Por Fernando Bueno

Fiquei surpreso quando vi esse disco na lista dos lançamentos no final do ano passado. Afinal o trabalho que Michael Denner fez ao lado de seu parceiro dos tempos de Mercyful Fate no Denner / Shermann, pelo menos para mim, foi muito bom e eu esperava uma continuação depois de apenas um EP e um álbum. Sei que alguns não gostam muito da performance de Sean Peck, mas eu entendo que sua voz, bastante peculiar assim como é a de King Diamond, acaba moldando o estilo musical da dupla em algo bastante interessante. Lembrando que os dois já tinham trabalhado juntos no Force of Evil, lançando dois discos nos anos de 2004 e 2005.

Outro motivo que me surpreendeu em relação à Michael Denner foi sua anunciada ausência na reunião do Mercyful Fate que vai ocorrer nesse ano de 2020. Fiquei muito feliz quando anunciaram o show da próxima edição do Wacken o que me dará a oportunidade de ver a banda uma segunda vez depois de 25 anos da antológica apresentação no Monster os Rock de  1995, mas triste por não ter a dupla original. Não sei bem o motivo dele não ter sido adicionado à essa turnê, justo o cara que na primeira separação do Mercyful Fate acompanhou King Diamond em sua carreira solo. Lembrando que na época Hank Shermann montou o Fate que tinha um direcionamento bem diferente de sua antiga banda, com sonoridade bem mais acessível e direcionada para as rádios. Caso queira conhecer mais sobre o Fate leia a resenha que fiz sobre um dos discos clicando aqui. Tudo bem que Denner já não fazia parte da banda quando esta gravou seus últimos dois discos – Dead Again (1998) e 9 (1999), mas esperava que ele voltasse já que estava trabalhando com Hank Shermann.

Acredito que In Amber saiu antes da hora prevista como uma espécie de resposta para sua ausência da turnê do Mercyful Fate. O EP Fountain of Grace já havia sido lançado em agosto de 2019 com duas faixas inéditas e um cover para “Rock Candy” do Montrose. Aí, antes mesmo de ter uma coleção de músicas suficientes para um álbum, criou-se, ao meu ver, a necessidade de colocar no mercado um álbum completo. Digo isso por que das dez faixas que estão no disco, cinco são regravações, “Matriarch” também do Montrose, “Up and On” do Tempest inglês, “Taxman (Mr. Chief)” do Cheap Trick, a faixa mais diferente do álbum, “Run for Cover” do Streetwalkers além de “Loser” do Trapeze. Todas essas músicas ficaram muito boas, mas convenhamos; parece ou não uma decisão para adiantar as coisas? Outro ponto é que das outras cinco faixas inéditas temos uma composição instrumental, “Castrum Doloris”, de pouco mais de um minuto de duração, quase uma vinheta, e duas foram trazidas do EP supracitado que havia sido lançado alguns meses antes. Além do mais o disco inicia com um cover, o que não é lá tão normal e, depois, alterna com uma inédita até o fim.

Chandles Mogel, Michael Denner, Fleming Muus e Bjane T. Holm

Pode parecer que eu estou reclamando do disco o que não é verdade. Gostei das regravações, achei que eles conseguiram dar uma unidade muito legal para músicas de bandas tão diferentes e as faixas próprias são muito boas, estou apenas questionando a pressa com que o disco parece que foi lançado. O resultado no geral seria uma amálgama do que Uriah Heep, UFO, Thin Lizzy, Lucifer’s Friend ou Nazareth faziam nos anos 70. Além do material de alta qualidade, outro ponto forte é a presença do excelente vocalista Chandles Mogel que participou de várias bandas anteriormente com maior destaque para uma carreira longa junto do Outloud. O cara canta demais e tem um timbre que remete aos ótimos grupos citados acima. Completam o line up o baixista Flemming Muus e o baterista Bjane T. Holm que gravou três discos com o Mercyful Fate desde 1996 e, ironicamente, estará presente na reunião desse ano.

In Amber deve serve para manter Michael Denner na ativa durante o tempo que a reunião do Mercyful Fate estiver acontecendo (com outro baterista talvez?). Não acredito que a reunião se desdobrará por muito tempo, já que King Diamond está anunciando um novo disco já tem mais de ano e sabemos que sua carreira solo é muito mais lucrativa para ele do que sua antiga banda. Entretanto, espero ouvir mais material inédito do Denner’s Inferno, pois entendo eu eles possam fazer muita coisa legal juntos e seria um desperdício deixar a parceria Denner / Mogel sem novas composições.

Track List
01 – Matriarch
02 – Fountain of Grace
03 – Up And On
04 – Sometimes
05 – Taxman (Mr.Thief)
06 – Veins of the Night
07 – Run For Cover
08 – Pearls On A String
09 – Loser
10 – Castrum Doloris

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