Por Daniel Benedetti

Wishbone Ash é o álbum de estreia da banda britânica de mesmo nome, ou seja, o Wishbone Ash. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 4 de dezembro de 1970 com as respectivas gravações ocorrendo no mês de setembro daquele mesmo ano, no De Lane Lea Studios, em Londres, na Inglaterra. O produtor foi Derek Lawrence e o disco saiu pelo selo Decca/MCA.

O Wishbone Ash foi formado em torno do mês de outubro de 1969, sendo fundado pelo baixista Martin Turner e o baterista Steve Upton, na cidade de Torquay, na Inglaterra. O primeiro guitarrista do grupo foi o irmão do baixista Martin Turner, Glenn Turner, que tocava em um grupo chamado Tanglewood. Mas, brevemente, Glenn os deixa para retornar à sua cidade natal.

Assim, o Manager da banda, Miles Copeland III, publicou um anúncio em jornais procurando por um guitarrista e, também, por um tecladista para completarem o futuro conjunto que surgia.

Andy Powell

Para o posto de guitarrista, a disputa se encerraria com dois postulantes ao cargo: Andy Powell, um londrino que viu o anúncio no jornal musical Melody Maker. O outro candidato era Ted Turner – que não era parente de Martin – natural da cidade de Birmingham.

Incapazes de se decidirem por Powell ou Turner, a decisão marcou não só a formação do conjunto mas também o futuro do Rock: a solução foi deixar os dois guitarristas tomarem parte do grupo e ver como isto influenciaria a sonoridade da banda.

A musicalidade do grupo foi tomada pelo surgimento da chamada “twin lead guitars” (ou guitarras gêmeas). Diferentemente do som das guitarras da banda The Allman Brothers Band, o Wishbone Ash incluiu fortes elementos de rock progressivo, folk e música clássica.

Faltava, “apenas”, um nome para o grupo. Após os membros da banda escreverem vários nomes sugeridos em duas folhas de papel, Martin Turner pegou uma palavra de cada lista e formou o nome do conjunto – eram as mesmas ‘Wishbone’ e ‘Ash’.

Ted Turner

No início de 1970, a banda marcou um show de abertura para o já famoso grupo Deep Purple. Isto mudaria a história do Wishbone Ash. Durante a passagem de som, o guitarrista do Purple, Ritchie Blackmore, estava aquecendo sozinho no palco, quando Andy Powell subiu, ‘plugou’ sua guitarra e começou a tocar e a improvisar junto com Blackmore.

Blackmore, impressionado, posteriormente recomendou o Wishbone Ash ao produtor do Deep Purple, Derek Lawrence, ajudando a banda a garantir um contrato com a gravadora Decca / MCA Records.

“Blind Eye” se inicia com uma sonoridade bem bluesy, com um riff carregado de Blues Rock. A interpretação dos vocais também segue a linha, assim como a cozinha de Martin Turner e Steve Upton. “Lady Whisky” é um típico rock setentista com um pé no Hard e bastante melodia. As guitarras gêmeas dão as cartas e os vocais se casam muito bem com a parte instrumental da música. “Errors Of My Way” aposta em uma melodia surpreendentemente dotada de suavidade e, ao mesmo tempo, intensidade. As guitarras gêmeas, obviamente, dão as caras em um momento contagiante e espetacular.

“Queen Of Torture” é a menor faixa do disco e aposta em um som mais direto e simples, demonstrando um riff empolgante, no puro Hard Rock setentista. “Handy” é a maior música do disco, superando os 11 minutos. Uma belíssima e suave melodia servirá de base para a canção, quase que toda instrumental, recheada de solos matadores e guitarras gêmeas. “Phoenix” também é longa, superando a casa dos 10 minutos. Assim como sua predecessora, há influência do rock psicodélico e progressivo em sua constituição, com as guitarras de Andy Powell e Ted Turner brilhando de maneira impressionante.

Powell e Turner

O álbum de estreia do Wishbone Ash nunca foi um tremendo sucesso comercial. Mesmo assim, está longe de ser um fracasso. Acabou conquistando posições nas duas principais paradas de sucesso de álbuns: a mais que modesta 208ª colocação na parada norte-americana do gênero e a muito boa (em especial para uma banda desconhecida) 29ª em sua correspondente britânica.

O disco acabou ficando mais conhecido e demonstrando sua importância com o passar do tempo e à medida que o Wishbone Ash conseguiu ser uma banda mais conhecida e bem-sucedida comercialmente. O uso das guitarras gêmeas e a fusão de estilos e influências acabaram sendo reconhecidos pela imprensa especializada e se tornaram um marco no pioneirismo de seu uso.

Após sair em turnê para promover o seu álbum de estreia, o grupo começou a compor e gravar seu segundo disco, o afamado Pilgrimage, de 1971.

Em suma, em seu debut, a banda apostou em composições próprias e que mesclam, a sua veia Hard, de maneira satisfatória, elementos de Blues, do Rock Psicodélico e do Rock Progressivo. Há canções curtas e que funcionam muito bem como “Blind Eye” e a bela “Errors Of My Way”. Também, apresenta duas faixas longas, quase que instrumentais e de extremos bom gosto e inspiração: as ótimas “Handy” e “Phoenix”. Deste modo, o álbum Wishbone Ash é um pontapé certeiro para uma das mais criativas bandas da cena setentista.

Formação:

Andy Powell – Guitarra Solo,Vocal

Ted Turner – Guitarra Solo, Vocal

Martin Turner – Baixo, Vocal

Steve Upton – Bateria

Faixas:

  1. Blind Eye
  2. Lady Whisky
  3. Errors of My Way
  4. Queen of Torture
  5. Handy
  6. Phoenix

7 comentários

  1. MAIRON MELO MACHADO

    Um dos grandes discos da história. Eu sou um apaixonado por Phoenix, com certeza foi a música que me fez virar fã do Wishbone Ash. Handy é outro petardo, que sonzeira. Curiosamente ouvi esse disco ontem, e hoje o quatro. Até o Live dates, tudo di Ash é essencial.

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    • Daniel Benedetti

      Eu concordo. Meu preferido sempre foi o Argus, mas tenho ouvido este primeirão mais vezes ultimamente e ele só cresce a cada audição. Gosto do que a banda fez nos anos 70, mas seus anos iniciais são realmente especiais. Saudações!

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  2. Aylton

    Ótima resenha. Adoro essa banda. O som deles é diferenciado, principalmente nesse disco.

    Abs

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  3. Ronaldo

    Textaço…o Wishbone é foda, a banda já tinha um calibre alto desde a estreia. Não sabia dessa forcinha dada pelo Ritchie Blackmore. Muito legal!
    Abraço,

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  4. André Kaminski

    Aquela intro de bateria e depois aquele espancamento dos pratos de “Phoenix” é de arrepiar junto aos wah-wahs.

    Belíssimo disco.

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