Slash – Slash [2010]

7 de setembro, 2011 | por Pablo Ribeiro
Resenha de Álbum
6
Por Pablo Ribeiro
O inglês Saul Hudson, nascido a 23 de julho de 1965, em Londres, teve desde muito jovem uma ligação com o mundo do rock ‘n’ roll. Sua mãe produzira roupas de palco para David Bowie, entre outros. Já seu pai foi o criador de capas de discos para vários artistas, entre os quais Neil Young e Joni Mitchel. Ainda jovem, Saul se mandou para os EUA, onde mais tarde ficaria conhecido pelo apelido que o faria famoso ao lado do Guns N’ Roses: Slash.
Ainda durante os anos em que era era membro da banda, o guitarrista fundou o Slash’s Snakepit, que lançou It’s Five O’Clock Somewere (1995) durante um hiato do GNR. Seu Snakepit ainda colocaria na roda um segundo disco, Ain’t Life Grand, em 2000. Slash acabou caindo fora do Guns N’ Roses (assim como quase todos os outros membros à época, sobrando apenas Axl Rose e Dizzy Reed), e com alguns ex-companheiros (Duff McKagan e Matt Sorum) fundou o ótimo Velvet Revolver, que contava com Scott Weiland (Stone Temple Pilots) nos vocais. Depois de dois discos, Contraband e Libertad, de 2004 e 2007, respectivamente, Weiland se desentendeu com os outros membros, e reformou o Stone Temple Pilots. Com o Velvet Revolver suspenso, Slash começou a colocar em prática um projeto que já almejava havia algum tempo: um disco solo, com a participação de vários músicos convidados.
Slash e suas (muitas!) guitarras
O álbum, simplesmente intitulado Slash, foi lançado no último dia do mês de março de 2010, contando com um estreladíssimo rol de convidados, e produziu quatro singles, recebendo – na maioria das vezes – críticas favoráveis, sendo também bem recebido pelos fãs. A bolacha segue dissecada a seguir:
“Ghost”: o disco começa bem, com os vocais e a percussão de Ian Astbury (The Cult) e as guitarras adicionais do ex-companheiro de Guns N’ Roses Izzy Stradlin. A música é guiada por licks malandros de Slash, que compõem bem com o vocal mais grave e dark de Ian.
“Crucify the Dead”: com Ozzy Osbourne cantando, há também a participação de Taylor Hawkins (baterista do Foo Fighters). A faixa é dona de uma aura de melancolia, que fecha muito bem com a letra amarga, falando sobre traição, ganância e egoísmo, em uma clara referência à erosão do relacionamento de Slash com Axl Rose, por mais que o primeiro negue. Ótima música, com forte impressão musical da carreira solo de Ozzy.
“Beautiful Dangerous”: conta com os vocais murrinhas de Fergie, integrante metida a cantora do Black Eyed Peas. A música tem riffs legais e um vibrato de guitarra bem bacana, mas torna-se irritante, exatamente pelos vocais da figura… Ela pode ser uma beleza dançando ou coisa parecida, mas que não se meta a “cantar”.
“Back From Cali”: ponto polêmico aqui. Slash escolheu o cantor desta faixa, Myles Kennedy, para ser o vocalista oficial de sua banda em turnê e no próximo disco de estúdio. Muitos saudaram o cara como uma puta revelação, como um vocalista excepcional e o caramba. Para mim, Kennedy (também vocalista da banda neogrunge Alter Bridge) é sim, competente – não mais do que isso -, tem uma performance de palco decente, mas peca quando manda ver nas vocalizações agudas, que acabam soando esganiçadas. Some-se a isso a veia deprê grunge em seu vocal, e temos um resultado que nem sempre agrada. Pode até fazer bonito em uma ou outra faixa – essa “Back From Cali” é um exemplo de acerto -, mas em outras músicas nem sempre o resultado é positivo. Nas faixas do Guns N’ Roses ou do Velvet Revolver tocadas ao vivo, quase sempre o tiro sai pela culatra. De qualquer forma, “Back From Cali” sobrevive.
Myles Kennedy e Slash ao vivo
“Promise Me”: contando com Chris Cornell (Soundgarden, ex-Audioslave), é uma semibalada bem ao estilo da carreira solo do vocalista. Nada que vá mudar o mundo, mas é uma canção agradável e bem construída, com destaque para as pentatônicas bem evidentes de Slash.
“By the Sword”: com Andrew Stockdale, do Wolfmother, foi o primeiro single internacional do disco. Começando calma, tanto por parte de Slash quanto de Stockdale, a música vai crescendo até estourar em um puta refrão puxado pelo vibrato empolgante da voz peculiar de Andrew. Canção bem acessível, mas forte. Bom acerto!
“Gotten”: Adam Levine (Maroon 5) guia essa balada sentimental que guarda muito da banda original do cantor. Uma bela música com um feeling bem relaxado e acessível, mas longe de ser musicalmente fraca. A melhor balada do disco.
“Dr. Alibi”: o convidado de honra aqui é Lemmy Kilmister (Motörhead), que reduz a pó tudo que havia sido feito até agora (e também depois)! A rifferama de timbre sujo da guitarra de Slash tem tudo a ver com a música (e com Lemmy): um rockaço tal qual um soco na cara, cheirando a álcool (etílico) e gasolina (combustível)! Uma das melhores, senão a melhor do disco!
“Watch This”: outro ponto alto… Rockão instrumental com a participação de Dave Grohl (Foo Fighters, Probot) e do ex-companheiro de Slash no Guns N’ Roses, o baixista Duff McKagan. Empolgante e direta.
Convidados que participaram de Slash
“I Hold On”: semibalada com os vocais do marrento Kid Rock. Outra música pop bem feita, mas que pouco contribui para o disco.
“Nothing to Say”: M. Shadows, vocalista do Avenged Sevenfold, canta nessa. Lembra bastante o som da banda original do cara, mas é um pouco mais rock ‘n’ roll, sem tanto daquele feeling melancólico das músicas do Avenged Sevenfold, chegando inclusive a empolgar.
“Starlight”: outra com Myles Kennedy. Agrada até a hora na qual Myles dá suas esganiçadas no refrão. A música – outra balada – não é ruim, mas um vocalista menos fiasquento contribuiria mais. Sinceramente, não dá para entender tamanho burburinho em cima de Myles Kennedy.
“Saint Is a Sinner Too”: contando com Rocco DeLuca, ex-vocalista/guitarrista da banda Rocco DeLuca and the Burden, a canção surpreende positivamente. Apesar de Rocco ter um backround indie/alternativo, a faixa tem influência de música espanhola, talvez pela origem de Rocco. Grata surpresa, onde Slash mostra que é mais do que um bom guitarrista pentatônico.
“We’re All Gonna Die”: puta música, com outra lenda: Iggy Pop. Um rockão com timbres cortantes da guitarra de Slash. Os vocais ácidos de Iggy aproximam a música das canções mais bacanas do The Stooges (banda de Iggy). Fecha o disco com chave de ouro.
Mais convidados
Slash foi solto em diversas edições diferentes ao redor do mundo. Ao todo, foram lançadas mais seis faixas bônus, espalhadas por diversas versões do disco. Algumas poderiam ter sido lançadas no disco principal, talvez substituindo algumas músicas mais fracas. Outras nem precisavam ter sido gravadas. São elas:
“Sahara” (presente na versão japonesa): contando com Koshi Inaba, da banda japonesa B’z, é uma música bem bacana, com forte influência de J-Rock, como era de se esperar. O fato de ser cantada no idioma de origem do cantor torna a música mais legal e curiosa. Originalmente, essa versão de “Sahara” foi lançada antes do álbum completo, somente no Japão. Há ainda uma versão cantada – pelo mesmo Inaba – em inglês. Bem legal também, mas a versão em japonês com seu fator curioso acaba se destacando.
“Paradise City”: sem dúvida, a música mais desnecessária e equivocada entre as lançadas no disco. Originalmente editada somente no Japão, como lado B de “Sahara”, a tal Fergie se junta ao Cypress Hill (justiça aqui: um dos grupos mais competentes no que se propõe a fazer) para assassinar o clássico do Guns N’ Roses. Não dá para entender o que passou pela cabeça do cara! Não sou um xiita terminantemente contra regravações, e acredito que Slash tenha direito – e culhões – para fazer isso, mas que então recrutasse alguém que tivesse a ver com a proposta! Constrangedor.
“Baby Can’t Drive”: Alice Cooper e Nicole Scherzinger (sim, aquela das “Pussycat Dolls”!) dividem os vocais dessa música, que – DE NOVO – peca por enfiar uma influência pop que só enfraquece a canção. Se destaca o timing de Cooper, que acaba salvando a faixa de ser uma vergonha como a já citada “Beautiful Dangerous”. Vale citar a participação de Steven Adler na bateria (ex-parceiro de Slash no Guns N’ Roses) e do alucinado Flea (Red Hot Chili Peppers) no baixo.
“Mother Maria”: a convidada aqui é Beth Hart, competentíssima cantora californiana de blues e jazz. A música em si é outra semibalada classuda, fortemente influenciada pelo blues e temperada pela belíssima voz de Hart, que também manda ver no piano. Ótima faixa.
Slash e seu equipamento
“Chains and Chackles”: na verdade, trata-se de uma versão diferente de “Nothing to Say”, desta feita com o doidão Nick Olivieri ao microfone. Olivieri berra praticamente o tempo todo – herança de sua performance nonsense no Queens of the Stone Age -, mas por incrível que pareça, isso depõe a favor da canção. Provavelmente, essa versão seja até melhor que “Nothing to Say”.
O álbum também foi relançado em uma versão tripla, contando com o disco original, um CD com algumas das músicas bônus ja lançadas anteriormente e um DVD com documentários, comentários e videoclipes. Essa edição conta com as seguintes canções adicionais:
– Duas demos sem título, denominadas como #4 e #16: duas ideias de músicas que acabaram não sendo completadas, constituem canções bem interessantes, levando-se em consideração que são apenas “esqueletos”.
– Três canções acústicas, “Back From Cali”, “Fall to Pieces” (Vevet Revolver) e “Sweet Child o’ Mine” (Guns N’ Roses): a primeira perde muito em relação à versão elétrica; quanto às outras duas, repito: não sou contra regravações, mas nenhuma delas chega perto de suas versões originais… O grande problema aqui, é que essas versões contam apenas com voz e violão, deixando o vocal “cocota” de Myles lá na frente, muitas vezes judiando o ouvido alheio.
– Duas versões ao vivo, “Watch This” e “Nightrain” (Guns N’ Roses): Ambas ficaram legais. A primeira, inclusive, tem até mais punch que a versão em estúdio. Já “Nightrain” é uma das únicas nas quais Myles passa no teste. Ficou boa, mas não chega aos pés da original.
– Além dessas, há uma versão para rádio de “Beautiful Dangerous”, que – pasmem – conseguiu ser mais descartável e soporífera que a original.
Slash é, no final das contas, um belo disco de rock ‘n’ roll, coeso e com resultados bem acima da média em comparação com lançamentos desse formato, contando com vários convidados. Possui, sim, bem mais momentos positivos do que negativos, e vale não apenas algumas boas ouvidas, mas até mesmo sua aquisição.



6 Comentarios

  1. jantchc disse:

    gostei muito da resenha, diogo..

    dissecou bastante o disco do gente fina..

    porem discordo de algumas colocações suas..

    gostei de todas as musicas, menos a do Iggy e a em japones…

    a ultima de todas, desse tal nick, eu não ouvi…

    achei q o myles, q eu não conhecia antes de ouvir este cd, é otimo..

    ao vivo ele é não é tão foda, mas ainda é muito bom em interpretar todas as musicas q canta..

    não gosto de rap e só de uma ou outra musica do Black Eyed Peas, mas adorei as musicas da Fergie..

    achei q ela cantou muito bem, como a mina do PD tb..

    e achei interessante a faixa com o Cypress Hill, prefiro a original, mas esta não ficou ruim, só diferente..

    de qq jeito, esta é minha opinião..

    só queria dividir com vc..

  2. diogobizotto disse:

    Opa, valeu… mas a resenha é do amigo Pablo, hehe!

    Bom, eu gostei do disco. Escutei-o bastante recentemente e, sem dúvida, existem mais pontos altos que baixos. Não existe nenhuma música que me faça pular da cadeira e pensar "PUTA QUE PARIU, QUE SONZAÇO", mas ele merece muitas audições… minhas prováveis favoritas são "Starlight", "Nothing to Say", "By the Sword", "Dr. Alibi", "Ghost" e "Crucify the Dead". Myles pode não ser um grande vocalista, mas entre os que participaram do álbum, me pareceu a melhor opção para sair em turnê com Slash, levando em consideração o fato de que muitos deles não teriam semelhante possibilidade, especialmente por terem carreiras muito bem consolidadas com suas próprias bandas, sem falar em algumas lendas, como Ozzy e Lemmy.

    Mas ainda prefiro "Chinese Democracy", heheheh!!!

  3. Pablo Ribeiro disse:

    É brabo de um disco inteiro com o tal Myles Kennedy se sustentar ein? Na boa…

  4. Anônimo disse:

    A música,em que o Lemmy participa,possui um riff de guitarra,semelhante,a main man dos Ramones,do álbum Mondo Bizarro!!

  5. Southern Man disse:

    Andrew Stockdale já é lendário, e ele arrebenta em By The Sword, melhor música do disco fácil, fácil
    pra mim pra carreira solo do Slash decolar só falta ele arranjar um vocalista realmente bom pra o acompanhar, pois o tal Myles Kennedy é fraquissimo, possue uma voz enjoativa e pequena, made in stoke q fora lançado recentemente me mostrou isso, embora já imaginasse pelos discos da sua banda grunge mela cueca Alter Bridge (desculpa quem gosta, mas essa banda é muito ruim)
    se eu fosse um guitarrista de renome como Slash escolheria um Jeff Scott Soto da vida rsrs
    esse é foda até cantando parabéns pra você em coreano!!!
    parabéns pela resenha, alias todos os textos aqui contidos são dignos de aplausos
    Grear Great Great

  6. diogobizotto disse:

    Eu admito que o Myles Kennedy é meio marreco, mas cada vez mais tenho curtido sua performance, inclusive ao vivo, o que me lembra que gostei bastante do novo álbum ao vivo.

    De qualquer maneira, muito obrigado pelos elogios, Southern Man…

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