Melhores de 2025: Por André Kaminski

Melhores de 2025: Por André Kaminski

Por André Kaminski

Este ano de 2025 teve de fato muitos bons lançamentos, porém, não das bandas grandes ou mais conhecidas. Sei que algumas lançaram discos, mas apenas uma dessas consideradas “medalhões” entrou na minha lista. Como tem ocorrido nos últimos anos, projetos novos, bandas novas ou cantores menores é o que tem dominado o mercado do rock e do heavy metal em termos de quantidade (e ousaria dizer de qualidade também). Mas é aquele negócio, você precisa ir atrás ao invés de esperar que a banda pulule na sua rádio favorita ou surja nas telas de seu celular para ouvir novos trabalhos. Esta lista representa aquilo que curti mais deste último ano, com a maioria dos nomes sendo bem pouco citados ou ausentes na maioria das listas particulares, mas que me agradaram bastante.

Faltou muitos discos ainda para ouvir desses últimos 4 anos, em que tivemos muitos lançamentos. Mas um dia creio que consiga ouvir uma boa parte. Eu sempre reservo meu tempo para ouvir clássicos e novidades ou coisas que deixei passar na época. Um dia conseguirei dar conta.


Lars Fredrik Frøislie – Gamle Mester

Tecladista do Wobbler, este músico lança seu segundo álbum solo apostando em um prog sinfônico com alguns poucos vocais em norueguês, sua língua materna, e algumas boas doses de música folclórica europeia, me fazendo sentir estar ouvindo uma mescla dos primeiros discos do Yes com Aqualung e Minstrel in the Gallery do Jethro Tull. Um disco muito prog sinfônico setentista, com os mesmos cacoetes de teclados e sintetizadores comuns daquele período, percebe-se claramente que Lars tem Rick Wakeman como um de seus possíveis ídolos, tamanha a semelhança em termos de arranjos e composições. Que tipos de teclados você acha que tem neste disco? Tem ARP, Minimoog, Hammond, Mellotron, piano elétrico. Além de glockenspiel, flauta transversal e os milhares de tipos de instrumentos que os sintetizadores conseguem emular. Um disco daqueles progs sinfônicos densos e cheios de camadas. Que eu por sinal adorei e cito aqui como meu primeiro colocado. Olha que procurei, mas não o vi ninguém o citando entre suas listas. O que posso resumir dele é que seria o Ian Anderson cantando composições suas arranjadas pelo Yes com teclados comandados por Rick Wakeman em sua melhor fase. Se você gosta de todos os que citei, deve ir imediatamente atrás deste álbum.


Tower – Let There Be Dark

Esta é uma banda norte americana que lançou este ano seu terceiro disco Let There Be Dark. É um heavy metal tradicional com vocais femininos que lançou um álbum bem marcante, músicas fortes e riffs de guitarra com ótimo peso e velocidade. Músicas como “And I Cry” e “The Hammer” me fazem lembrar de ótimos momentos ouvindo os álbuns de bandas como Shadowside e Vandroya.


Valentine Wolfe – Tales from the Dream Witch

Este é um duo de músicos da Carolina do Sul, dos Estados Unidos. Sarah Black é a vocalista e tecladista e Braxton Bellew é o baixista. Suas temáticas envolvem um gothic metal invocando cenários medievais, música de câmara e misturas com sons eletrônicos dando também uma ambientação perfeita para um cenário steampunk. Um belo achado e a voz de Sarah Black me encantou.


Cheap Trick – All Washed Up

Uma das poucas bandas mais conhecidas, então vamos economizar nas apresentações porque o Cheap Trick é uma daquelas bandas cheias de clássicos do rock e que aqui nos brinda com mais algumas ótimas canções. É aquele classic rock com uma tipagem mais moderna mas ainda assim muito boa, e músicas como “A Long Way to Worcester” e “Twelve Gates” te transportam para aqueles tempos em que você estava conhecendo bandas como The Rolling Stones, Styx, Foghat e similares. Rock dos bons, básico, simples, encantador. Aliás, impressionante que mesmo aos 72 anos, Robin Zander ainda canta como um garoto.


Tick – 15

O prêmio de melhor disco stoner metal/rock do ano vai para os alagoanos do Tick. É aquele instrumental pesado e meio arrastado com guitarras soltando riffs mais lentos e carregados enquanto Caique Guimarães surra com força sua bateria. Mesclando letras em português e inglês, Henrique Belo o vocalista e guitarrista canta as vezes variando daquele arrastado típico de Kurt Cobain para uns drives mais extremos próximos do melodeath. Um disco com o rótulo de stoner normalmente traz uma implicação de álbum apenas lento, mas não é o que os caras fazem aqui. Há uma variação rítmica grande entre o arrastado e canções com velocidade maior. Aplaudo o trio (Wagner Lamenha é o baixista), os caras lançaram um discaço neste 2025.


Abeyance – Introspective Crusades

Banda nova italiana que lança seu primeiro trabalho tocando um metalcore/melodic death metal em alto nível e que se destacou entre as minhas audições de metal extremo deste ano. O instrumental conta com várias mudanças rítmicas, notas diferenciadas e influências tanto do black metal quanto do death e do thrash, mantendo um certo frescor nas composições que várias bandas italianas são conhecidas por fazerem. Uma das coisas que eu percebi e que os caras confirmaram nos comentários do youtube, foi que a produção tentou soar um pouco mais orgânica tentando evitar as wall of sounds e as loudness wars. Para o pessoal mais moderno o disco parece soar mais baixo, mas isso fez com que a bateria e as guitarras apresentem mais dinâmica. Coisas que aliás, muito aprecio.


Cardiacs – LSD

Uma banda até conhecida lá fora, mas que no Brasil particularmente eu não sei de ninguém que a acompanhe até o momento. Os britânicos do Cardiacs existem desde os anos 80, contemporâneos do Marillion, e apresentam uma faceta do rock progressivo também pouco explorada: uma mistura da energia do punk e da new wave com toda a pompa e a instrumentação das sinfônicas setentistas e ainda usassem aqueles tecladinhos tinhosos dos anos 80 que muitos amam ou odeiam. É como se fossem também um Supertramp mais acelerado. Eles lançam este décimo disco 26 anos depois do nono (Guns, de 1999), e como esperado, cheio de músicas progressivas rápidas. Confesso que esse som diferenciado é o que mais me chamou a atenção neste disco e agora pretendo me aprofundar mais na discografia deles.


Nighthawk – Six Three O

Da linha hard rock/AOR do ano, escolhi este Six Three O da banda sueca Nighthawk. Aqui nada de grandes novidades, ou sons surpreendentes, apenas escolhi um ótimo disco hard rock feito por uma banda competente (este já sendo seu quarto disco de estúdio) que demonstram aquelas melodias e solos de guitarra grudentas que os fãs do estilo sempre estão atrás. “Hard Rock Warrior”, “Too Good to You” e o cover da clássica faixa do Rainbow “Man on the Silver Mountain” são o resumo do que o álbum tem de melhor.


Thorns – 60 Cycle Hum

No começo de dezembro, a banda norte americana de groove metal Thorns lançou este seu segundo disco de estúdio. Com uma sonoridade que lembra bastante uma mistura de Pantera com Lamb of God e influências do Sepultura noventista, a banda faz aquele heavy metal grooveado com bastante qualidade e riffs excelentes daqueles que engancham na mente. Uma ótima promessa de banda que espero que ampliem ainda mais seu sucesso no futuro.


Hunger Wish – Mouth of the Altar

Tá aí uma banda que tenho achado difícil de definir o estilo. Parece uma espécie de metal alternativo à la Sleep Token com menos guitarras e mais eletrônico e atmosférico. Outra daquelas bandas que lançam um trabalho na internet mas que quase não se tem informações, sequer achei fotos deles ou de quantos integrantes são. Só sei que são dos Estados Unidos e lançaram um lindo disco deste metal progressivo/alternativo atmosférico.

2 comentários sobre “Melhores de 2025: Por André Kaminski

  1. Boa lista, André, que só me comprova o que você mesmo lança no texto de abertura (e que eu concordo totalmente): “Faltou muitos discos ainda para ouvir desses últimos 4 anos, em que tivemos muitos lançamentos.”… Eu ainda sequer fechei os que tenho aqui anotados de 2024… E enquanto escrevo este comentário, descobri que Peter Gabriel e Steve Hackett lançaram discos em 2025 que eu passei batidos (o mesmo aconteceu, confesso, com esse do Cheap Trick que trouxe)… Da sua lista, só conhecia o ótimo lançamento do Lars Fredrik Frøislie (o “Fire Fortellinger” de 2023 é sensacional também), e me interessei por quase tudo que listou em seus 10 melhores lançamentos, então lá vamos nós em busca desse tempo para, ao menos, descobrirmos novos sons, ao mesmo tempo em que ouço os discos da minha vida pela milésima vez…

    1. Que ótimo Marcelo, espero que encontre nessa lista alguns sons que te agradem. Não creio em nada revolucionário, mas garanto que há qualidade nas recomendações.

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