Aerosmith – Rocks [1976]

Aerosmith – Rocks [1976]

Durante nossas férias, ao longo de janeiro e fevereiro de 2026, iremos trazer aqui matérias relacionadas com álbuns/eventos ocorridos em anos terminados com o número 6 (1966, 76, 86, 96, 2006 e 2016). Ao mesmo tempo que rememora essas matérias, aproveite para ouvir nossa Playlist com os Melhores de 2025, escolhidos por nossos consultores. Desejamos à todos um excelente 2026, e após re-calibrarmos nossas energias, voltaremos com novas matérias a partir de março. Forte abraço e obrigado pela leitura e participação de sempre.

Por Fernando Bueno (Publicado originalmente em 6 de junho de 2011)

Hoje em dia, quando falamos no nome Aerosmith, logo vem às nossas cabeças a imagem de Steven Tyler cantando uma das inúmeras baladas mela-cueca que foram gravadas pela banda nesses últimos vinte anos. É inegável que essas músicas são as principais responsáveis pela popularidade do quinteto, principalmente aqui no Brasil, depois do lançamento de Get a Grip (1993) e da popular coletânea Big Ones, de 1994. Muita gente, inclusive eu, apenas ficou sabendo da existência do grupo após o lançamento desses dois discos. Essa coletânea, uma das mais vendidas de todos os tempos, foi composta praticamente apenas com as músicas de seus, até então, últimos três álbuns: Permanent Vacation (1987), Pump (1989) e o já citado Get a Grip. Claro que refiro-me à sua edição normal, já que houve um lançamento especial contando com um segundo disco, tornando-a mais abrangente em relação à carreira do Aerosmith. Desse modo, para quem conheceu a banda naquela época, a impressão que se tinha era a de que o grupo era relativamente novo.

Aerosmith em 1976: Steven Tyler, Joe Perry, Brad Whitford, Tom Hamilton, Joey Kramer.

Com o enorme sucesso das canções “Crying” e “Crazy”, presentes em Get a Grip, a banda percebeu que o nicho representado pelas baladas era rentável e baseou a sequência de sua carreira nesse tipo de música. Outras bandas na época fizeram o mesmo, como é o caso do Bon Jovi. Já disse em uma matéria a respeito das baladas que o fato de canções mais românticas normalmente caírem no gosto das garotas fazia com que os rapazes se afastassem desse tipo de música. O mesmo aconteceu comigo. Sempre adorei os discos já citados, mas acabei perdendo o interesse em conhecer o resto da carreira da banda, mesmo depois de saber que eles não eram mais um fruto da década de 80 e sim de muito tempo atrás, da prolífica década de 70.

Steven Tyler na época de Rocks.

O Aerosmith é citado como influência de dez entre dez bandas que praticam todos os subestilos daquilo que se convencionou chamar de hard rock. Bandas como Guns n’ Roses e Skid Row nunca esconderam sua admiração pela banda e o próprio Slash sempre se apresentou com um visual muito parecido ao de Joe Perry.

Uma das coisas que mais impressiona quando nos aprofundamos na carreira do Aerosmith é o fato de ser uma das únicas a manter a formação original desde o primeiro disco, lançado em 1973. Porém, é preciso citar o disco Rock in a Hard Place (1982), que foi o único que não contou com os dois guitarristas  originais, Joe Perry e Brad Whitford. A saber, completam a banda o baixista Tom Hamilton e o baterista Joey Kramer, além, é claro, do jurado cheio de botox do programa American Idol, o super astro Steven Tyler.

Os jurados da última edição do programa American Idol: Steven Tyler, Jennifer Lopez e Randy Jackson.

Quem já conhece o álbum Rocks, lançado em 1976, tem ideia do que será dito nas próximas linhas. Trata-se do quarto disco de estúdio do Aerosmith, ganhador de diversos discos de platina e sequência de um álbum que também teve muito sucesso, Toys in the Attic (1975). Muitas vezes estive na iminência de adquirir esse álbum, mas, como escrevi acima, não tinha muitas esperanças de que ele fosse bom. Até porque, frequentemente, o encontrava com preços promocionais, o que de certa forma poderia significar que o interesse do público em geral também não era muito grande, fato que aumentava minha desconfiança. Claro que existem inúmeros exemplos para contrariar esse tipo de pensamento, mas foi o que aconteceu. No entanto, após a audição do disco, mudei meu pensamento e também meu interesse em relação à banda.

Joe Perry.

“We were doing a lot of drugs by then, but you can hear that whatever we were doing, it wasstill working for us.”
(Joe Perry)

Depois de um tempão sem ouvir Rocks, voltei a retirá-lo da prateleira após o lançamento do livro “Eddie Trunk’s Essential Hard Rock and Heavy Metal”. Para quem não ligou o nome à pessoa, Eddie Trunk é apresentador em uma rádio norte-americana e também é um dos âncoras do programa That Metal Show, veiculado pelo canal VH1. Também li a respeito do álbum na edição especial da Roadie Crew que lista 200 hinos do Heavy Metal e do Classic Rock, editada por Bento Araújo, responsável pela revista Poeira Zine. Nessa última publicação, Bento Araújo incluiu “Lick and a Promisse” entre os 200 selecionados e comentou o fato de que Slash, ex-guitarrista do Guns n’ Roses, sempre alega que Rocks é sua cartilha musical. Já Eddie Trunk colocou o disco, junto a Toys in the Attic, como os melhores lançamentos do quinteto. Devido à minha memória afetiva, não tenho como considerá-los dessa forma, mas é inegável que são excelentes discos, dignos de figurar na prateleira de qualquer amante de rock.

O álbum inicia com “Back in the Saddle”, que apresenta a voz raivosa de Steven Tyler, além de Joe Perry tocando um baixo de seis cordas. É curiosa essa troca de funções nesse que é talvez o disco mais experimental do Aerosmith, já que Tom Hamilton toca a guitarra e Perry faz as vezes de baixista em “Sick As a Dog”. Para corroborar essa questão da experimentação também é preciso citar o uso de loops de fitas em “Rats in the Cellar”.  Há também o vocal de Joe Perry acompanhando durante toda a extensão da faixa em “Combination”. Ao vivo existem vídeos de Perry cantando sozinho a canção inclusive com Steven Tyler nas baquetas.

Anúncio oficial de Rocks que saiu em jornais e revistas da época.

Last Child” traz um riff memorável e apresenta um groove certamente muito influenciado pelo funk, que experimentava enorme sucesso na época. Whitford também apresenta um ótimo solo nessa faixa, contrariando a idéia dele constituir apenas um guitarrista base. Talvez o maior destaque do disco seja “Nobody’s Fault”, uma das mais pesadas músicas da carreira do quinteto, que já foi regravada por muitas outras bandas (Testament, Vince Neil, L.A. Guns…). Joey Kramer já afirmou que essa canção traz o melhor trabalho de bateria de sua carreira.

O álbum como um todo é enérgico e, principalmente, bastante cru. Sinto falta de um pouco mais de peso a fim de realçar algumas músicas, mas temos que lembrar que a sonoridade praticada pelo Aerosmith aproximava-se da linha executada por Rolling Stones e Yardbirds, que não tinham o peso como uma de suas principais caraterísticas. Imaginem “Last Child” com timbres de baixo e guitarra mais pesados. Seria ótimo!

Foi na época de Rocks que a dupla Tyler/Perry ganhou a alcunha de toxic twins, devido ao enorme consumo de drogas realizado pela dupla. Esse álbum deve ser ouvido com carinho. Para os que, como eu, têm uma certa aversão ao Aerosmith devido ao excesso de mel presente nos últimos lançamentos, digo que vale a pena dar uma chance à carreira setentista da banda. Para os que já o conhecem, mas não o consideram um bom álbum, sugiro que dêem a ele mais uma chance. E para aqueles que já gostam do disco, que esse artigo sirva como um estímulo para ouvi-lo novamente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.