Ao final de mais um giro ao redor de nossa estrela chega o momento de montar a tradicional lista dos álbuns que mais nos impressionaram. Nesse ano acredito que apesar de não ter ouvido tanta coisa quanto no ano passado com certeza ouvi mais variedade de estilos. O findado 2021 veio com muitas promessas (Iron Maiden, Helloween, KK’s Priest, Dream Theater, Exodus, etc), mas confesso que me decepcionei um pouco com os gigantes da cena mundial, não que sejam trabalhos ruins … talvez eu tenha criado uma expectativa grande demais. Com esse sentimento outros trabalhos muito bons superaram os mestres, segue minha lista:


1. The Vintage Caravan – Monuments

Aposta da Napalm Records para esse 2021 que se foi os islandeses lançaram seu 5° álbum de inéditas, o ótimo Monuments. O álbum mostra uma banda muito concisa e alinhada e é o que chamou mais minha atenção: o conjunto. Músicas como “Whispers”, “Crystallized”, “Can’t get You Off My Mind” ou “Hell” possuem o feeling do Hard Rock dos anos 1970, tal qual as longas “Forgotten” e “Clarity” (perfeita). Ainda ressalto a bonita “This One’s for You” que é de arrepiar e lacrimejar os olhos. É um Hard Rock com pitadas leves de psicodelia e de passagens progressivas aqui e ali. É possível dar uma viajada legal ouvindo o disco, muito bom mesmo. Curiosamente, novamente menciono uma banda da Islândia.


2. Greta Van Fleet – The Battle at the Garden’s Gate

Os caras estão se consagrando! Não tem muito que discutir se copiam, se inovam, os ‘ses’ não importam mais. O fato é que a banda está a cada dia, a cada álbum mais e mais intensa apresentando muita qualidade e capacidade de nos cativar. Não coloquei em primeiro por detalhe, mas poderia facilmente estar lá. Acredito que vale a pena destacar o instrumental da banda, pois, a qualidade é muito alta, a criatividade dos arranjos é fantástica e muitas vezes são minimizados perante o vocalista Josh Kiszka que não decepciona e merece o reconhecimento que tem. Músicas como “Age of Machine”, ‘Tears of Rain”, “Stardust Chords” e as baladas “Broken Bells” e “Light My Love” beiram a perfeição, pelo andar da carruagem vai faltar espaço pra tanta música boa desses caras. Metallica deveria abrir para eles e não o contrário.


3. Abraskadabra – Make Yourself at Home

Meu plot twist! Eu não sou um grande conhecedor de Ska ou de Punk Rock, já tive meus momentos, mas atualmente apenas revivo algumas coisas do passado. Porém, uma banda que conheci num show do Raimundos (2008) e que, posteriormente, descobri que era da minha cidade (Curitiba), me chamou muita atenção nesse ano com seu novo trabalho. A piazada do Abraskadabra lançaram Make Yoursef at Home e, meus caros, que álbum bom! É de ouvir do começo ao fim. Possui músicas mais na pegada do Punk Rock californiano para depois voltar ao Ska com belas passagens dos metais. Algumas são mais animadas outras mais sérias em suas letras, como a ótima Cattle Life, e até uma ‘balada’ como a bonita “You Shine Girl”. Surpresa do ano e medalha de bronze pra eles.


4. Nervosa – Perpetual Chaos

Da famosa série: “bandas que deveriam/poderiam mudar de nome” apresentamos a nova Nervosa. Após os rumos de Prika Amaral seguirem para um lado e de Luana Dametto e Fernanda Lira para outro o saldo que fica é positivo com a ótima Crypta (belo debut, aliás) e essa revolucionada Nervosa. O primeiro disco dessa formação veio avassalador, as ideias que Prika tinha para a banda foram, ao que tudo indica, muito bem traduzidas pelas novas integrantes. Aliás daria um baita texto falar mais sobre as competências dessas mulheres, faço questão de citar: Diva Satânica (vocalista), Mia Walace (baixista) e Eleni Nota (bateria)! Perpetual Chaos chegou como um dos melhores álbuns do ano e reafirma a posição de destaque da Nervosa no cenário internacional. Será que ainda é possível dizer que é uma banda brasileira? Whatever.


5. Mastodon – Hushed and Grim

Um dos lançamentos mais esperados do ano e que não decepcionou foi Hushed and Grim do Mastodon. O material é de primeiríssima e mostra como esses caras possuem um repertório variado. Esse álbum especialmente possui um ar sombrio e hipnótico, ao que tudo indica tem relação com perdas pelas quais os membros da banda passaram nos últimos tempos. É daqueles para sentar e ouvir com calma para não perder nenhum detalhe. Confesso que ainda preciso ouvir os trabalhos anteriores com mais tempo, porém esse aqui realmente merece um lugar nesse top 10.


6. Edu Falaschi – Vera Cruz

Bom, acredito que na resenha que escrevi deixo bem clara as minhas opiniões sobre esse baita álbum. Sem perder tempo, é uma satisfação ouvir o Edu Falaschi finalmente lançando algo sólido depois de tanto tempo choramingando pra lá e pra cá (desculpa aí Edu, eu sei como é…). Mesmo com os paralelos entre esse material e os que Edu fez com o Angra é possível encontrar bons elementos novos o que deixa um gostinho especial para os próximos. Só pela turnê!


7. Spiritbox – Eternal Blue

A banda do casal Courtney LaPlante (vocalista) e Mike Stringer (guitarra) chegou à 2021 com o ótimo Eternal Blue. É um som que não sei bem onde encaixar dentro do metal, Post Metal (melódico? Existe isso?)…talvez… enfim, é muito interessante, pois, apresenta momentos de peso, gutural, voz rasgada e cheia de expressão para entrar numa nuvem de voz/baixo/dedilhados limpos e trabalhados. Algumas artimanhas eletrônicas aqui e ali aparecem na medida certa, nada contra. Muito legal o som. Ainda em tempo, eu que fui da geração MTV, acho legal comentar do material audiovisual dos canadenses que são muito bem feitos, e, inclusive boa parte de seu público deriva da inserção que a banda possui em diferentes mídias digitais. Cota de “modernosos” preenchida com sucesso.


8. Smith/Kotzen – Smith/Kotzen

Como escrevi no início do texto, esse ano foi cheio de promessas e em minha opinião muitas delas, por mais que apresentem trabalhos dignos, não atingiram minhas expectativas. Aqui temos mais uma das promessas que deu certo! Juntar uma equipe galáctica não significa sucesso garantido, mas nesse caso os dois guitarristas, vizinhos de bairro, conseguiram apresentar um trabalho que empolga e mostra como se faz música de verdade sem soar forçado! Diversão garantida, muito bom.


9. Hitten – Triumph and Tragedy

Você disse Heavy Metal? Você gosta de Hard Rock? Você está cansado do velharedo que nunca se aposenta e estraga a história de suas bandas preferidas? Bom, então corra até seus apps de música ou para o youtube (duvido que ache algo físico fora da Espanha) e busque pelos espanhóis do Hitten. Sem sombra de dúvidas foi a banda mais legal de Heavy ‘n Hard que cruzei nesse ano. Esse 9° lugar é ilusório tal qual a McLaren ter perdido para a Ferrari no mundial de construtores da F1 em 2021. A banda apresenta doses de Mötley Crue, Skid Row, pitadas de Iron Maiden e de um Scorpions em sua fase inicial por meio de músicas bem estruturadas! São aproximadamente 45 minutos bem aproveitados, a produção peca um pouco, mas até isso da um gostinho de ‘vida real’ para o som.


10. Seth – La Morsure du Christ

Agressivo, satânico, imersivo são adjetivos possíveis para esse material. Apesar de cantado em francês vale a pena dar atenção para os veteranos do Seth. A banda faz referências diretas ao Black Metal do final dos anos 1990. Na época muitas bandas começaram a aparecer trazendo mais melodia para as composições do gênero e o próprio Seth foi uma delas ao lado do Cradle of Filfh ou Dimmu Borgir que posteriormente tomaram rumos próprios. Com esse material a banda faz o resgate ao passado sem soar ultrapassada, pelo contrário, foi buscar algo que se perdeu no Black Metal atual. Sem muito alarde nos brindam com essa obra de arte, e, roubaram o meu décimo lugar da Jinjer no apagar das luzes.


Outras coisinhas que chegaram perto…muitos outros poderiam entrar:
11. Jinjer – Wallflowers
12. Crystal Viper – The Cult
13. Brother Against Brother – Brother Against Brother
14. Timo Tolkki´s Avalon – The Enigma Birth
15. Born of Osiris – Angel or Alien
16. Jax Hollow – Underdog Athems
17. Meu Funeral – Modo Fufu
18. Carcass – Torn Arteries
19. Evanescence – The Bitter Truth
20. KK’s Priest – Sermons of the Sinner

8 comentários

  1. Mairon

    Eis que surge o primeiro disco repetido nas 4 listas. Mas só um, hehehehe. Desses aqui ouvi o Mastodon e o Greta. Esse álbum do Greta é sensacional. O Mastodon me deixou bem frustrado em comparação aos anteriores. Vou ouvir o Seth com certeza

    Responder
    • Anderson Godinho

      Esse do Seth na real eu ouvi lá no começo do ano e ficou na minha cabeça. Na hr de montará lista resolvi tirar a pulga de trás da orelha.

      Responder
  2. Gugu de recife

    Esse de cristal vipers do menção honrosa é muito bom. A mulher canta muito.(marta gabriel)
    Você foi a única pessoa que lembrou da banda.
    The vintage caravan e spiritibox mereceu o top 10.

    Responder
    • Anderson Godinho

      Cara, o Crystal Viper ficou perto de entrar. Não coloquei pq curti muito o Hitten aí abri pra outro gênero. Mas é muito bom mesmo. Caberia fácil em qqr top 10.

      Responder
  3. Fernando Bueno

    Caramba….
    Eu tava com uma preguiça enorme de ouvir esse novo do Timo Tolkki… Mas se alguém lembrou dele numa publicação dessas posso dizer que é melhor que o último?

    Responder
    • André Kaminski

      Os discos do Tolkki são para o Stratovarius assim como o AC/DC é eternamente o AC/DC.

      Ou seja, sempre são a mesma coisa, mas se você não se importa com isso dá de ouvir tranquilamente. Eu até gosto de vários trabalhos do dele pós-Stratovarius.

      Responder
    • Anderson Godinho

      Hahaha, olhe, pensei seriamente em colocar ele nos 10. Meio mais do mesmo, mas curti ouvir.

      Responder

Deixar comentário para Anderson Godinho Cancelar resposta

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.