The Doors – Live At London Fog 1966 [2016]
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Durante nossas férias, ao longo de janeiro e fevereiro de 2026, iremos trazer aqui matérias relacionadas com álbuns/eventos ocorridos em anos terminados com o número 6 (1966, 76, 86, 96, 2006 e 2016). Ao mesmo tempo que rememora essas matérias, aproveite para ouvir nossa Playlist com os Melhores de 2025, escolhidos por nossos consultores. Desejamos à todos um excelente 2026, e após re-calibrarmos nossas energias, voltaremos com novas matérias a partir de março. Forte abraço e obrigado pela leitura e participação de sempre.
Por Micael Machado (Publicado originalmente em 18 de dezembro de 2020)
Considerado o mais antigo registro do The Doors sobre um palco, o disco Live at London Fog 1966 foi lançado em 2016 para coincidir com as celebrações pelos 50 anos da estreia fonográfica da banda, em uma luxuosa (e limitada) embalagem contendo um vinil de 10″, um CD e vários itens de memorabilia do grupo, sendo que apenas em 2019 foi receber uma nova edição, desta vez em um CD digipack, com um encarte mais simples do que o original e sem os “mimos” da caixa anterior (além, claro, das hoje obrigatórias plataformas digitais). Gravado em maio de 1966 no bar de Los Angeles que lhe dá nome, pelo espectador Nettie Peña, que declara no encarte ser amigo de Jim Morrison (vocais) e Ray Manzarek (teclado e vocais – se alguém ainda não sabe, completavam o grupo o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore) desde os tempos da faculdade de cinema (Peña também foi responsável pelas fotos que aparecem no encarte), o álbum mostra, em pouco mais de trinta minutos, um grupo ainda embrionário, se adaptando ao palco (a estreia da banda no local havia sido em fevereiro daquele ano), e longe do “monstro” que se tornaria apenas poucos meses depois.
Curiosamente, nenhuma faixa do autointitulado primeiro álbum (lançado em janeiro de 1967) aparece no repertório, embora Peña escreva no encarte que chegou a gravar, em uma fita de rolo diferente da que deu origem a este disco, uma versão de quinze minutos “épica” para “The End”, considerada por ele “absolutamente genial”, e John Densmore tenha dito em uma entrevista à revista Billboard quando do lançamento de Live at London Fog 1966 que “o que se ouve no disco é apenas metade da apresentação daquela noite”, e que, certamente, uma versão inicial de “Light My Fire” teria sido executada naquele show. Das sete faixas do disco (duas outras são “ajustes de equipamentos” e conversas entre os músicos no intervalo das canções), cinco são covers para standards do blues como “Baby, Please Don’t Go”, de Joe Williams, e “I’m Your Hoochie Coochie Man“, de Willie Dixon (esta com Ray Manzarek no vocal principal e Jim na harmônica), e apenas duas são originais dos conjunto, versões embrionárias para “Strange Days“, que seria a faixa título do segundo registro do quarteto, e “You Make Me Real“, que, curiosamente, só receberia uma versão oficial de estúdio em 1970, no álbum Morrison Hotel.

O The Doors surge ainda “verde” nestas gravações, embora o trio instrumental já demonstre o entrosamento e a força que conquistariam milhares de fãs ao longo da curta trajetória do conjunto, e Morrison apareça cantando em um tom um pouco mais agudo que o normal, ainda não apresentando o vocal de barítono que arrebatou multidões antes e depois de sua precoce morte. A gravação está em um nível bastante aceitável, sendo muito melhor que a de um bootleg “comum”, mas longe da qualidade de outros registros oficias do grupo disponíveis por aí (e, claramente, não era esta a intenção de Peña quando fez as gravações), e certamente irão agradar aos fãs do grupo que tiverem acesso ao CD.
E parece ser para estes já convertidos devotos de Morrison e companhia que o álbum é indicado. Aqueles que, porventura, não estejam tão familiarizados com a obra do conjunto, não encontrarão aqui a melhor porta de entrada para a sonoridade do grupo. Já os fãs de longa data certamente terão muito a aproveitar aqui, pela possibilidade de conferirem o quarteto em um estágio ainda inicial, mesmo há poucos meses do lançamento de sua autointitulada estreia (que o transformaria em um dos maiores expoentes musicais da história), demonstrando mais uma vez que poucos gênios nascem prontos, e a maioria, como é o caso aqui, precisa de um período de aperfeiçoamento e evolução para atingir o seu máximo. É exatamente neste período embrionário que Live at London Fog 1966 foi registrado, e o resultado é, após a audição, bastante satisfatório. Confiram!

Track List:
Lado A
1. Tuning (I)
2. Rock Me Baby
3. Baby, Please Don’t Go
4. You Make Me Real
Lado B
1. Tuning (II)
2. Don’t Fight It
3. I’m Your Hoochie Coochie Man
4. Strange Days
5. Lucille

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