Por Mairon Machado

O podcast Grandes Nomes do Rock dessa semana apresentará a primeira parte em homenagem a David Bowie, narrando a carreira do cantor desde 1967 a 1975.

David Robert Jones nasceu em 08 de janeiro de 1947, e se interessou por música desde cedo. Aos 5 anos já tinha lições de piano, e aos 8, de saxofone e violão. Em 1964, fundou sua primeira banda, os King Bees, que lançaram apenas um compacto de sucesso zero. Por sugestões de amigos e empresários, David mudou seu sobrenome para David Bowie, já que David Jones era um dos líderes de uma famosa banda dos anos 60, os Monkees. Bowie era exatamente a marca da faca que acabara deixando uma marca registrada na carreira de Bowie, uma espécie de “olho de vidro“, pois quando adolescente, em uma briga, agrediram-o com a faca que acabou abalando as estruturas da córnea do olho de Bowie.

Bowie na época de Space Oddity
O cantor assinou contrato com a Deram Records e lançou seu primeiro LP em 1967, muito influenciado pela onda beat, e tendo várias canções com orquestrações. Em 1969, com Rick Wakeman nos teclados e produção de Tony Visconti, lançou o segundo álbum, Space Oddity (ou Man of Words/Man of Music), um tratado de manisfestos inspirado nas obras de Bob Dylan, onde o principal destaque foi a faixa-título, uma obra prima que senta o ferro na Guerra Espacial dos anos 60.

Bowie como Ziggy
Vieram ainda The Man Who Sold the World e Hunky Dory, ambos de 1971, com uma sonoridade já mais pesada e tendo como banda de acompanhamento Mick Ronson (guitarras), Woody Woodmansey (bateria), Tony Visconti (baixo) e Rick Wakeman (teclados). Dessa banda, Ronson, Woodmansey (agora como Mick Woodmansey) e mais Trevor Bolder (baixo) fariam parte dos Spiders from Mars, o grupo de apoio do personagem Ziggy Stardust. É com esse personagem que Bowie alcança o status de estrela do rock, definindo ao mundo o estilo Glam Rock e fazendo do LP The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, lançado em 1972, o álbum mais importante da década de 70, no mesmo nível que Sgt, Pepper’s Lonely Hearts Club Band fora em 1967.

Ziggy era um astro do rock marciano, que na Terra, alcançara o estrelato tocando guitarra com a mão-esquerda, tendo posição bissexual e exibindo um traje com roupas coladas ao corpo, tintura na face e nos cabelos e muita, mas muita polêmica. Em 1973, Ziggy cometeu suícidio em pleno palco, e Bowie criava um novo personagem, Alladin Sane. Bowie assim ganhava o apelido de Camaleão do Rock, devido as várias faces que assumiria dali em diante.

Com Alladin e os Spiders, lançou Alladin Sane (1973), um álbum bem mais rock’n’roll, com forte influência dos Rolling Stones. Com Aynsley Dunbar no lugar de Woodmansey, lança Diamond Dogs (1974), um álbum baseado na obra “1984”, de George Orwell. Um álbum excelnte, com experimentações e ótimas letras, que ficou registrado por ser o último álbum do Spiders from Mars. David partiu para uma longa turnê que culminou no álbum David Live (1974), mudando-se então para os Estados Unidos, onde consolidaria sua carreira em uma forma totalmente diferente do que fizera até então, como veremos na segunda edição.

Discos de Bowie entre 1967 e 1974
Track list do Podcast # 03 – Covers
Bloco 01
Abertura: Moby Dick [do álbum Make A Difference Foundation: Stairway to Heaven/Highway to Hell – 1989 (Drum Madness)]
Johnny B. Goode [do álbum Ram It Down – 1988 (Judas Priest)]
Cum On Feel the Noize [do álbum Metal Health – 1983 (Quiet Riot)]
Aces High [do álbum Wages of Sin – 2001 (Arch Enemy)]
My Generation [do EP Lord of the Flies – 1995 (Iron Maiden)]
I Don’t Mind [do álbum My Generation – 1965 (The Who)]
Bloco 02
All Along the Watchtower [do álbum Electric Ladyland – 1968 (Jimi Hendrix)]
Heaven and Hell [do álbum Magic: A Tribute to Ronnie James Dio – 2010 (Manowar)]
Sheep [do álbum Dark Side of the Moon: Official Bootleg – 2006 (Dream Theater)]
The Court of the Crimson King [do álbum Killing Ground – 2001 (Saxon)]
Bloco 03
With A Little Help From My Friends [do álbum With A Little Help From My Friends – 1968 (Joe Cocker)]
Every Little Thing [do álbum Beyond & Before: BBC Recordings 1969-70 – 1998 (Yes)]
Bad Boy [do bootleg New in Town – 1973 (Rush)]
Lady Madonna [do álbum A Banda Tropicalista do Duprat – 1968 (Mutantes)]
Nowhere Man [do álbum One Live Night – 1995 (Dokken)] 

Bloco 04
Abertura: Ol’ 55 [do álbum On the Border – 1974 (Eagles)]
Fortunate Son [do álbum July 11 03 Mansfield, Massachusetts – 2003 (Pearl Jam)]
God of Thunder [do álbum Sons of Satan Praise the Lord – 2002 (Entombed)]
Do You Remember Rock n’ Roll Radio [do álbum We’re A Happy Family – 2003 (Kiss)]
When I Was Young [do álbum Acid Eaters – 1993 (Ramones)]
Shapes of Things (To Come) [do álbum We Want Moore! – 1984 (Gary Moore)]

Encerramento: Knockin’ On Heaven’s Door [do bootleg Live at Rock in Rio III – 2001 (Guns N’ Roses)]

15 comentários

  1. fernandobueno

    Muito legal Mairon
    Gostei muito do bloco dedicado ao Zyggy Stardust. Não conhecia nenhuma daquelas versões…
    Vamos ver se o povo vai gostar de Arthur…rs

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  2. Mairon Machado

    É isso ai Fernando. Valeu pela tua ajuda! Cadão, colocar o set list tirá um pouco da surpresa, então para quem quer ter ideia do que rola, o sujeito dá uma olhada nos tags e vê se tem algo que atraia a atenção. Dai baixa e surpreende-se positiva ou negativamente.

    Um abraço e valeu!

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  3. Ricardo Seelig

    Já pensei dessa maneira quando fazia os podcasts da Collector´s, mas depois percebi que era melhor colocar o tracklist, dava mais retorno.

    Mas, enfim, cada um na sua.

    Abraço.

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  4. diogobizotto

    Nessa fase não tem erro. Posso até ter discos favoritos, mas encontrar aqlguma coisa de qualidade duvidosa é tarefa hercúlea, e alguns discos são clássicos eternos. "The Man Who Sold the World", disco do qual foi extraída, no podcast, "The Width of a Circle", em versão ao vivo, é um baita disco um tanto subestimado, diria eu até com um pezinho no heavy metal.

    Pensei que rolaria uma versão do Seu Jorge heinhô… heheheeh…

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  5. Mairon Machado

    Eu pensei em colocar Black Country Rock, mas não consegui encaixar no contexto que pretendi. E não seria ao contrario, Jethro Tull lembrar Black Country, já que ela foi feita em 1969 (apesar de lançada em 1971)?

    Eu acho Width of Circle e Cygnet Comitte duas obras primas da carreira inicial do Bowie. Na minha opinião, Bowie tem os melhores álbuns dentro dos estilos que ele fez (rock, pop, new age, ….)

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  6. Saec Torin

    Também acho Cygnet Committee e The Width of a Circle obras primas progressivas de Bowie, também contando com a Wild-Eyed Boy From Freecloud. Infelizmente não achei que Bowie repetiu isso no Hunky Dory com a The Bewlay Brothers, apesar de também gostar muito dela.

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  7. Groucho KCarão

    Fase fudida do Bowie. Uma pena não ter incluído a versão dele pra "Let's Spend the Night Together", que ficou alucinante! Mas incluindo "Arthur", do Wakeman, tá compensadíssimo – apesar de que eu preferiria incluir a SUPREMA "Guinevere"!
    Parabéns pelos podcasts!

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  8. Groucho KCarão

    Apenas 2 poréns, não ao podcast, mas ao texto da postagem: 1) dizer que o Bowie definiu o estilo Glam Rock é um tanto injusto com o Marc Bolan, não acha? 2) dizer que o Ziggy Stardust é o melhor álbum dos anos setenta é uma opinião pessoal, nada mais que isso. Mas dizer isso do Sgt. Peppers na década de 60 também é, então tá tudo certo! =]

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  9. Mairon Machado

    Grande Groucho, bem vindo meu amigo. Valeu pelos comentários. Guinevere realmente é surpresa, mas o podcast é feito por todos os participantes do blog, então, sempre entram músicas de cada um.

    O Marc colaborou e muito, mas creio que o David foi o que mais sucesso conseguiu com o Ziggy, e valeu pelas palavras sobre o sgt. Apesar de eu não achar tudo isso, admito a importancia do LP

    Um abraço e pega tb um pedaço de costela ali na bandeja

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  10. Groucho KCarão

    O que eu quis dizer foi que o Sgt. Peppers não é necessariamente o melhor da década de 60, isso é apenas opinião pessoal de quem afirma. Os próprios Beatles lançaram coisa melhor, na MINHA opinião.
    Quanto ao Glam, é complicado discutir paternidade em música, pois não tem exame de DNA que dê jeito! Mas a meu ver foi o Bolan quem inspirou o Bowie nessa fase, apesar de eu também preferir o Bowie.
    Novamente, parabéns! Pena que não dá pra fazer podcasts com todos os membros do blog comentando..

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  11. Mairon Machado

    Concordo contigo Groucho. Acho o Abbey Road e o Rubber Soul bem melhores que o Sgt. Peppers, porém 99% da mídia especializada afirma que o Sgt. Peppers é o melhor disco da história. Nesse ponto, infelizmente, eu assumo que faço parte de uma minoria muito pequena q não consegue ver tanto valor no pimenta.

    Quanto ao glam, o pai de tudo foi o andy warhol na minha opinião. Se não fosse ele (e o tony visconti tb tem um papel importante ai), nem bowie, nem reed e nem bolan teriam pintado como pintaram. Nao vejo o Bolan como inspiração para o bowie. Vejo os dois montando juntos uma nova forma de fazer musica. O proprio alice cooper tb fez um glam rock, mas da forma dele

    Um abraço e ai vai mais uma polar …

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