Por Micael Machado

Formado na Inglaterra em 1980, na onda do pós-punk britânico da época, o New Model Army já tinha lançado três álbuns e composto seu próprio “hino” (a polêmica “51st State”, que protesta contra a relação de dependência política da Inglaterra junto aos EUA) quando lançou Thunder And Consolation, em 1989. Mas este é o disco que trouxe o reconhecimento do grande público para o grupo, sendo até hoje o seu álbum mais bem sucedido nas paradas e em termos de vendas.

Produzido pelo grupo junto ao lendário Tom Dowd (Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Cream, Derek and the Dominos e muitos outros), o som do então trio formado pelo líder Justin Sullivan nos vocais, guitarras e teclados, Robert Heaton na bateria (além de backing vocals e ocasionais guitarra e baixo), e Jason Harris no baixo (e teclados e guitarras, o qual sairia do NMA logo após a turnê de promoção) ganhou neste registro um toque mais folk e melódico, principalmente pela participação do violinista Ed Alleyne-Johnson, o que criou uma dimensão completamente nova para a música do grupo, afastando-a do estilo original da banda em direção a uma sonoridade mais ligada ao folk e ao som “pastoril” da Inglaterra.

Thunder And Consolation já começa bem, com a sombria e pesada “I Love the World“, um dos destaques do track list e presença constante nos shows do grupo dali em diante. O mesmo caminho tomaria a faixa seguinte, “Stupid Questions“, onde as raízes pós-punk do Novo Exército Modelo se fazem presentes, apesar da presença marcante do violão. “Vagabonds“, com seu toque folk, e, principalmente, “Green and Grey” também se tornariam clássicos do NMA com o passar dos anos, sendo esta última, praticamente toda acústica ao longo de sua duração, a minha faixa preferida em toda a discografia dos ingleses. É nestas duas faixas (principalmente na primeira) que o violino de Ed aparece com mais destaque, tornando-as completamente diferentes do estilo dos primeiros registros da trupe, e apontando uma direção musical a ser seguida em futuros lançamentos.

O New Model Army em 1989: Jason Harris, Justin Sullivan e Robert Heaton

Se “225″ e “Ballad of Bodmin Pill” são basicamente simples faixas pós-punk (apesar do belo refrão da primeira e de uma velocidade até certo ponto inesperada na segunda), a surpreendente “Inheritance” é quase um rap, sendo seu instrumental conduzido apenas por voz e bateria, com esparsas participações do teclado e letra discutindo um relacionamento familiar, assunto que também apareceria mais adiante em “Family” (que possui uma melodia de violino meio oriental lá pelo meio) e na acústica “Family Life” (levada apenas por voz e violão), ambas aparecendo em sequência no track list original do vinil.

Neste formato, a faixa de encerramento era a angustiada “Archway Towers” (outra que representa bem o lado pós-punk do grupo), mas, no lançamento original em cassete, havia uma faixa extra, “125 MPH”, assim como a versão em CD original continha três faixas bônus, retiradas do EP New Model Army, de 1987. Em 2005, houve o lançamento de uma versão em CD duplo, onde no primeiro disco era re-estabelecida a ordem e quantidade de faixas do vinil original, e, no segundo, havia o acréscimo das faixas bônus das outras edições, bem como de outras retiradas de lados B, gravações ao vivo e versões de demos.

Esta edição, já fora de catálogo, é muito procurada pelos fãs da banda, que a consideram, com razão, a “versão definitiva” de Thunder And Consolation, o álbum que eles apontam, quase unanimemente, como o melhor da discografia da banda, que seguiu lançando registros com certa regularidade (além de ver o líder Justin embarcar uma carreira solo paralela), porém sem nunca conseguir superar o brilho de seu quarto álbum, até hoje o ponto máximo de sua trajetória!

Contracapa da versão original em vinil

“And tomorrow brings another train, another young brave steals away”

Track List (segundo a versão original em vinil):

1. I Love the World

2. Stupid Questions

3. 225

4. Inheritance

5. Green and Grey

6. Ballad of Bodmin Pill

7. Family

8. Family Life

9. Vagabonds

10. Archway Towers

4 comentários

  1. André Kaminski

    Dessa banda, só conheço mesmo o cover do Sepultura. Tem uns post-punks que eu gosto e outros muito “avantgardes” demais para o meu gosto. Vou dar uma conferida para ver se essa me agrada.

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  2. Micael

    O NMA foi mais pós-punk mesmo nos três primeiros discos, anteriores a este, onde começaram a mudar a sonoridade, incorporando o folk ao seu som. Depois deste registro, o som dos caras mudou tanto, que, hoje em dia, é quase impossível associá-los ao pós-punk, ou até mesmo ao folk, embora características dos estilos ainda estejam presentes. Existe uma coletânea chamada “Collection” que dá uma boa resumida nessa primeira fase do grupo, recomendo começares por ela! O ao vivo “Raw Melody Man” também é uma boa pedida, um pouco mais abrangente que a coletânea, embora seja do mesmo ano!

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  3. VIDAL DA PENHA Ferreira neto

    Banda maravilhosa q tá mandando bem até os dias atuais…

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