Stevie Wonder – Songs in the Key of Life [1976]

18 de julho, 2011 | por Pablo Ribeiro
Resenha de Álbum
4

Por Pablo Ribeiro
Gravado entre 1975 e 1976, Songs in the Key of Life é o 18º disco da carreira de Stevie Wonder, e é considerado o ponto mais alto de sua chamada “fase clássica”. Originalmente um 12″ duplo, que ainda continha um compacto de 7″ (chamado de A Something’s Extra) e um generoso livreto com informações a respeito do álbum e todas suas letras, Songs… foi um sucesso de crítica, público e venda. Não é para menos. Nele estão contidos alguns dos maiores clássicos de Wonder, além de outras maravilhas, que, se não foram hits na época, não deixam nada a dever às canções mais famosas. São 21 faixas em quase duas horas de música do mais alto gabarito, sendo quase impossível dar destaque maior a determinadas faixas.

Stevie Wonder em 1976
Musicalmente, há muito funk, soul e rhythm ‘n’ blues, gêneros nos quais Wonder sempre reinou com desenvoltura ímpar. Mas não é só. O rock permeia todo o material, ora explicitamente, dividindo amistosamente a atenção com os gêneros supracitados, ora como um tempero a mais para as canções onde o som Motown domina.
Quando de seu lançamento, em 1976, Stevie Wonder, então com 26 anos (14 de carreira), já era considerado um dos mais populares personagens da música pop não só nos EUA, mas no mundo todo. Os três discos anteriores, Talking Book (1972), Innervisions (1973) e Fulfillingness’ First Finale (1974), são clássicos absolutos do rhythm ‘n’ blues, e discos essenciais de música pop. Os dois últimos, inclusive, faturaram prêmios Grammy como álbum do ano em 1974, e 1975, respectivamente. Apesar do sucesso cada vez maior, o descontentamento de Wonder com a política externa norte-americana em relação à Gana o fazia cogitar cada vez mais a possibilidade de largar a carreira musical e se mudar definitivamente para o país africano, visando trabalhar em prol de crianças deficientes. Wonder cogitou, inclusive, um show de despedida. Entretanto, depois de uma proposta da poderosa (na época) gravadora Motown, de um contrato de sete discos em sete anos, Wonder reconsiderou sua decisão. O fato da gravadora possuir um background de música negra muito maior que as rivais Epic e Arista, foi fator determinante na escolha de Wonder. Decisão acertada, que culminou em vários discos de qualidade incontestável, começando com uma das maiores obras de arte da musica popular, chamada Songs in the Key of Life. Obrigatório!
Capa e livreto de Songs…, além do EP A Something’s Extra, que acompanha o álbum
Track list:
Songs in the Key of Life
1. Love’s in Need of Love Today
2. Have Talk With God
3. Village Ghetto Land
4. Contusion
5. Sir Duke
6. I Wish
7. Knocks Me Off My Feet
8. Pastime Paradise
9. Summer Soft
10. Ordinary Pain
11. Isn’t She Lovely
12. Joy Inside My Tears
13. Black Man
14. Ngiculela – Es Una Historia – I Am Singing
15. If It’s Magic
16. As
17. Another Star
A Something’s Extra (Bonus EP)
1. Saturn
2. Ebony Eyes
3. All Day Sucker
4. Easy Goin’ Evening (My Mamma’s Call)
Songs in the Key of Life foi reeditado em CD duplo, com todas as faixas originais do LP, incluindo as faixas do EP A Something’s Extra.



4 Comentarios

  1. Mister disse:

    Parabéns pela escolha, Pablo.
    Stevie Wonder é um músico especial, daqueles que antes de falar a respeito a gente precisa fazer oferendas aos deuses do pop.
    Se você gosta de black music, vou recomendar a leitura de um livro que estou acabando de ler e que foi lançado a pouco pela editora Zahar.
    Chama-se "Thriller – a vida e a música de Michael Jackson", do ex-jornalista da Billboard Nelson George. Muito mais do que falar de Michael Jackson e seu arrasa quarteirão Thriller, o autor nos brinda com ene comentários sobre o som negro americano, sua influência no rock e 60 anos de muita informação. Para quem gosta de escrever sobre música, é um prato cheio. E a leitura é muito prazerosa.

  2. diogobizotto disse:

    Tá na hora de tomar vergonha na cara e puxar uns discos de Stevie Wonder para conhecer de verdade sua obra. Desse, acredito que conheça apenas "Isn't She Lovely", que é um musicão.

  3. Sou iniciante – e olhe lá – na obra desse cara, e a verdade é que o som não me cativa muito, mas sei que é essencial e vou aos poucos desbravar o legado de Deus. xP

  4. Esse é um discaço. Gosto muito dsa fase inicial do Stevei Wonder, e tenho o signed, sealed & delivered (1970) como um dos marcos da sua carreira. Engraçado q só fui começar a ouvir Wonder depois de conhecer o personagem Genginvas Sangrentas, do desenho os Simpsons, cuja fisionomia imita a de Wonder, e que fica mais claro ainda no unico album gravado por Gengivas, Sax on the Beach (uma clara paródia ao essencial Stevie at the Beach, de 1964)

    Baita lembrança

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *