Direto do Forno: Dio – At Donington UK: Live 83-87 [2010]

11 de fevereiro, 2011 | por leonardocastro
Direto do Forno
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Por Leonardo Castro
Alguns meses após a sentida morte do vocalista Ronnie James Dio, chega ao mercado brasileiro o CD At Donington UK: Live 83-87. Duplo, o álbum contém os dois shows que o cantor fez no lendário festival Monsters of Rock inglês, nos anos de 1983 e 1987. A apresentação gráfica dos cds é excelente, com uma bela embalagem digipack repleta de fotos e liner notes detalhando as apresentaçãos no festival no encarte.
O primeiro disco, contendo o show de 1983, mostra um dos primeiros shows da banda Dio, promovendo o então recém lançado e hoje clássico álbum Holy Diver. E o show tem início com duas músicas deste disco, “Stand Up and Shout” e “Straight to the Heart”, que mostram uma banda coesa e  disposta a mostrar ao mundo que a saída do cantor do Black Sabbath para formar uma nova banda não havia sido um erro.  Isso fica claro nas performances fenomenais do então jovem guitarrista Vivian Campbell e do já experiente Dio. Ainda que sua voz tenha resistido bem ao tempo, como nós brasileiros pudemos acompanhar nas várias turnês que o cantor fez pelo Brasil, é inegável que a força e a potência que ele tinha no início dos anos 80, como visto neste show, eram algo extraordinário. Uma belíssima versão de “Children of the Sea” dá continuidade ao show, e mais uma vez a performance de Vivian Campbell é digna de elogios. Após “Rainbow in the Dark”, a banda inicia uma versão arrasadora da obrigatória “Holy Diver”. Depois de um curto solo de bateria de Vinny Appice, a banda inicia um medley passando por vários clássicos da carreira do vocalista, começando com a estupenda “Stargazer”, do Rainbow, onde a voz do baixinho é mais uma vez o grande destaque. Após um pequeno, mas espetacular, solo de Vivian Campbell, a banda ataca com “Heaven and Hell”, em uma versão estendida com mais de 11 minutos, recheada de belos solos e passagens de guitarra, além das tradicionais brincadeiras com o público. A voz de Dio na parte mais rápida da música, onde o tom é mais alto, é impressionante, e mostra mais uma vez todo o talento que ele tinha. Para encerrar a fenomenal apresentação, mais um clássico do Rainbow, “Man on the Silver Mountain”, mais rápida, pesada e energética que a sua versão de estúdio. Mas a grande surpresa fica por conta da execução de um pedaço de “Starstruck” no meio da música, outro clássico do Rainbow, que infelizmente poucas vezes voltou ao set list da banda. O show se encerra com a parte final de “Man on the Silver Moutain”, que deixa a platéia extasiada.
A gravação deste primeiro show é impecável, com todos os instrumentos bem audíveis, e além da voz de Dio, o grande destaque é o desempenho sensacional de Vivian Campbell, caprichando não só nos solos gravados originalmente por ele, mas também nos de Ritchie Blackmore e Tony Iommi, mantendo muito das versões originais, mas também colocando bastante de seu estilo pessoal nas músicas.
Já o segundo CD, contendo o show de 1987, mostra a banda divulgando o álbum Dream Evil, além de contar com Craig Goldy, substituto de Vivian Campbell nas guitarras. A apresentação começa com a música “Dream Evil”, que já deixa evidente que a captação deste show não foi tão boa quanto a do anterior, soando um pouco mais abafada e com os instrumentos um tanto embolados. Ainda assim, a qualidade é boa o suficiente e não compromete a audição. A primeira surpresa é a execução de “Neon Knights”, clássico do Black Sabbath em uma versão bastante fiel e com um belo solo de Goldy. A pouco executada “Naked in the Rain” é a seguinte, e ganha mais vida e energia ao vivo. No meio da música Craig Goldy faz um solo onde mostra muita velocidade e a inegável influência de Ritchie Blackmore. “Rock and Roll Children”, o principal sucesso do disco anterior, Sacred Heart, é executado na seqüência, com a clássica “Long Live Rock and Roll” no meio da música. Um das favoritas dos fãs, “The Last in Line” dá início a um medley recheado de clássicos: “Children of the Sea”, “Holy Diver” e “Heaven and Hell”. Ainda que não sejam executadas na íntegra, a sucessão de clássicos é impressionante.  “Man on the Silver Mountain”, com direito a um espetacular interlúdio apenas com teclado e voz, inicia a parte final do show, que ainda tem “All the Fools Sailed Away” antes da reprise do fim de “The Last in Line”. O show termina com a já então clássica “Rainbow in the Dark”, em uma versão matadora, e a banda deixa o palco ovacionada pelos fãs.
O lançamento de At Donington UK: Live 83-87 reforça a dimensão da perda que tiivemos com a morte de Dio, mas serve como lembrança da qualidade imensurável do seu trabalho, tanto na sua carreira solo quanto nas bandas pelas quais passou. É impossível não se emocionar durante a audição dos discos, não só pelas performances fenomenais do cantor, mas também por sabermos que nunca mais teremos a chance de vê-lo ao vivo. Ficamos na torcida para que mais itens como este vejam a luz do dia, como a viúva de Ronnie prometeu após a sua morte. 

Resumindo: item obrigatório na coleção de qualquer pessoa que  se diga fã de rock.

Long Live Dio!



5 Comentarios

  1. diogobizotto disse:

    Minha expectativa em relação ao primeiro CD desse álbum é bem alta, dado ao ápice no qual Dio se encontrava à época, vindo de no mínimo seis discos ótimos. Desse tipo de caça-níquel eu quero mais, ao contrário desses milhares de relançamentos com faixas bônus inúteis.

  2. Rafael "CP" disse:

    Obrigatorio mesmo , e o que me deixa mais puto são os putos que dizem que curtem Dio mais só conhecem Rainbow in the Dark afffff

  3. Estou correndo feito louco atrás desse cd. Ouvir stargazer ao vivo vai ser um prazer quase orgístico. Uma das melhores canções ja feitas na história do rock. Como comentário adicional, alguem sabe explicar pq o Dio nunca tocou nada do ELF ao vivo. Eu acho a banda muito boa!

  4. Laoex disse:

    eu nao diria Obrigatorio já que a qualidade -principalmente- no segundo cd deixa muito a desejar, inclusive contendo alguns ruidos, e são 2 shows curtos com repertorio bem pareceido. Curti ouvir Dream Evil ao vivo, mas no fim das contas – digo que é um disco apenas para fãs e curiosos

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