Por Mairon Machado

Com Anderson Godinho, André Kamisnki, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Fernando Bueno, Libia Brigido e Micael Machado

Os anos 2000 trouxeram-nos para o século XXI com muitas surpresas e mudanças. Expectativas diversas assolaram a virada de 1999 para o ano 2000, e aquela década trouxe mudanças importantes desde questões econômicas e políticas, com a entrada do governo Lula substituindo o governo Fernando Henrique, assim como a gestão de George W. Bush substituindo Bill Clinton, ou Angela Merkel como chanceler na Alemanha, até questões associadas a Ciência, com o término da construção do LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, e Esportes, com o Brasil conquistando o penta no futebol, Michael Schumacher se tornando o primeiro hepta-campeão na Fórmula 1, entre outros.

Nos esportes, para quem não lembra, o ano 2000 foi o ano do famigerado campeonato João Havelange, que revelou ao Brasil o pequeno São Caetano. Foi o ano também em que o Iron Maiden anunciou o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith. O agora sexteto Iron Maiden fez uma das grandes apresentações da terceira edição do Rock in Rio, que também ganhou uma nova cara, sendo a terceira edição o primeiro evento realizado após dez anos, e se espalhando para a Europa (Madrid e Lisboa). Certamente, esta apresentação arrebanhou ainda mais fãs para a donzela. Enquanto Bruce voltava, a musa Tarja Turunen deixava o  Nightwish, surpreendendo à todos em 2005, quando foi demitida do grupo finlandês, deixando para Anette Olzon a responsabilidade de assumir os vocais. Outra mudança importante, não na formação, mas na direção musical, foi o Opeth. Caracterizado como um grupo de Death Metal, os suecos mudaram radicalmente seu som em 2002, fazendo uma bela e importante guiada para o progressivo.

Falando em progressivo, a década 00 viu surgiu o super-grupo Transatlantic, que uniu alguns dos principais nomes do estilo naquela época (Mike Portnoy, Neal Morse, Roine Stolt e Pete Trewavas) e trouxe as lembranças do auge prog dos anos 70 com suas grandiosas suítes. Outro super-grupo parido nos anos 2000 foi o Audioslave. A fusão de Chris Cornell com a galera do Rage Against the Machine gerou canções que marcaram toda uma geração, e fez com que muitas mulheres passassem a curtir rock novamente, tarefa que também foi delegada aos novatos do System of a Down, talvez a maiore revelação musical que os anos 2000 trouxe, sendo que recentemente a banda se tornou a quarta a ultrapassar a marca de um bilhão de views no youtube, com “Chop Suey”.

No Brasil também houveram grandes mudanças musicais. Andre Matos saiu do Angra e criou, mais mais 2/4 do Angra, o Shaman. Ambas as bandas atravessaram os anos 2000 como expoentes musicais do heavy metal nacional. Já os cariocas do Los Hermanos fugiram radicalmente do sucesso “Anna Julia”, e com uma sonoridade totalmente diferente do hardcore de seu primeiro disco, tornou-se a banda brasileira com maior número de seguidores.

Alheia a tudo isso, vivendo no seu mundo dos anos 40 ou 50, Amy Winehouse surgiu nos bares de Londres para se tornar o maior nome da música daquele início do século. Com uma carreira meteórica, Amy conquistou o mundo com um talento que há muito tempo não se via. Não à toa, seu principal disco, Back to Black, está encabeçando nossa lista. Dos oito consultores, apenas três não votaram nele. Em uma lista bastante apertada para ver quem entraria, Back to Black disparou e garantiu a primeira posição com facilidades. Os outros nomes citados complementam a lista, que certamente, e costumeiramente, causou desavenças e desagrados para alguns, mas propiciou divertidos comentários para outros. E você, o que acha do resultado final?

Lembrando que a pontuação é baseada no sistema da Fórmula 1, com a adição de 1 ponto para cada citação de álbum, como se fosse o ponto da volta mais rápida, tentando evitar ao máximo alguma injustiça de um álbum com mais citações não entrar em detrimento de outro com menos citações.

A lista com os Melhores Discos escolhidos dos anos 2000 nas listas originais envolvem os álbuns de cada ano, álbuns das listas de Melhores Brasileiros e aqueles discos citados na série Aqueles Que Faltaram. Esses discos estão listados no fim da postagem, após as listas individuais.


1. Amy Winehouse – Back to Black [2006] (70 Pontos)

Anderson: Acredito muito que a música é a expressão maior e mais bonita que temos dos nossos sentimentos, seja quando somos representados ao ouvir instrumentos, letras, e ainda o conjunto da obra, ou para os artistas que quando em seu clímax conseguem transformar suas experiências em música. A música está presente em bons e maus momentos e quando eu consigo sintonizar isso a coisa acontece, não importa o gênero. Ainda, alguns artistas são a personificação dessa relação sentir-existir, expressam em olhares, trejeitos, experiências. Eu admiro isso! É o auge em qualquer das artes: a fusão entre o artista e sua obra. Bom, sem mais delongas a Amy, para mim, é isso tudo. Porém um disco em especial eleva à enésima potência, e o disco é Back to Black. Este álbum é pura dor, com pitadas de malandragem que alçaram o álbum ao mundo pop. Um Jazz totalmente imerso em Soul, ou seria o contrário? Pitadas de loucura como o blues em “You Know I’m not Good” ou o reggae em “Just Friends”. E ao mesmo tempo não é descontextualizado! Genial! É impressionante esse álbum. Emoção do começo ao fim. Se fosse pra resumir: Amy Winehouse em seu máximo. Vai lá e ouve logo… Apague a luz, pegue uma bebida forte e assista sua alma deixar o corpo e se contorcer em um oceano de sentimentos.

André: Tenho grande respeito a Amy como artista. Ela conseguiu se diferenciar bastante em um meio saturado de mesmice com as próprias composições. Também se percebe uma clara genuinidade em suas músicas e interpretações e que ela se atirou com tudo em suas músicas fazendo, como sempre ocorre nesses casos, que a qualidade do trabalho suba consideravelmente. Seu som apenas não se encaixou comigo por questão de gosto mesmo.

Daniel: Justíssimo primeiro lugar, mesmo que não tenha votado para que ele ficasse nesta posição. O R&B dos anos 1960s é revisitado com louvor, em canções cujos arranjos são magnéticos e a interpretação de Winehouse é soberba, trazendo o estilo para a contemporaneidade de maneira incrível. Sem dúvidas, um dos grandes discos dos anos 2000.

Davi: Minha cantora favorita da cena pop de 2000 sempre foi a Joss Stone, mas não tem como negar que esse disco da Amy Winehouse já é um clássico. A moça deu um tiro certeiro em seu segundo álbum onde explorava uma mistura de jazz, r&b e ska. Faixas como “Rehab”, “You Know I´m No Good”, “Tears Dry On Their Own”, “Love Is a Losing Game” e “Back to Black” marcaram toda uma geração de ouvintes. O trabalho vocal dela é bem definido, os arranjos são bem construídos. Certamente, um dos discos mais marcantes da cena pop dos anos 2000. Primeiro lugar merecido.

Fernando: Carreira curta de uma artista que tinha tudo para brilhar ainda mais. Esse disco é muito bom, vários hits e tudo o mais, mas eu não posso dizer que realmente gosto do que fez Amy Winehouse. Acho que dessa linha de música eu gosto mais da Joss Stone e Adele, que não são exatamente a mesma coisa, mas se encaixam ali na mesma prateleira. Obviamente que a morte prematura, como sempre, aumentou o mito sobre sua pessoa.

Libia: Olho para esse mundo e vejo que perdemos uma joia rara chamada Amy Winehouse, e sentimos como a conhecêssemos muito. Talvez porque em Back to Black ela mostre aquela grande fratura exposta, que por muitos momentos podemos sentir. O som da produção recria meticulosamente aquela época passada, ao mesmo tempo que soa fresco e moderno. Os maiores momentos, para mim, por ordem de preferencia atual são a faixa-título, “You Know I’m No Good” e “Love Is a Losing Game”. Sempre me pergunto: “O que poderia vir após esse álbum?”. Provavelmente viriam vários clássicos futuros com a Winehouse mostrando as outras dimensões do Soul, Blues, Jazz juntamente com estilos contemporaneos. Ela tinha muito a mostrar.

Mairon: Discaço-aço-aço que merece com méritos estar na primeira posição. Amy Winehouse foi impactante para o início desse século, com sua levada jazz atribuída a uma banda esplêndida, e um talento incomparável quanto inquestionável. Faixas como “He Can Only Hold Her”, “Tears Dry On Their Own” e “You Know I’m Good” fizeram o com que muitos jovens passassem a gostar de jazz, ou ao menos não torcer o nariz para o estilo. Admiro as baladas, seja “Love is a Losing Game”, “Me & Mr. Jones”, “Some Unhloy War” ou “Wake Up Alone”. Até reggae Amy navegou, na lindíssima “Just Friends”. Além disso, “Rehab” tocou em tudo que é lugar, e a faixa-título é de se cortar os pulsos se não tiver força para aguentar tamanha pressão. Que faixa arrebatadora. Melhor disco do período com merecimento, apesar de eu considerar 4. Mas é apenas questão pessoal, por que a representatividade de Back to Black é insuperável.

Micael: Meu verdadeiro escolhido como melhor disco desta década não estava disponível para votação. portanto acabou ficando de fora de todas as listas. É o disco de estreia do Wolfmother, que leva o nome da banda. Nenhum outro disco neste século “falou” tanto comigo quanto o dos australianos, e meu primeiro colocado e o desta lista em particular tem uma característica em comum: ambos soam mais antigos que suas idades. Porque Back to Black não parece um disco deste século, mas sim algo gravado na metade final da década de 70 tentando emular algo do jazz da década de 50 (ou de antes ainda). Amy tinha uma voz talhada para o estilo (a mulher cantava muito!), e mesmo algumas “modernidades” eletrônicas aqui e ali nos arranjos não escondem o fato de que a sonoridade pertence a um período de tempo mais antigo, não ao atual. Escolher este como o melhor disco da década (assim como indicar o do Wolfmother para o posto) me soa bastante como saudosismo, e até mesmo como uma evidência do quanto a música decaiu depois do “fenômeno grunge” da década de 1990, não tendo havido nenhuma “grande revolução” musical de qualidade desde então (seria coincidência ter sido o período de ascensão do sertanejo universitário, do funk carioca e, especificamente no rock, do hoje quase extinto nu metal?). Back to Black é um disco classudo, bem tocado, produzido e cantado, mas não é para os meus ouvidos entupidos de METÁU. Passemos ao próximo!


2. Shaman – Ritual [2002] (61 Pontos)

Anderson: O ano é 2002, Ricardo Confessori, Luis Mariutti e o (São) André Matos saídos da, então, maior banda de metal brasileira: o preeminente Angra (o Sepultura estava uma zona ainda) terminam e lançam sob o olhar de toda a comunidade metalica brasileira e muitos olhos ao redor do planeta o intitulado Ritual. O que falar de um disco que vendeu na casa das centenas de milhares de cópias saindo das entranhas do então resignado metal melódico brasileiro? Os próprios integrantes de Angra e Shaman (que está de volta e prepara um novo álbum) já admitiram que involuntariamente (ou não) existia, de certo modo, um enfrentamento entre as bandas. Esse disco é lançado menos de um ano depois que o Angra mostrou ao mundo que estava vivo, bem e forte. Porém o Shaman com André Matos em seu auge foi avassalador, se fosse para comparar utilizaríamos o verbo PATROLAR. Para completar a banda trouxeram o irmão caçula de Luís Mariutti, Hugo Mariutti que demonstrou, sozinho na guitarra, uma qualidade e criatividade indiscutível. Vale destacar a participação do produtor Sascha Paeth, do quase membro Fabio Ribeiro (hoje formalmente adicionado ao line-up) e do convidado Tobias Sammet (Edguy, Avantasia). O play é só soco na cara, com a ideia e uma sonoridade mística Ritual traz ao mundo “Here I Am”, “Distant Thunder”, “For Tomorrow”, “Time Will Come” e a novelística balada “Fairy Tale” como clássicos unânimes. Um CD de Power Metal para ninguém botar defeito. O Shaman começa elevando o nível do metal brasileiro dentro e fora do país, e querendo ou não abre as portas para o Temple Of Shadows do Angra vir com raiva.

André: Esse álbum é fantástico e para mim, o último trabalho excepcional da carreira de Andre Matos o que já justificaria somente por si só toda a admiração que ele recebeu mesmo que não tivesse existido Angra ou Viper. O disco é empolgante, bonito, fácil de digerir e consegue mesclar momentos de delicadeza com o peso do heavy metal. Além do Confessori que lidera a banda hoje, agradeço a Musa Nissei-Sansei, ao Jesus e ao Jesus Júnior por este petardo.

Daniel: Contando com três músicos que tinham saído do Angra, é bastante explicável o fato da musicalidade do Shaman ser uma continuidade daquilo que os caras faziam em sua banda anterior, embora com um consistente toque mais direto e mais objetivo. Um bom álbum, sem dúvidas, mas acho que a cota “Power” já estaria bem representada com o Temple of Shadows.

Davi: O Shaman nasceu da separação traumática da formação clássica do Angra. Foi uma banda que já nasceu grande. Afinal, Andre Matos já era idolatrado. Luis Mariutti e Ricardo Confessori já eram referência em seus respectivos instrumentos. Aqui, eles basicamente pegaram o power metal com influências prog do Angra e atacaram um tempero de sonoridades indígenas para criar um diferencial. É um disco que poderia facilmente ter sido gravado ao lado de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Andre Mattos continuava com suas linhas vocais habituais e se diferenciava por explorar mais o rasgado de sua voz. O repertório forte, e infinitamente superior ao de Fireworks, contava com várias pérolas como “For Tomorrow”, “Distant Thunder”, “Pride”, “Fairy Tale” e “Here I Am”. Disco muito bacana que nos deixa claro que Andre Matos fará muita falta na cena brasileira.

Fernando: Impressiona o quanto André Matos consegue se reinventar sempre em alto nível mesmo depois de vários inícios e separações de bandas. E aqui eu repito que falei no comentário do disco do Angra, que é uma pena que essas bandas não tenham tido continuidade. Aqui os caras tinham muita bagagem por conta dos anos de Angra o que facilitou muita coisa, mesmo sendo um disco de estreia. O fato de uma banda do estilo ter uma música em uma trilha sonora de novela mostra o quanto eles tinham potencial de romper a bolha do metal melódico e do metal como um todo.

Libia: Vejo Ritual como um dos melhores álbuns já lançados em nível mundial, e consequentemente um dos Lives mais lindos a partir desse lançamento. Trata-se de uma obra perfeita do início ao fim, que agrega desde belos toques eruditos que consegue deixar mais marcante o misticismo das letras, belos refrãos acompanhados de André Matos no piano e dos riffs pesados. E falar deste álbum sem ficar nostálgica com a lembrança de Andre Matos é impossível. Fico muito feliz em ter visto André Matos na turnê de aniversário deste álbum em 2018 lá em Manaus. Vê-lo executando “Fairy Tale” com toda a sua maestria é inesquecível.

Mairon: A estreia de Andre Matos em mais um projeto musical segue a linha do que ele havia feito no Angra de Holy Land, trazendo misturar de som bem interessantes, como as flautas andinas de “For Tomorrow”. Gostei da participações de Derek Sherinian, com um ótimo solo na bonita “Over Your Head”, e de Marcus Viana em “Time Will Come”, bem como das cordas de “Distant Thunder”. Andre mostra-se aqui um exímio pianista, algo que anteriormente não era tão forte assim, e continua arregaçando como vocalista, principalmente na linda “Fairy Tale”. Mesmo com coisas abomináveis como a faixa-título, é um bom disco, que mereceu entrar na lista de 2002, mas acho sua presença aqui exagerada.

Micael: Infelizmente, o Shaman é uma das muitas bandas que nunca tive a oportunidade de assistir ao vivo. Acompanho sua carreira desde o início, comprei seus discos na época dos lançamentos (mesmo depois que a formação inicial se desfez), e, quando finalmente parecia que teria a chance de conferir um show do grupo, quando voltaram com o quarteto original, a tragédia da morte de Andre Matos fez com que o show de Porto Alegre não chegasse a ocorrer. Conheço gente que diz que a banda, especialmente neste disco, era uma continuação do Angra da fase Holy Land (Angra, claro, que foi de onde vieram 3/4 dos membros do Shaman). Mas sempre achei esta definição muito pouco para caracterizar o grupo. Sua criatividade, a audácia nas escolhas de instrumentos fora do “tradicional” do metal melódico (ou “power metal”, como quiserem), e mesmo a forte presença de rock progressivo ao longo das faixas foi muito além do que o Angra alcançou em seu incensado segundo álbum. Nem tudo em Ritual é maravilhoso, mas os bons momentos (e são muitos, embora alguns irão se fixar em “Here I Am”, “Distant Thunder” ou “For Tomorrow” – além, claro, da melhor “balada metal” já gravada no país, a belíssima “Fairy Tale”) fazem com que, possivelmente, este seja o melhor disco de heavy metal lançado no Brasil neste século (ao lado de Machine Messiah, do Sepultura). Discaço, cuja turnê ainda rendeu o DVD Ritualive, considerado por muitos o melhor DVD do metal nacional em todos os tempos! Não é pouca coisa!


3. Angra – Temple of Shadows [2004] (48 Pontos) *

Anderson: Lançado em setembro de 2004 esse disco é maravilhoso. Aqui o Angra é posto à prova novamente após o ótimo renascimento que teve com a saída de três dos cinco componentes da banda (André Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori – que formariam o Shaman). Em Temple of Shadows o Angra sobe o sarrafo do metal melódico nacional e o emparelha ao melhor do que estava sendo feito pela Europa. A produção deste disco é algo invejável para qualquer banda do mundo, de alguma forma o Angra de Rafael Bittencourt responde ao também ótimo Ritual do Shaman de seus ex colegas e aos críticos que consideraram o Shaman como a nova cara do metal brasileiro. O play traz a genial formação liderada pelos guitarristas Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro acrescida do baixista Felipe Andreolli (ainda na banda), do baterista Aquiles Priester (WASP e outros projetos) e do competente vocalista Edu Falaschi (solo) e trata da história do personagem Shadow Hunter um soldado cruzado que passa por uma verdadeira provação para se reestabelecer no mundo após perder sua família e entrar em uma crise dogmática-espiritual. É clássico atrás de clássico: começa arrebentando com “Spread Your Fire” e termina com um dos ícones da música brasileira Milton Nascimento cantando metal em “Late Redemption”, é maravilhoso, repito. Tem balada, tem power, tem prog, tem brasileirismo, tem pegada, tem inovações na medida, trouxe convidados de peso (que poderiam ser mais explorados) como Kai Hansen (Gamma Ray), Hansi Kürsch (Blind Guardian), Sabine Edelsbacher (Edenbridge) e, claro, o Milton. É a obra prima do Angra e está entre os 5 grandes discos do metal nacional. A gana com que os artistas fizeram esse álbum os levou a outro patamar com certeza.

André: Esse é o meu disco power metal tradicional favorito de todos os tempos. Tudo aqui funciona perfeitamente bem. As composições são inspiradas, as letras são inteligentes e bem sacadas e a performance de todos que estavam com aquela gana de se superarem após a saída de tantos integrantes poucos anos antes transparece em cada uma das faixas do disco. “Temple of Hate”, “Spread your Fire” e “Winds of Destination” estão entre as melhores canções de toda a carreira do Angra.

Daniel: Ouvi muito este trabalho, inclusive estive no show quando a banda executou este álbum na íntegra aqui onde moro. Julgo este disco como um dos melhores do Angra e também dos melhores do gênero. Mais intricado e melhor desenvolvido que Rebirth, penso que este é o grande disco do Angra neste século.

Davi: Certamente, o trabalho mais forte da era Edu Falaschi. Também gosto muuuito do Rebirth, mas aqui eles foram mais ousados nos arranjos. Enquanto no álbum anterior, eles mantinham a sua sonoridade clássica, aqui eles deram um passo além. Trouxeram influência da cena europeia da época (Edguy e afins) para dentro de seu som e estraçalharam na parte técnica. “Angels and Demons” (com fortíssima influência de Dream Theater) e a belíssima balada “Wishing Well” são os ponto de destaque do disco.

Fernando: Uma das obras primas do metal nacional. E digo isso mesmo que este não seja um dos top 3 da banda para mim. Dessa vez o conceito do disco foi mais alinhado ao que alguma banda européia teria feito, o que deve ter aproximado mais os fãs europeus do disco e por isso ele é mais celebrado lá fora do que o Holy Land por exemplo. Aqui os elementos de música brasileiras estão mais presentes mais muito mais como um tempero do que como uma base como também aconteceu com o Holy Land. É uma pena que as bandas brasileiras em ascensão não consigam se firmar para consolidar seu crescimento e se tornarem gigantes do metal mundial. Pois são discos como Temple of Shadows que provam que isso poderia ter acontecido.

Libia: Eu adoro a fase do Edu Falaschi, e Temple of Shadows é um belíssimo álbum, técnico, melódico, muito bem produzido, com grandes participações. Este álbum representa uma grande maturidade musical da banda, com belas canções em torno da saga do “The Shadow Hunter”. Falando em participações, há neste álbum a presença dos monstros Kai Hansen, Hansi Kürsch e do maravilhoso Maiton Nascimento. Sem dúvidas, um dos melhores álbuns de Power Metal Brasileiro. Minha favorita é a “Late Redemption” que tem uma bela harmonia de vozes e instrumentos. Grande álbum do Power Metal Brasileiro!

Mairon: Angra sem Andre Matos não é Angra. O disco até evoca algo de interessante instrumentalmente, mas os vocais do Edu Falaschi não dá para aturar. Gostei da vinheta “Deus Le Volt”, os trabalhos das guitarras nos solos de “Spread Your Fire”, que me lembrou muito “Eagle Fly Free”, e a linda instrumental “Gate XIII”, que encerra o álbum com uma fantástica orquestração. Claro, a participação de Kai Hansen em “The Temple of Hate” é outro ponto positivo para o disco. Mas no geral, Temple of Shadows soa muito pomposo e, ao meu ver, insípido. Nem Milton Nascimento se escapa em “Late Redemptiion”. Disco fraquíssimo, que não vejo nenhum motivo para ter entrado como um dos Melhores de 2004, muito menos como um dos Melhores desse período de 2000 a 2009.

Micael: Este álbum é idolatrado pelos fãs da banda, mas eu, particularmente, nunca dei muito valor a ele, apesar de gostar bastante do Angra e de ter assistido duas vezes à turnê de Edu Falaschi interpretando-o na íntegra. “Spread Your Fire” é uma música que gostei desde a primeira vez que ouvi, e é sempre legal ouvir o público cantar a parte de Milton Nascimento em “Late Redemption” a cada show, mas não é o suficiente para colocar este disco dentre os meus favoritos do Angra. Muito menos dentre os melhores da década.


4. Iron Maiden – Brave New World [2000] (48 Pontos)

Anderson: Precisa mesmo comentar esse? Os caras lançaram duas bombas sem o menino Bruce e deu no que deu. Ao entrar nos 2000 Harris junta a patota, chama de volta o Adrian Smith (mas sem demitir ninguém) e fala: – “Piazada, cada um pega um dos nossos discão dos bão e se falamo depois! Vamo fazer um rock paulera rude de novo… (sic)” Acho um disco completo, uma escola de Iron Maiden, trouxeram muito do seu próprio legado. Acredito que o fato de estar aqui é justamente esse triunfal retorno que coloca o Iron no seu devido lugar. Destaco as ótimas “The Wicker Man”, “Ghost of the Navigator” e “Nomad”, mas siceramente curto todas.

André: Gosto muito deste disco. Para mim, foi o último tiro de criatividade dos britânicos. Também gosto bastante de Dance of Death (2003). Depois disso, lançou um ruim (aquele enfadonho de 2006) e os outros dois apenas medianos. É o único disco em que as influências progressivas que eles passaram a adotar estão bem encaixadas nas composições. Depois da recepção terrível do anterior, os caras resolveram arregaçar as mangas e lançar um álbum digno da fama e de toda a discografia anterior deles. Até hoje acho “The Fallen Angel” uma canção bastante subestimada da donzela. Não tem aquele refrão marcante como em outros sucessos da banda, mas tem uma energia que me contagia toda vez que a ouço.

Daniel: Para mim, que não tenho a menor saudade da era Blaze Bayley, Brave New World revigorou minha condição de fã da banda (naquela época). Lembro-me de que a notícia dos retornos de Bruce e de Adrian me fizeram ter bastante ansiedade pelo (então) novo álbum. Tal ansiedade foi plenamente recompensada, pois acho este o último grande trabalho do Iron Maiden. Entre minhas preferidas estão “Brave New World”, “Dream of Mirrors” e “Out of the Silent Planet”.

Davi: Esse álbum causou bastante estardalhaço na época por conta da volta de Bruce Dickinson (aleluia!) e Adrian Smith. Como era bom ouvir Bruce novamente com a banda depois de ter que aturar Blaze Bayley acabando com toda a magia do grupo. O fato de ter agora 3 guitarristas não mudou muita coisa. A sonoridade continuava com os elementos típicos do Maiden: bateria cavalgada, baixos dedilhados, riffs de guitarra cantadas… O grande lance é que aqui os caras estavam altamente inspirados. O repertório é fortíssimo. Sem dúvidas, esse é o álbum mais forte desde que Dickinson retornou ao grupo. Só poderiam ter nos poupado de “Blood Brothers” e “The Nomad”, o restante é excelente.

Fernando: O Brave New World é um disco que representa o retorno de uma época de ouro, mas também marca o início de uma nova fase musical da banda. Quem gosta dos primeiros discos e não gosta dos últimos ainda gosta desse. Os fãs estavam tão ansiosos pelo retorno de Bruce Dickinson que fez com a turnê desse disco fosse uma das melhores da banda e culminou naquele fantástico show do Rock in Rio de 2001, que felizmente estive presente e viu um disco e DVD excelentes. O Brave New World também conseguiu angariar uma legião de novos fãs da banda o que garantiu a renovação de seu público, algo que poucas bandas conseguem.

Libia: O Maiden lançou clássicos nos 80’s, 90’s e temos o Brave New World abrindo a década com maestria, e como todos sabem, com o retorno do Bruce aos vocais e do guitarrista Adrian. E esse lançamento de banda com grande popularidade, provavelmente resultou em um crescimento de fãs do estilo. Minhas favoritas são “Ghost Of Navigator”, “The Mercenary” e “Dream of Mirrors”. Não ter esse álbum na lista seria um erro.

Mairon: Numa das maiores jogadas de marketing da história, Bruce Dickinson – e Adrian Smith – voltou para o Iron Maiden. Fãs oriçados consumiram esse retorno e aclamaram Brave New World. O disco até que começa bem com “The Wicker Man”, faixa rápida, remetendo ao Iron clássico dos anos 80, mas depois, começa aquela sequência de introdução longa, escalas em cima de Em, C e D, repetições sobre si mesmo, refrão falando a mesma frase no infinite mode on, todo o pastiche musical que virou o Iron Maiden desde então, numa adaptação sem graça dos melhores momentos da era Blaze. Tirando “The Fallen Angel”, o resto é de um engodo sem fim. Claro que o show da banda no Rock in Rio de 2001, que inclusive virou CD, serviu para conquistar muitos fãs por aqui, mas cara, eu não consigo gostar de “Brave New World”, “Dream of Mirrors” (zzzzzzzzzzzzzz) “Ghost of Navigator”, “The Nomad”, “The Thin Line Betwwn Love and Hate”, socorro, o disco não acaba nunca. E no meio disso, a terrível “Blood Brothers”. Que música chata, puta que pariu! Me perdi contando as vezes que Bruce Dickinson fala o nome da música na décima quinta. Fanatismo tem limites, e olha, esse disco foi eleito (pasmem!) o melhor de 2000, mesmo ano de lançamento de pérolas como Juno e Riding With the King, só para ficar em dois. Aja paciência!

Micael: O álbum de retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao Iron Maiden ainda é o seu melhor registro desde  o álbum Fear of The Dark. Após dois discos com um direcionamento “diferente” com Blaze Bayley nos vocais, a Donzela voltava ao estilo “antigo” de suas músicas (que se tornou cada vez mais repetitivo em álbuns futuros), com faixas empolgantes como “Ghost of the Navigator” (ainda a minha favorita no track list), “Blood Brothers”, “The Wicker Man”, “Out of the Silent Planet” e a faixa título. Sua audição na íntegra soa um pouco cansativa devido à longa duração e alguns fillers desnecessários (“The Fallen Angel” e “Dream of Mirrors” nunca me atraíram muito), mas é um bom disco da maior banda de heavy metal da história. E um disco “Bom” da Donzela de Ferro é melhor que muita coisa que tem por aí…


5. Audioslave – Audioslave [2002] (34 Pontos)

Anderson: Então você pega os restos de duas bandas cabulosas e junta… cabeça e corpo costuradinho deu aos nossos ouvidos essa aventura chamada Audioslave. Esse disco impactou enormemente minha geração, entrávamos no ensino médio e de repente o rock arromba a porta. Lembro bem da guinada que foi ouvir primeiro no rádio e depois em alguma cópia que alguém conseguiu (era o auge dos gravadores de CD/DVD, mas, caro que era, apenas um ou outro tinha em casa). Lembro bem que fiz o caminho reverso e fui conhecer o Soundgarden depois deles, pois como falei, as coisas não chegavam até a gente (pooobre!). Lembro ainda das paradas em rádios pop, em rádios rock, além da antiga e saudosa MTV Brasil que não paravam de passar os clipes desse álbum. Muito peso e muito groove nesse play que tem Morelo e Cornell comandando o vapor, mas da pra percerber que todos ali estão fazendo o que gostam com muita vontade. Essa gana nos presenteia com bem mais do que os hits de sucesso. Tem bastante coisa boa e diferente como “What You Are”, “Hypnotise” ou “Shadow on the Sun”. Trata-se de um material extenso mas não é cansativo, muito bom.

André: O som da banda não se dá bem com os meus ouvidos porque tem o Chris Cornell em sua formação. E não consigo gostar de nada em que ele apareça nos créditos. Entretanto, eu ainda acho este disco o melhor trabalho que ele já fez na vida. Tem algumas coisinhas aqui que se salvam como a faixa “Bring Em’ Alive”. E é só.

Daniel: A banda e este álbum, em particular, marcaram bastante o início da década de 2000. Algumas de suas canções são excelentes, como, por exemplo, “Cochise”, “Show How To Live”, “Gasoline”, “Set It Off” e até mesmo “Like a Stone”. Ótimo disco, mas, se tivesse menos canções, o saldo seria ainda mais positivo.

Davi: Belíssimo álbum. Lembro quando entrevistei o Ian Haugland (baterista do Europe) e ele citava esse disco como um de seus favoritos de todos os tempos. Certamente, acho a declaração exagerada, mas que foi um dos melhores dos anos 2000, isso foi. Eu já era fã tanto do Rage Against The Machine, quanto do Soundgarden, portanto não tive problema com a entrada do rapaz no grupo. Só me perguntava se seu estilo de cantar casaria com o jeito que eles tocavam, mas a coisa funcionou incrivelmente bem. Cornell e o Morello são os grandes destaques do álbum. Tom Morello é certamente um dos guitarristas mais criativos de sua geração e aqui não deixa por menos. “Cochise”, “Gasoline”, “Set It Off” e “Light My Way” são minhas favoritas.

Fernando: Lembro da febre que foi o Rage Against the Machine entre o pessoal que gostava de música que rondava os círculos em que frequentava. A recordação de uma viagem à praia com uma galera de escola em que o primeiro disco da banda rodava initerruptamente é bastante clara na minha cabeça. Porém a voz sempre me incomodava. Pois o Audioslave veio para corrigir essa falha e aí sim eu vi um bom aproveitamento do instrumental de Tom Morello e cia.

Libia: Chris Cornell canta absurdamente neste álbum, mostrando todo a sua potência e habilidade vocal e acompanhado dos ex-integrantes do Rage Against the Machine, realmente um superbanda de Rock! Sempre me pego viajando em “Gasoline” e me lembro da pré-adolescência assistindo o clipe de “Show Me How to Live” na MTV e não podemos deixar de fazer menção da pedrada “Set It Off”. Mas minha favorita de todas é a “I Am the Highway”, ela nos leva para outra atmosfera porque é profunda e tem um equilíbrio genial dos acordes. Muito bom ver esse álbum na lista.

Mairon: O Audioslave era uma banda que honestamente eu não dava bola. Quando foi eleito um dos Melhores de 2002, fiz uma audição quase que sem vontade. Porém, o tempo passou, e esse álbum só cresceu em minhas audições. Chris Cornell está cantando muito, e a mistura de Temple of Dog com Rage Against The Machine me fez repensar a banda, ouvindo-os diariamente. Ok, “Like a Stone” pode ter enchido o saco de tanto tocar, mas é uma bela música, e Audioslave proporciona ainda mais. Refrãos grudentos (“Hypnotize”, “Show Me How To Live”, “What You Are”), modernices pesadas, com solos bizarros mas muito legais de Tom Morello (“Exploder”, “Gasoline”, “Light My Way”, “Shadow of the Sun” e “Set It Off”), outro nome fundamental no Audioslave, e canções mais leves, onde Cornell solta sua voz como poucos ( “Getaway Car”, a lindaça “I Am The Highway”, a ja citada “Like a Stone”, e a viajante “The Last Remaining Light”, com seu solo trazendo acordes jazzísticos). Hoje reconheço que é um baita disco, bastante pesado, com a banda destruindo e Cornell arregaçando, onde “Bring Em Back Alive” é o símbolo máximo disso. Baita disco, e presença justíssima aqui.

Micael: O Audioslave foi, possivelmente, o maior “supergrupo” deste século, e, embora sua carreira tenha tido um reconhecimento bem menor do que as possibilidades indicavam, a junção dos ex-membros do RATM com o à época ex-cantor do Soundgarden resultou em uma sonoridade diferente das bandas de origem de seus membros, mais “pop” e “palatável”, mas ainda assim agradável aos fãs de seus grupos de origem. Este registro de estreia ainda é, para mim, o melhor da banda, com músicas de destaque como “Like a Stone”, “Cochise” e “Show Me How to Live”, todas, não por acaso, lançadas como single. Um bom álbum, talvez não merecedor de estar nesta lista, mas sua presença aqui não chega a soar absurda!


6. System of a Down – Toxicity [2001] (31 Pontos)

Anderson: Neste conturbado 2020 a música “Chop Suey” do álbum Toxicity atingiu a marca de 1 bilhão de visualizações na plataforma youtube, mas e daí? Tudo bem que é a única banda de metal com esse número… e daí que é uma das únicas quatro bandas de rock a chegar a esse valor, né? Ironias à parte esse número é simbólico, vale a pena ir atrás dos prêmios e alcance que esse álbum teve. É surreal se pensarmos em metal nos anos 2000. Esse play coloca a banda em definitivo no panteão dos grandes do metal. Metal como deveria ser: metendo o dedo em feridas sociais, trazendo influências de outros gêneros, brincando com ironias e sarcasmos. Eles deram uma apeladinha para uma musicalidade acessível como na bonita Aerials, mas as pedradas estão lá com pegada heavy, thrash, hardcore, e com muito ritmo e groove: “Toxicity”, “Needles”, “Psycho”, “Deer Dance”, “Chop Suey”, enfim. Obrigatório.

André: Na época de fama do System of a Down, lá pela década de zero zero, o som deles me chamava muito a atenção por essa originalidade em unir essas quebras repentinas de ritmo, peso das guitarras do heavy metal e vocais ora cantados ora falados. Porém, achava que logo ficaria datado e enjoativo. Eu estava errado. Ainda é divertido ouvir esses malucos. Suas letras falam de temas bem sérios mas a atmosfera que ronda a sua sonoridade parece dizer o contrário. Todos estes contrapontos fazem dessa banda e este disco um belo registro sonoro do período.

Daniel: Uma banda única. A sonoridade criativa do grupo, fundindo suas raízes armenas a uma musicalidade bruta e visceral, foi um dos melhores momentos da música nos últimos 20 anos. Toxicity possui alguns dos maiores clássicos do grupo como “Chop Suey!”, “Toxicity” e a incrível “Aerials”. Presença muito merecida.

Davi: System of a Down conseguiu um impacto com a garotada dos anos 2000 que me lembrava o impacto que a juventude dos anos 90 tinha com o Faith No More. O mesmo tipo de fanatismo. O grupo de Serj Tankian apresenta uma sonoridade muito própria. Sempre gostei deles justamente por isso. Os caras não vieram na cola de ninguém. E Toxicity foi o disco que marcou esse pé na porta. O álbum de estreia do grupo já havia causado um burburinho, mas foi com esse disco que eles se tornaram uma banda realmente grande. “Prison Song”, “Needles”, “Chop Suey”, “Deer Dance”, “Aerials” e “Toxicity” são consideradas clássicos do grupo. Álbum bem emblemático desse período e sua presença é mais do que merecida.

Fernando: Nunca consegui me conectar com o tipo de música do System of a Down. Não chega a me incomodar, mas não é algo que eu colocaria para ouvir lá em casa.

Libia: Há algum tempo atrás assistindo o programa “That Metal Show”, observei que lá fora a galera não leva tão a sério essa distinção de New Metal e demais vertentes, mas sim se é uma boa música. A partir deste momento consegui dá a importância necessária a essa grande banda. Toxicity foi um sucesso avassalador e até hoje novas gerações se descobrem a partir desse álbum. É um álbum diferenciado em tudo, com riffs empolgantes e pesados e belos refrãos do início ao fim. A finalização do álbum é certeira com a bela “Aerials” e sua afinação peculiar para ter grande peso mesmo sendo uma música lenta.

Mairon: A banda que define os anos 2000 na minha visão não podia ficar de fora dessa lista, e Toxicity é o responsável claro de toda a fama do SOAD. Cara, os caras trouxeram as mulheres novamente para o mundo do rock de forma incomparável com outras bandas, e em especial, Toxiticy soa quase como um Best Of dos armênios. O track list é impecável. “Prison Song”, “Needles”, “X”, “Chop Suey!”, “Jet Pilot”, “Bounce”, “Pscyho”, “Toxicity”, “Aerials”, sonzeiras para colocar a casa abaixo, e que fizeram muito sucesso. A violência sonora segue com “Atwa”, “Deer Dance”, “Forest” – que som massa para pular – “Shimmy” e a ótima “Science”, minha preferida ao lado de “Aerials”, essa a melhor de todas as canções dos caras. É pancadaria comendo solta, rodas punk violentas, um baterista endemoniado (John Dolmayan), os vocais complexos de Serj Tankian, e claro, essas composições e rifferamas de outro mundo, advindas do marrento e genial Daron Malakian. Primeira posição na nossa lista de 2001, e com certeza, um dos melhores discos desse século.

Micael: Eu curto bastante o rock progressivo, então estou familiarizado com mudanças de sonoridade dentro de uma mesma música, faixas com várias partes diferentes, e “atmosferas” distintas compondo a “paisagem” de uma canção. Mas o System Of A Down exagera demais na dose para o meu gosto. Peguemos por exemplo a faixa de abertura deste álbum, “Prison Song”: o riff inicial parece o de uma banda de death metal (especialmente junto ao primeiro urro de Serj Tankian – ou de algum outro membro, não tenho esta informação); mas, antes do primeiro minuto, a canção já tomou outro rumo, e muda mais umas duas vezes ainda antes do segundo minuto chegar. É muita informação em pouco tempo, me dá a impressão de que as ideias não tem tempo nem espaço para se desenvolverem e serem assimiladas pelo ouvinte… E as canções são muito curtas, pelo menos aqui nenhuma passa de quatro minutos, o que faz com que cada riff ou passagem interessante permaneça “no ar” por uns dez ou quinze segundos apenas, como os sensacionais quinze segundos iniciais de “Jet Pilot”, ou os quinze segundos iniciais de “Shimmy” (que me lembraram algo do Sepultura dos primeiros anos com Derrick), ou ainda aquele riff entre os versos no começo de “Forest” (o bom é que as partes mais chatas duram a mesma quantidade de tempo, então há um certo equilibrio entre as coisas). Confesso que não tenho capacidade para assimilar algo assim, mas sou forçado a reconhecer que, se o metal da primeira década deste século tem um pouco de originalidade, em muito é por causa destes caras (e “Chop Suey!” e “Aerials”, convenhamos, são sensacionais, mesmo sofrendo de todos os “problemas” que coloquei acima). Neste disco, as únicas músicas que eu conhecia antes de me dedicar à sua audição (e só o fiz por causa desta lista, confesso) eram as citadas “Chop Suey!” e “Aerials”, além da faixa título, três canções que me acostumei a escutar com certa frequência no sistema de som do bar Opinião enquanto aguardava algum show que aconteceria no local. Além delas, apenas “Science”, talvez a faixa mais “direta” do registro, foi capaz de manter a minha atenção ao longo de quase toda a sua duração, e as outras tem alguns bons momentos aqui e ali, todos, infelizmente, muito fugazes. Não é o tipo de música para mim, mas torna esta lista bastante representativa da época abordada (para o bem ou para o mal).


7. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho [2001] (30 Pontos)

Anderson: Não gosto de Los Hermanos, acho parte das pessoas que ali estavam arrogantes, cheias de estrelismo com uma soberba que me faz voltar aos tempos de piá e gostar de Charlie Brown Jr (entendedores…). Porém, não podemos ser tão clubista de não admitir que esses caras colocaram o indie no rádio do Brasil e, sim senhores, abriu as portas para toda uma geração de ouvintes. Por isso votei nele, sim! Esse disco marca o começo de uma era de maiores liberdades pelo Brasil em que minorias começam a ganhar voz e ser representadas, nesse aspecto o indie se tornaria, mais adiante, uma bandeira e uma febre entre casas noturnas e bares de rock alternativo e com público diverso. Sobre o álbum: fracasso de vendas na época e uma ruptura viceral na sonoridade. Eu particularmente não curto pois existe uma constante triste nas letras, na forma de cantar e o ritmo não ajuda, pra mim isso não funciona bem. Mas é um álbum muito bem produzido com muitos elementos da música brasileira, metais, jazz, ska… muitos falavam de Jorge Ben ou Weezer… enfim, é um baita disco.

André: Mairon e seja lá quem mais votou nele. Que vontade que eu tenho de torcer os seus pescoços! Pelo menos emplaquei um Nightwish para judiar do nosso doutor também.

Daniel: Não é minha praia.

Davi: Não sou o maior fã de Los Hermanos do mundo, mas gosto desse álbum e do Ventura. Esse sempre foi o meu favorito e é um trabalho bem importante porque foi um álbum divisor de águas. Foi quando eles demonstraram que de fato eram bons letristas, conseguiram uma identidade muito própria adicionando mais elementos da música brasileira em seu trabalho (há referencias, inclusive, de samba), sem contar que conseguiram algo improvável: se tornaram uma banda realmente grande, com um fanatismo estilo Legião, ao mesmo tempo que tinham a grande mídia torcendo o nariz para eles, já que todos aguardavam um álbum de Anna Julias. “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “A Flor”, “Casa Pré Fabricada”, “Sentimental” e “Fingi Na Hora Rir” se destacam nesse que é um dos últimos grandes álbuns produzidos pela cena mainstream brasileira.

Fernando: Chato. Banda superestimada. O nome do disco é uma referência ao número de fãs que a banda deveria ter.

Libia:  Conhecia Los Hermanos pelos seus hits, mas não conhecia os álbuns. As músicas não eram do meu gosto musical, e por isso nunca me interessei em ir atrás. E agora escutando Bloco do Eu Sozinho tive a confirmação que realmente não desce, ele conseguiu me deixar um pouco entediada. Mas acho importante reconhecer que é um trabalho que tem fortes composições, e não se prenderam ao seu sucesso anterior, e ousaram ir para outra direção. Em tempos de músicas vazias e sem criatividade que estão na mídia, esse é um álbum que merece ser lembrado na música brasileira do século XXI. Ainda não abri a mente para a banda, mas naturalmente sempre tento ver o lado bom de algo.

Mairon: Sempre me surpreendo com Bloco do Eu Sozinho ser escolhido pelos consultores. Não que eu não curta o disco, pelo contrário. Uma paulada divisora de águas na carreira da banda, que mostrou que os caras eram muito mais do que “Anna Julia”. Mas pelo fato de que dos que curtem Los Hermanos, Ventura ser o preferido da maioria. Bom, eu tenho 4 como meu predileto, mas Bloco … entrou na lista de 2001, encabeçou a lista de Melhores brasileiros da década 00, e é um disco que representa muito bem a melhor banda nacional dos anos 90 e 2000. “Todo o Carnaval Tem Seu Fim”, “A Flor”, “Fingi Na Hora Rir” (que baita clipe) e “Tão Sozinho” são as pauladas hardcore que ecoam as origens dos cariocas. Mas a revolução aparece no gingado embriagado de “Retrato Pra Iaiá”, no jazz-cabaret de “Cher Antoine”, no emprego de levadas sambistas em “Assim Será” e “Deixa Estar”, nas quebradas de Barba em “Casa Pré-Fabricada” ou até na valsa debochada de “Mais Uma Canção”. Amarante se sobressai no disco, ganhando mais espaço do que em Los Hermanos, e virando, para mim, o principal letrista. Se dúvida disso, ouça “Sentimental” e entenda minhas palavras. Mas Camelo também faz das suas, com as letras das ótimas “Cadê Teu Suin” e “Veja Bem Meu Bem” mostrando muito de seu talento. O disco se encerra se despedindo de “Anna Julia” com “Adeus Você”, e dali em diante, o Los Hermanos se tornaria o gigante que lotaria locais pelo país e por que não o mundo – inteiro. Bloco do Eu Sozinho é para os anos 2000 o que foi Acabou Chorare para os anos 70. Uma amostra grande de que rock e samba podem se fundir em uma música coesa e fantástica. Muito bom vê-lo por aqui.

Micael: Coloquei este disco na minha lista pessoal, mas até eu admito que sua presença na lista final é um exagero (bem, talvez se considerarmos as outras opções que podiam ser votadas, não seja tanto assim). Gosto bastante deste disco, menos apenas que do primeiro na carreira da banda, e faixas como “A Flor”, “Fingi Na Hora Rir”, o hardcore “Tão Sozinho” (a que mais lembra o disco de estreia), a emocionante “Sentimental” e as tocantes “Veja Bem Meu Bem”, “Adeus Você” e “Assim Será” ainda soam bastante agradáveis a meus ouvidos. Depois, o Los Hermanos se tornaria mais sombrio, tristonho e depressivo, e, ainda que seus próximos álbuns sejam muito bonitos e bem feitos, ainda estão, para o meu gosto, um degrau abaixo deste segundo registro. Pena que muitos não vão nem escutar por puro preconceito, mas, azar deles…


8. Opeth – Damnation [2003] (28 Pontos)

Anderson: Respeitando a opinião dos colegas, mas discordando da participação de qualquer material dessa banda por aqui, deixo meu comentário: Em Curitiba isso é nome de escola e daquelas faculdades que surgiram aos (des)montes do governo FHC! Não entendo, não consigo entender, já tentei uma, duas, três, horas a fio. Opeth é ruim! Quando vi por aqui pensei que estava na hora de parar de ser besta e ouvir direito… Fui atrás até de apresentações ao vivo da banda… focando sempre no material desse álbum, a empolgação do público é impressionante… digna de uma fábrica de cones. O Iron Maiden do Death Metal, banda que causou um terremoto na Suécia: In Flames, era pra estar aqui! …. next….

André: Um disco razoável de uma banda que nunca entendi muito todo o hype em cima dela. Não incomoda, mas não considero nem de longe um melhor da década. As vezes acho que eles querem ser o Pink Floyd do século XX, mas acho que falta um pouco mais de criatividade para conseguirem isso. Quanto ao disco, “To Rid the Disease” é boazinha. “Windowpane” também desce legal. O restante não fedeu e nem cheirou.

Daniel: Eu tenho os álbuns do Opeth que são inspirados no Progressivo setentista na mais alta conta e acho este Damnation um dos melhores. As letras que exploram o lado sombrio da alma humana se encontram com uma sonoridade suave, mas repleta de melancolia. A presença de um Mellotron marcante é outro destaque. Enfim, um disco muito inspirado e uma amostra de uma banda que se arriscou por novos caminhos e se deu muito bem.

Davi: Não sou um profundo conhecedor do Opeth, mas a imagem que eu tinha deles era de uma banda de death metal meio pentelha. Esse disco, contudo, gostei bastante. Calmo, introspectivo, com uma pegada meia prog, me lembrou um pouco o Porcupine Tree. Gostei do trabalho vocal. A extensão do cara não é alta, mas é um trabalho bem melódico e bem resolvido, backings bem trabalhados. Achei o disco super bonito. Depois vou dar uma fuçada na discografia deles no Spotify para ver se encontro mais alguma coisa deles nessa linha, longe daqueles death maluco.

Fernando: O disco que me fez gostar de Opeth. Porém, quem gosta da banda sabe que esse disco foi, até então, um dos mais diferentes da banda. Vendo da perspectiva atual vejo que esse álbum foi usado como um laboratório do que seria o futuro da banda. Lançado como um disco irmão de Deliverance (2002), no qual eles reservaram a parte mais brutal do estilo da banda, deixando concentradas as melodias mais amenas para Damnation. E, de certa forma, é o que a banda acabou tornando padrão nos discos a partir de Heritage (2011).

Libia: Temos aqui um dos melhores álbuns de Rock Progressivo que já ouvi, lançado por uma banda que tem como base os fãs de Death Metal. Eu sou uma das pessoas conquistadas pela banda após conhecer o lado progressivo. Antes já era fascinada pelos trabalhos e produções do Steve Wilson, que fez um majestoso trabalho nesse álbum. Tudo harmoniza de forma impecável, com vocais limpos, linhas melancólicas das guitarras e bateria jazzística. Minha favorita é a “In My Time of Need”, nessas alturas do álbum você já se sente em outro planeta, e se torna difícil não se emocionar com esse som.

Mairon: Esse é um belo trabalho de produção de Steven Wilson, talvez o maior nome do rock progressivo no século atual. Ele transformou o som dos suecos em algo muito agradável, principalmente pela adição de Mellotron, o que dá uma nostálgica sensação para Damnation, bem como aquele cheiro naftalinoso de Porcupine Tree ao longo de toda a audição, o que não é de todo ruim. Eu gostei da primeira vez que ouvi, justamente quando ele foi eleito o Melhor de 2003. Acho demasiada a escolha ainda, mas confesso que nessa audição, várias faixas me agradaram bem mais, principalmente a abertura com “Widowpane” e os violões de “Closure”, Ainda acho as melhores “Death Whispered a Lullaby” e a curtinha instrumental “Ending Credits”, e ainda acho que se fosse para ter algo desse estilo, Anekdoten cairia mais, ou ainda, o Beardfish merecia esse lugar. Mas, essas listas realmente não são justas.

Micael: O Opeth é uma banda que, admito, preciso me dedicar a conhecer melhor. Um dos mais importantes e comentados grupos deste século, pelo menos no meio do heavy metal, eu nunca tive tanta curiosidade assim pela discografia do conjunto, e acredito que o único item deles que possuo é o DVD Lamentations, que traz justamente este Damnation na íntegra, interpretado ao vivo. Salvo engano de minha parte (e meus colegas já devem ter falado sobre isto aí acima), este é o álbum que marca o início da transição da sonoridade do Opeth de algo mais ligado ao Death Metal para composições com características do rock progressivo, o que, em si, é uma tremenda mudança, que, pelo que sei, o grupo atravessou com grande competência. Falando de Damnation, em si, eu o considero um álbum de progressivo, mas não aquele “prog sinfônico” dos anos 70, ou quase atonal e revolucionário como as bandas do Rock In Opposition costuma(va)m fazer. O progressivo do Opeth tem algumas características de outras bandas escandinavas do estilo, como Anekdoten, Anglagard ou mesmo o Pain of Salvation, misturando um pouco de melancolia a paisagens calmas e belas aliadas a momentos de grande técnica instrumental. Mikael Åkerfeldt se revela um grande vocalista (algo difícil de prever quando ouvimos os guturais dos primeiros álbuns), além de um grande compositor, e, mesmo com algumas músicas soando mais longas que o necessário, é um disco que se deixa ouvir sem maiores solavancos (mas também, preciso dizer, sem maiores emoções). Merecia estar nesta lista? Acho exagerada sua presença aqui, mas não é nenhuma ofensa considerá-lo digno de figurar entre os demais escolhidos.


9. Nightwish – Dark Passion Play [2007] (25 Pontos) **

Anderson: Esse disco é o grande disco da banda, ainda surfando na onda do Once, a banda lança o material sobre os escombros da sua própria queda após a saída conturbada da Tarja. A competentíssima Anette Olzon (dispensada logo depois?!?!) faz a função e mantém a banda no glamour e patamar alcançado. Nosso caro Tuomas da uma baita subida na trucada, coloca muita coisa grande no trabalho até um tanto megalomaníaco. Não colocaria esse disco aqui, acho até que a importância do Once, considerando os discos da banda, é maior que Dark Passion. O fato é que vendeu como água e manteve o metal nas paradas.

André: É o meu disco favorito da vida. Obviamente vai estar em primeiro. Se não quiserem que ele entre nas listas, me expulsem do site. Agora falando desta obra prima, foi o último álbum em que o líder Tuomas Holopainen desencarnou os seus sentimentos pessoais em forma de música. Todo o imaginário pessoal dele termina aqui. A primeira canção “The Poet and the Pendulum”, a minha favorita de todos os tempos, nada mais é do que a morte de Tuomas como autor dentro da música. Ele simplesmente “morre” artisticamente. Todas as outras músicas do restante do álbum seria a alma dele ainda vagando na Terra. Destaco a banda se despedindo de Tarja (“Bye Bye Beautiful”), a raiva expelida em “Master Passion Greed”, a imprensa musical esfacelando o cadáver da banda após a demissão da vocalista (“7 Days to the Wolves”) e a alma de Tuomas finalizando a sua passagem para o céu ao final em “Meadows of Heaven”. Após isso, Tuomas nunca mais falou de si nos três discos seguintes. Entrarei em mais detalhes sobre isso ao término do meu especial sobre a banda que publicarei no mês que vem.

Daniel: Eu até gosto do Nightwish, tenho alguns discos, mas não acho que seja o caso de um álbum do grupo figurar entre os dez melhores da década – ainda mais com um de seus trabalhos que julgo menos interessante.

Davi: Me tornei fã do Nightwish com o álbum Oceanborn e sempre vi a Tarja Turunen como um diferencial do grupo liderado pelo ególatra Tuomas Holopainen. Portanto, fiquei com um pé atrás quando mandaram a Tarja embora da banda. Contudo, quebrei a cara bonito quando ouvi o disco. Gostei do estilo serelepe de Anette Olzon. Realmente, o estilo vocal dela era bem diferente do estilo da Tarja. Ela é mais próxima da Sharon den Adel. Canta de maneira mais limpa, tem um ‘q’ mais comercial. Os arranjos continuavam pomposos e cinematográficos, mas esse lado mais comercial, que já havia dado as caras em Once, apareciam bastante no álbum. O repertório é forte e traz várias canções memoráveis como “The Poet And The Pendulum”, “Bye Bye Beautiful”, “Amaranth”, “Cadence of Her Last Breath”, “7 Days To The Wolves” e “Whoever Brings The Night”. Fiquei triste quando essa menina se afastou do grupo…

Fernando: Não sou lá tão fã do Nightwish sem a Tarja. Quando a Anette entrou eu vi nela como uma boa possibilidade que, no meu gosto, não se concretizou. Com a Floor Jansen eu vejo eu a banda se tornou mais forte, apesar de não ter gostado muito desse último disco também.

Libia: Pessoalmente, já não era uma aficionada por Nightwish, mas após a saída da Tarja Turunen a banda perdeu de vez o encanto. Especificamente sobre o álbum, há boas músicas como “Bye Bye Beautiful” e a pesadíssima “Master Passion Greed”, entretanto, não acho nem perto de álbuns como Century Child (2002) e o excepcional Wishmaster (2000).

Mairon: Não consigo ouvir cinco minutos disso sem querer sair chorando e pedindo para parar a tortura. Não dá gurizada, foi mal. Isso aqui não é música!

Micael: A estreia de Anette Olzon tem várias músicas legais, como “Bye Bye Beautiful”, a popíssima (apesar das guitarras pesadas) “Amaranth” e as “épicas” “7 Days to the Wolves” e “The Poet and the Pendulum”. Mas todas estas canções possuem versões melhores na voz de Floor Jansen, e mesmo o segundo e derradeiro registro com Anette, Imaginaerum, me soa mais agradável do que este álbum. Como ficou claro, não é o meu disco favorito da banda, e até coloquei Century Child na minha lista pessoal (este sim no topo da discografia dos finlandeses, para o meu gosto), mas, perto de outras opções que poderiam ter sido escolhidas, não é assim tão ruim ver este álbum aqui.


10. Transatlantic – SMPT:e [2003] (25 Pontos)***

Anderson: Mais um supergrupo na lista o que reflete a capacidade de determinados artistas, que quando resolvem se juntar causam impacto. Esta ode ao progressivo preenche um certo hiato do gênero, mas não tem a pretensão de competir nas rádios com outros gêneros. Aparentemente é um trabalho em que o pessoal se reuniu para curtir e aliviar a pressão, o resultado é algo grandioso, que chamou a atenção e agradou os fãs do gênero. Particularmente o que me chamou a atenção foram as belas melodias, mesmo nas músicas mais extensas e nas infinitas mudanças de ritmos as melodias foram coerentes. Um belo trabalho.

André: Acho que ando numa fase mais prog de ouvido sonoro. Esse disco me soou melhor do que na época que escrevi o comentário sobre ele. Tem aquele jeitão todo orgulhoso que as bandas setentistas possuem (mais precisamente o Yes), mas uma sonoridade ainda bem da época noventista; não tão sinfônica e mais preocupada em encher de licks de teclados ou de diferentes instrumentos em cada uma das quebras de ritmo. Já se percebe pela bateria de Portnoy que bate pesado assim como fazia no Dream Theater. Mesmo que algumas quebras sejam bem repentinas, em nenhum momento me senti entediado ou incomodado. Quem não curte prog deve passar longe, mas quem gosta deve procurar o quanto antes ouvi-lo.

Daniel: É daqueles famosos casos em que um álbum tem muitos fãs, mas não me desperta maiores emoções. Desta forma, fica evidente que acho um exagero sua presença nesta lista. Em tempo: a versão para “In Held (‘Twas) in I” é bem legal.

Davi: Grupo formado somente por músicos do primeiro time. Aqui não tem erro. Como já era de se esperar pelo lineup, a jogada aqui é rock progressivo. Apesar da presença de Mike Portnoy, esse não é um disco de progmetal. A ideia aqui é oposta. Ou seja, um rock progressivo mais clássico, com bastante referência de anos 70. Especialmente, Yes e Genesis. Também é perceptível a influência de Beatles (banda admirada tanto por Portnoy, quanto por Neal Morse) em algumas linhas vocais. O álbum todo é muito bom. Inclusive, a releitura de “In Held (´Twas) In I” do Procol Harum ficou bem digna. Contudo, os melhores momentos ficam por conta de “Mystery Train”, “My New World” e “All Of The Above”.

Fernando: Lembro da primeira vez que ouvi Transatlantic lá por volta de 2003-2004. O Dream Theater já não estava me empolgando tanto e eu estava mergulhado no mundo do progressivo ouvindo bandas como o Spock’s Beard e The Flower Kings. Aí eu descobri uma banda com o cara por trás do Dream Theater, o vocalista que tinha saído recentemente do Spock’s Beard depois de um álbum fantástico, o excelente guitarrista do Flower Kings e o baixista de uma das bandas que mais gosto, o Marillion, juntos em uma empreitada. Aquilo foi como descobrir uma pepita de ouro enterrado no chão. Impressiona o quanto o grupo consegue colocar uma identidade própria com tantas referências aos medalhões do rock progressivo que a banda insere em suas músicas.

Libia: Esse álbum agrada tanto aos fãs do rock progressivo clássico quanto aos amantes do progressivo moderno, e na minha opinião, abriu a mente de muitos para esse estilo. Temos uma das melhores reuniões de músicos, e o resultado não poderia ser diferente de genial. É um álbum para ouvir no momento certo, sem pressa alguma, como a maioria dessa seara. “All of the above” que é dividida em seis partes, e a abertura apresenta excelentes sons de teclado, baixo, guitarra e bateria. Uma das minhas favoritas é “We all Need Some Light” que é uma linda balada com o violão ganhando destaque. Disco incrível!

Mairon: Quando eu ouvi esse disco pela primeira vez, achei chato e pretensioso demais. Depois ouvi para o Melhores de 2000 e detestei os vocais, mas curti o instrumental. Dessa feita, tirando os preconceitos que tenho com Mike Portnoy e Roine Stolt, pude perceber que o cara da banda realmente é Neal Morse. Ele quem coordena toda a parafernália sonora, fazendo belas passagens que lembram os gigantes tecladistas do progressivo dos anos 70. Curti vários momentos, principalmente ppor que dá para perceber inspirações no Yes dos anos 70, como o violão de “We All Need Some Light” (que pena que depois vira um Queensrÿche de quinta categoria), o intrincado o início de “All of the Above”, faixa que poderia ter sido cortada em 3/4, ou a revisão para “In Held Twas In I”, que ficou boa, mas sem a dramaticidade do Procol Harum, principalmente por conta dos vocais. Aliás, o vocal em todo o disco, puta que pariu, é tinhoso. Não tem força nenhuma, não tem carisma nenhum, que coisa escrota. Para piorar, “My New World” é uma tentativa de fazer os Beatles soarem progressivos, fracassada obviamente, e o que é aquela atrocidade de “Mystery Train”? Eita música chata! Enfim, foi sofrido ouvir isso, e penso que esse álbum não merecia estar aqui nem por questão de gosto pessoal ou por relevância para os anos 2000. Se comparado com tudo o que o Dream Theater fez de 2000 para cá, Octavarium merecia ocupar esse espaço. Espero não ter que ouvi-lo novamente.

Micael: Para quem realmente gosta de progressivo, o surgimento do Transatlantic foi quase como uma benção. O supergrupo (cujos integrantes, tenho certeza, já foram descritos acima por meus colegas, então vou poupá-los da repetição) foi, sem sombras de dúvidas, o mais importante nome do estilo surgido neste século, não apenas pelas qualidades individuais de seus membros, mas por causa da qualidade de sua música, em, até aqui, infelizmente apenas parcos quatro álbuns de inéditas (um quinto está a caminho para o começo do ano que vem, se tudo der certo). SMPT:e, a estreia do quarteto, pode não ser o melhor disco da banda ou mesmo da década (ocupou o topo da
minha lista pessoal praticamente por falta de opção de selecionar um registro melhor dentre os disponíveis para votação), mas está longe de ser um disco descartável, e, para mim, não faz feio junto aos demais selecionados para esta lista. Faixas como as épicas “All of the Above” (uma faixa de mais de trinta minutos em pleno século XXI é algo a ser exaltado sempre) e “My New World” estão aí para comprovar isto, mas meu momento preferido do álbum ainda é a linda e emocionante “We All Need Some Light”, uma faixa diferente do “padrão” estabelecido pelo Transatlantic no restante de sua discografia, mas, ainda assim, indispensável dentre os demais registros do grupo. Um grande álbum, e fico feliz que conseguiu figurar na lista final!


* Temple of Shadows e Brave New World empataram no mesmo número de votos. Como Temple of Shadows teve mais indicações, acabou ficando em terceiro.

** Dark Passion Play, SMPT:e, 4 e Crack The Skye ficaram empatados com 25 pontos e mesmo número de citações. Em uma nova votação, Dark Passion Play e SMPT:e receberam cada um três votos, com os outros dois recebendo um voto.

*** Em uma nova votação para desempatar, Dark Passion Play e SMPT:e receberam ambos quatro votos cada. Como o Nightwish teve mais discos representados e citados nas listas individuais, então Dark Passion Play ficou com a nona posição.


Listas individuais

ANDERSON

1. Shaman – Ritual
2. Angra – Temple of Shadows
3. In Flames – Clayman
4. System of a Down – Tocixity
5. Audioslave – Audioslave
6. Amy Winehouse – Back to Black
7. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
8. Rush – Vapor Trails
9. Maria Rita – Maria Rita
10. Racionais MC’s – Nada Como Um Dia Após O Outro Dia

ANDRÉ

1. Nightwish – Dark Passion Play
2. Celtic Frost – Monotheist
3. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
4. Angra – Temple of Shadows
5. Dream Theater – Octavarium
6. Hidria Spacefolk – Symetria
7. Shaman – Ritual
8. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
9. Kamelot – The Black Halo
10. Rodrigo y Gabriela – 11:11

DANIEL

1. Mastodon – Crack the Skye
2. Opeth – Damnation
3. Amy Winehouse – Back to Black
4. Iron Maiden – Brave New World
5. System of a Down – Toxicity
6. Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf
7. Nevermore – Dead Heart in a Dead World
8. Angra – Temple of Shadows
9. Porcupine Tree – Fear of a Blank Planet
10. Audioslave – Audioslave

DAVI

1. Amy Winehouse – Back To Black
2. Audioslave – Audioslave
3. Maria Rita – Maria Rita
4. Slipknot – Iowa
5. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
6. Nightwish – Wishmaster
7. System of a Down – Mezmerize
8. Kiss – Sonic Boom
9. Evanescence – The Open Door
10. Chickenfoot – Chickenfoot

FERNANDO

1. Iron Maiden – Brave New World
2. Spock’s Beard – Snow
3. Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
4. Blackfield – Blackfield
5. Angra – Temple of Shadows
6. Opeth – Damnation
7. Porcupine Tree – In Absentia
8. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
9. The Mars Volta – De-Loused in the Comatorium
10. Anthrax – We’ve Come for You All

LIBIA 

1. Shaman – Ritual
2. Angra – Rebirth
3. Exodus – Tempo of the Damned
4. Halford – Resurrection
5. Masterplan – Masterplan
6. Kreator – Violent Revolution
7. Rage – Unity
8. Tony Iommi – Iommi
9. Amy Winehouse – Back to Black
10. Porcupine Tree – In Absentia

MAIRON

1. Los Hermanos – 4
2. Beardfish – Sleeping in the Traffic
3. Amy Winehouse – Back to Black
4. Los Hermanos – Ventura
5. Heaven & Hell – The Devil You Know
6. Madonna – Confessions on a Dance Floor
7. System of a Down – Toxicity
8. Los Hermanos – Bloco Do Eu Sozinho
9. Exodus – Shovel Headed Kill Machine
10. Audioslave – Audioslave

MICAEL

1. Transatlantic – SMPT:e
2. Rush – Snakes & Arrows
3. Nightwish – Century Child
4. Dream Theater – Octavarium
5. Rush – Vapor Trails
6. Iron Maiden – Brave New World
7. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
8. Metallica – Death Magnetic
9. Children of Bodom – Follow the Reaper
10. Shaman – Ritual


DISCOS ELEITOS ENTRE 2000 E 2009

Amorphis – Skyforger
Amy Winehouse – Back to Black
Angra – Rebirth
Angra – Temple of Shadows
Anthrax – We’ve Come for You All
Arch Enemy – Wages of Sin
Arcade Fire – Neon Bible
Ark – Burn the Sun
Audioslave – Audioslave
Beardfish – Sleeping in Traffic: Part Two
Bigelf – Cheat the Gallows
Blackfield – Blackfield
Blaze – Silicon Messiah
Blaze Bayley – The Man Who Would Not Die
Bon Jovi – Crush
Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile
Bruce Dickinson – Tyranny of Souls
Bruce Springsteen – Magic
Cachorro Grande – Cachorro Grande
Celtic Frost – Monotheist
Chickenfoot – Chickenfoot
Children of Bodom – Follow the Reaper
Crashdïet – The Unattractive Revolution
David Gilmour – On an Island
Destruction – The Antichrist
Dream Theater – Octavarium
Dream Theater – Six Degrees of Inner Turbulence
Dream Theater – Train of Thought
Europe – Start From the Dark
Evanescence – The Open Door
Exodus – Shovel Headed Kill Machine
Exodus – Tempo of the Damned
Gotthard – Lipservice
Gotthard – Need to Believe
Guns N’ Roses – Chinese Democracy
Halford – Resurrection
Heaven & Hell – The Devil You Know
Hidria Spacefolk – Symetria
Immortal – Sons of Northern Darkness
In Flames – Clayman
Iron Maiden – A Matter of Life and Death
Iron Maiden – Brave New World
Iommi – Fused
J Dilla – Donuts
Joanna Newsom – Ys
Kamelot – Epica
Kamelot – Ghost Opera
Kamelot – Karma
Kamelot – The Black Halo
Kiss – Sonic Boom
Kreator – Enemy of God
Kreator – Violent Revolution
Los Hermanos – 4
Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
Los Hermanos – Ventura
Madonna – Confessions on a Dance Floor
Madvillain – Madvillainy
Maria Rita – Maria Rita
Masterplan – Masterplan
Mastodon – Crack the Skye
Megadeth – Endgame
Metallica – Death Magnetic
Mötley Crüe – Saints of Los Angeles
Nevermore – Dead Heart in a Dead World
Nightwish – Century Child
Nightwish – Dark Passion Play
Nightwish – Once
Nightwish – Wishmaster
Opeth – Damnation
Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
Pata de Elefante – Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha
Paul Stanley – Live to Win
Pelican – Australasia
Porcupine Tree – Fear of a Blank Planet
Porcupine Tree – In Absentia
Portishead – Third
Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf
Racionais MC’s – Nada Como Um Dia Após Outro Dia
Rage – Soundchaser
Rage – Speak of the Dead
Rage – Unity
Rammstein – Mutter
Richie Kotzen – Get Up
Richie Kotzen – Go Faster/Return of the Mother Head’s Family Reunion
Robert Plant & Alison Krauss – Raising Sand
Rodrigo y Gabriela – 11:11
Richard Hawley – Lowedges
Riverside – Second Life Syndrome
Rush – Snakes & Arrows
Rush – Vapor Trails
Scorpions – Humanity: Hour 1
Shaman – Reason
Shaman – Ritual
Skank – Cosmotron
Sleep – Dopesmoker
Slipknot – All Hope Is Gone
Slipknot – Iowa
Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses
Spock’s Beard – Snow
Steel Panther – Feel the Steel
System of a Down – Hypnotize
System of a Down – Mezmerize
System of a Down – Steal This Album!
System of a Down – Toxicity
Take That – Beautiful World
Testament – The Formation of Damnation
The Mars Volta – De-Loused in the Comatorium
The White Stripes – Elephant
Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Tony Iommi – Iommi
Transatlantic – SMPT:e
Tribuzy – Execution
Tuatha de Danann – Trova di Danú
Ulver – Shadows of the Sun
Video Hits – Registro Sonoro Oficial
Whitesnake – Good to Be Bad
Wilson Hawk – The Road
Winger – IV

17 comentários

  1. André Kaminski

    Anderson e Daniel emplacaram seis discos. Eu nunca emplaquei mais do que quatro.

    Orra Mairon, três discos do Los Hermanos. Assim você complica para a gente escapar dos caras.

    No mais, eu até gostei da lista final. Vários discos de destaque dentro de seus gêneros.

    Responder
    • Mairon

      Pena que não dá para colocar mais!!! Agora na lista dos 2010-2019, com certeza no mínimo 5 Anitta e Pablo Vittar!!!

      Responder
      • Igor Maxwel

        Vou adiantar o meu top 5 dos melhores de 2010-2019 com menção honrosa:
        1. Accept – Blind Rage (2014)
        2. Judas Priest – Firepower (2018)
        3. Accept – Blood of the Nations (2010)
        4. Judas Priest – Redeemer of Souls (2014)
        5. Accept – Stalingrad (2012)

        Menção honrosa: Iron Maiden – The Final Frontier (2010).

    • Davi

      A lista ficou boa. E esse disco do Los Hermanos é bacana. Ainda bem que não entrou o Los Hermanos 4. Daí, sim, iria ser sofrimento…

      Responder
  2. Igor Maxwel

    Hoje a consultoria ataca novamente com mais uma lista de melhores discos lançados em uma década respectiva e que já foram analisados anteriormente pelo site. Agora focando a década de 2000, a virada do milênio, dentre os escolhidos aqui só vou falar de apenas um álbum.

    Falarei um pouco sobre Brave New World, discaço do Iron Maiden que foi eleito merecidamente o melhor álbum do primeiro ano dessa virada de milênio, apesar de não concordar muito com o resultado (já que para mim o melhor disco do ano 2000 foi Resurrection, do então ex-vocalista do Judas Priest em carreira solo Rob Halford acompanhado de sua então banda nova). Mas vamos ao primeiro (e hoje clássico) disco da donzela de ferro com a formação atual “sexteto”, um dos primeiros que ouvi da banda, justamente na época de seu lançamento.

    Após ocupar a primeira colocação da década de 1980 com The Number of the Beast (1982) e mais uma outra posição com o controverso Seventh Son of a Seventh Son (1988), conhecido como “o disco que eu não pedi para que entrasse naquela lista” e sendo a presença que mais gerou debates – Powerslave (1984), seria a opção mais adequada, ou qualquer outro disco de qualquer artista caso não fosse o Maiden pela segunda vez – e depois de se ausentar na lista dos anos 1990, a trupe de Steve Harris inicia a nova década com os retornos de Bruce Dickinson e Adrian Smith, dando assim a origem da formação atual da banda, com três guitarristas. Vale ressaltar que Adrian foi o primeiro a sair no fim dos anos 1980 e Dickinson saiu depois, no começo dos anos 1990, após a turnê de Fear of the Dark (disco de 1992 que nem sequer apareceu em alguma lista). Nesse meio tempo em que eles estavam ausentes, o grupo de Harris se “matava” com Blaze Bayley nos vocais ao lançarem dois discos totalmente fracos.

    Após Dickinson e Adrian terem feito com a turma do produtor Roy Z uma dose dupla “oposta” de dois grandes discos – Accident of Birth (1997) e The Chemical Wedding (1998) – os dois finalmente puderam convencer aos fãs (e principalmente a Harris) que estavam de volta ao heavy metal, após experiências frustradas em outros gêneros fora de seus padrões. E com isso, o chefão resolveu chamar Bruce e Adrian de volta para a sua banda, porém não demitiu aquele “palhaço” do Janick Gers – o mais desnecessário dos três guitarristas da donzela, na minha opinião. Nicko McBrain (baterista) e Dave Murray (o outro guitarrista) completam o time, não posso me esquecer deles.

    Enfim, o resultado de Brave New World encantou e impressionou verdadeiramente a todos os fãs e admiradores do Iron Maiden, e a banda iniciou o novo milênio com todas as coisas em seus devidos lugares (quem assistiu o show deles no terceiro Rock in Rio de 2001 aqui no Brasil pode comprovar isso). Não destacarei nenhuma música deste trabalho e recomendo que ouçam-o do começo ao fim e se emocionem com este verdadeiro renascimento que o ano de 2000 proporcionou para todos nós. UP THE IRONS, por todo o sempre!

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  3. Diogo Bizotto

    Desta vez, não vou me dar o trabalho de ordenar os discos conforme minha preferência. Muitos deles eu não ouço há tempos, então corro risco de ser bastante injusto (não que haja uma graaaaande diferença de qualidade entre um suposto primeiro e um décimo). Além disso, é uma década sobre a qual tenho grandes deficiências, acima das deficiências normais das décadas anteriores. Conforme as regras da série, esse seria meu top 10, em ordem alfabética:

    Bruce Springsteen – Magic
    Celtic Frost – Monotheist
    Immortal – Sons of Northern Darkness
    Iommi – Fused
    Kamelot – The Black Halo
    Opeth – Damnation
    Rammstein – Mutter
    Slipknot – Iowa
    System of a Down – Toxicity
    Winger – IV

    E esse seria meu top 10 sem precisar me ater a regras. Coloquei dois Opeth, e por pouco não coloquei quatro. Minha descoberta dessa banda, nos últimos anos, foi uma das melhores coisas que me ocorreram.

    Bruce Springsteen – The Rising
    Immortal – Sons of Northern Darkness
    Iommi – Fused
    Opeth – Blackwater Park (a obra maior da década)
    Opeth – Damnation
    Rammstein – Mutter
    Richie Kotzen – Change
    Richie Kotzen – Into the Black
    Slipknot – Iowa
    System of a Down – Toxicity

    Responder
    • André Kaminski

      Olha só, emplacaríamos um Celtic Frost em quinto lugar. Pena que tomaria o lugar do também ótimo Transatlantic.

      Responder
      • Diogo Bizotto

        Lembre-se, André, que meu ranking está em ordem alfabética. O Celtic Frost ocuparia uma das cinco posições mais abaixo. O top 5 obedecendo as regras, no caso, seria formado por Immortal, Iommi, Opeth, Rammstein e System of a Down, com um top 3 quase certamente formado por Immortal, Opeth e SOAD. Espero que não tenha ficado muito confuso (rizos).

  4. Diogo Bizotto

    Vendo da perspectiva atual vejo que esse álbum foi usado como um laboratório do que seria o futuro da banda

    Acho que você foi bonzinho, Fernando. Quem me dera se o Opeth tivesse seguido (mesmo que em partes, estagnação não) a linha de “Damnation” nos álbuns mais recentes.

    Responder
  5. Anderson

    Sorte de principiante aqui. Hahah. E Mairon, ainda bem que o loser manos acabou. :p

    Responder
  6. Gabriel

    É um disco que passou despercebido à época e não figura como um dos melhores do cantor, mas para mim cresce a cada audição; é o “Up” do Peter Gabriel de 2002. “Inferno” do Motörhead e “Sounds of The Universe” do Depeche Mode também são excelentes.

    Responder

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