Thrashback – Parte II

22 de Janeiro, 2011 | por leonardocastro
Artigos Especiais
6
Metallica em 2008
Por Leonardo Castro
A segunda metade da década de noventa foi dura para a maioria das bandas de thrash metal surgidas na década anterior. Mudanças de formação, flertes com outros estilos e, principalmente, discos de qualidade duvidosa fizeram estas bandas perderem espaço, e muitas até encerraram as atividades. 
Felizmente, a partir do ano 2000, a maré começou a mudar, e estas mesmas bandas voltaram a lançar bons discos, recolocando o thrash em evidência no mundo todo. Nesta matéria, e na parte anterior, damos uma olhada nos discos que recolocaram estas bandas no mapa:
 
Megadeth – The System Has Failed [2004]
Em 1999, o Megadeth atingiu o fundo do poço com o disco Risk. Odiado pelos fãs e críticos, o disco acabou causando a saída do guitarrista Marty Friedman da banda, após 10 anos. Al Pitrelli foi convocado para o seu lugar, e com ele a banda gravou The World Needs A Hero, que apesar de tentar promover uma volta ao som clássico da banda, também não foi muito bem recebido. Para completar, logo em seguida Dave Mustaine sofreu uma lesão em um nervo que o impedia de tocar, e decide encerrar a carreira da banda.
Entretanto, em 2004 ele decide gravar um álbum solo, contando apenas com músicos contratados, incluindo o ex-guitarrista do próprio Megadeth, Chris Poland. Contudo, devido a obrigações contratuais, Dave decide lançar o disco como o novo álbum do Megadeth e reativar a banda com um novo line-up. 
E assim foi lançado The System Has Failed, que realmente soa como um legítimo disco do Megadeth. Apesar de boa parte dos fãs torcerem por algo mais próximo do som do clássico Rust In Peace, o disco revisitava em boa parte a sonoridade da fase Countdown to Extinction e Youthanasia, como as duas primeiras faixas, “Blackmail The Universe” e “Die Dead Enough”, mostram bem. O lado mais pesado e agressivo surge em “Kick The Chair”, que tem um riff excelente e ótimos solos. Outro destaque é a faixa “Back In The Day”, que descreve o início da carreira da banda e tem uma pegada bem NWOBHM, uma das principais influências de Dave Mustaine.
Após este disco, o Megadeth sofreu mais algumas mudanças de formação e lançou o ótimo United Abominations em 2007 e o excepcional Endgame em 2009, e já se prepara para gravar um novo álbum.
Hirax – The New Age Of Terror [2004]
Após lançar dois discos nos anos 80, onde mostravam um som calcado no crossover, mas com um vocalista tipicamente metal, o Hirax se separou. O vocalista Katon De Pena recrutou os amigos Ron McGovney, ex-baixista do Metallica, e o baterista Gene Hoglan, então no Dark Angel, e formou o Phantasm. O restante da banda se uniu ao lendário Paul Baloff, ex-vocalista do Exodus, e seguiu sob o nome Hirax. Entretanto, nenhuma das bandas obteve sucesso, e antes do fim da década já tinham encerrado as atividades.
No começo dos anos 90, um CD contendo os dois discos da banda foi lançado pela Metal Blade, com uma tiragem baixíssima. Alguns anos depois, era um dos cds mais raros e cobiçados por colecionadores, chegando a atingir valores acima de 100 dólares em sites de leilão.
Com esse novo interesse pela banda, Katon De Pena tentou reunir o grupo mais uma vez no fim dos anos 90. Como os outros músicos não aceitaram, ele recrutou um novo line-up, relançou os discos clássicos em CD para a alegria dos colecionadores e lançou alguns EPs no começo dos anos 2000.
Mas o retorno definitivo se deu em 2004, com o lançamento de The New Age of Terror. Deixando um pouco o crossover de lado e investindo em um thrash metal mais trabalhado, mas extremamente agressivo, principalmente nos vocais, a banda lançou um disco excelente, com diversos riffs estupendos. As rápidas “Killswitch” e “Hostile Territory”, a mais épica e cadenciada “Swords Of Steel” e, principalmente, a fantástica “Unleash The Dogs Of War” são os principais destaques do disco, que foi lançado no Brasil pela Kill Again Records com o EP Assassins of War de bônus.
A banda segue na ativa e ano passado lançou El Rostro De La Muerte, e promete uma vinda ao Brasil ainda este ano.
Metallica – Death Magnetic  [2008]
Do lançamento do primeiro disco, Kill’em All, em 1983 ao fim da turnê do auto-intitulado álbum de 1991, o Metallica era indiscutivelmente o principal nome do thrash metal. Primeira banda do estilo a lançar um disco, primeira a assinar com uma grande gravadora, primeira a levar o thrash metal a alçar vôos fora do underground, eles eram definitivamente os pioneiros e líderes do segmento. Ainda que o disco de 91 não fosse uma unanimidade entre os fãs mais antigos, o prestígio da banda continuava em alta.
Por isso, o choque com o lançamento de Load, em 1996, foi tão grande. Não só o som havia mudado, mas o visual dos integrantes também, em uma tentativa de atrair um público mais “rock” e menos “metal”. A banda que liderou a ascensão do thrash metal virara as costas ao estilo e aos fãs, e ainda que continuasse extremamente popular e bem sucedida, perdia por completo a admiração daqueles que os acompanhavam há mais tempo. O disco seguinte, ReLoad, era uma coletânea de sobras do anterior, mantendo o estilo mas com ainda menos qualidade. Em 2003, os fãs mais antigos se animaram com a notícia que a banda pretendia gravar um disco mais pesado, em uma forma de volta às origens. O resultado, St. Anger, foi desastroso. Embora realmente mais pesado, o disco tinha uma sonoridade péssima, composições pouco inspiradas e uma total ausência de solos de guitarra, conseguindo decepcionar a todos que esperam um retorno em grande estilo.
Talvez por isso, a expectativa geral para o disco seguinte, Death Magnetic, não fosse tão grande. Mais uma vez anunciado como um disco de volta às raízes, poucos esperavam por algo no estilo antigo da banda. O primeiro single do disco, “The Day That Never Comes”, diminuiu ainda mais tais expectativas. A semi-balada lembrava um pouco “The Unforgiven”, mas estava longe do que os fãs queriam.
Finalmente o disco foi lançado, e, para a alegria dos fãs, realmente mostrava um Metallica mais próximo do som clássico da banda, principalmente dos discos And Justice For All… e Black Álbum. A faixa de abertura, “That Was Just Your Life” tinha um riff clássico de James Hetfield e uma levada mais acelerada, além de um belo solo de Kirk Hammet. A seguinte, “The End Of The Line”, tinha até guitarras dobradas típicas do heavy metal tradicional. A longa duração das faixas remetia ao And Justice For All…, enquanto faixas como “The Judas Kiss” e “Cyanide” lembravam o estilo mais direto do Black Álbum. “All Nightmare Long” contava com um excelente riff e refrão, e tinha tudo para se tornar um novo clássico da banda. O disco se encerra com a acelerada “My Apocalypse”, a faixa mais direta e agressiva que a banda lançou desde “Dyers Eve”, de 1988. O disco, no geral, pode até não ser tão bom quanto os clássicos da banda, mas se aproximou muito mais do que os fãs esperavam do que o que a banda vinha fazendo até então.
Após o lançamento do disco, a banda embarcou em uma longa turnê mundial, que inclusive passou pelo Brasil. Os setlists variavam muito, mas eram sempre baseados nos discos clássicos da banda e nas novas composições, ignorando quase que por completo os discos lançados entre 1996 e 2008. A turnê do disco teve seu ápice no festival Sonisphere, onde as 4 grandes bandas do thrash metal norte-americano se apresentaram na mesma noite, tendo o Metallica como headliner, consagrando a volta da banda ao topo do estilo.



6 Comentarios

  1. diogobizotto disse:

    Sobre o Hirax vou me abster, pois nunca ouvi a banda antes, porém adianto que curti as faixas linkadas pelo Leonardo, um thrash mais tosco mesmo, divertido, mas pouco ambicioso. Quanto às outras duas, bom… o Megadeth mandou muito bem nessa sua volta. Lembro que comprei o disco logo que saiu e gostei de cara de faixas como "Blackmail the Universe", "Kick the Chair" e "Back in the Day" (que de cara me lembrou MUITO coisas do álbum "Powerslave" do Iron Maiden); me pareceu uma cruza do "Rust in Peace" com o "Countdown to Extinction". Melhor ainda que Dave continuou com a banda, lançou discos melhores ainda ("Endgame" é do caralho) e conta com David Ellefson de volta, além do excelente Chris Broderick. Aliáaaaasss, esse rapaz toca pacas, impressionante, vi o show aqui em Porto Alegre no ano passado e ele foi um destaque muito positivo: executou seus solos com precisão, inclusive o de "Tornado of Souls", a canção que para mim foi o ponto alto do concerto.

    Quanto ao Metallica… "Death Magnetic" é sem dúvida o melhor disco desde o auto-intitulado de 91. Por mais que algumas faixas lembrem em demasia outras do passado e algumas não sejam tuuuudo aquilo, uma música como "All Nightmare Long" é pra fazer valer o investimento e devolver ao Metallica o respeito que merecem.

  2. fernandobueno disse:

    Não reconhecer que o Metallica pelo menos tentou soar diferente do que ficou por anos é má vontade. Típico caso "não ouvi e não gostei"…

  3. Fernando,

    vc esta falando do Load? Eu nao acho nem que seja um disco ruim, tanto que nem disse isso no post, mas fugiu muito das caracteristicas da banda. Já o Reload e o St. Anger sao pessimos…

  4. diogobizotto disse:

    Load e Reload são medianos, e não é por terem fugido das características originais, mas pelo simples fato das composições não serem tão boas. Que tal uma coletânea dos dois discos pra mostrar minha boa vontade com eles? Aí até fica legal:

    1. Ain't My Bitch
    2. Until It Sleeps
    3. King Nothing
    4. Bleeding Me
    5. Wasting My Hate
    6. Mama Said
    7. The Outlaw Torn
    8. Fuel
    9. The Memory Remains
    10. Devil's Dance
    11. The Unforgiven II
    12. Low Man's Lyric
    13. Fixxxer

    Já o St. Anger, bom… é uma merda fétida, apenas isso.

  5. fernandobueno disse:

    Eu tô falando do Death Magnetic…

  6. Eu acho o Death Magnetic um baita disco, o melhor do Metallica desde o and Justice. Tem canções ali q são otimas, e aquela instrumental (esqueci o nome) é linda

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *