Iron Maiden: álbuns em edições especiais em LP

28 de Janeiro, 2011 | por Fernando Bueno
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Por Fernando Bueno
Com a popularização do CD no começo da década de 90, o LP começou a sofrer um processo de perda de espaço. Porém, durante algum tempo, os dois tipos de mídias ainda eram vendidos paralelamente, sendo o CD vendido por cerca do dobro do preço do LP, e a diferença de valor entre eles dava uma noção do status que cada uma tinha à época. Afinal, o CD era novidade e vinha com a promessa de melhor qualidade de som. Aqui no Brasil, depois de algum tempo, a produção de LPs foi totalmente abandonada, fazendo com que muita gente focasse o interesse apenas nos CDs.
Mundialmente, o vinil também perdeu espaço, porém, essa diferença não fez com que ele deixasse de ser produzido em alguns países. Algumas bandas internacionais nunca deixaram de lançar seus álbuns em vinil, porém, para chamar a atenção, esses lançamentos tiveram que apresentar algum diferencial.
A Matter of Life And Death

O Iron Maiden, assim como muitas bandas, lançou vários discos de vinil durante os anos 80 com algum tipo de apelo junto aos colecionadores e curiosos, como os picture discs e os shaped discs em seus singles e EPs. Alguns álbuns também foram lançados em vinil colorido e até mesmo alguns em picture, porém essa não era a regra. Os últimos discos “comuns” da banda lançados foram Fear of the Dark (1992), A Real Live One (1993) e  A Real Dead One (1993).

Rock in Rio – Edição com bandeira do Brasil estilizada
Na época do lançamento de The X-Factor (1995), primeiro álbum de estúdio sem Bruce Dickinson nos vocais, o CD já tinha tomado conta do mercado. Porém, o álbum também foi lançado em LP, mas aqui se dá o início de uma prática que mudaria o modo dos lançamentos de álbuns em vinil da banda. O álbum é duplo e transparente (ver foto principal da matéria). Nada muito diferente, afinal a banda já tinha lançado alguns vinis transparentes. A diferença é que, nesse caso, não houve o lançamento “normal”, ou seja, essa foi a única versão. O segundo álbum com o Blaze Bayleu nos vocais – Virtual XI (1998) – foi a única exceção para esse novo tipo de lançamento (dizem que é necessário uma exceção para confirmar uma regra).
Virtual XI – O mais fraco até entre os lançamentos especiais
A partir daí, todos os álbuns, tanto os de estúdio quanto os ao vivo e coletâneas, foram lançados também em vinil com edições especiais. Todos esses itens tiveram muito capricho para o seu lançamento. Os LPs são lindos e os encartes são muito bem feitos e aí entra o ponto que eu gostaria de discutir. Será mesmo que quem compra esses itens são aquelas pessoas que querem apenas o vinil? O Iron Maiden sempre foi ótimo na questão comercial, então eu vejo que esse tipo de lançamento é feito essencialmente para os colecionadores, para aqueles caras que não tem só o LP, mas tem também o CD e, possivelmente, em mais de uma versão. Claro que vez ou outra o cara põe o bolachão para tocar, mas duvido que essas pessoas utilizem mais os LPs do que os CDs. Claro que existem os mais aficcionados por LPs, mas mesmo entre os colecionadores a parcela é pequena.
Edward the Great (acima) e Death on The Road – Mesmo
as coletâneas e os discos ao vivos mereceram uma edição especial
Outro detalhe que tem que ser levado em consideração é o fato de os vinis comportarem apenas cerca de 45 minutos de música. Já os CDs podem armazenar cerca de 74 minutos. Isso quer dizer que uma banda pode gravar quase 30 minutos a mais para os lançamentos de seus CDs. O Iron Maiden, nos útlimos discos, está tendo o costume de utilizar praticamente o tempo todo disponível no CDs e isso exige que todos os LPs lançados sejam duplos, o que não era normal nos lançamentos das bandas nas décadas de 70 e 80. Muitas pessoas dizem que a música atual tem uma qualidade menor, já que os discos se tornaram mais longos e, assim, muita coisa gravada pelas bandas é para ocupar espaço, não havendo a escolha só das partes mais interessantes na hora de composição e finalização das músicas. Mas isso é assunto para outra hora…



19 Comentarios

  1. Texto interessante. Faltou citar o Live At Donnington (versão tripla), que na época da famigerada subida do cd e descdida do vinil, eu adquiri o LP por carissimos 50 centavos (lacrado!!!)

    Dos pictures do Iron eu tenho o Rock In Rio e o Flight 666. Não tenho os cds, e até poderia tive o do Flight 666, mas acabei vendendo para outra pessoa e fiquei só com o vinil e o DVD. Não valia a pena ter mais uma versão, e como prefiro o vinil, fiquei com o bolachão.

    Outra banda que lança edições especiais é o Kiss, principalmente re-edições. Alias, tudo para o Kiss é especial, até camisinha.

  2. micaelmachado disse:

    Cara, esses vinis são lindos. Pena que o Brasil tenha "largado de mão" a venda de vinis, e agora cobrem 200 reais por discos que lá fora custam poucos dólares…

  3. Eu paguei 100 reais no Rock In Rio (usado, de um magrao que havia comprado apenas para expor no quarto) e 42 no Flight 666, esse lacrado em uma loja de Santiago, onde os vinis 180 g são vendidos no mesmo preço do CD (em media 30 reais)

    • claudio disse:

      amigo vi que voce citou ter o LP Flight 666 do iron, tenho tambem e acho o meu com uma qualidade sonora muito ruim, meio baixo e “levemente embolado” o audio, o seu disco também é assim?

  4. fernandobueno disse:

    Os discos são lindos mesmo…
    Não citei o Live at Donnington porque ele fazia parte da época do AReal
    Live One e o A Real Dead One…
    Sobre essa loja em Santiago, por acaso ela não tem um site?

  5. Até tem, mas esta em construção, e cada vez que vou la o dono diz "Tengo que cambiar esto …"

    Ai vai

    http://www.funtracks.cl/

  6. diogobizotto disse:

    Olha só, o Bueno já quer o site pra saber onde gastar sua fortuna, HAHAHAHAHAH…

    Agora, bate até uma depressão ao adentrar lojas que vendem essas edições caprichadas em vinil e perceber que o valor do fetiche em possuir essas edições superou em muito o limite do aceitável. É legal? É, mas não é possível gastar tanto dinheiro assim em função disso, quando no fundo (e alguns parecem esquecer disso), a música é o que importa.

  7. Ando sem paciência de ler qualquer coisa relacionada ao Iron Maiden.

  8. Thiago disse:

    O vinil do The X Factor é lindo mesmo…só que hj em dia ele é vendido a preços astronômicos! E o Virtual XI eu nunca vi vendendo…deve ser bem caro tb…essas edições pictures são muito bonitas realmente, não só do maiden, mas de muitas outras bandas que capricham nessas edições picture.

  9. Leandro disse:

    É lindo, tudo lindo e luxuoso, mas pra mim é caça-níquel total. Se ja tenho a coleção da banda em CD, pra que eu quero em vinil azul, amarelo, transparente, picture, vinil que dobra…so falta lançarem em LP de cera. Se fosse como as reedições do King Crimson que foram em HDCD e agora em DVDA DTS 5.1 até que vai pela qualidade de som, mas só pela embalagem acho um tremendo exagero colecionista. "A música é o que importa"

  10. fernandobueno disse:

    Cadão
    O foco foi Iron Maiden, mas o assunto (edições em vinil) é bem mais amplo.
    Também tem o assunto sobre o tempo dos álbuns nessa era do CD. Acho isso muito importante.

  11. Rafael "CP" disse:

    Cara , eu amo vinis , e esses estão demais , adoraria possuir o Death on the Road da foto

  12. Thiago disse:

    Eu achei o vinil do A Matter of Life and Death, do RIR e do Dance of Death os mais bonitos…itens de colecionador mesmooo…

  13. Fábio RT disse:

    Bem…vou ser sincero….

    A maioria dos vinis de sebos que tem origem nacional (e que já estão cobrando uma facada) eu não tenho menor vontade de ter…. a capa é legal tudo…super bonito…mas o som é uma vergonha já que a qualidade de 90% deles é um lixo completo…. por isso prefiro os CDs…

    Agora os importados e esses de 180 gramas eu adoraria ter…mas como sabemos que quae tudo aqui no Brasil que se refere a cultura e diversão é tratado como bem de luxo fica impraticável te-los … sendo assim e continuando com a mentalidade tacanha das pessoas que trabalham vendendo essas coisas no BRASIl jamais teremos um mercado de verdade

  14. fernandobueno disse:

    Fábio…aqui no Brasil não tem mercado como vc disse. Mas eu ainda acho que parcela da culpa é do público. Mesmo os CDs são poucas as pessoas, como nós, que nos importamos em ter o original. E estou falando em todos os gêneros musicais. Se a gente não acha aqui, ainda bem que conseguimos comprar alguma coisa de fora…

  15. Fábio RT disse:

    Sim…

    uma enorme parcela da culpa é do público que realmente não se importa em possuir o CD ou vinil por não ligar pra um som de qualidade ou pela famosa lei da vantagem…tipo se eu tenho de graça pra que vou pagar….mas os que vendem são também coniventes…já que é ótimo vender um produto que deveria custas uns 35-40 reais por 100, 120…. ai põe a culpa no imposto e lucra mais de 100% em cima….superbacana isso

  16. Rudy disse:

    Tenho alguns lps do Iron e outra bandas de rock e nem que a vaca tussa que eu deixo de ouvir um bom lp em boas condiçoes para ouvir um cd.Talvez para pessoas que não tem uma boa audiçao sonora,o cd pode parecer ter uma qualidade melhor,mais a pessoas que tem o ouvido adestrado para música é clara e evidente a superioridade dos lps referênte ão cds.A maioria das pessoas que sempre falão mal dos queridos bolachoes na verdade nunca conseguiram extrair o verdadeiro som que os vinis tem,pois com certeza sempre ouviram os mesmos em aparelhos de pécima qualidade tipo(3em1),e com toda certeza nunca souberam manusear da maneira correta.Tenho uma acervo de mais ou menos 1500 lps todos novos e os que não comprei lacrado estão impecavel,pois sou muito exigente quando o assunto e vinil.

  17. FLAVIO MEDEIRO disse:

    Na verdade Lps Picture Disc, na maior parte das vezes tem um som nitidamente pior que Lps normais, quem tem plata e pode o certo é ter os dois, a versão normal 180g e um Picture Disc pra colecionar e não pra ouvir, como eu não tenho e coleção não é meu forte, quando o Iron lançou tudo em Picture eu pensei em comprar mas ai vi alguns reviews de gente especializada e alguns vídeos e até pelo YouTube fica fácil ver a diferença entre o som dos vinis, larguei mão da idéia, peguei o que podia em 180g, isso sim vale a pena…qualidade, mas que seria legal ter uma verba sobrando para ter tudo em Picture, isso sim.

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