Black Label Society + Zakk Sabbath & Dark Chapel – Terra SP (18/10/26):

Black Label Society + Zakk Sabbath & Dark Chapel – Terra SP (18/10/26):

Por Davi Pascale

Fotos por Davi Pascale

 

No último domingo, enquanto o Brasil parava para assistir ao debate dos presidenciáveis e ficar brigando uns com os outros nas redes sociais, decidi que tinha mais o que fazer e corri até a região de Campo Grande para assistir ao show do Black Label Society.

Acompanho o Black Label desde o lançamento de Sonic Brew (1999) e só tinha assistido o grupo uma vez, quando vieram em 2008 para se apresentar ao lado de Ozzy Osbourne no Parque Antártica. A recordação que tenho é que tinha sido uma apresentação boa, mas não espetacular. Como sempre fui muito fã do Zakk Wylde (pode incluir aí o trabalho que fez ao lado do madman e do Pride & Glory), decidi que era a hora de ir em um show do grupo e ver como funcionava.

Cheguei ao local às 18:40h, a primeira apresentação estava programada para começar às 19h e como a casa havia anunciado que abriria às 18h, achei que não teria grandes problemas, uma vez que uma hora é o suficiente para colocar pouco mais de 3.000 pessoas para dentro. Ledo engano, a fila estava dando volta e com isso, acabei perdendo 20 minutos da apresentação do Dark Chapel.

Dark Chapel, para quem está por fora, é o projeto paralelo de Dario Lorina. Ou seja, o segundo guitarrista do BLS. Confesso que não conhecia muita coisa do grupo. Tinha parado para assistir um clipe dos rapazes para ter uma noção do que poderia esperar, mas em poucos minutos ficou claro que não tinha sido o suficiente. Havia assistido o vídeo de uma música chamada “Glass Heart”, que havia me passado a imagem de um Foo Fighters com anabolizantes, entretanto, nos 20 minutos que assisti do show deles, a impressão que tive foi de uma continuação do Black Label. O grupo não possui hits, não possui clássicos, mas o peso, a garra e a competência dos músicos foi o suficiente para ganhar o respeito dos presentes.

Banda do guitarrista Dario Lorina abriu a noite.

 

Após um hiato de  aproximadamente 25 minutos, o Zakk Sabbath subia ao palco. Esse é um projeto que o Zakk Wylde criou para tocar o repertório do Black Sabbath. Sim, meus amigos, tivemos uma banda do Zakk Wylde abrindo para outra banda do Zakk Wylde. E isso é muito legal. O Zakk Sabbath já colocou alguns álbuns no mercado. Para ser mais específico, eles regravaram os 4 primeiros discos dos pais do heavy metal. E foi daí que nasceu o setlist que apresentaram no último fim de semana.

O power trio formado por Zakk Wylde (guitarra/voz), John De Servio (baixo) e Jeff Fabb (bateria) subiu ao palco ao som de “Children of The Grave” e, de cara, já ficou nítido o que veríamos nos próximos 50 minutos. Uma banda pesada, afiada e com um Zakk Wylde endiabrado, que a todo momento fazia sua coreografia jogando a mão para cima, solava com a guitarra nas costas e tocava como se não fosse existir o amanhã.

Os arranjos são bem fieis aos originais. A grande diferença está na execução dos solos. Zakk não ficava preocupado em tocar nota por nota. Ele fazia as passagens mais marcantes e no restante do solo, colocava sua identidade usando e abusando do virtuosismo. Embora, tenham tido um tempo de apresentação razoável, poucas músicas foram apresentadas. Culpa da longa duração das faixas e dos solos improvisados. O grupo fez uma mescla de hit com lado B, mas nada que não fosse conhecido dos fãs de Iommi. Estiveram no set sons como “Fairies Wear Boots”, “Snowblind”, “N.I.B” e “War Pigs”.

 

Zakk Wylde se apresentou com duas bandas.

 

A apresentação do Zakk Sabbath empolgou os presentes e deixou o público com uma alta expectativa para o show principal. Pouco mais de 21h30, as luzes se apagaram, o pano com o símbolo do BLS caiu e surgiram no palco: Zakk Wylde, John De Servio, Dario Lorina e Jeff Fabb. Logo nos acordes iniciais de “Funeral Bell” já percebemos que teríamos uma aula de heavy metal com uma banda empolgadaça, um público animado e um volume ensurdecedor. E eis que o grupo emenda “Name In Blood” de seu mais novo trabalho – o ótimo Engines of Demolition – e “Destroy & Conquer”.

Wylde não é de falar muito com o público, ele chama a plateia através de gestos com a mão e com a própria guitarra. Os únicos momentos em que dirigiu alguma palavra foi no fim da apresentação e na hora de apresentar os músicos, onde o guitarrista criou um momento animado onde corria de um lado para o outro, cada vez que John puxava o riff alegre que criou para a ocasião A cena foi tão descontraída, que até me lembrou alguma brincadeira de programa de auditório. Zakk estava visivelmente feliz.

A escolha das músicas girou em torno dos álbuns lançados a partir de The Blessed Hellride (2003). Os três primeiros discos foram totalmente ignorados, deixando de fora clássicos como “Bleed For Me”, “All For You”, “Superterrorizer” ou “Bored to Tears”. No entanto, não dá para dizer que a escolha tenha sido equivocada. Os músicos conseguiram manter a empolgação do público durante toda a performance. Foi emocionante ouvir Zakk executando o solo de “No More Tears”, assim como presenciar a homenagem aos saudosos Dimebag Darrell e Vinnie Paul em “In This River”, além do lendário Ozzy Osbourne em “Ozzy´s Song” e “Stillborn”. Dos álbuns lançados nesse período, acredito que as músicas mais marcantes estiveram presentes.  Diria que dava para o set ser um pouco mais prolongado. Seria possível acrescentar, de boa, mais uns 2 sons e relembrar o período inicial. A apresentação, embora empolgante e enérgica – foi curta durando pouco mais de 80 minutos.

Na segunda metade do set, tivemos verdadeiros petardos como “Set You Free”, “Fire It Up” e “Suicide Messiah”, sem dúvidas a preferida da plateia. O show foi bem honesto, sem gravações adicionais. No máximo, pequenos samplers utilizados como introdução de alguma faixa. Zakk Wylde manteve seu lado endiabrado correndo de um lado para o outro, solando com a guitarra na boca, nas costas… Houve até um pequeno duelo com Dario, com os 2 colocando o instrumento atrás da cabeça solando sem parar. O público, claro, ficava eufórico.

 

Black Label empolgou o publico com performance enérgica.

 

O Black Label Society já havia se apresentado no Brasil, no início desse ano, como atração do festival Bangers Open Air. Estive presente apenas na segunda noite do evento, portanto não os assisti, mas algumas pessoas que estiveram naquele show, reclamaram da voz de Zakk. Não entendi se estava baixa ou se a performance ficou a desejar. Na apresentação desse fim de semana, sua voz estava correta e bem próxima ao disco. Todos os instrumentos estavam com o som na cara, a voz bem nítida. Quem compareceu, não tem do que reclamar. Posso dizer, sem medo de errar, que tivemos uma noite histórica, com 3 shows que superaram a expectativa dos berserkers. Agora é torcer para o guitarrista retornar ao Brasil com a reunião do Pantera. Galera do Monsters of Rock, contamos com vocês!!!

 

Setlist Dark Chapel:

  • Afterglow
  • Hollow Smile
  • Sign of Life
  • Hit of Your Love
  • All That Remains
  • Ain´t No Sunshine (Bill Withers cover)
  • Burns The Flame

Setlist Zakk Sabbath:

  • Children of The Grave
  • Snowblind
  • Fairies Wear Boots
  • N.I.B.
  • War Pigs

Setlist Black Label Society:

  • Funeral Bell
  • Name in Blood
  • Destoy & Conquer
  • A Love Unreal
  • Heart of Darkness
  • No More Tears
  • In This River
  • The Blessed Hellride
  • Set You Free
  • Fire It Up
  • Suicide Messiah
  • Ozzy´s Song
  • Stillborn

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