Maravilhas do Mundo Prog: Aphrodite’s Child – ∞ [1972]

6 de janeiro, 2011 | por Mairon
Diversos
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Estreamos aqui no Consultoria do Rock a sessão “Maravilhas do mundo Prog”, onde destacaremos clássicos desse estilo com o passar dos anos.

O primeiro deles é a imortal “∞”. Essa canção foi lançada em 1972 no espetacular álbum 666, do grupo grego Aphrodite’s Child, o qual contava na sua formação na época de gravação com Vangelis (teclados), Demis Roussos (baixo, voz), Loukas Sideras (bateria) e tendo a participação de Argyris Kouloris nas guitarras.

666 é um álbum conceitual, adaptando para o disco o Livro das Revelações da Bíblia, baseando-se no Apocalipse de São João. Para isso, Vangelis se encostou no cineasta grego Costas Ferris, o qual escreveu um livro conceitual para o álbum, 666 (The Apocalypse of John, 13/18), onde a ideia era muito simples: um grande circo com acrobatas, dançarinos, elefantes, tigres e cavalos mostrando um espetáculo refente ao fim do mundo. Enquanto o show transcocorre com diversos efeitos de luz e som, algo estranho começa a acontecer fora do circo, que é a revelação da destruição do planeta Terra. O público acredita que o que acontece fora do picadeiro faz parte do show, mas o narrador começa a alertar a plateia que aquilo é real. Então, uma imensa e densa batalha entre o bem e o mal passa a ser travada, até que um deles vença!!

Capa interna de 666

Durante o período de gravação do álbum (que demorou mais de um ano), Roussos e Vangelis trocaram farpas por diversas vezes, e o LP acabou sendo lançado quando o Aphrodite’s Child já não mais existia, além do fato de ter passado por diversos tipos de censura pela gravadora Mercury (que capitaneava os direitos do Aphrodite’s Child). O álbum, originalmente quádruplo, foi limado em muitas sessões, e saiu com formato duplo, tendo como destaque, “∞”, lançado pelo selo Vertigo, subsidiário da Mercury.

666 e o famoso selo hipnotizante da Vertigo

Contando com a participação especial da atriz Irene Papas, “∞” é uma embriagante viajem com sessão de percussões feitas por Vangelis enquanto Irene apenas fala as frases “”I was, I am, I am to come“, uma inversão para “who was, is, is to come” contida na Revelação e atribuída a Deus, de forma aleatória. Ao ouvinte mais atento, fica fácil entender as frases “I was, I’m and I want your cum” enquanto Irene absurdamente entra em vários estágios de histeria, no embalo de um ritmo sexual criado pelo viciante redemoinho de percussões de Vangelis.

Capa alternativa de 666

A ideia por trás da faixa é mostrar o ponto onde o demônio depara-se com a difícil situação de ser um anjo caído, e então descobrir que a única forma de conseguir sobreviver e ser forte é transando com ele mesmo até atingir o orgasmo! A interpretação de Irene é fenomenal, e é impossível para aqueles que ouvem a faixa não acreditar que a mulher está realmente tendo um ato sexual durante a canção. Os gritos e sussurros da cantora arrepiam todo o corpo, e alguns mais exaltados chegam a ficar excitados com tamanha orgia lançada aos ouvidos.

A mulher responsável pela orgia de “∞”, Irene Papas

Inicialmente, quem iria cantar essa canção era algum inglês, pois Costas gostaria de ouvir a histeria do narrador através de um sotaque britânico, mas quando Irene surgiu foi dada a ideia para ela, que topou e fez todas as vozes de puro improviso, o que torna essa faixa ainda mais atraente. Outro detalhe interessante é que na Espanha essa faixa foi riscada no álbum quando do seu lançamento (algo como feito com as canções da Blitz aqui no Brasil nos anos oitenta), e a venda de 666 foi proibida por lá durante muitos anos somente por causa de “∞”.

Aphrodite’s Child

A audição de 666 e principalmente desta faixa é obrigatória para todos aqueles que se dizem conhecedores de música, não por ela ser uma canção excelente ou maravilhosa, mas sim pela genialidade e a ousadia do grupo em gravar algo como isso. Os cortes da Mercury nos privaram de 35 minutos de pura orgia e experimentação, mas os cinco minutos lançados em 666 foram suficientes para fazer desta canção uma maravilha do mundo prog.



10 Comentarios

  1. Quem daqui já ouviu essa faixa???

  2. Eu. Ouvi o disco todo. É muito bom. E acho que você conheceu a banda através de um podcast da Collector´s, certo?

  3. Isso mesmo cadão, quando tu colocou The Four Horsemen eu me abobei com a sonoridade do Aphrodite's Child e fui atrás. A importância dos podcasts para mim foi imensa, pois descobri várias bandas legais ali, como Rage, Aphrodite's Child, Wishbone Ash e Baby Huey!

  4. diogobizotto disse:

    VERGONHOSAMENTE (ênfase na caixa alta) eu nunca ouvi o Aphrodite's Child. Se Atomic Rooster, Camel e Van Der Graaf Generator já estavam na lista de bandas prog que preciso urgentemente começar a explorar, agora o AC passou à frente destes na fila…

  5. Diogo, eu não te recomendo a explorar o Aphrodite's Child, até pq os dois primeiros discos da banda são muito diferentes do que fizeram depois, mas o 666 é obrigatório. Corre atrás e se quiseres posso te passar o link com o cd.

  6. diogobizotto disse:

    Valeu, Mairon! Já estou fazendo o download do disco… vou ouvir o "666", mas depois recoloco o Van Der Graaf Generator como primeiro da fila, heheheh…

  7. fernandobueno disse:

    Diogo
    Não conhecer o VdGG é realmente uma VERGONHA (ênfase na caixa alta). Pára de ouvir a porcaria do Death…rs…e vai escutar Pawn Hearts…

  8. diogobizotto disse:

    O próximo que falar que o Death é uma porcaria prepare-se pra receber uma carta com antraz!!!!

  9. Só idiotas trocam Van der Graaf Generator por Death. Fato.

  10. diogobizotto disse:

    Sai daí, seu habitante de 1967!!! Na tua época o Chuck Schuldiner nem era nascido!!!

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