Podcast Grandes Nomes do Rock #28: Supertramp

18 de julho, 2011 | por Mairon
Diversos
13
Por Mairon Machado
Essa semana, o Podcast Grandes Nomes do Rock apresenta um dos grupos mais importantes do rock britânico nos anos 70, o essencial Supertramp. Em duas horas de programa, passaremos pela carreira de Rick Davies e companhia, apresentando canções desconhecidas do início psicodélico, um bloco especial com suítes progressivas registradas, o bloco O DISCO, homenageando um LP específico do grupo, além de artistas que regravaram canções compostas pelo Supertramp.
Rick Davies, Roger Hodgson, Richard Palmer, Robert Millar e Dave Winthrop
O grupo foi formado no ano de 1969 através de um anúncio do pianista e vocalista Rick Davies no famoso semanário inglês Melody Maker. Responderam ao anúncio diversos músicos, mas os escolhidos foram Roger Hodgson (baixo – sim, ele entrou como baixista – e vocais), Richard Palmer (guitarras – que faria sucesso como letrista do King Crimson) e Robert Millar (bateria). Naquela época, a A&M Records era uma pequena gravadora londrina, e o grupo foi um dos primeiros a assinar com a mesma, lançando o fabuloso álbum Supertramp no início de 1970. O disco trás ótimas canções, mostrando a banda no estilo flower power do fim dos anos 60, mas também com uma certa tendência progressiva. 
Roger Hodgson, Kevin Currie, Rick Davies, Frank Farrell e Dave Winthrop

Como a banda não fez sucesso, houve uma reformulação dos músicos, primeiro com a entrada de Dave Winthrop (flauta e saxofone), e depois, com a formação ficando com Davies, Winthrop, Hodgson assumindo as guitarras, Kevin Currie (bateria) e Frank Farrell (baixo). Com essa formação lançam Indelibly Stamped (1971). A capa da mulher nua tatuada causou uma certa polêmica, o que fez com que o nome Supertramp ficasse mais conhecido na Europa. 
Formação clássica: Rick Davies, Bob Siebenberg, Roger Hodgson, Dougie Thomson e John Helliwell
Como o Supertramp não emplacava de jeito nenhum, Davies decidiu novamente fazer uma reformulação. Mantendo Hodgson, que agora assumia além da guitarra também os teclados, passou a recrutar membros pela Inglaterra. O primeiro músico a ser agregado foi o baixista Dougie Thomson, o qual já havia participado de alguns shows do grupo no período da primeira modificação. Um grande número de bateristas apareceram para o posto, e o selecionado foi Bob Siebenberg. Por fim, John Helliwell assumiu o posto do saxofone, instrumentos de sopro, vocais e teclados, completando a formação mais importante do grupo.
Ela estreiou com o single de “Land Ho”, lançado ainda em 1973, e no primeiro LP, Crime of the Century (1974), conquistou o mundo. Canções como “School”, “Bloddy Well Right”, “Dreamer” e “Crime of the Century” chegaram entre as 40 mais nos Estados Unidos, fora outras belas canções como “Rudy” e “Hide in Your Shell”, que ajudaram a definir a nova sonoridade do Supertramp, onde Davies e Hodgson alternavam as linhas vocais, duelando com teclados, órgão e piano, tendo a participação influente dos sopross de Helliwell e assegurados por uma precisa cozinha formada por Siebenberg e Thomson. O LP atingiu a primeira posição em vendas no Reino Unido. 
O grupo partiu para uma bem sucedida turnê pela europa, e em novembro de 1975, lançou Crisis? What Crisis?, que se não saiu tão bem quanto seu antecessor, deixou para a posteridade pelo menos mais dois clássicos: “Two of Us” e “Ain’t Nobody But Me”. Mantendo a sequência de um ano em excursão, um ano gravando/descansando, em 1977 voltam as paradas com o fundamental Even in the Quietest Moments. Canções como “Give a Little Bit”, “Babanji” e a épica suíte “Fool’s Overture”, fizeram com que o nome do grupo crescesse cada vez mais, principalmente nos Estados Unidos, para onde decidiram se mudar.
Single japonês de “The Logical Song”
A influência americana apareceu logo no álbum seguinte, inclusive no nome do mesmo: Breakfast in America (1979). Assim como Crime of the Century, Breakfast in America é repleto de clássicos, como “The Logical Song”, “Breakfast in America”, “Goodbye Stranger” e “Take the Long Way Home”, as quais ficaram entre as 15 mais nos Estados Unidos. Este foi o primeiro LP do grupo a chegar na primeira posição na Billboard americana, ficando em terceiro no Reino Unido.
Uma gigantesca turnê elevou o nome Supertramp para o hall dos principais grupos do rock no final dos anos 70, com seus álbuns vendendo e muito. O sucesso culminou no fundamental ao vivo Paris (1980), um dos melhores álbuns ao vivo da história do rock. Nele, versões mais que fiéis e especiais para diversos clássicos do grupo pós-Crime of the Century, recheiam o álbum duplo, com destaque para a versão de “Fool’s Overture”.
Supertramp no auge da carreira
Porém, o excesso de shows e também problemas pessoais começaram a desgastar a relação entre Hodgson e os demais membros do grupo. Hodgson estava com dois filhos pequenos, e também com problemas de saúde, decidindo então se retirar por um período do mundo da música. 

Assim, em 1982, saiu o último LP com a formação clássica, … Famous Last Words. Outro álbum de grande sucesso, levou para o topo das paradas “My Kind of Lady” e “It’s Raining Again”, para então, o Supertramp partir em uma longa turnê de despedida para Hodgson, encerrando em uma apresentação emocionante na Alemanha, em 24 de julho de 1983, e que foi registrada no VHS Live in Germany (1983).

Após isso, Hodgson se mudou para Los Angeles, em uma região nas montanhas da Califórnia, onde ele construiu uma casa e um estúdio particular, dedicando-se primeiramente a uma vida espiritual e focando-se na sua família, para então voltar em uma carreira solo de altos e baixos.

Supertramp, já sem Hodgson

O Supertramp segiu como quarteto, com Davies assumindo todos os vocais, e sem deixar a peteca cair, em 1985 lançam Brother Where You Bound, com destaque para “Cannonball” e para a longa suíte “Brother Where You Bound“, uma maravilha prog que conta com a participação de David Gilmour (Pink Floyd) na guitarra. Esse álbum chegou na vigésima primeira posição nos Estados Unidos, mantendo a chama do grupo acesa para a gravação de mais um LP.

Free as a Bird chegou as lojas em 1987, trazendo a participação de Mike Hart nas guitarras e vocais. O grande destaque do LP é a canção “I’m Beggin’ You”, primeiro lugar nos Estados Unidos. As boas vendas de Free as a Bird colocaram o Supertramp na estrada novamente, inclusive com o grupo vindo pela primeira vez ao Brasil para encerrar a segunda edição do festival Hollywood Rock, em 1988. Dessa turnê, foi registrado o álbum Live ’88, contando com Mike Hart como membro-convidado, e após ela, Thomson saiu, inconformado com o uso das canções de Hodgson durante as apresentações.

Supertramp anos 90: Mike Hart, Lee Thornburg, Carl Verheyen, Rick Davies, John Helliwell, Bob Siebenberg, Cliff Hugo e Tom Walsh


Sem um baixista, Davies decidiu encerrar as atividades do grupo temporariamente. Somente em 1996, ele reformou o Supertramp, contando com Helliwell, Siebenberg, Hart (efetivado como membro oficial) e ainda Cliff Hugo (baixo), Lee Thornburg (trompete, trombone), Carl Verheyen (guitarra) e Tom Walsh (percussão). Essa formação lançou o bom álbum Some Things Never Change (1997), saindo em uma bem sucedida turnê que foi registrada no álbum It Was the Best of Times, gravado ainda em 1997, mas lançado apenas em 1999.

Em 2001, chegou as lojas o álbum ao vivo Is Everybody Listening?, trazendo uma apresentação do Supertramp em 1975, e em 2002, Slow Motion encerrou a carreira de álbuns da banda, contando com Jesse Siebenberg na percussão. Por fim, em 2010, a série de álbuns ao vivo 70-10 Tour foi lançada para comemorar os 40 anos do grupo, que fez parte da turnê 70-10, na qual o Supertramp ainda está se apresentando por diversos países ao redor do planeta.

Coleção de vinis do Supertramp

Track list Podcast # 27: It’s Only R’n’R and We Love it
 
Bloco 01

Abertura: “La Bamba” [do álbum Ritchie Valens – 1959 (Ritchie Valens)]
“Johnny B. Goode” [do álbum … Berry is on Top – 1959 (Chuck Berry)]
“Jailhouse Rock” [do compacto Jailhouse Rock – 1957 (Elvis Presley)]
“Great Balls of Fire” [do compacto Great Balls of Fire – 1957 (Jerry Lee Lewis)]
“Help Me Rhonda” [do álbum Today! – 1965 (Beach Boys)]
“Twist and Shout” [do álbum Please Please Me – 1963 (The Beatles)]
“(I Can’t Get No) Satisfaction” [do álbum Out of Our Heads – 1965 (The Rolling Stones)]
“For Your Love” [do álbum BBC Sessions – 1997 (Yardbirds)]
“Little Wing” [do álbum Axis: Bold as Love – 1967 (Jimi Hendrix)]
“Try (Just a Little Bit Harder)” [do álbum I Got Dem ‘Ol Kosmic Blues, Again Mama  – 1969 (Janis Joplin)]
“Break on Through (To the Other Side)” [do álbum The Doors – 1967 (The Doors)]

Bloco 02
Abertura: “Sunshine of Your Love” [do álbum Disraeli Gears – 1967 (Cream)]
“Have You Ever Seen the Rain?” [do álbum Pendulum – 1970 (Creedence Clearwater Revival)]
“Born to Be Wild” [do álbum Steppenwolf – 1969 (Steppenwolf)]
“Paranoid” [do álbum Paranoid – 1970 (Black sabbath)]
“Highway Star” [do álbum Machine Head – 1972 (Deep Purple)]
“Rock and Roll” [do álbum IV – 1971 (Led Zeppelin)]
“Shout it Out Loud” [do álbum Destroyer – 1976 (Kiss)]
“Highway to Hell” [do álbum Highway to Hell – 1979 (AC/DC)]

Bloco 03
Abertura: “Sangue Latino” [do álbum Secos & Molhados – 1973 (Secos & Molhados)]
“Ando Meio Desligado” [do álbum A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado – 1970 (Mutantes)]
“Rock do Diabo” [do álbum Novo Aeon – 1975 (Raul Seixas)]
“Envelheço na Cidade” [do álbum Vivendo e Não Aprendendo – 1986 (Ira!)]
“Sexo” [do álbum Sexo! – 1987 (Ultraje A Rigor)]
“Será que é Isso que Eu Necessito” [do álbum Titanomaquia – 1993 (Titãs)]
“Puteiro em João Pessoa” [do álbum Raimundos – 1994 (Raimundos)]

Bloco 04
Abertura: “Carry on My Wayward Son” [do álbum Leftoverture – 1976 (Kansas)]
“Anarchy in the UK” [do álbum Nevermind the Bollocks, Here is the Sex Pistols – 1978 (Sex Pistols)]
“London Calling” [do álbum London Calling – 1979 (The Clash)]
“Holiday in Cambodia” [do álbum Fresh Fruit for Rotting Vegetables – 1980 (Dead Kennedys)]
“Pet Sematary” [do álbum Brain Drain – 1989 (Ramones)]
“Breaking the Law” [do álbum British Steel – 1980 (Judas Priest)]
“Aces High” [do álbum Powerslave – 1984 (Iron Maiden)]

Bloco 05
Abertura: “Paradise City” [do álbum Appetite for Destruction – 1987 (Guns N’ Roses)]
“The One I Love” [do álbum Document – 1987 (R. E. M.)]
“Epic” [do álbum The Real Thing – 1989 (Faith No More)]
“Smells Like Teen Spirit” [do álbum Nevermind – 1991 (Nirvana)]
“Alive” [do álbum Ten – 1991 (Pearl Jam)]

Encerramento: “Cigarettes and Alcohol” [do bootleg Manchester – 2001 (Oasis)]



13 Comentarios

  1. Mister disse:

    O dia em que eu conseguir explicar as qualidades gustativas de um pastel de vento será o dia em que finalmente vou me sentir à vontade para falar do Supertramp, uma banda sem embalagem e de recheio duvidoso. Minto, sou capaz de dizer pelo menos que se a banda tivesse parado após o fracasso do segundo disco nos pouparia de vários insultos sonoros e poderia ter algum prestígio no beco das obscuridades (polêmica mode on).

  2. 0 _ 0

    Gaspa, agora me surpreendesse. Bom, eu sempre gostei de pastel de vento, ainda mais se for bem gorduroso, mas dizer que depois do Indelibly Stamped o supertramp cometeu varios insultos sonoros, puxa, da pegou pesado. Crime of the century e even in the quietest moments são perolas, e o Paris então, essencial!

    Me apavorei!!

  3. Mister disse:

    É um ódio irracional, Mairon. Apenas isso. Cultivo esse tipo de sentimento por várias bandas, mas Supertramp e… (a outra não digo pois serei expulso da comuna) encabeçam a lista.

  4. Mas bah

    Agora eu to curioso. Se vai ser expulso, eu chuto no Pink Floyd!!

  5. fernandobueno disse:

    Pelo que já conversei com o Maco é o Iron Maiden…certeza!!!

  6. Mister disse:

    Pô, isto aqui está virando a seleção do Uruguai: todo mundo chutando.
    Vou poupá-los: é o Rush.
    Pronto, falei.

  7. fernandobueno disse:

    Tsc…tsc…tsc…

    Rush é demais!!!

  8. Anônimo disse:

    O comecinho proto-prog psicodélico do Supertramp é formidável! o restante ainda não sintonizei bem…
    abraço!
    Ronaldo

  9. diogobizotto disse:

    Tenho que discordar com o Marco: é até uma vergonha que, por ora, eu tenha apenas o "Breakfast in America" e conheça os hits presentes nos outros álbuns, pois o Supertramp tem características necessárias para merecer e muito a minha atenção. A união de melodias pop com a classe e a exuberância do progressivo são um prato cheio pra mim. Muito boa a ideia de homenageá-los.

  10. Mister disse:

    Hehe… pode discordar à vontade, Diogo. Mas salada de xuxú eu prefiro in natura.
    E deixa de ser antipático, ô Bueno!!!!

  11. O cara deixa de ouvir o Larks' Tongues in Aspic pra ouvir o Islands, dá nisso aí…
    Só conheço o Crime of the Century DISCAAAAAAAAÇO, o Some Things Never Change DISQUIIIIIIIIIIIINHO e algumas músicas dos discos entre 75 e 85 (incluindo a tosquinha "Cannonball"). Vergonha pra mim, mas corrigirei isso MUITO em breve!
    Roger Hodgson chuta bundas!

  12. Igor Maxwel disse:

    Supertramp foi uma banda que eu conheci através do meu pai, por conta do disco Even in the Quietest Moments, que tinha o hit “Give a Little Bit” (eu ainda era pequeno). Mas foi só o tempo passar para eu começar a vasculhar a fundo a obra do grupo com Crime of the Century. Daí a coisa começou a evoluir, mas o disco que mais me impressionou por sua riqueza musical foi Breakfast in America, que eu considero como o melhor disco deles musicalmente falando, também por ter sido o mais vendido comercialmente (mais de 30 milhões de cópias). Várias canções me soaram familiares durante a audição (“The Logical Song” por exemplo), mas o melhor foi ouvir este disco de cabo a rabo, que ia muito além das músicas conhecidas. Como o Supertramp faz falta no cenário musical de hoje…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *