Por Leonardo Castro
Quinta-feira, feriado no Rio de Janeiro, véspera de outro feriado, o que pode haver de melhor para fazer que assistir a um belo show de heavy metal? Ainda mais se a banda em questão demonstra uma entrega e empolgação poucas vezes vistas em terras cariocas.
Quebrando um pouco a escassez de shows na cidade, Doro Pesch e sua banda aportaram no Rio para dar início a uma série de shows pelo Brasil. Acompanhada do baixista Nick Douglas, com ela há mais de 20 anos, do baterista Johnny Dee, também integrante do Britny Fox, e dos guitarristas Bas Maas, ex-After Forever, e Luca Princiotta, que também toca teclado, a eterna rainha do heavy metal saciou a ansiedade dos fãs, desde os que acompanham a sua carreira desde os tempos do Warlock, até aqueles que a conheceram através dos seus discos mais recentes.
A dedicação que Doro tem com os fãs já havia ficado clara na noite anterior ao show, quando ela e o baixista Nick Douglas atenderam aos fãs durante mais de duas horas em uma sessão de meet and greet gratuita realizada em uma loja. Apesar do calor e do cansaço, ela atendeu a todos os presentes com carinho e atenção, tirando fotos e autografando CDs, DVDs e fotos. Na noite do show, essa gratidão ficou ainda mais evidente.
Após um pequeno atraso na abertura da casa, a Ilha dos Pescadores se mostrou uma excelente opção para shows de médio porte. Tem um bom palco, o que facilita a visualização do show de qualquer ponto da pista, um sistema de ar condicionado bem eficiente e um PA que não deixou a desejar.
Sem uma banda de abertura para aquecer o público, a atração principal já subiu ao palco com dois clássicos do Warlock para abrir o show, “Earthshaker Rock” e “I Rule the Ruins”. Se no começo o som estava um pouco embolado, ao longo das duas músicas ele foi se ajustando, até que todos os instrumentos e as vozes pudessem ser ouvidos com clareza e potência. E por falar em potência, a voz de Doro foi o primeiro destaque da noite, atingindo tranquilamente os tons das gravações originais das músicas.
Antes de apresentar a música seguinte, a vocalista agradeceu a presença de todos e anunciou, em português mesmo, que se “Deus é brasileiro, a Doro é carioca”, fazendo a festa dos presentes. O carisma e a simpatia da cantora contagiou a todos, e mais uma música do Warlock foi anunciada, “When East Meets West”. Depois dessa sequência de clássicos, duas músicas do último disco foram tocadas, “Running From the Devil” e “Night of the Warlock”. Apesar de mais recentes, as músicas foram acompanhadas entusiasticamente pela platéia, mas é inegável que a canção seguinte teve uma recepção ainda melhor: “Burning the Witches”, música título do primeiro disco do Warlock e responsável por colocar o nome da cantora no mapa do heavy metal mundial, teve seu refrão cantado por toda a platéia.
Em seguida, Doro apresentou a primeira homenagem da noite: “Egypt (The Chains Are On”, composta e imortalizada por Ronnie James Dio no álbum The Last in Line (1984) e regravada por ela em um disco tributo ao cantor, foi executada com maestria e ovacionada pelo público. Aproveitanto o momento emotivo, a banda tocou “Für Immer”, a mais conhecida balada da carreira da cantora. Com sua letra em alemão e ritmo de marcha militar, esta foi outra música cujo refrão foi cantado por todo o público.
Depois destas duas músicas mais calmas, o peso voltou a imperar com mais um clássico do primeiro disco do Warlock, “Metal Racer”. Uma das melhores músicas da carreira da banda, ela foi um dos destaques do show para os fãs mais antigos da cantora. Na sequência foi tocada uma ótima música mais recente, “Wacken Hymne (We Are the Metalheads)”, composta em homenagem ao famoso festival alemão e que tem um refrão muito forte. A seguinte foi uma grata surpresa para muitos fãs: “True As Steel”, faixa-título do terceiro disco do Warlock. A canção, que se encaixa perfeitamente na definição de hino do heavy metal, foi muito bem recebida, e mais uma vez a cantora agradeceu a todos pelo apoio e por estarem ali.
O início da carreira da cantora foi revisitado mais uma vez com a pesada “Hellbound”, que teve direito a algumas rodas e a centenas de cabeças agitando sem parar, inclusive a da vocalista, com seus cabelos loiros.  Antes de iniciar a música seguinte, Doro relembrou o início da carreira da banda e agradeceu as bandas que deram as primeiras oportunidades ao Warlock para abrir grandes shows, principalmente ao Judas Priest. Começaram então uma versão mais lenta de “Breaking the Law”, como a que consta no disco orquestrado Classic Diamonds (2004). Mas logo aceleraram o andamento e executaram a música como em sua versão original, levantando mais uma vez toda a platéia.
Mas a música que mais agitou o público foi executada na sequência. Clássico maior do Warlock e de toda carreira da vocalista, “All We Are” foi cantada por todas as pessoas presentes. Provavelmente até os funcionários da casa, acostumados a ver shows de pagode, cantaram o refrão da música, que é daqueles que entram na cabeça e não saem mais. Definitivamente, um dos grrandes momentos do show.
Depois de um pequeno intervalo, a banda voltou ao palco detonando com “Burn It Up”, grande música do álbum Calling the Wild (2000). Após esta canção, a cantora peguntou o que os fãs queriam ouvir como bis. Entre dezenas de sugestões, ela escolheu os pedidos de dois fãs na primeira fila, a emblemática “You Are My Family” e a lenta “Above the Ashes”, ambas do disco Warrior Soul (2006). Ao fim destas, toda a banda veio à frente do palco para ser ovacionada e agradecer, distribuindo palhetas e baquetas, indicando o final do show. Apesar da apresentação fantástica até então, o bis tinha sido um pouco decepcionante, uma vez que normalmente clássicos, e não músicas novas, ficam guardados para o final. Entretanto, quando a banda já estava prestes a sair do palco, Doro perguntou se a plateia queria mais uma música, e para a alegria de muitos fãs, inclusive a minha, anunciou “Fight For Rock”, uma das melhores músicas do Warlock, que fez o público todo pular e cantar. Se o show terminasse naquele momento, já seria perfeito.
Ao fim da música, um amplificador deu problema, o que acabou prejudicando a execução da última música do noite, “Metal Tango”, que ainda assim foi tocada na íntegra.
Com isso, a banda mais uma vez voltou à frente do palco e foi ovacionada pela platéia, deixando a vocalista visivelmente emocionada. Após receber flores de alguns fãs, ela agradeceu a presença e o apoio de todos, e disse esperar voltar em breve. Os fãs também esperam, porque apesar de ter sido um show excepcional, algumas grandes músicas da carreira solo da cantora ficaram de fora, como “Unholy Love”, “Hard Times”, “Hellraiser”, e “Always Live to Win”. Ainda assim, não dá para reclamar de um show com 19 músicas, repleto de clássicos do Warlock e boas músicas de sua carreira solo. God save the queen!
Set List:
1. Earthshaker Rock
2. I Rule the Ruins
3. East Meets West
4. Running From the Devil
5. The Night of the Warlock
6. Burning the Witches
7. Egypt (The Chains Are On)
8. Für immer
9. Metal Racer
10. Wacken Hymne (We are the Metalheads)
11. True As Steel
12. Hellbound
13. Breaking the Law
14. All We Are
15. Burn It Up
16. You’re My Family
17. Above the Ashes
18. Fight For Rock
19. Metal Tango

3 comentários

  1. Facundo

    Ótima narrativa sobre o show… Nunca fui muito fã de metal, mas estou ultimamente me interessando mais… Estou baixando a lista de músicas do show pra dar uma apreciada e conhecer melhor essa banda! Valew!

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  2. Groucho KCarão

    Não lembro de ter ouvido falar nessa banda antes, mas até que me deu um certo interesse, visto o respeito da moça pelos fãs. Belo texto, e torço pra que o Rio receba mais atrações e saia do ostracismo em que caiu em termos de shows de rock. Torço mais ainda pra que o Ceará entre nesse circuito, hehe!

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  3. diogobizotto

    Eu tenho um pé atrás com a Doro. Ela é boa vocalista e tal, o Warlock é legal, mas sempre senti uma certa inconstância em sua carreira. Mais parece que ela foi alçada a esse título de rainha do metal por falta de concorrentes que por grandes méritos. Não quero dizer que ela não tenha talento para tal, mas sempre fica a impressão de que artistas mulheres que praticam rock pesado são geralmente superestimadas. A primeira metade da década passada serviu para confirmar essa minha tese, como o surgimento de zilhões de bandas dark/gothic/doom/cacete a quatro com vocalistas femininas, uma mais chata que a outra.

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