Por Davi Pascale

Já tem um tempo que o selo italiano Frontiers vem fazendo a cabeça dos amantes da cena de hard rock dos anos 80. Conhecido por lançar novos trabalhos, tanto de músicos das antigas que seguem na estrada, quanto de novos talentos que fazem algo no espírito do selo, os donos têm mirado agora nos músicos brasileiros. Aos poucos, comentarei esses álbuns aqui na página. Um que tem dado o que falar é a estreia do Spektra. Banda formada pelo vocalista B.J., que aposta numa sonoridade hard/AOR. Vamos à ele…

B.J. é uma figura conhecida da noite paulistana há alguns anos. O primeiro contato que tive com seu trabalho foi em uma apresentação no Manifesto Bar, quando cantava em uma banda cover do Journey. (Não me pergunte o nome do grupo, minha memória já não está tão boa assim). Logo depois, estive presente em uma Hard n Heavy Party (festa organizada pelo dono da Animal Records, Carlos Chiaroni), onde o Tempestt foi utilizado como banda de apoio do Jeff. (Isso foi alguns anos antes da gravação de Bring ´Em On).

Bem, quem acompanha a trajetória de Jeff Scott Soto já sabe o final da história. O renomado vocalista gostou dos garotos, achou a banda competente e fez o convite para que se tornassem sua banda em definitivo. Desde então, B.J. esteve envolvido em vários projetos do cantor. Atuando como tecladista e fazendo backing vocals em todos os álbuns que o rapaz lançou desde então.

 

Da esquerda para a direita: B.J. (voz), Leo Mancini (guitarra), Edu Cominato (bateria) e Henrique Canale (baixo).

 

Jeff Scott Soto está por trás desse projeto. Atua aqui como produtor, ao lado de Alessandro Del Vechhio (figura carimbada da Frontiers), além de ter colaborado na gravação de todos os backing vocals. Ao contrário de diversos álbuns, onde você só sabe quem esteve presente nos backings lendo os créditos, aqui a voz de Soto ganha bastante destaque em determinados momentos, especialmente nos refrãos. Bom, não é nenhuma novidade, tendo em vista que os dois trabalham juntos há tanto tempo. As escolhas de BJ para montar a banda também estão dentro do esperado. Trata-se de Edu Cominato (bateria) e Leo Mancini (guitarra), seus parceiros desde os tempos de Tempestt, além do baixista Henrique Canale, outra figura manjada na cena da noite paulista (muitos o conhecem pelo nome de Henrique Baboom) e que já fez participação em um álbum do cantor. Time, sem dúvidas, muito competente.

B.J. fez um ótimo trabalho vocal. Linha vocais bem melódicas, voz bem colocada, sem pender para exageros. Nesse tipo de som, outro instrumento que sobressai bastante é a guitarra. Leo Mancini é um músico bem conhecido entre os fãs de hard/heavy. Principalmente, por seu trabalho ao lado do Shaman e do Noturnall. Leo, conforme o esperado, fez um bom trabalho entregando ótimos riffs e solos bem desenvolvidos. “Our Love”, “Don´t Matter” e “Behind The Closed Doors” são exemplos onde o músico se destaca.

Além de comandarem a produção do álbum, a dupla Alessandro Del Vecchio e Jeff Scott Soto também estão envolvidos em todas as composições. Portanto, não estranhe se encontrar algumas similaridades com o trabalho do W.E.T.  Afinal, a proposta é parecida. Fazer um hard rock/AOR, com peso na dose certa, refrãos pegajosos e influência dos anos 80 percorrendo por todo o álbum.

 

Projeto foi criado para dar destaque ao vocalista B.J.

 

Vi comentários de algumas pessoas alegando que falta identidade ao grupo. Realmente, eles não são os primeiros, nem serão os últimos a trilharem esse caminho. Ainda mais no cast da Frontiers. Este não é um álbum para se esperar inovações, nem modernidades. É exatamente o contrário. Um álbum que carrega um ‘q’ de nostalgia, destinado para aqueles que querem ouvir um rock n roll bem feito, com boas composições. Se esse é o teu caso, vale a pena dar uma escutada em Overload.

Os músicos são excelentes e o repertório realmente é cativante. “Running Out Of Time”, “Just Because”, “Breakaway” e “Back Into Light”, por exemplo, são grandes canções que tem de tudo para agradar aos amantes do gênero e que, em outros tempos, seriam hits de FM. Aliás, não sei se sou apenas eu, mas a linha vocal dos versos de “Back Into Light”, me remeteu a outro grupo de Scott Soto, o Talisman.

Caso tenha por aqui algum fã de Talisman, W.E.T, Eclipse, Foreigner e afins, fica a dica para dar uma conferida no som dos rapazes. Para aqueles que, assim como eu, gostam de ter o disco em mãos, independente da facilidade de streaming, vale lembrar que o álbum foi prensado aqui no Brasil pelo selo da Animal Records (loja das Grandes Galerias). Agora é torcer para que os outros projetos de músicos brasileiros também sejam lançados por aqui.

 

Faixas:

01) Overload

02) Runnin´ Out Of Time

03) Just Because

04) Since I Found You

05) Our Love

06) Breakaway

07) Don´t Matter

08) Back Into Light

09) Forsaken

10) Behind Closed Doors

11) Lonely Road

5 comentários

  1. Anderson Godinho

    Esse trabalho ainda não ouvi, mas vou conferir. Agora, realmente é muito interessante essa proposta da Frontiers. Recentemente ouvi o material do Electric Mob, o projeto Brother Against Brother e ainda The Grandmaster. Qualidade muito boa.

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    • Davi Pascale

      Legal, Anderson. Como eu gosto muito da cena dos anos 80, tem bastante banda do cast da Frontiers que acho bacana. Gostei do disco. O Electric Mob é excelente. Só não vou fazer matéria porque já apareceu o disco em uma matéria do Fernando, mas o Brother Against Brother é um dos próximos que irei escrever.

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  2. Diogo Bizotto

    Beleza, Davi? Legal ver o Spektra por aqui. Não sou muito de criar expectativa quanto a novos lançamentos, mas esse é um que eu estava aguardando, ainda mais considerando que se trata de uma quase continuidade do Tempestt, banda pela qual nutro admiração desde que tomei conhecimento de seu trabalho. Tive a sorte de ver a banda em mais de uma oportunidade, tocando com Jeff Scott Soto ou abrindo para ele, e também troquei ideia com os caras algumas vezes, tanto nesses shows quanto na fila aguardando a apresentação do Journey em São Paulo. São caras que merecem muito sucesso. Se não me engano, a primeira resenha que escrevi na Consultoria foi do único disco do grupo, “Bring ‘em On”, assim como minha única entrevista publicada no site foi com eles, na época em que estavam preparando o lançamento do segundo disco, que acabou nunca se concretizando. Isso me leva a uma pergunta: será que há material daquele registro que acabou sendo aproveitado nesse álbum do Spektra? Acredito que gravações propriamente ditas não, mas talvez algumas ideias. Seria algo muito interessante de perguntar para os caras, pois, segundo essa entrevista que fiz, muito material já estava pronto. Até videoclipe eles já tinham, de uma música sensacional, “Endless Hunger”, seguindo a linha mais pesada do primeiro disco.

    Falando em peso… Davi, você citou uma possível falta de identidade do grupo, pois eu faço coro a essa percepção. Um dos fatores que mais chamaram minha atenção em relação ao Tempestt foi a forte personalidade do quarteto, fugindo dos clichês daquilo que se conhece como hard rock no Brasil, carregando mais no peso, em uma produção menos limpinha e uma mixagem mais na cara, destacando tons mais graves, sem deixar de criar melodias cativantes. Sei que NÃO, não é a mesma banda, mas senti falta desses elementos que tornaram tão especiais as composições desse time na época do Tempestt. Parece que o trabalho de FRONTIERSZAÇÃO acabou aproximando um pouco demais a sonoridade do Spektra à de outros artistas do cast da gravadora, que andam há um bom tempo homogêneos demais, com trabalhos de produção muito semelhantes. Claro, isso não quer dizer que isso tenha sido feito contra a vontade da banda. Sei que BJ, principalmente, tem mais ligação com o lado pop e pode ter tomado à frente nesse processo, aproximando mais o quarteto do AOR, enquanto o Tempestt era mais heavy.

    Em suma: gostei bastante do disco, sim. Várias canções são cativantes, a performance dos caras é acima de qualquer suspeita. Leo é um baita guitarrista, e não à toa já tocou com nomes brasileiros de mais renome (mas, julgo eu, de menos talento do que seus colegas de Tempestt/Spektra). Senti um quê muito próximo do álbum “Trial By Fire”, do Journey, que sei que BJ curte muito, mas as menções a Talisman, W.E.T. e Eclipse fazem bastante sentido. É um material que ainda quero ter fisicamente. Abraço!

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    • Davi Pascale

      Fala, Diogo. Os caras são muito talentosos. E já que você gosta do B.J., não deixa de conferir o álbum de duetos do Jeff Scott Soto que está para sair. Tem um dueto com ele lá.

      Acho difícil algumas ideias do Tempestt terem sido aproveitadas porque eu vi um comentário de fã sobre o álbum, questionando se tinha as mãos do Jeff Scott Soto nas composições e o Jeff respondeu agradecendo o comentário e dizendo que ele tinha colaborado, mas que a maior parte das ideias eram do Del Vecchio. Eu costumo comprar os discos originais, por ser colecionador, e nos encartes dá para ver que o Del Vecchio está envolvido nas composições de tudo quanto é álbum da Frontiers. Talvez por isso, algumas bandas do cast soem parecidas, já que as composições saem da mesma mente.

      Realmente, o B.J. é um grande fã dessa sonoridade anos 80. Lembro que além do projeto do Journey, ele tinha uma banda cover do Bon Jovi (daí o nome B.J.) e uma outra chamada Hollywood Hits, onde eles tocavam as músicas dos comerciais dos cigarros Hollywood. Mas o Leo Mancini também tem um pé no pop. O primeiro contato que tive com ele foi em uma apresentação no aquário que tem lá no Guarujá (Enseada), onde ele estava tocando com um projeto de pop rock acústico (covers) chamado Bubbles. Quem cantava ali não era o B.J., era um rapaz chamado Ricardo Fracari (cantava bem também). Tinha uma garota junto, mas essa está me fugindo o nome. (Se eu não me engano, o Cominato estava nesse projeto também). Sem contar que o Leo Mancini também tocou um tempo acompanhando a Deborah Blando. Sem contar o projeto Acoustic Hits, que rendeu até um CDzinho… hehehe

      Também gostei do disco. As músicas são muito boas. Achei legal discutir o lance da tal falta de personalidade que alguns andam citando, não para jogar contra a banda (pelo contrário, gosto dos meninos e desejo sucesso para eles), mas para mostrar que nem todo mundo reinventa a roda, e não há nada errado com isso. Prefiro ouvir uma banda que resgate a sonoridade de outra banda, de uma cena que seja, do que alguém que faça algo moderno, mas sem composições fortes. Se o cara conseguir juntar as 2 coisas, perfeito, caso contrário prefiro a primeira opção.

      E já que você disse que queria o disco físico, segue o link de uma loja online, onde você consegue o álbum… https://www.diehard.com.br/detalhe_produto.php?codProd=sDgFNDM4NzM=

      Legal ter ver por aqui.
      Abraço,

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      • Diogo Bizotto

        Aparentemente, o Del Vecchio tornou-se uma espécie de homem de confiança do Serafino Perugino, atuando como produtor da casa, mas do tipo que não apenas trabalha pra que o artista alcance detrminada sonoridade, mas também apita nas composições. É algo perigoso, que pode influenciar nessa homogeinização que citei. Por coisas assim, destaco o trabalho de produtores magníficos, como o velho Martin Birch, que atuava pra extrair o que de melhor cada artista tinha para oferecer, cada um com sua sonoridade própria, fosse Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Iron Maiden, BÖC, MSG ou quem fosse.

        Também acho que essa discussão não é pra ser tomada como uma crítica muito negativa. É um aspecto importante de ser citado, até porque os caras são muito bons e merecem a nossa sinceridade, não um monte de tapinhas nas costas. Se eu não desse a mínima pra banda, sequer estaria aqui comentando. O que vale, acima de tudo, é que o disco é bom, a banda sobra muito em relação a quase tudo que já ouvi no Brasil e fora, e os caras merecem ser ouvidos em todos os cantos.

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