Por Daniel Benedetti

Blue Murder é o autointitulado álbum de estreia do grupo de origem britânica liderado pelo guitarrista John Sykes. Seu lançamento oficial aconteceu em 24 de abril de 1989, através do selo Geffen Records e a produção ficou a cargo do Bob Rock.

Em 1986, o guitarrista John Sykes foi dispensado do lendário grupo Whitesnake pelo vocalista David Coverdale.

Sykes havia acabado de gravar o álbum homônimo da banda, o qual se tornaria um gigantesco sucesso comercial. Após a demissão, ele retornou para sua casa em Blackpool, na Inglaterra, onde começou a compor canções novamente. Em fevereiro de 1987, Sykes começou a formar um novo conjunto. O lendário baterista Cozy Powell foi o primeiro a se juntar, pois havia tocado com Sykes, no Whitesnake, entre 1984 e 1985. Em seguida, chegariam o baixista Tony Franklin, ex-The Firm, e por último o vocalista Ray Gillen, que já havia sido o vocalista do Black Sabbath por um curto período.

Depois de solidificar sua formação inicial, a banda gravou algumas demos e as enviou para a Geffen Records, com quem Sykes já havia trabalhado como membro do Whitesnake. Antes disso, Sykes havia enviado a Geffen suas primeiras gravações demo, nas quais o próprio John estava nos vocais principais.

Por acaso, o executivo da Geffen, John Kalodner, preferiu os vocais de Sykes aos de Gillen, paralelamente ao fato de que estavam acontecendo divergências sobre a abordagem musical e vocal das músicas entre Ray e John. Eventualmente, Gillen saiu da banda depois de apenas alguns meses. Em meados de 1987, o grupo assinou contrato com a Geffen Records, mas quando começaram a procurar um novo vocalista, Cozy Powell também saiu do conjunto abruptamente para se juntar ao Black Sabbath, pois estava frustrado com o lento progresso da banda.

A banda foi abordada pelo baterista Carmine Appice, que já havia tocado com Rod Stewart, Vanilla Fudge e King Kobra, entre outros. Também na disputa pela vaga estava o ex-baterista do Journey e ex-colega de banda de Sykes no Whitesnake, Aynsley Dunbar, mas no final o trabalho ficou mesmo com Appice.

No início de 1988, o ex-vocalista do Black Sabbath, Tony Martin, foi escolhido como o novo ‘frontman’ da banda, mas quando eles estavam prestes a ir para Vancouver para gravar seu álbum de estreia, Martin acabou desistindo. O resto do grupo decidiu seguir em frente, imaginando que sempre poderiam encontrar um vocalista posteriormente. Incapazes de encontrarem um vocalista, a banda foi para o estúdio como um ‘power trio’, com Sykes nas guitarras e vocais, Appice na bateria e Franklin no baixo.

A banda entrou no Little Mountain Sound Studios, em fevereiro de 1988, para gravar seu álbum de estreia. Bob Rock foi escolhido para produzi-lo, tendo trabalhado anteriormente com Sykes no álbum homônimo do Whitesnake.

Atuando como engenheiro de som estava Mike Fraser, que também mixou o disco. David Donnelly supervisionou o processo de masterização. O tecladista Nik Green também foi convidado para tocar no álbum. Devido aos compromissos já firmados anteriormente pelo Bob Rock com o Bon Jovi e o The Cult, a gravação foi interrompida após seis semanas, o que permitiu que a banda fizesse mais testes com outros vocalistas, entre os quais estavam David Glen Eisley e Derek St. Holmes.

Incapazes de concordarem com um frontman, Sykes acabou sendo persuadido por John Kalodner e pelo resto da banda a assumir o papel de vocalista. Não tendo nenhum tipo de treinamento vocal adequado, Sykes inicialmente lutou para cantar as faixas, mas acabou se adaptando, aproveitando o que aprendeu trabalhando com David Coverdale e com o vocalista do Thin Lizzy, Phil Lynott.

Por sugestão de Franklin, a banda foi nomeada de Blue Murder, em homenagem à expressão britânica “scream blue murder”. O logotipo da banda foi desenhado pela artista gráfica Margo Chase.

O encarte do álbum apresentava fotografias da banda vestida com trajes de pirata. Originalmente, o grupo desejava uma foto simples em preto e branco, mas a Geffen insistiu em fotografar em cores. Quando perguntado por que eles estavam vestidos de piratas, Sykes respondeu brincando: “Você sabe, agora há tantas capas de álbuns com fotos brilhantes de roupas da moda; melhores roupas de piratas então!”

O álbum foi dedicado a Phil Lynott, que havia morrido em 1986. Embora não tenha sido inicialmente planejado, Sykes sentiu que “era a coisa certa a fazer” depois que o álbum foi finalizado. A intenção de Sykes com o Blue Murder era criar um disco mais pesado do que o álbum homônimo do Whitesnake, embora mantivesse um pouco do mesmo groove e da mesma vibe. Em entrevista à revista Metal Shock, Sykes se referiu à música da banda como “funk pesado”.

A música “Billy” foi descrita por Sykes como sua “faixa Thin Lizzy”, com letras inspiradas no filme White Heat, de 1949. A faixa-título do álbum foi caracterizada, por John, como uma “história policial”. Ele também comentou como a música o lembrava mais de seu tempo com o Thin Lizzy. Apesar de ser creditado como compositor em “Valley of the Kings”, Tony Martin afirmou que ele realmente coescreveu uma parte significativa do disco com Sykes, mas não foi creditado.

Não há como negar que a sonoridade do disco gira em torno do Hard Rock norte-americano dos anos 1980s. Também é bem perceptível que a referência é o disco do Whitesnake de 1987, o que fica explícito em canções como “Riot”, “Blue Murder” e “Ptolemy”. Há uma balada, “Out of Love”, mas que carece de mais inspiração. O trabalho instrumental é bastante competente e Sykes está ótimo nas guitarras, mas realmente, um vocalista mais capacitado, daria melhores possibilidades ao disco.

Blue Murder acabou alcançando a 45a posição da principal parada britânica de discos e a 69ª colocação de sua correspondente, a Billboard 200. Para promover o disco, o conjunto embarcou para uma turnê americana, em suporte ao Bon Jovi. Depois, eles se apresentaram em uma turnê tripla com Billy Squier e King’s X. O Blue Murder também tocou em várias datas nos Estados Unidos e no Japão. Devido a problemas de gerenciamento não especificados, uma turnê européia nunca se materializou.

O sucesso de Blue Murder ficou aquém das expectativas, já que as vendas de seu álbum de estreia decepcionaram tanto a banda quanto a gravadora. Sykes sentiu que a Geffen não promoveu adequadamente o grupo e também especulou que o peso do disco e a falta de um single de sucesso contribuíram para o seu fracasso. John Kalodner sentiu que o fracasso do Blue Murder se resumia ao fato de John Sykes não ser um frontman forte o suficiente.

Em 1993, sairia o segundo álbum de estúdio da banda, Nothin’ But Trouble.

Faixas:

  1. Riot
  2. Sex Child
  3. Valley of the Kings
  4. Jelly Roll
  5. Blue Murder
  6. Out of Love
  7. Billy
  8. Ptolemy
  9. Black-Hearted Woman

2 comentários

  1. Marcello

    Ótimo disco, pena que não foi muito bem sucedido. Foi um dos que mais demorei tempo para conseguir; nunca vi o LP original e só fui comprar o CD mais de vinte anos depois de seu lançamento. Acho que John Sykes se saiu muito bem como frontman, cantando surpreendentemente bem; o talento na guitarra e como compositor já eram bem conhecidos. Quanto a Franklin e Carmine Appice, nada a dizer – dois excelentes músicos. Mas o disco, para mim, comercialmente não se define bem, porque é polido demais para atrair o público de metal e pesado demais para o hard mais comercial. Nunca ouvi o segundo disco – tenho que ir atrás.

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    • Daniel Benedetti

      Eu também não ouvi o Nothin’ But Trouble, mas eu realmente penso que um vocalista mais tarimbado poderia ter ampliado as possibilidades comerciais do disco, mesmo que o Sykes não tenha se saído exatamente mal, para mim, seu vocal soa unidimensional. Saudações!

      Responder

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