Por Daniel Benedetti

Em 1976, o AC/DC assinou contrato com a gravadora Atlantic Records e começou a excursionar extensivamente na Europa em busca de obter sucesso internacional. A banda iniciou uma grande turnê no Reino Unido, chamada “Lock Up Your Daughters Summer Tour”.

Nesta época a banda ganhou muita experiência no palco, pois foi abertura de diversos outros grandes conjuntos do momento: Black Sabbath, Aerosmith, KISS e Blue Öyster Cult. Dessa forma, com suas apresentações explosivas, o AC/DC foi formando uma base sólida de fãs, principalmente na Inglaterra.

Ainda em 1976, a banda teve seu primeiro lançamento internacional, um álbum que trazia uma compilação entre o primeiro e o segundo álbuns lançados na Austrália: respectivamente, High Voltage e T.N.T. (ambos de 1975). Na verdade, apenas “Little Lover” e “She’s Got Balls” foram lançadas no álbum High Voltage, as demais eram originalmente do álbum T.N.T. O nome da compilação também foi High Voltage e, até hoje, já vendeu mais de três milhões de cópias.

 

Mais tarde, ainda no ano de 1976, a banda lança o álbum Dirty Deeds Done Dirt Cheap. O trabalho foi lançado com versões diferentes na Austrália e internacionalmente. A versão australiana continha o clássico “Jailbreak”, enquanto a versão internacional possuía a canção “Rocker”, presente no álbum T.N.T. original. Dirty Deeds Done Dirt Cheap conseguiu bastante repercussão na Europa e, em especial, no Reino Unido, e propiciou ao AC/DC obter um público cada vez maior e, gradualmente, a imprensa britânica passou a associar a banda ao movimento Punk.

Neste momento, a formação do grupo contava com Angus Young na guitarra solo, Malcolm Young na guitarra base, Phil Rudd na bateria, Mark Evans no baixo e Bon Scott nos vocais. Esta formação entra em estúdio no início de 1977 para gravar seu próximo trabalho, o que veio a se tornar Let There Be Rock. Logo após gravarem o álbum, o baixista Mark Evans deixa a banda, alegando divergências pessoais com o guitarrista Angus Young. Seu substituto foi o baixista Cliff Williams, que permanece na banda até os dias atuais.

Há diferenças entre o lançamento de Let There Be Rock na versão australiana e na versão internacional. A australiana conta com a música “Crasbody in Blue”, enquanto a versão internacional substitui a referida faixa pelo clássico “Problem Child”, já lançada em Dirty Deeds Done Dirt Cheap, de 1976. Let There Be Rock alcançou boa posição na parada britânica de álbuns, ficando com a 17ª posição. Já nos Estados Unidos, a banda permanecia ignorada até aquele momento, atingindo a modestíssima 154ª posição.

Mas já em 1977 a banda faria sua primeira apresentação nos Estados Unidos, quando o diretor de uma rádio do Michigan (AM 600 WTAC), Peter C. Cavanaugh, convidou a banda para tocar no Capitol Theater, em Flint, Michigan. A banda abriu seu show com “Live Wire” e fechou com “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll)”.

No início de 1977, eles retornaram à Grã-Bretanha e começaram uma turnê européia com o Black Sabbath. No final do ano, eles fizeram uma nova turnê com o Rainbow. Sob a orientação do agente de reservas Doug Thaler, da American Talent International e, mais tarde, da administração de Leber-Krebs, eles ganharam muita experiência no circuito de estádios dos EUA, apoiando alguns dos principais artistas da época, como Ted Nugent, Aerosmith, Kiss, Styx, UFO e Blue Öyster Cult e coliderando o line-up com bandas como Cheap Trick.

O AC/DC lançou seu quinto álbum de estúdio, Powerage, em 5 de maio de 1978, e com riffs ainda mais pesados, seguindo o projeto estabelecido por Let There Be Rock. Apenas um single foi lançado de Powerage, “Rock ‘n’ Roll Damnation/Sin City”. Uma aparição no Apollo Theatre, em Glasgow, durante a turnê Powerage, foi gravada e lançada como o disco ao vivo chamado If You Want Blood You’re Got It. O próximo álbum seria Highway to Hell.

Highway to Hell é o sexto álbum de estúdio do AC/DC, lançado em 3 de agosto de 1979 e produzido por Robert John “Mutt” Lange. O álbum foi gravado no Roundhouse Studios, em Londres, na Inglaterra, entre março e abril de 1979. Em fevereiro do mesmo ano, houve sessões no Criteria Studios, em Miami, na Flórida.

A primeira curiosidade sobre o álbum diz respeito justamente quanto à escolha do produtor. Antes de “Mutt”, Eddie Kramer foi o produtor no período de pré-produção, em janeiro de 1979, no Albert Studios, em Sidnei, na Austrália. O método de trabalho de Kramer irritou profundamente a banda, pois o produtor gostava de ficar horas a fio no estúdio, testando diversas versões das músicas, diferentes alternativas para a mesma faixa, buscando algo que nem mesmo ele saberia dizer. Enfim, tudo que o AC/DC mais odiava! Frise-se que Highway to Hell é o primeiro álbum da banda que não foi produzido por Harry Vanda e George Young, este, irmão de Angus e Malcolm.

A clássica capa do álbum, com Angus vestido de demônio também não foi o conceito adotado inicialmente. Em entrevista, Cliff Williams, o baixista, detalha o ocorrido: “Bom, eu me lembro como ‘Highway to Hell‘ surgiu”, explicou. “Acho que eles pegaram um ator. Um cara vestido como um tipo de vampiro, a coisa do Dracula com a capa e tudo mais. E ficou ridículo! Mas pusemos de qualquer jeito. Daí então eles vieram com a idéia que usamos na foto. Sim, poderia ter sido uma miserável foto de vampiro. Nada bom”. Supostamente, Highway to Hell foi a forma como Angus Young respondeu a um repórter quando este perguntou como era a vida em turnê, dormindo em um ônibus com os outros caras.

O riff principal de “Highway to Hell” foi criado por Angus Young. A letra foi escrita por Bon Scott e há diferentes versões para sua inspiração. A primeira seria sobre viagens de ônibus através do Oregon, nos EUA. A outra é de que se tratava das grandes distâncias entre Sidnei e/ou Melbourne e a cidade natal de Bon Scott, Perth.

“Girls Got Rhythm” possui a clássica sonoridade do AC/DC, divertida e direta, contando com um refrão simples, mas eficiente. “Walk All Over You” se apresenta com uma introdução mais contida, mas logo deságua em um Rock bem intenso. Logo em seguida, “Touch Too Much”, uma das melhores composições da discografia do grupo, com um refrão excelente e atuação impecável de Bon Scott.

“Beating Around the Bush” tem um riff bem interessante e uma pegada mais acelerada. Outra faixa bem clássica, a estonteante “Shot Down in Flames”, é outra amostra bastante fiel da sonoridade do grupo australiano. Já “Get It Hot” é bem curtinha, indo diretamente ao ponto. A excelente “If You Want Blood (You’ve Got It)” continua com o ótimo trabalho das guitarras no disco, demonstrando um dos solos bem inspirados de Angus Young. Em seguida, outra canção bem divertida com “Love Hungry Man”. Para encerrar o disco, a décima faixa é a bluesy –  e mais soturna – “Night Prowler”.

Highway to Hell atingiu a 8ª colocação na principal parada britânica desta natureza, bem como a 17ª posição em sua correspondente norte-americana. “Highway to Hell” e “Girls Got Rhythm” foram os singles, com a primeira atingindo o 24º lugar na principal parada britânica desta natureza.

Embora pareça, Highway to Hell não é uma coletânea. O álbum é a obra definitiva da carreira do vocalista Bon Scott e um dos principais trabalhos do AC/DC, uma comprovação de que a musicalidade simples da banda foi capaz de produzir canções memoráveis e de qualidade indiscutível. Highway to Hell seria o último álbum do AC/DC a contar com Bon Scott nos vocais, pois ele faleceria em fevereiro do ano seguinte, encerrando precocemente sua carreira aos 33 anos de idade.

Formação:

Bon Scott – Vocal

Angus Young – Guitarra Solo

Malcolm Young – Guitarra Base e Backing Vocals

Cliff Williams – Baixo e Backing Vocals

Phil Rudd – Bateria

Faixas:

  1. Highway to Hell
  2. Girls Got Rhythm
  3. Walk All Over You
  4. Touch Too Much
  5. Beating Around the Bush
  6. Shot Down in Flames
  7. Get It Hot
  8. If You Want Blood (You’ve Got It)
  9. Love Hungry Man
  10. Night Prowler

10 comentários

  1. André Kaminski

    O pessoal adora principalmente o Back in Black, mas eu gosto mais dessa fase com o Scott. Mesmo quando os caras assumidamente se repetem, nesses primeiros discos eles ainda tinham muitas idéias frescas para riffs e melodias bem bacanas.

    Este e Let There Be Rock são os meus atuais discos favoritos deles.

    Responder
    • Daniel Benedetti

      O AC/DC é a minha banda preferida (junto com o Iron Maiden). Gosto demais da fase Bon Scott e penso que foi mesmo a mais produtiva do grupo em termos de canções clássicas e discos memoráveis. Entretanto, ainda acho que Back in Black é o meu disco preferido dos caras!

      Responder
    • Davi Pascale

      A discografia da fase Bon Scott é impecável e muito mais forte do que da fase Brian Johnson, fato, mas não dá para negar que Back in Black e For Those About to Rock são tão bons quanto. Depois, realmente cai um pouco o nível.

      Responder
      • Daniel Benedetti

        É isso, na fase Brian Johnson as melhores músicas ficam mais espaçadas e os álbuns são mais irregulares mesmo.

  2. CLEIBSOM

    Gosto muito do AC/DC, mas não consigo entender a razão de BACK IN BLACK ser tão venerado e vendido tanto. Este me parece ser o caso de que o fenômeno, inexplicável, acaba influenciando as opiniões sobre ele. Falar que BACK IN BLACK não é um “clássico supremo” é uma heresia para as pessoas. Mas para mim ele é “apenas” um bom disco e não fica nem no top 3 dos melhores trabalhos da banda australiana.

    Responder
    • Vicente

      Fato! Não dá para negar que é um ótimo disco, mas acho os 2 anteriores melhores ainda. E, podem jogar as pedras, mas acho o FLY ON THE WALL o melhor disco com o Brian. A faixa-título é uma das melhores da banda para mim.

      Responder
      • CLEIBSOM

        Para mim a melhor é outra: SHAKE YOUR FOUNDATIONS. Se inesperadamente o AC/DC tocar esta música na vindoura turnê de despedida, pode ter certeza de que muitos marmanjos irão às lágrimas na plateia…

    • Diogo Maia de Carvalho

      De acordo. O Back In Black não está entre os meus prediletos do AC/DC e acho a fase Bon Scott muito superior em todos os sentidos. O Highway To Hell é o meu segundo favorito após o Let There Be Rock, que para mim é a obra-prima dos caras.

      Responder
  3. Igor Maxwel

    Eu ia dizer o que eu sempre digo em relação a fase do AC/DC com Bon Scott: “muito chato e sem graça”. Mas como não posso ser desrespeitoso com a memória do finado vocalista morto há 40 anos completados em fevereiro, apenas vou dizer que não gosto mesmo.

    Responder
  4. Renan Oliveira

    Do Highway to Hell eu gosto bastante da faixa-título, “Walk All Over You” e “Night Prowler”, mas o restante do disco eu acho bem irregular e inferior ao Powerage e Let There Be Rock . Sobre o Back in Black, acho que esse é uma obra-prima e um dos cinco melhores álbuns de hard rock já feitos. Meu pódio do AC/DC ficaria assim:
    1)Let There be Rock
    2)Back in Black
    3)Powerage

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.