Kal-El – Astral Voyager Vol. 2 [2026]

Kal-El – Astral Voyager Vol. 2 [2026]

Por Marcelo Freire

Saiu antes de ontem, 20 de março, o Astral Voyager Vol. 2, o disco novo do Kal-El. Por que já estou falando dele hoje, 22 de março, pouco mais de 24 horas depois de ouvi-lo pela primeira vez? O motivo é simples: esse disco não vem do nada. Ele já estava, de certo modo, pré-selecionado pelo meu próprio ouvido.

Nos comentários da minha lista de melhores de 2025, em conversa com um dos nossos leitores, o Gugu do Recife (valeu, Gugu, essa aqui também é sua), eu dizia que Astral Voyager Vol. 1, do ano passado, era “muito, muito bom”: ouvi o disco absurdamente por meses e ele brigaria por um lugar no meu Top 10 se não tivesse escapado das minhas anotações (aprendi a lição: em 2026, nada está me escapando). Na mesma resposta, registrei que o volume 2 sairia em março de 2026.

E saiu.

E não é a primeira vez que essa percepção chega antes do tempo. No ano passado, com Smith/Kotzen, ela apareceu cedo, antes mesmo do consenso, e se confirmou com o passar dos meses, inclusive na minha lista de melhores de 2025.

O mais curioso é que nada disso veio de uma decisão consciente. A escuta mais atenta, para mim quase obrigatória, que às vezes acompanha um disco novo de artistas que gostamos, simplesmente não entrou em jogo aqui. Comecei a ouvi-lo ontem, na volta para casa, ainda no carro, e a chuva forte (ontem foi o início do outono e vieram as águas de março fechando o verão) segurou o trajeto o suficiente para que o disco terminasse – e eu não trocasse a música, deixando-o recomeçar. Cheguei em casa pensando: “preciso ouvir mais uma vez”.

E é nesse ponto que o Kal-El mostra o que tem de particular. Formada na Noruega em 2012, a banda construiu sua identidade dentro do stoner rock/doom (prefiro chamá-los de stoner space rock) justamente nessa capacidade de sustentar um som pesado sem torná-lo estático. Em um álbum recém-lançado, com pouco mais de 40 minutos distribuídos em seis faixas, isso aparece com ainda mais clareza: os vocais de Ståle Rodvelt se impõem por um estilo que remete a Ozzy Osbourne, mas com um timbre mais espacial e melódico, enquanto a base soa mais encorpada, com a bateria mais alta e o baixo mais presente.

O disco, lançado em parceria da Majestic Mountain Records com a Blues Funeral Recordings (se curte esse tipo de som, vale acompanhar os catálogos dos dois selos), dá continuidade direta à jornada multidimensional já aberta no volume anterior, acompanhando a caçadora de recompensas interestelar Mica (que aparece na belíssima capa do volume 1), agora em fuga de The Nine enquanto atravessa tempo e espaço para capturar seus alvos. Ao mesmo tempo, o texto promocional no site da Blues Funeral Records define o álbum como “um disco sobre os perigos da manipulação e sobre a luta pela individualidade contra poderes invisíveis que tentam nos manter dóceis e controlados.”

O disco segue e, quando se percebe, já não se está voltando a uma faixa específica, mas ao início, como num looping digno dos discos da fase áurea do Black Sabbath.

Ainda vou voltar a ele com a calma que um disco desses exige. Mas, ainda em março, já dá para cravar: o Astral Voyager Vol. 2 estará entre os melhores de 2026. Quando o ano fechar, volto a ele como merece.

Nos vemos lá.

NOTA: 8,5

Tracklist:

1 – Juno
2 – The Nine
3 – The Prophecy
4 – Juggernaut
5 – Pan
6 – Asteroid

 

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