Por Leonardo Castro
Em 1985, o Exodus lançou um dos maiores clássicos da história do thrash metal, o magnífico Bonded By Blood. Apesar de ter sido gravado quase 1 ano antes, ainda assim o disco causou um grande impacto na cena quando saiu, e apresentou ao mundo o folclórico vocalista Paul Baloff. Pouco técnico, mas dono de uma voz única e um carisma inegável, Paul era a alma da banda nos seus primeiros anos, além de também ser responsável pela maioria das letras do grupo, onde o amor pelo heavy metal e o total desrespeito pelos “posers” eram evidentes. 
Bonded By Blood
O disco iniciava com a clássica faixa título, um dos principais hinos do thrash metal e que tem um riff espetacular, além de ótimos solos e da emblemática letra, autoria de Baloff:
  
“Murder in the front row,
Crowd begins to bang,
And there’s blood upon the stage,
Bang you head against the stage,
And metal takes its price,
Bonded by blood”
“Morte na primeira fila,
A multidão começa a agitar,
E o sangue jorra no palco,
Bata sua cabeça no palco,
É o preço que o metal cobra,
Unidos pelo sangue”
“Exodus”, “And Then There Were None”, “Deliver Us To Evil”… Os clássicos se sucediam incessantemente, mas ainda assim algumas músicas se destacavam, como a sensacional “Piranha” e seu riff inesquecível, o hino “Metal Command” e as violentíssimas “Strike Of The Beast” e “A Lesson In Violence”, mais agressivas que quaisquer músicas contidas nos discos de estreia do Metallica ou Slayer, os principais ícones da primeira geração do thrash metal.
Exodus – 1985
Após a turnê promocional do álbum, a banda começou a ter problemas com seu vocalista. Afundado nas drogas, Paul Baloff não era capaz de contribuir com tantas letras como anteriormente, além de se atrasar e até mesmo perder diversos ensaios, se tornando uma peça pouco confiável. Com o crescimento da banda, aumentaram também suas responsabilidades profissionais, e assim o comportamento de Baloff colocava em risco o futuro do grupo, que tinha tudo para seguir os passos de bandas como Metallica, Slayer, Anthrax e Megadeth, todos contratados por grandes gravadoras. Sendo assim, apesar da idolatria e carinho dos fãs, o Exodus demitiu Baloff antes de entrar em estúdio para gravar seu segundo disco, Pleasures Of The Flesh, e contratou Steve “Zetro” Souza, na época com o Legacy (que depois mudaria seu nome para Testament).
Com o novo vocalista, a banda assinou com a Capitol Records e lançou, além de Pleasures Of The Flesh, mais 3 discos de estúdio, inclusive o também clássico Fabulous Disaster, cujo single “Toxic Waltz” teve o clip bastante exibido, tanto na MTV americana como na brasileira, aumentando bastante a popularidade da banda. Entretanto, o disco Force Of Habit, de 1992, não teve o sucesso que tanto a banda quando a gravadora esperavam, e assim o Exodus entrou em um hiato por tempo indeterminado.
Another Lesson In Violence
Contudo, os fãs jamais se esqueceram da banda, assim como do seu folclórico vocalista original. Sendo assim, quando foi anunciado um retorno do Exodus aos palcos com Baloff de volta ao seu posto em 1997, a ansiedade tomou conta de todos, fãs e imprensa. Apenas o baixista original, Rob McKillop, decidiu não participar, dando seu lugar a Jack Gibson.  A turnê, que passou inclusive pelo Brasil, contava com um set list que continha praticamente o disco de estreia da banda na íntegra, acrescido de mais 3 faixas de Pleasures Of The Flesh cujas letras haviam sido escritas por Baloff. Para completar, o primeiro show da turnê foi gravado e mixado por Andy Sneap, e lançado sob o título de Another Lesson In Violence. Com uma produção magnífica, a performance mostra uma banda afiada, e as músicas demonstravam que sobreviveram facilmente ao teste do tempo, e continuavam tão agressivas e letais como antes. Também eram impagáveis os comentários de Paul Baloff entre as músicas, relembrando totalmente o início da banda. Simplesmente um dos melhores discos ao vivo do estilo, mesmo cobrindo apenas a fase inicial da carreira da banda.
Exodus – 1997
Infelizmente, antes de registrar qualquer novo material inédito com a banda, o vocalista Paul Baloff veio a falecer, em 2002. A banda recrutou Zetro mais uma vez, e lançou um dos melhores discos da sua carreira em 2004, o sensacional Tempo Of The Damned. Entretanto, a falta de disponibilidade para fazer turnês fez Zetro se afastar da banda de vez, que recrutou Rob Dukes para substituí-lo. Em seguida, foi a vez de Rick Hunolt, guitarrista da banda desde que Kirk Hammet entrou no Metallica, se despedir, sendo substituído por Lee Altus, do Heathen. O baterista Tom Hunting também deixou a banda por um período, não gravando o disco Shovel Headed Kill Machine, mas logo retomou seu posto, continuando no grupo desde então.
E foi com esta formação, Dukes, Holt, Altus, Gibson e Hunting, que a banda decidiu regravar seu clássico álbum de estreia, o renomeando Let There Be Blood. Na época, o guitarrista e líder da banda, Gary Holt, disse que a iniciativa se devia à baixa qualidade da gravação original, e que a nova versão seria também uma homenagem ao saudoso Paul Baloff. Entretanto, muitos fãs ficaram com a pulga atrás da orelha por dois motivos: o primeiro era que, apesar da má produção, o disco original é estupendo, e dificilmente a energia encontrada ali seria repetida em uma nova gravação, ainda mais com apenas 2 integrantes que gravaram o disco originalmente. O segundo motivo era o fato do disco ter sido praticamente regravado em 1997, no maravilhoso disco ao vivo Another Lesson In Violence, contando não só com as melhorias tecnológicas da época, mas também com a presença de Baloff. Seria necessário regravar mais uma vez um disco que já tinha duas versões fenomenais disponíveis?
Lançado em 2008, Let There Be Blood dividiu os fãs. Por um lado, é inegável que a sonoridade geral do disco, também produzido por Andy Sneap, é infinitamente melhor que a do original de 1985. Todos os instrumentos soam claros e pesados, mas mantendo um pouco dos timbres das gravações originais. A performance de Rob Dukes também é digna de nota, mais próxima do estilo dos seus dois antecessores e infinitamente melhor que seu desempenho no disco Shovel Headed Kill Machine, quando sua voz lembrava muito a de Phil Anselmo. A fidelidade dos solos e arranjos originais também é um ponto positivo a ser destacado.
Contudo, algumas músicas perderam um pouco da energia e do carisma das gravações clássicas, principalmente “Piranha”, que perdeu muito da sua força e soa como uma música normal. Ainda assim, a grande maioria das faixas soa muito bem, e fãs mais novos, mais acostumados à tecnologia atual utilizada nas gravações, podem até preferir as novas versões ao som abafado do original.
Exodus – 2008
Como bônus, há ainda a música “Hell’s Breath”, registrada nas demos anteriores a Bonded By Blood, quando Kirk Hammet ainda fazia parte da banda, mas nunca gravada em um disco do grupo. Uma ótima música, que se encaixaria muito bem no primeiro disco da banda, uma vez que tem aquela pegada bem speed metal de músicas como “Metal Command”, cheia de riffs e solos.
No geral, ainda que a regravação fosse desnecessária principalmente por causa do disco ao vivo Another Lesson In Violence, Let There Be Blood faz justiça ao original, mantendo fielmente seus arranjos e solos, mas ao mesmo tempo atualizando sua sonoridade. E também é interessante ver a interpretação do atual vocalista da banda para os clássicos do disco de estreia. Mas se tivesse que escolher, certamente ficaria com o original ou o ao vivo de 1997, ambos mais energéticos e representativos, além de terem a presença do impagável Paul Baloff.

2 comentários

  1. Mairon Machado

    Bonded by Blood é um dos maiores clássicos do thrash ao lado do reign in blood e do master of puppets. Eu nao conheço essa regravação, mas gostei bastante do trabalho que o Dukes fez no Shovel Headed Kill Machine (para mim, um dos melhores discos da década passada). Estou catando essa nova versão para ouvir, e pelo jeito, não vou me decepcioar

    Parabéns pela postagem, Leo

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