Discografias Comentadas: Dream Theater

21 de agosto, 2011 | por Diogo Bizotto
Discografias Comentadas
15
Dream Theater, ainda com Mike Portnoy: Mike, John Petrucci,
Jordan Rudess, James LaBrie e John Myung

Por Thiago Reis
Falaremos ao longo das próximas linhas de uma das bandas mais importantes do cenário heavy metal, que, com certeza, teve uma importante contribuição para o retorno da popularidade do rock progressivo. Refiro-me ao Dream Theater, cuja fusão de heavy metal, hard rock, progressivo, jazz e fusion fez com que a banda conseguisse uma fiel legião de fãs ao redor do mundo. Mas para que isso acontecesse, seus integrantes tiveram que se dedicar muito, sempre com objetivos em mente. Começamos essa grande trajetória pela amizade que John Petrucci (guitarra) e John Myung (baixo) tinham desde pequenos. Sua admiração pela música de grupos como Rush, Yes, Genesis e Pink Floyd e a vontade de trabalhar com música os fizeram tomar uma grande decisão que mudaria o rumo de suas vidas: a entrada na renomada faculdade de música Berklee Music College. Lá eles puderam melhorar ainda mais suas habilidades em seus respectivos instrumentos e conhecer pessoas que compartilhavam do mesmo gosto musical. Isso aconteceu quando encontraram Mike Portnoy (bateria) ensaiando em uma das salas da faculdade. A empatia foi instantânea e o núcleo do que mais tarde seria o Dream Theater foi formado por esse trio. 
Após tomarem a decisão de formarem uma banda, era hora de praticar. Ensaiavam das 18h até meia-noite, todos os dias, fazendo jams e compondo músicas. Mas, para completar o que seria a primeira formação do grupo, faltava um tecladista e um vocalista. Acharam o primeiro em Kevin Moore, amigo de infância de Petrucci. Para completar o time, Chris Collins assumiu o vocal. Era essa a primeira formação da banda que veio a se chamar Majesty. Estavam a compor e marcar alguns concertos pela região de Long Island (Nova York), mas duas coisas tinham que ser feitas antes de tomarem rumo como banda séria: a díficil decisão de largar a faculdade e de conseguir outro vocalista, já que Chris Collins não funcionou muito bem nesses shows locais. Acabaram recrutando Charlie Dominicci, um vocalista que podia cantar o que eles queriam e que também tinha experiência, já que era bem mais velho que os outros quatro. As composições foram tomando forma e logo estavam sendo apresentadas ao vivo. Em uma dessas performances, um dos chefões da Mechanix Records gostou do que ouviu e logo assinou um contrato com a banda. Era hora do Majesty mostrar ao mundo do que era capaz.
When Dream and Day Unite [1989]
Antes de falarmos do álbum em si, vale a pena comentar que, um pouco antes do lançamento, a banda se viu obrigada a mudar de nome, pois já existia um grupo chamado Majesty na época. Com tudo acertado, o Dream Theater estava pronto para entrar em estúdio e gravar seu debut. Encontramos em When Dream and Day Unite vários destaques, como a faixa de abertura “A Fortune in Lies”, que é bastante energética e funciona muito bem ao vivo. Já em “Status Seeker”, vemos uma tentativa frustrada da banda em conseguir um hit single, justamente por causa da falta de apoio da gravadora, que não moveu uma palha para promover o disco. “Ytse Jam” é um clássico absoluto, uma grande faixa instrumental com várias passagens ao estilo Rush e Metallica. Destaque para o solo de baixo de John Myung, juntamente com grandes viradas de Mike Portnoy. Outro grande destaque é “The Killing Hand”, que conta com uma linda introdução ao violão clássico. Na turnê “Fix for ’96” encontramos uma versão ainda melhor, chamada “Another Hand / The Killing Hand”. Para quem não conhece, vale a pena correr atrás dessa versão. Outras faixas de destaque são “Afterlife” e “Only a Matter of Time”, com uma ótima letra de Kevin Moore. Infelizmente, o álbum não emplacou nas paradas, não recebeu uma turnê digna e muito menos uma produção de nível. Isso fez com que muitos fãs se afastassem do disco e simplesmente ignorassem essa grande obra. Mas o Dream Theater fez o grande favor de revisitar seu debut no álbum ao vivo When Dream and Day Reunite (2004), no aniversário de 15 anos do disco. Após alguns concertos na região de Nova York, os membros do Dream Theater viram que Charlie Dominicci não era o homem certo para ser o vocalista da banda, principalmente pela sua presença de palco muito fraca e a falta de carisma em algumas ocasiões. Mais uma vez, o grupo estava sem vocalista, e a busca pela peça que se encaixaria corretamente no quebra-cabeça da banda duraria mais de um ano. Durante esse frustrante período sem vocalista, o quarteto esteve muito produtivo e compôs vários dos clássicos que estariam em seu próximo álbum de estúdio.
Images and Words [1992]
Com a adição de James LaBrie no vocal, a banda estava pronta para gravar o successor de When Dream and Day Unite, via ATCO Records. Em Images and Words encontramos a mais perfeita fusão entre o prog e o heavy metal, fato que pode ser comprovado em faixas como “Pull Me Under” e “Metropolis”. Também é grande destaque o balanço entre a técnica e o feeling, tendo como grandes exemplos “Learning to Live”, “Surrounded”, “Take the Time” e “Under a Glass Moon”. Dessa vez a gravadora apoiou a banda e orçou o lançamento de três videoclipes: “Another Day”, “Take the Time”, e “Pull Me Under”. Foi justamente com o videoclipe de “Pull Me Under” que o Dream Theater obteve a divulgação tão desejada e pela primeira vez a banda saiu em turnê pelos EUA. O êxito foi tanto, que uma turnê europeia e outra japonesa foram agendadas. O grupo estava finalmente marcando território em importantes mercados para bandas de heavy metal, obtendo sucesso imediato em países como Japão, Holanda, Alemanha, Itália e França. Após um giro com mais de 150 shows pelo mundo, o quinteto já estava mais conhecido, com uma experiência de palco muito maior e tendo como cereja do bolo a gravação de um EP ao vivo, chamado Live at the Marquee (1993), que obteve grande sucesso junto aos fãs. Tudo o que poderia ser feito para a divulgação de Images and Words foi executado, e diga-se de passagem muito bem, já que o álbum se tornou o preferido de nove entre dez fãs e um verdadeiro marco do prog metal.
Awake [1994]
Após o sucesso de Images and Words, as expectativas acerca de um novo álbum do Dream Theater eram muito maiores do que os próprios membros poderiam imaginar. Mas eles não se assustaram com a responsabilidade e lançaram um dos melhores discos de sua carreira, o também aclamado Awake. Comparado a seu antecessor, encontramos aqui mais peso e um clima mais denso, mas mesmo assim tudo está feito sob medida, sem exageros. Os grandes destaques são a ótima “6:00”, com sua introdução de bateria quebrada e sua linha de baixo bem presente e ditando o ritmo da música, “Caught in a Web”, que funciona muito bem ao vivo, a mais melódica “Innocence Faded”, a instrumental “Erotomania”, que virou marca registrada em vários shows, a excelente “Voices”, que conta com um dos melhores solos de John Petrucci, e as pesadas “The Mirror” e “Lie” que embalam uma das melhores sequências da história da banda. Logo em seguida vem uma de minhas preferidas, “Lifting Shadows Off a Dream”, que apresenta grandes harmonias e um clima apropriado para a enigmática letra de John Myung. O saldo foi mais do que positivo, mas a banda enfrentou alguns problemas durante seu registro. O tecladista Kevin Moore anunciou, durante as gravações, que deixaria o grupo depois de finalizar sua parte. Após a saída de Kevin, o Dream Theater fez testes com vários tecladistas, e encontrou em Derek Sherinian o substituto ideal para realizar a turnê.
Falling Into Infinity [1997]
Chegamos ao álbum mais criticado da carreira do Dream Theater. Taxado de muito comercial e com uma grande interferência externa, Falling Into Infinity tem seus grandes momentos como qualquer outro disco dos norte-americanos, principalmente em faixas como “Burning My Soul”, “Hell’s Kitchen”, “Lines in the Sand” e “Trial of Tears”. Vale ressaltar que outras grandes músicas como “You Not Me” e “Take Away My Pain” ficaram muito melhores em suas versões demo, já que na última hora o produtor Kevin Shirley executou algumas modificações de gosto duvidoso. Além disso, o período entre 1996 e 1997 foi um dos mais criativos para o grupo, com a composição de várias músicas que acabaram se tornando lados B, com destaque para “Raise the Knife”, que é um dos pontos altos do ao vivo de 2006, Score, “Cover My Eyes” e “Speak to Me”. Mesmo configurando-se como um período conturbado, inclusive com Mike Portnoy ameaçando se desligar da banda durante a turnê, divergências musicais e muitas críticas vindas de uma parcela de fãs, essa época foi muito especial para os brasileiros, já que o Dream Theater pisou em terras tupiniquins duas vezes. A primeira delas foi em 1997, com dois shows em Santo André (SP) e um no Rio de Janeiro. A segunda ocorreu no falecido festival Monsters of Rock, em 1998. Precisando urgentemente de mudanças para que a banda pudesse sobreviver após o fracasso comercial de Falling Into Infinity, o Dream Theater necessitou de mais uma mudança em sua formação, que pudesse solidificar ainda mais o nome da banda e a levasse a outros níveis em termos de técnica. Eis que o nome de Jordan Rudess entrou em pauta, e a saída de Derek Sherinian foi oficializada em janeiro de 1999. Com o Dream Theater, Sherinian também gravou o aclamado EP A Change of Seasons (1995) e o ao vivo Once in a Livetime (1998). 
Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory [1999]
Esse era o passo que faltava para que o Dream Theater se tornasse definitivamente um gigante do heavy metal mundial. Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory é ousado, entra na mente do ouvinte e não sai mais, além de possuir uma técnica absurda. Tanto o conceito do disco quanto as melodias se fundem de uma maneira sublime, e isso o transforma em um dos mais importantes registros dos últimos 20 anos na música pesada. Um dos fatores que contribuíram para que esse grande trabalho realmente acontecesse foi a entrada de Jordan Rudess (teclado) no lugar de Derek Sherinian. Jordan adicionou técnica, virtuosismo e ótimas idéias, se consolidando como um dos membros-chave em termos de criação. As letras sobre regressão, reencarnação e as consequências em saber o que o personagem principal foi na vida passada e o que aconteceu com ele são retratados com um clima que faz com que nos sintamos na história. Isso acontece em faixas como “Overture 1928”, “Strange Déjà Vu”, “Through My Words”, “Fatal Tragedy”, “One Last Time” e “Finally Free”. O aspecto virtuoso se sobressai em faixas como “Beyond This Life”, “Home”, e, como o baterista Virgil Donati (Planet X, Ring of Fire, Steve Vai) declarou recentemente: “the mother of all pieces”, como não poderia deixar de ser, “The Dance of Eternity”. Aliás, essa instrumental mostra como o Dream Theater está à frente de muitas artistas de heavy metal nos quesitos técnica e criatividade. É claro que existem muitos críticos que dizem tratar-se de notas aleatórias e que nada tem nexo, mas eu faço uma pergunta: se a banda inteira é capaz de compor uma música tão técnica e consegue executá-la ao vivo com tanta perfeição, por que eles teriam que esconder esse dom a fim de agradar os críticos e os que adoram “cornetar” a banda? Não, o Dream Theater faz porque eles sabem exatamente o que os fãs gostam e “The Dance of Eternity” é uma prova disso, já que se tornou uma das músicas mais pedidas em suas apresentações. Voltando ao álbum, encontramos o feeling característico do quinteto em músicas como “Through Her Eyes” e “The Spirit Carries On”, essa última arrancando lágrimas de quem vos escreve no show ocorrido em São Paulo no dia 19 de março de 2010. Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory mostrou ao mundo o que o Dream Theater pretendia com a entrada de uma nova década e dando uma aula de como se fazer música e ter sucesso sem a ajuda da grande mídia.
Six Degrees of Inner Turbulence [2002]
Após o sucesso absoluto perante ao fãs mais exigentes do mundo, o Dream Theater estava preparado para dar o próximo passo. Um álbum de difícil assimilação, longo e com muitas variantes, Six Degrees of Inner Turbulence reúne todas as características do heavy metal em seus dois discos. Desde o peso e os riffs ferozes de “The Glass Prision”, que é a primeira parte da saga de Mike Portnoy sobre os 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos), a progressiva e complexa “The Great Debate”, sobre a polêmica acerca das células tronco, a emocionante “Disappear” e a ótima “Blind Faith”, que alterna momentos de virtuosismo, através de longos e bem trabalhados solos, com algumas partes de calmaria. Passando para o disco dois, encontramos mais uma obra prima com 42 minutos de duração e ótimas passagens, mantendo as características do primeiro disco, com o peso sendo representado por músicas como “War Inside My Head” e “The Test That Stumped Them All”, além de momentos para se relaxar e apenas sentir a música, como “Goodnight Kiss” e “Solitary Shell”. Ainda encontramos a empolgante “About to Crash” e um encerramento com chave de ouro de mais uma obra conceitual em “Losing Time / Grand Finale”. Six Degrees of Inner Turbulence se mostrou um disco muito polêmico com a comunidade de fãs, se dividindo na preferência pelo disco um ou dois. Mas o que não podemos negar é como essas músicas funcionam ao vivo. Prova disso é a versão com orquestra para a faixa “Six Degrees of Inner Turbulence”, que encaixou como uma luva com os temas originais, tudo isso imortalizado no álbum ao vivo Score (2006).
Train of Thought [2003]
Depois de mais um grande álbum e uma turnê com alguns altos e baixos (o emprego de James LaBrie seria posto a perigo por Mike Portnoy caso o vocalista não cuidasse de sua voz e de suas performances), era hora de mais um álbum de estúdio de uma das bandas que mais produzem na atualidade. Talvez devido ao fato de, durante a turnê para Six Degrees of Inner Turbulence, o Dream Theater ter executado na íntegra alguns discos de bandas como Iron Maiden (The Number of The Beast) e Metallica (Master of Puppets), a veia mais metal da banda ficou à flor da pele, e isso se refletiu em Train of Thought. O quinteto entrou em estúdio com o pensamento inicial de gravarem o álbum mais pesado de suas carreiras, e foi justamente o que aconteceu. Temas como “As I Am”, “This Dying Soul”, “Endless Sacrifice” e “In The Name of God” fizeram jus ao rótulo de prog metal. Músicas longas, pesadas, com vários riffs marcantes e refrões grudentos fizeram com que Train of Thought atingisse um público que o Dream Theater ainda não tinha atingido, que era o da faceta mais pesada do heavy metal. Logo, a missão do quinteto em lançar um álbum pesado, no qual as músicas transmitissem um efeito bombástico, havia sido cumprida, ainda por cima conseguindo uma nova legião de fãs, que consideram Train of Thought como um dos melhores de sua carreira. Como resultado, uma longa turnê foi agendada e a cereja do bolo foi o concerto no famoso Budokan Hall, em Tóquio (Japão), que acabou se transformando no disco Live at Budokan (2004), inclusive considerado por muitos como o melhor ao vivo da banda.
Octavarium [2005]
Existe um preço muito caro quando se tenta atrair fãs de outras vertentes do heavy metal, principalmente no caso do Dream Theater: os fãs do estilo empregado em álbuns anteriores podem ficar furiosos com os rumos que a banda está tomando. Perante esse fato, os rapazes entraram em estúdio com o objetivo de mixarem o estilo que fez deles um dos deuses do prog metal com a adição de outras influências. Temos como resultado o ótimo Octavarium, que tem em seu tema de abertura o peso de “The Root of All Evil”, a terceira música que conta com temática extraída dos 12 passos do AA. Outros destaques são a vibrante “These Walls”, com seu refrão que fica na cabeça e não sai mais, a balada com influências de U2 “I Walk Beside You”, e a veloz e técnica “Panic Attack”, com destaque para a introdução de baixo de John Myung, que mesmo não tendo um timbre dos melhores, consegue se sobressair com autoridade. O álbum ia muito bem, mas faltava aquela faixa que faria os fãs do progressivo soltarem um sorriso de orelha a orelha. Eles encontraram isso e mais um pouco na maravilhosa e épica “Octavarium”, com seus 24 minutos de puro virtuosismo, feeling, peso e passagens com tempos não muito usuais. “Octavarium” reúne todas as características que são a base do som do Dream Theater, e, com certeza, está no coração dos fãs como mais um épico acima da média, ao lado de “A Change of Seasons”, do EP de mesmo título. A turnê também foi alvo de ótimas críticas, já que, além da rotatividade de set lists, os concertos eram do tipo “an evening with…”, ou seja, três horas de show, com músicas de toda a carreira. O ponto alto foi o já citado concerto que rendeu o disco ao vivo Score, realizado no renomado Radio City Music Hall, em Nova York. 
Systematic Chaos [2007]
Podemos definir Systematic Chaos como uma mistura entre os elementos contidos em Octavarium com alguns outros pertencentes a Train of Thought. O álbum começa com a poderosa “In the Presence of Enemies Pt. 1”, que tem uma longa sessão instrumental, com grande destaque para Jordan Rudess e John Petrucci, deixando claro o que teríamos pela frente, seja em músicas com potencial para a mídia, como “Forsaken”, seja pela dramática e longa “The Ministry of Lost Souls”, que além de tudo apresenta um ótimo refrão. O disco se encerra com a segunda parte de “In the Presence of Enemies”, tomando um rumo mais denso, guiada pela introdução de baixo de John Myung. Infelizmente o álbum possui muitos altos e baixos e não corresponde ao que o Dream Theater fez em discos anteriores. Mesmo assim, músicas que não ficaram tão boas em estúdio, como “Constant Motion” e “The Dark Eternal Night”, funcionaram bem ao vivo e foram executadas em quase todas as datas da turnê em suporte ao álbum. Mesmo não obtendo uma receptividade tão boa entre os fãs mais antigos, Systematic Chaos alcançou um relativo sucesso nas paradas, e, como sempre, suas turnês estavam cheias de novos fãs. Fica comprovado que a cada álbum a base de fãs do Dream Theater se renova, ou seja, mais uma prova de que o quinteto está cravando seu espaço não apenas entre os fãs de prog metal, mas do heavy metal em geral.
Black Clouds & Silver Linings [2009]
Em Black Clouds & Silver Linings encontra-se uma boa mistura de épicos, rock tradicional, influências de gêneros mais obscuros do heavy metal e a grande dose de virtuosismo que apenas o Dream Theater sabe imprimir. Começamos com “A Nightmare to Remember”, dona de várias facetas, desde a densidade obtida pelos dedilhados de John Petrucci e do vocal de James LaBrie, até riffs muito pesados, acompanhados com maestria por Jordan Rudess e uma latente influência de metal extremo nos blast beats de Mike Portnoy. Logo depois vem a grudenta “A Rite of Passage”, que possui um dos refrões de mais fácil assimilação da carreira do grupo. Para acalmar um pouco, vamos de “Wither”, uma linda faixa escrita por John Petrucci, que possui como carro chefe as linhas melódicas de James LaBrie e um excelente solo de guitarra. Para finalizar com chave de ouro a saga relatando os 12 passos do AA, Mike Portnoy soltou “The Shattered Fortress”, que possui trechos e passagens contidas nas etapas anteriores da saga. Vamos agora para “The Best of Times”, uma das músicas mais emocionantes e ao mesmo tempo alegres de toda a carreira do quinteto. Sua letra é uma homenagem a Howard Portnoy, pai de Mike, que faleceu no ano de 2009, perdendo uma batalha contra o câncer. Para acompanhar tal letra, Petrucci executou um riff à la “The Spirit of Radio” (Rush) e LaBrie cantou com alegria, falando dos grandes momentos que pai e filho tiveram juntos. O solo no final da faixa é de arrepiar a espinha, já que John captura toda a essência da música e expressa nas seis cordas um feeling ímpar. O disco se encerra com a épica “The Count of Tuscany”, que ao vivo é muito poderosa e tem tudo para se tornar um clássico, com seus ótimos riffs, grandes solos e um final de arrepiar, com a parte violão/voz, que é bem intimista e nos leva a passear com o conde da Toscana. Mais uma vez o Dream Theater conseguiu se superar e lançar um ótimo álbum, que agradou a maior parte de sua exigente base de fãs, tendo como resultado a expressiva sexta posição na parada Top 200 da Billboard, ao lado de vários artistas pop norte-americanos.
Dream Theater em 2011, já com Mike Mangini (segundo à dir.)
Um dos capítulos mais importantes da história da banda ocorreu recentemente e teve como pivô Mike Portnoy, co-fundador do Dream Theater, que decidiu sair e não mais contribuir com a música que o revelou para o mundo. Os quatro membros restantes decidiram corajosamente continuar sem Portnoy e fizeram uma seleção com sete entre os melhores bateristas do mundo, e o escolhido foi Mike Mangini. Como resultado, já tivemos a gravação de um álbum de estúdio chamado A Dramatic Turn of Events, que será lançado no dia 13 de setembro via Roadrunner Records, e, pelo que já foi divulgado, tem tudo para superar mais uma vez as expectativas e se tornar um dos melhores lançamentos do conjunto.
A síntese do que o Dream Theater representa é muito simples: “dedicação, esforço e técnica” ao invés do clichê “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”. Muitas pessoas se identificam, e por isso o Dream Theater tem uma base de fãs tão diferenciada. Por essas e por outras razões, o grupo tem seu lugar cravado na história da música com grandes álbuns, turnês e o grande aspecto técnico de seus membros.
No dia 13 de setembro teremos mais uma grande etapa na jornada da banda, e a expectativa é que tenhamos cada vez mais histórias para contar sobre esse importante conjunto, que ajudou a moldar o modo de se enxergar a música, com uma abordagem completamente diferente do usual.



15 Comentarios

  1. micaelmachado disse:

    Excelente texto, Thiago! Concordo com praticamente todas as análises e comentários, até mesmo o texto sobre o "controverso" "Systematic Chaos", que muitos odeiam, mas eu adoro, apesar das bolas foras que são "The Prophets of War", com seus elementos eletrônicos, e a chatíssima "Repentance", fortíssima candidata a pior música já gravada pelo DT, e que não faz jus ao resto da magnífica "12 Steps Suite". Mas tenho de colocar que, se "Images and Words" é o preferido de nove entre dez fãs, como você colocou, eu sou um dos 10% que preferem outro álbum, a saber o magistral e insuperável "Metropolis pt. 2".

    Queria colocar também a quem não saiba que "Black Clouds…" também saiu numa excelente versão tripla, com o segundo disco contendo covers de bandas como Rainbow, Queen, King Crimson e Iron Maiden, e o terceiro CD contendo as versões instrumentais das músicas do primeiro disco (que deve agradar em cheio àqueles que insistem em criticar o trabalho vocal de James LaBrie, para mim o único membro da banda que não consegue a classificação de "excepcional" no uso de seu instrumento – no caso, a voz -, principalmente ao vivo).

    Fico aqui no aguardo de "A Dramatic Turn Of Events", e na expectativa de saber o quanto a ausência de Portnoy fará falta ao grupo, como já deu para ouvir nos shows executados sem ele.

  2. Muito boa essa Discografia comentada, mesmo porque se trata de uma das bandas da qual eu mais admiro e tenho respeito, apesar das diversas críticas à eles feitas por pessoas ao meu ver que não conseguem enxergar a principal caracteristica da Banda, que é a qualidade dos músicos desta banda. Apesar deste texto ter sido muito bom, fiquei um pouco triste por não ter avido um comentário sobre o " A Change Of Seasons ", tudo bem que é um album à parte, mas nele contém a minha canção preferida, justamente a única faixa própria do albúm: A change Of Seasons. Esta faixa é uma das mais lindas de todo o mundo do Rock em geral. Parabéns pelo Blog.

  3. Anônimo disse:

    Acho que só eu gosto da "Repentance".

  4. Thiago disse:

    muito obrigado pelo comentário, mica! é uma responsabilidade muito grande escrever sobre a minha banda número 1 e digo que foi muito difícil…mas fico feliz que vc tenha gostado do texto.

    abrasss

  5. Thiago disse:

    neguinho junior, eu também acho " A Change of Seasons" uma obra prima…está no meu TOP 10 da banda com certeza, mas o discografia comentadas só detalha os CDS de estúdio mesmo…mas não deixei de citar em alguns momentos a música, já que é uma das marcas registradas da banda…
    obrigado pelo comentário
    abração!

  6. micaelmachado disse:

    A música "A Change Of Seasons" fica só no seu Top 10, Thiago? Putz, ela está no meu pódio de melhores da banda, com certeza, ao lado de "In The Presence Of The Enemies" (A versão completa) e "Metropolis Pt 1" (e a melhor versão desse clássico para mim é a do "When Dream And Day reunite")…

  7. Thiago disse:

    meu top 10 do DT, mica!
    1-learning to live
    2- a change of seasons
    3- lifting shadows off a dream
    4- finally free
    5- the glass prision
    6- octavarium
    7- the best of times
    8- under a glass moon
    9- surrounded
    10- beyond this life

    mas isso muda muito…só que as duas primeiras sempre estão aí rs

  8. 'Scenes from a Memory' é o melhor disco do Dream Theater, disparado, na minha opinião.

  9. diogobizotto disse:

    Eu perdi o interesse em acompanhar o Dream Theater pós-"Scenes From a Memory", mas nem por isso acho que a banda tenha se tornado algo ruim ou coisa do tipo. Gosto muito de "Awake", meu favorito, e também tenho "Images and Words" em alta conta, além de curtir grande parte de todos os outros lançados até 97. Após isso, confesso que algumas coisas me agradaram em "Train of Thought", mas nada que me desse vontade de conferir toda a discografia em detalhes. De qualquer maneira, a atitude de colocar sempre a música em primeiro lugar é notável no grupo, sem falar na constância dos lançamentos. Gostar de verdade ou não, bem, hehe… aí é outra coisa…

    Thiago, estás de parabéns!

  10. Tenho todos os discos e continuarei tendo, além de vááááaáários itens dos 'official bootlegs'. Acho que, depois do Iron Maiden, a banda que tenho mais itens é o Dream Theater.

  11. Thiago disse:

    Cadão, Scenes From a Memory estará sempre no meu pódio de discos preferidos da banda, junto com o Images…o terceiro posto varia de acordo com a época…
    E com certeza o DT é a banda que eu possuo mais material também hehe…

    Diogo…o Awake é um grande álbum, inclusive foi o meu primeiro CD da banda…é um registro maravilhoso tb. Inclusive, de vez em quando figura na terceira posição do "pódio" que falei com o Cadão.
    E falando da edição do material, achei sensacional como sempre…obrigado por essa ajuda…

    Abrasss

  12. Paola disse:

    goostei ,Parabens thiago *____*

  13. Marlos disse:

    Belo texto. Dream Theater é a minha banda predileta, disparado. Está acima do bem e do mal. Eu os venero.

    "Scenes" ainda continua sendo o 'melhor' álbum… e "Home" é aquelas músicas impossíveis de descrever.

    Pra mim, a maior obra-prima já escrita esta nessa faixa. Devia estar ao lado do termo "perfeição" no dicionário. Algo como "vide 'Home' da banda americana Dream Theater"

    Abraços.

  14. fernandobueno disse:

    ^
    |
    Conheçam Marlos!!!
    Esse é o tipo de comentário que tenho que ouvir desse rapaz, aqui em Porto Velho, toda vez que falamos do Dream Theater.
    Preferidos? Scenes e Images. Não gosto do Train of Thoughts, só As I Am, e do Octavarium, só a faixa título. Acho que em um certo ponto a banda acabou se perdendo um pouco na exibição, principalmente o Petrucci. Admito que fiquei um pouco contente com a saída do Portnoy pq achei que isso daria uma chacoalhada no grupo. Vamos ver o que vem pela frente. Não achei nada de mais da música que já foi disponibilizada. Mas depois de ficar contente fiqui um pouco decepcionado já que eu achava que ele tornaria o excelente Transatlantic uma banda permanente e não foi isso que aconteceu. Porém a nova banda com o Russel Allen parece promissora.

  15. Thiago disse:

    concordo com o marlos em alguns aspectos…só que a música que acho impossível descrever é "Learning To live"….

    obrigado pelo comentário, marlos!

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