Por Davi Pascale

1991 foi um ano em que o hard rock nos brindou com grandes lançamentos. Foi o ano em que o Skid Row lançou o empolgante Slave To The Grind. Foi o ano em que o Mr. Big roubou a cena com Lean Into It. E também foi o ano em que o Baby Animals lançou seu álbum de estreia. Disco que, na época, ouvi tanto quanto os citados, mas que parece não ser tão popular entre os rockers daqui do Brasil. Aposto que muitos de vocês devem estar se perguntando: “quem diabos é Baby Animals”? Aposto que alguns estejam relacionando o nome por terem lido sobre a cantora ter sido casada com Nuno Bittencourt (Extreme). A verdade é que esse é um dos grandes álbuns dos anos 90. E foi isso que me motivou à escrever sobre ele. Vamos lá…

Bem… Para entender o início do grupo, é preciso comentar um pouco da trajetória de sua cantora. Suze DeMarchi. nasceu em 14 de Fevereiro de 1964, em Perth, Australia. É a caçula da família. Seus irmãos mais velhos, já eram ligados em música e foi assim que entrou nesse universo. Em entrevista ao site RockWired, Suze relembrou sobre seu primeiro contato com o rock. “Foi através da coleção de discos dos meus irmãos. Eram tudo de heavy metal e do Abba. É meio estranho ter todos aqueles discos de metal, e então… Abba”.

A garota ficou encantada e passou a se dedicar a conhecer mais sobre aqueles artistas, mas não pensava ainda em ter uma banda. A primeira oportunidade foi surgir apenas em 1981, aos 17 anos. Sua primeira banda foi um grupo local chamado Photoplay. “Fiz um teste, consegui a vaga, mas até acontecer o primeiro show, não tinha a menor noção de onde estava me metendo”.

 

Capa do single de “Rush You”.

A artista pegou gosto pela coisa e depois de 4 anos tocando com diversas bandas locais, resolveu jogar tudo para o alto e se mudar para Londres, onde acabou assinando um contrato com a gravadora EMI. Nesse período, alguns singles foram lançados, as músicas tiveram um relativo sucesso, mas ela não estava feliz. A gravadora insistia para que gravasse canções pop. Não era o que queria fazer. Também sentia falta de ser parte de uma banda. Ao longo dos anos, a cantora já declarou inúmeras vezes que se considera uma cantora de banda, que nunca gostou de suas experiências solo. Depois de conversar com o empresário John Woodruff, a moça decidiu jogar tudo para o alto, mais uma vez, e recomeçar do zero. Retornou para a Austrália e decidiu que iria criar uma banda de rock. E assim foi…

“Eu conheci o Frank Celenza (baterista), na cena musical de Perth anos antes, quando estava começando. Quando retornei à Australia, foi a primeira pessoa que convidei, e ele sugeriu esse cara, Eddie Parise, que tocava baixo. Uma vez que tínhamos ele, começamos a fazer testes com um punhado de guitarristas até que encontramos Dave Leslie”. Pronto. Estava formado o Baby Animals.

A primeira apresentação do grupo ocorreu em Novembro de 1989, no Kardomah Café, em Sidney, ainda sob o nome de Woody´s Heroes. A criação do nome Baby Animals é incerta. Há diferentes versões sobre sua origem. Cansados de sempre responderem as mesmas perguntas, os músicos começaram a contar diferentes histórias. É impossível saber qual é a verdadeira. Uma delas diz que a ideia surgiu após assistirem o comercial de um programa de TV local: “Wheels of Fortune”, apresentado por Baby John Burgess. Outra versão diz que a ideia surgiu após verem um calendário em uma loja. Enfim, não há como saber.

 

Banda em ação.

 

A única certeza é que em Agosto de 1990, a banda assinou um contrato com a SBK Songs, selo liderado por Terry Ellis, presidente da Imago Recording Company. O empresário foi conferir um show da banda, gostou do grupo, gostou das composições e enxergou em Suze DeMarchi uma estrela. Contrato assinado. O próximo passa era gravar um disco.

As gravações ocorreram em Nova Iorque. Por trás da mesa de som, estavam Kevin Shirley (Aerosmith, Journey, Rush) e Mike Chapman (Blondie, Suzi Quatro, Tina Turner). Esse último, embora extremamente respeitado, sempre teve a fama de ser o pesadelo dos artistas. “Ele é quem comanda. Eu meio que gosto disso. Ele te faz trabalhar pesado. Faz você abaixar a cabeça e tira o que há de melhor em você”. Apesar da reclamação de inúmeros artistas, Suze demonstra admiração pelo produtor. “Ele é bom em encontrar ganchos na composição, essas coisas, mas ele faz você fazer o seu melhor. Lembro que nós fizemos vários takes. Adorei trabalhar com Mike, foi ótimo. Aprendi muito com ele”.

O álbum, auto-intitulado, chegou às lojas em 2 de Setembro de 1991 e gerou 5 singles. O primeiro foi “Early Warning”. Rock n´ roll com riffs ganchudos e um vocal poderoso de Suze. Na sequencia foi a vez de “Rush You”. Essa foi a música que me fez comprar o disco, na época, e ainda é minha favorita. Nessa, os destaques vão para a bateria empolgante de Frank Celenza, além do refrão memorável. Depois, foi a vez de “Painless”, uma balada simpática que conta com uma linha vocal que remete bastante à Chrissie Hynde (Pretenders).

 

Cantora na capa da Rolling Stone

 

O quarto single ficou por conta de “One Word”, faixa que conta com uma pegada mais pop rock. E, embora tenha se tornado o maior hit do grupo, a música nunca agradou a cantora. Boatos indicam que ela implorou ao produtor para que a canção não entrasse no disco. Em entrevista à Rolling Stone, declarou: “A demo era uma música country ruim. Ela acabou tomando forma na pré-produção, mas ainda não morro de amores”. O último single ficou por conta de “Ain´t Gonna Get”, a faixa com arranjo mais direto e uma das mais pesadinhas do disco. Contudo, devo reconhecer que não está entre minhas favoritas.

Dos lados B, gosto muito de “Working For The Enemy”, “One Too Many” (ambas com excelentes riffs de guitarra e trabalhos vocais impactantes), além da suingada “Big Time Friends”. O álbum de estreia do Baby Animals possui algumas canções com acento pop, mas sua sonoridade é essencialmente hard rock. O disco apresenta tudo o que gênero pede: guitarra bem trabalhada, uma bela cantora (aqui, em ambos os sentidos da expressão) e faixas fortes e divertidas. Se você curte o gênero, vá sem medo.

 

Faixas:

  • Rush You
  • Early Warning
  • Painless
  • Make It End
  • Big Time Friends
  • Working For The Enemy
  • One Word
  • Break My Heart
  • Waste of Time
  • One Too Many
  • Ain´t Gonna Get

3 comentários

  1. Lucas Matos

    Tambem sempre achei que o disco/banda nunca foram reconhecidos com o devido respeito no Bréziw!

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  2. CLEIBSOM CARLOS ALVES CABRAL

    Que disquinho xexelento, PQP!!!!!!!!!!!!!!!!Cansado e repleto de clichês, este disco não tinha sentido 30 anos atrás e hoje então nem se fala. BABY ANIMALS parece feito por uma agência de publicidade ou, para usarmos uma definição moderna, por algoritmos…Tudo é tão calculado e fake que parece ter como única intenção o bolso traseiro de seu público alvo, pessoas não muito exigentes que querem ouvir um rock inofensivo, seguro e saudável.

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