Por João Renato Alves (Publicado originalmente no site Van do Halen)

Ele foi jogado em uma armadilha logo de saída. Sobreviveu ao julgamento e, embora nunca tenha alcançado o sucesso, construiu uma discografia de respeito no Hard/Heavy. Hoje, David Reece é o homenageado do quadro.

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Accept – Eat The Heat [1989]
As questões envolvendo a primeira saída de Udo Dirkschneider do Accept foram extremamente polêmicas, já que o fator mercadológico influenciou bastante a decisão. Wolf Hoffmann e companhia queriam se adaptar ao que estava em alta no mercado, incorporando o Hard Rock de vez à fórmula. O resultado pode ser conferido em Eat The Heat, disco que em vários momentos se distancia bastante do que poderíamos esperar da marca Accept. A produção foi de Dieter Dierks, que já havia trabalhado com a banda nos clássicos Balls To The Wall e Metal Heart, além do extenso currículo junto aos conterrâneos do Scorpions. A americanização fica clara, em tentativas de se adaptar ao que fazia sucesso àquela altura dos acontecimentos. Por isso, se você conversar com qualquer admirador ferrenho pode ouvir críticas duras ao trabalho. Mas, diferenças à parte, podemos encontrar grandes momentos durante a audição. A tentativa de adaptação ao mercado falhou miseravelmente, com uma modesta 139ª posição na parada yankee. A turnê também não teve grandes momentos, com a banda tocando em lugares menores que o usual. Mas com o tempo, o trabalho passou a ser compreendido e ganhou status de ‘cult’. Porém, já era tarde para o vocalista, que levou um pé no traseiro.
David Reece (vocals), Wolf Hoffmann (guitarras), Jim Stacey (guitarras), Peter Baltes (baixo), Stefan Kaufmann (bateria)
2. Generation Clash
3. Chain Reaction
5. Turn the Wheel
6. Hellhammer
7. Prisoner
8. I Can’t Believe in You
9. Mistreated
11. Break the Ice
12. D-Train

on-target-53fa5696e14adBangalore Choir – On Target [1992]
Digo sem medo de errar, este é um dos melhores discos de Hard Rock que ninguém conhece (o ninguém, obviamente, é força de expressão). Mas o caso é que, após ter fracassado no Accept, onde lançouEat the Heat, David Reece resolveu assumir sua postura Hard de vez. Para isso juntou-se aos guitarristas do Razormaid, Curt Mitchell e John Kirk com o objetivo de fazer um trabalho explicitando suas raízes. Para completar a formação, chamaram a cozinha do Hericane Alice, outro ótimo grupo que não teve chance de alcançar o sucesso. Com Ian Mayo no baixo e Jackie Ramos na bateria, estava completo o line-up para a gravação do debut. Com grande investimento da gravadora, chamaram um time de estrelas para ajudar na empreitada. Na produção, Max Norman, responsável pelos primeiros discos solo de Ozzy Osbourne e vários clássicos do Megadeth, só para ficar nos mais conhecidos. No trabalho de composição, ninguém menos que a dupla Jon Bon Jovi e Aldo Nova. Com uma galera dessas e uma banda de feras, o álbum não poderia ser menos que maravilhoso. É Hard Rock puro, com toda a força de clássicos do gênero, embora não tenha atingido o mesmo êxito. David está em seu melhor momento, com uma performance que vai de David Coverdale a Steven Tyler, que, não à toa, são suas maiores influências. Impossível destacar alguma faixa, pois todas são absurdamente boas!
David Reece (vocals), Curt Mitchell (guitarras), John Kirk (guitarras), Ian Mayo (baixo), Jackie Ramos (bateria)
1. Angel in Black
3. If the Good Die Young (We’ll Live Forever)
4. Doin’ the Dance
6. All or Nothin’
7. Slippin’ Away
8. She Can’t Stop
10. Just One Night

DR3
Sircle Of Silence – Sircle Of Silence [1994]
(por Igor Miranda)
O Sircle Of Silence deve ser a surpresa mais agradável dessa lista. É difícil de acreditar, mas o cara que transformou o Accept em Hard farofa liderou uma potente banda de Heavy Metal a partir de 1993. David Reece era acompanhado pelo guitarrista Larry Farkas (Vengeance Rising), pelo baixista Chris Colovas (Masi) e pelo baterista Jay Schellen (Hurricane, Unruly Child) nesse projeto, que, apesar de seu cunho cristão, é totalmente pauleira. Nesse debut, auto-intitulado, a influência de Judas Priest – principalmente na voz de Reece – é notável. O instrumental, muito bem trabalhado, reforça a ideia de uma banda metálica e muito bem resolvida em relação a sua sonoridade. Riffs pesados, ganchos melódicos fora do clichê, boas letras e muitos outros aspectos atrativos corroboram para a excelência desse disco. O Sircle Of Silence durou para mais um disco, o também ótimo sucessor Suicide Candyman, mas se desmanchou em 1995.
David Reece (vocal), Larry Farkas (guitarra), Chris Colovas (baixo), Jay Schellen (bateria)
1. Color Blind
2. Talk To Myself
4. Pieces of a Fallin’ Star
5. Craving
6. Angels Cryin
7. Death By a Word
9. Landslide
11. Words Get Lost
12. Slow Burn

DR4
Gypsy Rose – Another World [2008]
Após uma série de problemas pessoais – dos quais os leitores já devem imaginar a natureza – que o afastaram da cena, David Reece foi resgatado pela gravadora inglesa Escape Records, sendo indicado à banda sueca Gypsy Rose. Essa busca acabou gerando uma conexão artística revigorada do vocalista com o guitarrista e produtor Martin Kronlund, que não parou por aqui, como veremos logo a seguir. Another World é o segundo lançamento do projeto, promovendo uma bela mistura das escolas norte-americana e europeia do Hard/Heavy. O álbum traz vários destaques, mostrando-se bem linear. A espetacular “Final Call” mostra toda sua força em um belo riff, assim como a dramática e bela “Nothing Really Matters”, um exemplo de som acessível e denso. Da mesma forma “When I Call Your Name” emociona, com seu estilo mais que intimista. Ainda há espaço para uma regravação de “Hellhammer”, de Eat The Heat. Através desse álbum David Reece pôde ser observado por uma nova geração, além de resgatar adeptos de gerações anteriores com classe.
David Reece (vocals), Martin Kronlund (guitarras), Mats Bostedt (baixo), Imre Daun (bateria), Rikard Quist (teclados)
1. Don’t Look Back
2. Fired
3. Another World
4. Angels
6. All the Way to the Sun
7. Final Call
8. A Little Ain’t Enough
9. A Million Miles
10. When I Call Your Name
11. Higher
12. Liar

DR5
Reece-Kronlund – Solid [2011]
Realmente a parceria com Martin Kronlund (Salute, Dogface, Gypsy Rose) fez muito bem à carreira de Reece. Solid contém todos os elementos que fizeram a festa dos fãs em seus mais recentes trabalhos. Portanto, quem aprovou Cadence e Metaphor, do Bangalore Choir, vai encontrar algo muito semelhante em termos de sonoridade – talvez com um “tempero” mais europeu aqui e acolá. Aqui, Martin não cuida apenas da guitarra e produção, assumindo também baixo e teclado. E o clima mais intimista parece ter colaborado com o resultado final. Nesse álbum, David se aproximou do lado mais Heavy e, ao mesmo tempo, do mais Pop de sua faceta musical. E a receita deu certo, criando um play fácil de se escutar sem perder o peso tão bem-vindo. Martin Kronlund também se supera, mostrando toda sua competência instrumental e oferecendo uma produção redondinha, sem exageros nem atropelos. Disco recomendadíssimo, não apenas para os admiradores como para quem deseja ter uma referência do cantor.
David Reece (vocals), Martin Kronlund (guitarras, baixo, teclados), Hans Zandt (bateria)
1. My Angel Wears White
4. Animals And Cannibals
5. Remember You
6. Paint The Mirror Black
7. I Would
8. Edge Of Heaven
10. The Dead Shall Walk The Earth
dave

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