou, com Ozzy saindo novamente, dessa vez para encarar a carreira solo. 

Geezer Butler, Ozzy Osbourne, Bill Ward e Tony Iommi
Finda essa fase, Osbourne engatou uma carreira solo de sucesso – e alguns tropeços – tanto musicalmente quanto figura sui generis (muitas vezes esse fator foi maior que a música em si). Já o Black Sabbath, sob as rédeas de Iommi, continuou na ativa, por vezes sendo ele o único membro original, colecionando obras de qualidade indiscutível – notadamente nas formações nas quais o falecido Ronnie James Dio era responsável pelo microfone – mas o nível de influência e o poderio da formação inicial do quarteto de Birmingham nunca mais foi – nem será – o mesmo. 
Durante os anos que se seguiram, varias tratativas de uma reunião foram tentadas, mas o mais perto que se chegou de algo realmente efetivo, em se tratando de material inédito, foi a gravação de duas músicas a título de bônus no disco ao vivo Reunion de 1998 (gravado no ano anterior na cidade natal dos músicos). Depois disso, alguns shows curtos no festival itinerante “Ozzfest”, até que, no dia 11 de novembro de 2011, foi anunciada – com toda pompa – uma efetiva reunião, com direito a disco inédito (já em processo de composição) e subsequente turnê de divulgação do mesmo. Os fãs da banda, e toda comunidade do rock, esperam ansiosamente pela volta dos verdadeiros pais do heavy metal!



31 Comentarios

  1. Eu sei que sou um dos poucos a ir contra a maré, mas faz anos que os mais comuns do Sabbath nao sao meus favoritos. Ouvi muito o paranoid, o Sabbath Bloody Sabbath e o Sabotage (alias, o Paranoid foi o segundo vinil que eu tive, e paguei 8 mil cruzeiros, enquanto o primeiro disco, The Song remains the Same, paguei 120 mil cruzeiros !!!) e eu tinha um disco chamado Reflection, que do lado era uma coletantea do Sabbath Bloody Sabbath, e do outro uma coletanea do Sabotage. O Vol. 4 eu também ouvi pacas

    Mas, com opassar dos anos, os discos que eu mais gosto mudaram depois que prestei atenção no som, e nao no peso. Nao tem como negar que, tirando o Ozzy, os outros tres estão tocando muito melhor no Technical Ecstasy e no Never Say Die. Tanto que eles chegam a perfeição no Heaven and Hell, com a entrada do sensacional Ronnie James Dio

    Eu gosto muitodessa fase inicial do Sabbath, mas se me perguntasse qual disco do grupo eu levaria para uma ilha deserta, sendo esse da fase Ozzy, eu ficaria em duvidas entre o Never Say Die (o mais provavel) ou o Techincal Ecstasy!!

  2. Outro detalhe que eu acho curioso relacionado à santissima trindade é o contato com o progressivo. O Purple foi prog no segundo e no terceiro disco, e depois abandonou o barco.

    Ja o Led começou a proggear apartir do quatro. When the leveebreaks foi a primeira incursão. Depois veio No Quarter, Kashmir e Carouselambra

    Ja o Sabbath mostrou as garras noprimeiro. Sleeping Village e um prog doom sensacional. Nao lembro de alguem fazer algo tao sinistro naquela época (e ao mesmo tempo tão longo). Planet Caravan do segundo, the writ do terceiro, wheels of confusion do 4, who are you do 5, megalomania do sabotage, são exemplos de como o sabbath era o mais prog dos tres. Fora que no techincal ecstasy e no never say die, a entrada do don airey (mesmo como membro convidado) deu uma cara ainda mais prog ao som do sabbath. Se eu tiver errado, joguem as pedras

  3. Thiago disse:

    A partir de um comentário que o Mairon fez em uma postagem minha sobre o Forbidden, que eu passei a prestar mais a atenção no Technical Ecstasy…mesmo tendo o disco por anos eu preferia escutar álbuns como Sabotage, Sabbath Bloody Sabbath e Vol.4.
    E cara…Technical Ecstasy é GENIAL!!!
    A fase Ozzy tem discos clássicos, como o primeirão, Paranoid, Master e Vol.4. Tb tem material mais experimental como Never Say Die! e discos geniais como Sabbath Bloody Sabbath, Sabotage e Techical Ecstasy!
    Vlw Mairon por abrir meus ouvidos para esse grande disco hehehhe
    e parabéns ao Pablo por cobrir tão bem essa fase mágica do Sabbath.

  4. Bah, que massa Thiago. Massa mesmo. Isso é uma capacidade muito legal q tens de abrir os ouvidos para uma coisa nova. Agora eu nao lembro qual foi o meu comentario, hahahah

  5. Thiago disse:

    The Writ é do Sabotage…o sexto álbum!! pequena correção ao comentário anterior!!!

  6. Quando eu escrevo the writ, por favor, leiam solitude

    Valu a correção thiago

  7. Marco Gaspari disse:

    Não sei quantas pessoas neste blog coincidem com a minha idade. Tenho 56 anos e vocês me parecem tão novinhos, hehe… Mas não estou aqui para tecer louvores à pré-terceira idade. Sabemos todos (ou, no caso dos mais novos, faz-se uma idéia) que é uma merda. A vantagem que eu tenho sobre os mais jovens, porém, é poder escancarar uma nostalgia sem vergonha a respeito desses discos clássicos. O primeiro disco do Sabbath que saiu por aqui, isso lá pelos meus 15 ou 16 anos, foi o Paranoid. Ele fazia parte da primeira leva dos discos do selo Vertigo a aparecerem por aqui. Comprei o meu junto com o Very ‘eavy… very ‘umble, do Uriah Heep, o Cat Stevens e o James Taylor (sim, ele era cool então). Por mais que eu leia a respeito hoje em dia, nada chega perto da primeira sensação de ouvir um som desses a partir do momento em que a agulha surfava os sulcos do vinil. Explico melhor: os mais novos podem ter ouvido o Sabbath pela primeira vez depois de haver se entupido de Iron Maiden, Megadeth, Judas Priest… Não deixa de ser uma descoberta e existe toda uma reverência. Mas os ouvidos já se acostumaram à massa sonora. No comecinho dos anos 70 não havia nada que precedesse o Sabbath em matéria de peso. Eu só vim a conhecer o Blue Cheer, por exemplo, depois. E Led Zeppelin, Iron Butterfly, essas coisas, não eram referência para a crueza paquidérmica de Iommi e Cia. Lembro-me que muita gente torcia o nariz para aquela coisa meio primitiva, visceral, sem polimento, mas nós, adolescentes, arrepiávamos até os pelinhos do… A estréia do Sabbath e o Master of Reality saíram por aqui logo depois. Cheguei a ter o primeiro importado, comprado no Museu do Disco, mas não o mantive na minha coleção (estupidez minha, devo tê-lo tocado por algum disco prog hoje descartável). O Vol. 4 foi outra redenção. Comprei o disco numa lojinha chamada Laguna Discos, que ficava em uma travessa da Rua da Moóca, peguei o ônibus até o bairro do Brás e fui ouvi-lo na casa de um colega de escola. Vejam bem: para esses detalhes permanecerem na memória por 40 anos, imaginem o quanto esse disco me marcou. Não sei quantos exemplares desses discos recomprei ao longo dos anos, em vinil ou CD. Jamais me impactaram da mesma forma novamente, mas é como rever uma foto de escola antiga, com vários amigos e lembranças. Agradeço ao Pablo por animar meu domingo com seu ótimo texto. E me perdoem se fui pueril.

  8. Só tenho uma coisa a dizer… Marco Gaspari é uma honra dividir algo relacionado a música com você!

    Não tem explicações para ler o seu texto ai de cima….

    Muito legal mesmo!!!

    Essa emoção de escutar o disco pela primeira vez e sentir aquele "troço" que te faz querer ouvir e pesquisar mais não tem preço….

    Eu lembro claramente de escutar cada disco do Iron Maiden…. e tenho plena convicção que tudo o que eu escutei depois está influenciado por isso…. E concordo… quando fui escutar o Black Sabbath, já tinha me "cansado" de ouvir Iron Maiden….

    Fazer parte de uma equipe como a que temos aqui é simplesmente demais!

  9. Marco Gaspari disse:

    Então, Daniel, talvez esse meu desabafo aí em cima e o seu comentário mostrem o quanto somos semelhantes e diferentes ao mesmo tempo. Temos diferenças de gostos, mas somos todos parecidos nessa nostalgia proustiana, essa reverência quase patológica à trilha sonora que embala nossa busca do tempo perdido. Viva o Sabbath, viva o Iron Maiden, e morte ao Supertramp!!!

  10. micaelmachado disse:

    Marco, seu comentário é simplesmente fantástico, e explicita bem a sensação de ouvir algo marcante pela primeira vez. No meu caso, acho que também foi com o Iron (mais precisamente o Somewhere In Time) que me senti assim pela primeira vez. Foi o legítimo "disco que mudou minha vida", literalmente…

    Mas, quando descobri o Sabbath, ainda não estava entupido das outras bandas. Foi bem no comecinho do meu aprendizado (essa história quem tem o direito de contar – e acho até que já contou por aí – é o Mairon, protagonista da mesma), e confesso que não gostei muito não. Não conseguia entender e absorver a sonoridade do grupo, sei eu lá por que.

    Quando vim morar na região metropolitana de Porto Alegre, na cidade de Esteio, havia um sujeito que, seguidamente, organizava festivais de rock aos finais de semana. E uma das bandas mais populares destes encontros era o Black Sabbath Cover de Sapucaia do Sul, outra cidade da região, que, quando participavam, invariavelmente eram headliners nesses festivais. De tanto assisti-los (e, por vezes, dividir palco com eles), fui conhecendo mais sobre o Sabbath, me interessando pelos discos, pela história e tal.

    Hoje conheço bastante sobre o grupo, já ouvi toda a discografia, e posso afirmar que sou, sim, um grande fã da fase Ozzy, assim como curto muito a fase Gillan e respeito (mas acho a terceira melhor) a fase Dio. Só que, de todos os discos, nenhum me "toca" tanto como os cinco primeiros, clássicos não só do estilo, como da música em si. Meu preferido é o "Master Of Reality", e acho que só eu penso assim. Mas os outros quatro estão no mesmo nível, ficando depois do terceiro por pura questão de gosto e identificação pessoal.

    Quanto ao Pablo, meus parabéns não só pelo texto, mas pela capacidade de síntese ao tratar de cada um. Se fosse eu o autor, acredito que cada disco daria um livro, de tanto que iria querer falar sobre os riffs, as letras, os climas, as histórias de gravação e turnês, a importância histórica, etc… Não ia dar muito certo, hehehe!

    Fazendo minhas as palavras do Daniel: Fazer parte de uma equipe como a que temos aqui é simplesmente demais!

  11. micaelmachado disse:

    Pô, Gaspa, deixe o Supertramp existir! Pelo menos o da década de 70 deve ser preservado, para o bem de nossos ouvidos!

  12. Marco Gaspari disse:

    Hehe… Supertramp é a banda que eu adoro odiar, Micael. Não é para levar isso a sério. E você tem razão no seu comentário sobre o texto do Pablo: a síntese é uma qualidade admirável, que torna o texto ágil e prazeroso. É muito bom ter esses exemplos em mente quando escrevemos.

  13. micaelmachado disse:

    Pois é, Marco, nos meus textos eu acabo me empolgando e, por vezes, dando uma de "enciclopédia", o que pode ser interessante em termos de informação, mas talvez afaste quem não tem paciência para textos mais longos…

    Mas é que o "gosto pela coisa" que é escrever sobre nossa maior paixão é maior que qualquer racionalização… como ficar três horas em um sábado à noite escrevendo um texto que só será publicado daqui há um mês, e com o maior prazer ainda por cima… só loucos como nós para entender…

  14. Marco Gaspari disse:

    Quanto a mim, não ando com a mínima paciência para escrever. Vivo arrumando outras coisas para fazer. Tem tudo a ver com o nosso estado de espírito no momento, e o meu anda péssimo. Mas já passei por isso outras vezes e uma hora o tesão volta. Por outro lado, qual o compromisso aqui que nos obriga a escrever de uma forma ou de outra? Tirando a nossa paixão pela coisa, nenhum, não é mesmo? O Daniel é um mão de vaca, não paga cachês condizentes com o nosso status de fodões da resenha. Então, relaxa. Escreva da forma que mais lhe satisfaz. E todo texto, no fim das contas, tem o tamanho que precisa para passar o recado.

  15. Thiago disse:

    Mairon…vc errou acertando pq a música "The Writ" se encaixa perfeitamente na descrição de faixas longas, doom, pesadas e com várias mudanças de clima!!!

    E Marco…muito interessante o seu depoimento!! Eu, como o mais novo do blog (24 anos) fico muito feliz em ver um cara de uma geração anterior à minha e ainda escutando esse tipo de som!
    E outra, o meu primeiro disco do Sabbath tb foi o Paranoid…pelo menos nisso estamos juntos!! E na paixão pelo Sabbath tb!!

  16. Marco Gaspari disse:

    Valeu, Thiago. Eu é que fico feliz em poder conviver com todos vocês.

  17. Bom saber que o Paranoid foi o primeiro disco do Gaspa e do Thiago. Impressionante essa descrição do Gaspa, sensacional mesmo. Eu tenho metade da idade do Gaspa (29 anos no momento), mas creio que tive a mesma sorte dele quando descobri Black Sabbath.

    Posso já ter contado a história alguma vez, mas para relembrar: Em abril de 1992, a cidade natal minha e do Micael, Pedro Osório, passou pela pior enchente de sua história. Eu, então com 9 anos, vi meu pai perder toda sua biblioteca, a nossa casa atolada de barro e outras cositas mais até perto do telhado e muita tristeza. Foram meses tentando recuperar tudo (algo que conseguimos com muito esforço de todos). Nesse período, a única loja que vendia fitas cassete na cidade estava em processo de recuperação.

    Foi exatamente nessa época que através de um famoso jornal do estado, chegou a informação que "o demônio estará entre nós". A manchete era sobre a vinda do Black Sabbath ao Brasil. Eu já havia deixado meu lado satanista de lado, mas ainda apreciava a coisa, principalmente slayer, possessed e a fase inicial do sepultura.

    Curioso, sabia que o Black Sabbath era a inspiração desses caras ,e fiquei louco para ir ao show, algo impossivel de ir devido asquestões monetárias e tb pela idade.

    Enfim, uma rádio ligada ao tal jornal anunciou um especial Black Sabbath. Eu nunca tinha ouvido Black Sabbath, e havia chegado o dia. Eu tinha que gravar aquilo, mas nao tinha uma fita k7 para gravar, e nao queria gravar por cima das que eu tinha.

    Indo para a escola, então na 3 serie, eis que encontro uma fita cassete na rua, toda desenrolada. Peguei a fita, levei para a sala deaula e passei a tarde "cuidando da mesma", remendando onde precisava e limpando as partes sujas.

    De noite, as 22 horas, começou o especial Black Sabbath com "The Wizard. Depois veio "Evil Woman", "War Pigs", "Tomorrow's Dream", "A National ACrobat" e muita musica em duas horas que me enlouqueceram, pois a fita era só de uma hora. Acabaei apagando varias coisas que eu tinha em outras fitas, mas lembro do prazer quando gravei Neon Knights, a musica que mais me marcou daquele especial. Foi uma paulada e um amor a primeira vista, que me levou durante anos a colocar o black sabbath no topodos melhores do mundo, algo que hj a velhice nao faz mais por pura questao de prazer mesmo. Mas black sabbath ainda é marcante. Os riffs de Iommi arrepiam mesmo, e como é legal ver pessoas como o Marco, que viveram isso na época, podendo dividir deigual para igual sua alegria e prazer com a gente.

  18. E sim, eu tenho rpoblemas para escrever, pois até meu comentario é longo, hehehe

    Parabens pelo poder de sintese Pablo. Um dia eu aprendo.

  19. Hahahaha, era muito legal colocar Evil Woman para tocar e ver o micael gritando: "Blergh!!!! Odeio Blues"

  20. Só uma correção a algo que andam falando por ai: eu não faço questão de ser diferente dos outros Eu realmente gosto do Technical Ecstasy e do Never Say die, e sou honesto com isso. Melhor do que ficar dizendo que detesa metaleiro, mas na hora que precisa, paga pau para revista do gênero ou algo do estilo.

    E outra, dizer que o Never Say Die é o melhor disco do Black Sabbath pode até ser polêmico, mas eu não uso isso para me promover. Eu pelo menos ouço o disco (não sou surdo) e jamais, mas jamais mesmo, vou me prestar a fazer uma resenha vendo um show da internet e dizer q o show tava uma merda.

    Eu fui e vi o Ozzy cantar udas vezes. Eu posso falar o que eu quiser sobre a voz do carae sobre o show. Agora, ficar sentado atras do computador achando que ta agradando, e ficar de mi mi mi pelo twitter, isso é de uma bunecrice sem tamanho.

    Desculpem o desabafo …

  21. micaelmachado disse:

    Eu, por mim, não entendo alguém que se diz apaixonado por música mas não é capaz de ir a show algum, na sua cidade ou em outro lugar… é no palco que os verdadeiros artistas mostram o seu valor, e é ali que os fãs demonstram sua paixão e respeito por eles!

    Mas ficar em casa no sofá com a cervejinha gelada na mão ouvindo mp3 e dizer que adora a banda é mais fácil, né?

    Quanto ao preferido do Sabbath, tem gente que conheço que prefere a fase com o Tony Martin… Tem gente que acha que Sabbath não é nem música… e tem quem defenda o pagode e o axé como a salvação da lavoura…ou seja, tem gosto para tudo nessa vida… eu que não vou me estressar com isso… quer ser diferente, que seja… afinal, se os "mamilos" são "polêmicos", porque a música não o seria?

    E o bom não é isso? A discussão de bar que não leva a nada sobre se o melhor é o Ozzy, o Dio, o Gillan ou o Hughes? Se todos pensassem iguais, seria muito chato!

    Pelo menos EU sei do que gosto e do que não curto, não preciso que os "mestres" me digam o que é bom!

  22. Thiago disse:

    Fala ae Mairon!! Realmente cara…vc tem o poder de achar o que quiser sobre qualquer disco do Sabbath!! E pelo fato da história da banda ser tão rica e com muito mais altos do que baixos é que acho cabíbel vc considerar o Never Say Die! o melhor…o importante é a gente ter a liberdade de achar o que quiser…e com argumentos, é claro.
    Sabbath é a minha banda do coração e mesmo gostando muito da fase Tony Martin, as outras não ficam nem um pouco atrás…e seguindo a linha de pensamento do mairon…eu escutei N vezes os discos da fase Martin, então posso dizer com propriedade que é a fase que mais curto! E não falo isso para ser diferente e nem "cult"…justamente porque admiro discos clássicos da discografia da banda, como Master of Reality, Vol.4, Sabotage, Sabbath Bloody Sabbath, Heaven and Hell, Mob Rules, Black Sabbath, Paranoid e por aí vai…em suma: eu gosto de TODOS os álbuns do Sabbath, sem excessão!!!
    Umas das bandas com a obra mais rica da história…justamente pela fase Ozzy ser bem diferente da fase Dio que é bem diferente das fases Gillan/Hughes, que por sua vez são bem diferentes da fase Martin!
    SABBATH RULES!!!

  23. Marco Gaspari disse:

    Já que o Mairon se manifestou a respeito, fico mais tranqüilo de comentar. Eu já tinha dado um toque (sutil pra caralho, porque se não ia parecer fofoca) lá no facebook sobre a minha surpresa com esse lance. Prefiro entender que isso foi tiração de sarro. Uma brincadeirinha a princípio sem maiores conseqüências. Mas a surpresa persiste. É claro que você, Mairon, pode gostar do que quiser, preferir o que mais lhe agradar. Ninguém é dono da verdade e, convenhamos, não é o nosso gosto a respeito de rock’n’roll que vai salvar o planeta. Mas isso mostra também que a sua opinião importa muito para certas pessoas, Mairon. Caso contrário, estariam cagando solenemente pra ela.

  24. Anônimo disse:

    O que fazia,o Sabbath,ser uma banda,tão,coesa,e forte,era o fato,de todos os instrumentistas,da banda serem precisos,e talentosos.Bill Ward,é um baterissta,injustiçado.A instrumental,"Rat Salad",do Paranoid,é o melhor exemplo disso.As viradas,que ele faz,nessa música,é coisa,de outro mundo!!Vou ser polêmico!!Bill Ward,eram mil vezes melhor,que o John Boham,do Led Zeppelin.Isso sem falar,que os tons,de bateria,do Bill Ward,eram mais consistentes,e bem gravados.Uma coisa,interessante,é o fato,de que essa instrumental,citada,seja a penúltima´,faixa do disco.O Led Zeppelin,dois anos antes no segundo álbum,em 1969,também,tinham uma música,instrumental,a "Moby Dick",que também,era uma performance,inesquecível,do baterista.Bill,e bonham,eram amigos.Ambos,era beberrões,e faanfarrões,embora,Bill,fosse,mais,controlado,e bonachão,do que Bonhan que quando,bebia,ficava violento.O Led,certamente,influenciou,e muito o Led.Dazed aand Confused,do áalbum,de estréia,do Led Zeppelin,possuiaa,um riff maacabro,e sinistro,que certamente,influenciou,Iommi,a criar,os riffs,fantástico,que criou.Podemoss,pereceber,que a introdução,de Paranoid,lembra,um dos riffs,de Dazed and Confused.O Black Sabbath,e o Led Zeppelin,certa feita,se encontraram,e gravaram,uma jam session,juntos,cujaa,fita,estaria em poder de Tony Iommi.Imaginem,se essa Jam Session,fosse,lançada,um dia oficialmente??

  25. Anônimo disse:

    O Sabbath,foi responsável,pela criação,do chaamado,Doom Metal.Todas,as bandas,desta vertente,citam,o Sabbath,como os criadores,do estilo.Eu particularmente,não sou muito fã,do estilo.O ex vocal,do Napalm Death,Lee Dorian,fundou,uma banda,de Doom Metal,o Catedral(favor,não confundir,com aquela,bandinha,ridícula,que imitava a Legião Urbana),sempre citou,o Sabbath,como sua principaal,influência.A única,banda ,desse estilo,que gosto,é a banda americana,Pentagram,do lendário,vocalista Bobby Liebling.O primeiro,disco do Pentagram,é Sabbath,da primeira,a última faixa.Só não é mais Sabbath,porquê,não são os caras.O Celtic Frost,foi outra banda,que bebeu,da fonte,do Sabbath,dos primeiros traabaalhos.Tom Warrior,sempre cita,Tony Iommi,como seu graande ídolo.Faz sentido!!!Algumas músicas,com levada arrastada,do Morbid Tales,se parecem com Sabbath,como,Return to Eve,Procreation of the wicked,e Dethroned Emperor.

  26. Anônimo disse:

    Vou passar,um link do Sabbath,tocando,um cláassico do rock,Blue suede shoes.Talvez,vocês já conheçam,mas,se alguém,não conhece,é só aacessar
    http://www.youtube.com/watch?v=J-nzB7zbPxU

  27. Anônimo disse:

    O que dizer,de Into the void,do Master of reallity??Essa música,era diferente,de tudo,o que existia,nos anos 70.Eu sempre,costumo,dizer,que o Sabbath,era uma banda,muito a frente de seu tempo.O Tony Iommi,praticamente,criou,um novo jeito,de tocar guitarra.Podemos dizer,que a história,do Heavy metal,é definida,de antes de Tony Iommi,e depois de Tony Iommi.A parte,do meio de Into the void,na mudança,de andamento,quando a mússica,fica rápida,já era um proto Thrash Metal,tamanha,a rapidez,e agressividade

  28. 1) Sabotage é o melhor disco do Sabbath. (Desconsiderando os pós-Born Again, que ouvi poucas vezes ou nenhuma.)
    2) Os pais do metal são os caras do Blue Cheer. Se as bandas de metal preferem citar Led e Sabbath como influência, azar. Filhos ingratos!
    3) Sou o mais novo aqui, 23 aninhos. keke

  29. Anônimo disse:

    Pra vocês verem como a vida é injusta,Tony Iommi,foi diagonsticado,com Linfoma!!!Outro grande mestre,com cancêr!!Pode parecer idioice da minha parte falar isso,mas a vida é uma m….rda

  30. Anônimo disse:

    Com tanto filho da p…,por aí,que merecia ficar doente e morrer,o cara,que criou o Heavy Metal,esta doente!!FORÇA MESTRE IOMMI!!

  31. Anônimo disse:

    O que seria de Tom Warrior,Kerry King,Kirk Hammet,Max Cavalera,se não fosse por esse gênio??

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