Editado por Fernando Bueno
Com André Kaminski e Mairon Machado

Três de nossos consultores avaliam o mais recente lançamento do Mad Man Ozzy Osbourne, que ocorreu no último dia 20 de fevereiro. Vamos as opiniões sobre Ordinary Man.


André: Só o legado que deixou no Sabbath faria de Ozzy Osbourne inesquecível no mundo da música. Um sujeito pobre, disléxico e sem terminar a escola, ele tinha todas as qualidades necessárias para se tornar mais um fracassado comum no mundo. Mas com tudo isso, ele tinha o sonho de ser um rockstar. Quando conseguiu, as drogas e a pingaiada quase o levaram desse mundo diversas vezes. Mas ele está aí. Velho, doente, mas com um amor incondicional ao mundo da música que o fizeram ser admirado por todos no mundo do rock. E nessas condições é que ele deixa este que muito provavelmente é o seu disco final da carreira. Não é o melhor disco dentre todos os seus da carreira solo. Mas nesse espírito de nostalgia de algumas canções com a modernidade de outras (aquelas com os rappers) temos aqui um disco digno de um sujeito que merece o nosso respeito. Um exemplo é “Straight to Hell” e seus ” alright now” remetendo ao Sabbath. Outra preferida foi “Holy for Tonight”, uma balada em que as batidas de bateria se sobressaem em um compasso lento e que me lembra outras da própria carreira de Ozzy. Tendo Andrew Watt como seu principal guitarrista, o gunner Duff McKagan no baixo e o Red Hotter Chad Smith na bateria e algumas participações especiais de Slash, Elton John e Post Malone, Ozzy deixa um registro com cara de despedida que é o respiro final de um guerreiro do metal que penou, se fodeu, se deu bem, se fodeu de novo mesmo depois de rico mas que sempre foi fiel aos seus fãs e possui a admiração de todos. Obrigado por tudo, Madman.

Fernando: Toda vez que Ozzy Osbourne anuncia um novo disco cria-se uma grande expectativa. Mesmo que os últimos lançamentos não tenham sido de grande nota notou-se uma certa ansiedade por Ordinary Man por conta das recentes idas e vindas de Mr. Madman dos hospitais para o repouso em sua casa e os cancelamentos de shows. Só fui ouvir o disco depois de ler muitos comentários negativos sobre o disco e não sei se isso me estimulou a tentar filtrar suas qualidades, mas desde já adianto que esse seja melhor que qualquer disco lançado após o bom Ozzmosis (1995). O disco tem alguns fillers óbvios – “Eat Me” é bem ruinzinha – mas várias faixas são bastante dignas de nota como “Straight to Hell”, que inicia em alto nível o disco e “All My Life” que possui um bom solo de guitarra. “Ordinary Man” poderia estar em No More Tears (1991). Possui um clima de crescente intensidade, e uma letra bastante pessoal e a participação de Elton John ficou ótima, pois a letra também serviria para ele perfeitamente, e quando ele canta parece até uma faixa dele mesmo. Certamente é o grande destaque do disco e a faixa que mais ouvi até agora. Porém fica claro a vontade de que esse álbum seja uma despedida de sua carreira e músicas como “Goodbye” e “Under the Graveyard” deixam isso bem Claro. Difícil não pensar que ele esteja não só se despedindo de sua carreira, mas também de sua existência e isso é muito triste. Podemos até mesmo pensar em um paralelo ao Blackstar (2016) lançado por David Bowie alguns anos atrás, apesar que no caso de Starman ele sabia que tinha pouco tempo de vida. Não posso deixar de citar o videoclipe de “Under the Graveyard” que poderia ser até um trailer para uma futura filmografia. Em várias faixas aparecem como uma espécie de vinhetas algumas das frases famosas do Ozzy em seus discos como “All Right Now”, “Going Fucking Crazy”, os inesquecíveis “Ohhh yeah!!” e mais alguns outros, reforçando a ideia de fechar o ciclo de uma carreira fantásticas cheias de sucessos. Até a capa faz alusão à famosa história com o morcego! Não falei de outras participações pois estou sem o disco em mãos e ainda não me aprofundei nisso, mas posso falar da participação de Post Malone e “Take What You Want” é a concessão que Ozzy fez por ter trazido um produtor oriundo do mundo do hip hop. Inclusive o título parece até alguma mensagem para o próprio produtor em uma faixa que poderia até ser lançada separadamente e não dentro do álbum. No geral é um álbum digno que demorou para sair, mas vai agregar à bela carreira do nosso amado Ozzy Osbourne.

Mairon: Confesso que esperava bem menos do novo álbum do Mad Man. O disco me surpreendeu muito positivamente, e mesmo estando longe de ser um clássico como Blizard of Ozz (1980) ou The Ultimate Sin (1986), é um álbum bem a frente de seus três antecessores. Ou seja, é o melhor disco de Ozzy neste século. Claro que o disco não é 100% perfeito (as melosas “Holy For Tonight” e “All My Life” não conseguiram me conquistar), mas no compto geral é muito bom. Destaque para a gaitinha saudosa em “Eat Me”, a monstruosa “Goodbye”, com uma virada sensacional na sua segunda metade, e a pancadaria monstra de “Straight to Hell”, além de Duff McKagan (ele mesmo) e Chad Smith, que formaram uma cozinha sensacional (aliás, Duff está tocando pra caralho hein?). Belo disco, que já pinta como forte encabeçador de listas de melhores ao final do ano. Ah, e nem me atrevo a comentar sua parceria com Elton John. Vá que dê polêmica….

5 comentários

    • André Kaminski

      Então cara, imagino que você tenha achado o disco fraco, o que compreendo perfeitamente porque, de fato, se formos ver apenas pela sua sonoridade, há muitos dele mesmo que são melhores.

      Mas eu sou daqueles que também analisa o contexto por trás do disco. Estamos falando de um sujeito destruído pelas drogas e o álcool (por culpa dele próprio, sim) e com Parkinson. Um dos fundadores do heavy metal que pode nos deixar desse mundo amanhã e ninguém ficará surpreso. Dentro de todas as suas limitações, ele ainda fez um disco decente. E eu acho isso admirável da parte dele e por isso, minha aprovação e meus elogios.

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  1. FábioRT

    Bom disco. É descente…com altos e baixos com uma leve tendência para os altos. Eu daria uma nota 6.0.

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  2. Diego Telles

    Não consigo parar de ouvir! Amo o Madman e gostei do álbum. Adorei a primeira faixa.

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