Por Daniel Benedetti

Harold Eugene “Gene” Clark foi um cantor e compositor norte-americano e membro fundador da banda de rock The Byrds. Embora ele não tenha alcançado sucesso comercial como artista solo, Clark esteve na vanguarda da música popular durante grande parte de sua carreira, prefigurando desenvolvimentos em subgêneros tão díspares como rock psicodélico, pop barroco, newgrass e o country rock. Gene Clark with the Gosdin Brothers é o álbum solo de estréia de Gene Clark, lançado em fevereiro de 1967 pela Columbia Records. Foi seu primeiro esforço após sua saída do The Byrds, em 1966.

Embora o álbum fosse um sucesso de crítica e estabelecesse Clark como um talentoso cantor e compositor, seu lançamento pareceu muito próximo da data prevista para o álbum dos Byrds, Younger Than Yesterday, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, dificultando suas possibilidades de sucesso comercial.

Com o futuro de sua carreira solo em dúvida, Clark se juntou brevemente aos Byrds em outubro de 1967 como um substituto para o recém-saído David Crosby; mas, após um ataque de ansiedade em Minneapolis, ele saiu novamente após apenas três semanas. Durante esse breve período com o Byrds, ele apareceu com a banda no The Smothers Brothers Comedy Hour. Em 1970, Clark trabalhou em um novo single, gravando duas faixas com os membros originais dos Byrds (cada uma gravando sua parte separadamente). As músicas resultantes, “She’s the Kind of Girl” e “One in a Hundred”, não foram lançadas na época, devido a problemas legais.

Em 1970 e 1971, Clark contribuiu com vocais e duas composições (“Tried So Hard” e “Here Tonight”) para álbuns do The Flying Burrito Brothers.

Frustrado com a indústria da música, Clark comprou uma casa em Albion, na Califórnia, e se casou com a ex-dançarina e assistente de produção da Bell Records, Carlie Lynn McCummings, em junho de 1970, com quem teve dois filhos (Kelly e Kai Clark).

Na semiaposentadoria, ele sobrevivia com seus ainda substanciais royalties dos Byrds durante o início dos anos 1970, aumentado pela renda do hit “You Showed Me”, de 1969, do The Turtles, “American Show Ten”, uma composição inédita de Roger McGuinn e Clark, de 1964, reorganizada para o The Byrds por Chip Douglas.

White Light, também conhecido como Gene Clark, é o segundo álbum solo de Gene Clark, lançado em agosto de 1971. Ele só alcançou sucesso comercial na Holanda, onde os críticos de rock também o votaram como álbum do ano. Embora o título ‘White Light’ não apareça no disco, exceto pela canção de mesmo nome, é desta forma que o trabalho ficou conhecido. Como todos os seus registros pós-Byrds, ele se saiu muito mal nas paradas americanas.

A banda de apoio de Clark, no álbum, incluía o produtor e guitarrista Jesse Ed Davis, o baixista Chris Ethridge do Flying Burrito Brothers, o organista Michael Utley, junto com o pianista Ben Sidran e o baterista Gary Mallaber, ambos da Steve Miller Band. Embora Clark tenha começado outro álbum para a A&M, a gravadora interrompeu as sessões antes da conclusão desse álbum. Essas faixas estavam disponíveis na Holanda no álbum de Clark, Roadmaster, de 1973, que não foi lançado nos Estados Unidos até 1994.

“The Virgin” abre o álbum com uma gaita inspirada de Clark, em um clima suave e melancólico. A melodia calma e belíssima que sai do violão em “With Tomorrow” é simplesmente apaixonante, ainda contando com a interpretação perfeita de Gene. A faixa-título, “White Light”, possui a gaita novamente como protagonista, em um Country Rock bem empolgante.

“Because of You” segue tranquilamente na pegada Folk, com o órgão de Mike Utley onipresente ao fundo. “One in a Hundred” volta com os violões mais efervescentes, dando espaço, também, para a guitarra de Jesse Ed Davis, em um Rock bem legal. É impossível ouvir “For a Spanish Guitar” e não se lembrar do incrível Bob Dylan. Na sequência aparece “Where My Love Lies Asleep” é mais uma faixa mais contida, mas, ao mesmo tempo, muito comovente. Já que se mencionou Dylan, o disco traz uma versão bem legal de “Tears of Rage”. A roqueira “1975” é a escolhida para encerrar White Light, com força e intensidade perfeitas para o álbum.

Como foi afirmado, White Light não fez sucesso comercial nos Estados Unidos e no Reino Unido. Thom Jurek, do AllMusic, dá uma nota 4,5 (em 5) para o disco afirmando: “Nas nove faixas originais, ele se estabeleceu como um dos maiores álbuns de cantor/compositor já feitos”. Jurek consolida seu pensamento: “Usando melodias modificadas fora do Country, e revelando que ele era o poeta e o arquiteto original do som dos Byrds, em White Light, Clark criou um amplo conjunto aberto de faixas que são, ao mesmo tempo, cheias de espaço, de uma gentileza severa e são profundamente íntimas em diferentes níveis”.

Um novo álbum solo de Gene Clark viria com Roadmaster, de 1973.

Formação:

Gene Clark – Vocal, Violão, Gaita

Jesse Ed Davis – Guitarra, Bottleneck Guitar

John Selk – Violão

Chris Ethridge – Baixo

Gary Mallaber – Bateria

Mike Utley – Órgão

Ben Sidran – Piano

Bobbye Hall – Congas, Percussão

Faixas:

  1. The Virgin (Clark) – 3:40
  2. With Tomorrow (Clark/Davis) – 2:27
  3. White Light (Clark) – 3:41
  4. Because of You (Clark) – 4:06
  5. One in a Hundred (Clark) – 3:36
  6. For a Spanish Guitar (Clark) – 5:00
  7. Where My Love Lies Asleep (Clark) – 4:23
  8. Tears of Rage (Dylan/Manuel) – 4:15
  9. 1975 (Clark) – 3:49

6 comentários

  1. André Kaminski

    Ah não sabia que também gostava de country rock. O senhor e o Diogo Bizotto trocariam muitas figurinhas caso tivesse chegado uns anos antes! 😛

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    • Daniel Benedetti

      Caro André, eu não sou um conhecedor profundo de Country Rock, mas o pouco que ouvi gostei. Vou vasculhar as indicações que o Sr. Bizotto fez aqui na Consultoria. Abraço!

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  2. Diogo Bizotto

    Cheguei a mencionar “White Light” em minha lista particular indicada na série “Melhores de Todos os Tempos referente a 1971. Toda a obra de Clark exala um lirismo melancólico raras vezes encontrado na música popular, mas talvez este seja o disco no qual essa característica está mais em evidência. Mesmo assim, meu grande favorito é “No Other”, não apenas o melhor disco em toda a carreira de Clark, incluindo todas as suas empreitadas, como um dos meus favoritos em todos os tempos. É difícil rotulá-lo, tamanha é a quantidade de subgêneros que podem ser encontrados em meio às suas faixas.

    Obrigado, Daniel, por novamente trazer alguma luz à obra de Gene Clark. Fora do Brasil, o reconhecimento foi bastante tardio, mas vem acontecendo nos últimos 20 anos, mas por aqui o pessoal ainda gasta muita saliva (e os dedos no teclado) pra encher a bola de uns mesmos de sempre (faz parte também).

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    • Daniel Benedetti

      Obrigado pelo comentário, Diogo. Eu ainda estou começando na discografia do Clark e fiquei impressionado em como um disco como White Light é pouquíssimo comentado.

      Espero mesmo que haja o reconhecimento devido a obra do Gene Clark. Somente pelo que ele fez neste álbum, já merecia ser muito mais reverenciado. Grande abraço!

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  3. Ronaldo

    Disco muito bom! o Clark era excelente no Byrds e continuou excelente como artista solo. Curioso esse detalhe do disco estourar na Holanda (nunca me pareceu um país muito afeito a um som tão americano). Belo texto.
    Abs,

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