Por Daniel Benedetti

Durante o começo de 1969, Rickey Medlocke e Greg T. Walker conheceram o nova-iorquino Charlie Hargrett, em Jacksonville, na Flórida, e formaram uma banda chamada “Fresh Garbage”. O grupo contava com Medlocke na bateria e vocais, Walker no baixo, Hargrett na guitarra, e Ron Sciabarasi nos teclados. Eles faziam a maior parte de seus shows no The Comic Book Club, na Forsyth Street.

Naquele mesmo ano, o Fresh Garbage se dissolveu após a saída de Sciabarasi. No entanto, Medlocke, Walker, e Hargrett se reagruparam e formaram outra banda, o Hammer, a qual contava com Medlocke agora como vocalista/guitarrista e com novos recrutas: Jakson Spires (bateria), DeWitt Gibbs (teclados) e Jerry Zambito (guitarras).

Gibbs e Zambito já haviam tocado juntos no Tangerine. Eles logo se mudaram para Gainesville, Flórida, para serem a banda de um estabelecimento chamado Dub’s, um bar de topless bem conhecido na periferia da cidade. No começo de 1970 a banda se mudou para Manhattan e, no mesmo ano, depois de conhecer outra banda da Costa Oeste chamada Hammer, decidiu mudar seu nome novamente, agora, para Blackfoot. O novo nome representava a herança indígena americana de Walker, Spires e Medlocke (Spires tinha ascendência Cherokee, Medlocke parte Sioux, e Walker parte Eastern Creek, esta, uma tribo indígena da Flórida).

Quando o grupo não conseguiu adquirir um contrato com uma gravadora como resultado da sua mudança para Nova Iorque, Gibbs saiu da banda e Medlocke começou a tocar guitarra-base em tempo integral.

Blackfoot Live

Em 1971, Medlocke e Walker aceitaram uma oferta para se juntarem ao Lynyrd Skynyrd e o Blackfoot terminou suas atividades por algum tempo. Houve uma breve tentativa do conjunto se reagrupar durante 1972, mas Medlocke saiu novamente e Walker se juntou ao The Tokens, o qual logo depois mudou seu nome para Cross Country. Em 1972, Hargrett havia decidido se mudar para a Carolina do Norte e convidou Medlocke, que havia deixado o Lynyrd Skynyrd por esta altura, a reformar o Blackfoot com Leonard Stadler no baixo e Spires retornando como baterista.

Danny Johnson (que mais tarde foi de bandas como Derringer e Steppenwolf), que era de um grupo de Louisiana, o Axis, foi contratado como segundo guitarrista. Mas Medlocke logo decidiu ser tanto o principal vocalista quanto guitarrista novamente, e, assim, o período de Johnson com a banda foi breve.

Já em 1973, Stadler saiu da banda depois que um tumor foi descoberto em um de seus pulmões (que mais tarde foi curado). Assim, Greg T. Walker foi convidado para se juntar ao grupo novamente. Em 1974, a banda tinha retornado a sua base de operações para New Jersey e Medlocke desenvolveu nódulos nas cordas vocais e, temporariamente, perdeu a voz. Outro vocalista, Patrick Jude, foi trazido para a banda.

Depois de um breve período de tempo, Medlocke era capaz de cantar novamente e Jude foi demitido. Em sequencia, Medlocke e Walker enviaram aos produtores/músicos de estúdio, Jimmy Johnson e David Hood, uma cópia de material do Blackfoot. Johnson e Hood haviam trabalhado com Medlocke e Walker no Muscle Shoals, Alabama, quando estavam lá durante uma gravação com o Lynyrd Skynyrd.

No Reservations, o primeiro álbum de estúdio do grupo, foi lançado pela gravadora Island Records durante 1975 como parte de um negócio realizado pelo então gerente do Blackfoot, Lou Manganiello.

Logo no ano seguinte, veio o segundo álbum gravado, Flying High, o qual foi lançado pela Epic Records, durante 1976.

Greg T. Walker

Ambos os álbuns gravados foram produzidos por Johnson e Hood. Embora possuíssem suas qualidades, ambos não repercutiram em termo de paradas de sucesso e não lograram êxito comercial. Ao final de 1975, o grupo estava vivendo novamente em Gainesville, Florida. Durante 1977, eles se ligaram ao manager do Black Oak Arkansas, Butch Stone, quem os contratou como o grupo de apoio para uma de suas clientes, Ruby Starr. Ruby havia sido uma cantora de backing vocal para o Black Oak, mas agora estava se empenhando em promover uma carreira-solo. Após a passagem com a Ruby terminar durante 1978, o Blackfoot se encontrou com o manager da banda Brownsville Station, Al Nalli, e com seu parceiro, Jay Frey, que lhe ofereceu um contrato com o selo Atco Records.

Assim, seu terceiro álbum de estúdio, Strikes, foi produzido pelo próprio Al Nalli e projetado pelo baterista do Brownsville Station, Henry Weck. O disco foi gravado no estúdio construído no porão da casa de Nalli, em Ann Arbor, Michigan, e foi concluído por volta de janeiro de 1979. Baseado no sucesso de “Train, Train” e de “Highway Song”, Strikes foi o primeiro sucesso comercial do Blackfoot. O álbum acabou atingindo a boa 42ª posição na principal parada de discos norte-americana, a Billboard.

Aproveitando o sucesso, o grupo excursionou com frequência durante o ano de 1979; incluindo um show como banda de abertura para os gigantes ingleses do The Who, no Silverdome, em Pontiac, Michigan. Ao mesmo tempo, a banda envolvia-se com o desenvolvimento de seu próximo álbum, Tomcattin’.

Tomcattin’ foi gravado durante o ano de 1980, em diferentes estúdios, com a produção ficando a cargo de Al Nalli e Henry Weck. Novamente, o selo responsável foi o Atco Records. O disco seria lançado em junho daquele mesmo ano. “Warped” abre o disco com uma ‘porrada’ Hard bastante frenética, de extrema intensidade. “On the Run” mantém o peso inicial, mas aposta em um ritmo mais cadenciado, de influência bluesy. “Dream On” segue a mesma pegada da faixa que a precede, mas com teclados muito proeminentes. “Street Fighter” flerta com o Hard Rock mais melódico, especialmente no refrão.

Rickey Medlocke

O sentido de urgência retorna com tudo em “Gimme, Gimme, Gimme” que, até o momento, é a faixa que guarda mais semelhança com os primórdios do próprio Blackfoot. “Every Man Should Know (Queenie)” mantém a pegada Hard e antecede a boa “In the Night”, a qual conta com ótimos momentos das guitarras. “Reckless Abandoner” permanece na sonoridade padrão do trabalho, ou seja, tendo como base a pegada Hard Rock. “Spendin’ Cabbage” possui um clima Country bem interessante e seu clima contagia. “Fox Chase” encerra o disco com agressividade e bons solos de guitarras.

Tomcattin’ conquistou a 50ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, a Billboard.

Em suma, Tomcattin’ é um álbum que aposta mais na roupagem Hard Rock que propriamente no chamado Southern Rock. O disco conta com bons riffs, peso em boa medida e ótimos refrãos. Destaques óbvios são a abertura “Warped”, a slide guitar de “Every Man Should Know (Queenie)” e a pegada Country/Blues de “Spendin’ Cabbage”.

Embora o álbum não tenha gerado singles de sucesso, foi suficiente para manter a base de fãs dedicada, e continua sendo um item popular no catálogo do Blackfoot. Marauder, o sucessor, seria lançado em 1981.

Formação:

Rickey Medlocke – vocal, guitarra

Charlie Hargrett – guitarra

Greg T. Walker – baixo, teclados

Jakson Spires – bateria, percussão

Músicos adicionais:

Shorty Medlocke – gaita em “Fox Chase”

Pat McCaffrey – teclados e saxofones

Henry Weck – percussão

Donna Davis, Pamela Vincent, Melody McCully – backing vocals

Peter Ruth – gaita elétrica

Faixas:

  1. “Warped”
  2. On the Run
  3. Dream On
  4. Street Fighter
  5. Gimme, Gimme, Gimme
  6. Every Man Should Know (Queenie)
  7. In the Night
  8. Reckless Abandoner
  9. Spendin’ Cabbage
  10. Fox Chase

Blackfoot

3 comentários

  1. André Kaminski

    Diogo Bizotto aprova este texto hahahahahahahaha!

    Aliás, dei uma olhada aqui e percebi que também não cheguei a ir atrás do Blackfoot, que por sinal, faz um som que me interessa bastante.

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