Por Daniel Benedetti

Narita é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Riot. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 5 de outubro de 1979, pelo selo Capitol Records. Os produtores foram Steve Loeb e Billy Arnell, com as gravações ocorrendo no Big Apple Recording Studio, em Nova York.

O Riot foi formado inicialmente no ano de 1975, na metrópole norte-americana Nova York quando o guitarrista Mark Reale e o baterista Peter Bitelli decidiram formar uma banda. Para tanto, recrutaram o baixista Phil Feit e o vocalista Guy Speranza. Através de toda a sua carreira o Riot sofreu com as várias e constantes mudanças na sua formação (especialmente nos vocais).

A formação acima citada foi a que gravou uma demo com 4 faixas a qual eles esperavam que fizesse parte de uma compilação (que eles mesmo propunham) e que conteria novas bandas de Rock. Enquanto o projeto não saía do papel, eles incluíram o tecladista Steve Costello.

Mark Reale distribuiu várias demos para os produtores nova-iorquinos Billy Arnell e Steve Loeb, os quais eram proprietários dos estúdios Greene Street Recording Studios e também do selo independente Fire-Sign Records.

Os produtores supracitados rejeitaram a proposta da compilação com novas bandas de rock, mas acabaram assinando um contrato com o Riot.

O grupo então adicionou um segundo guitarrista, Louie Kouvaris, e substituiu o baixista Phil Feit por Jimmy Iommi. Com Speranza nos vocais, Reale e Kouvaris nas guitarras, Iommi no baixo, Costello nos teclados e Bitelli na bateria; o Riot grava seu álbum de estreia, Rock City, em novembro de 1977.

Mark Reale

Rock City é um ótimo álbum, com apenas composições próprias. Ele apresenta um Heavy Metal bem clássico, mesclado com um Hard Rock que bebe nas fontes do incrível Deep Purple. O disco conta com excelentes canções como “Desperation”, “Warrior”, “Heart Of Fire” e a faixa-título, “Rock City”.

Já no primeiro álbum, há a aparição, na arte da capa, da bizarra mascote do grupo.

Embora o álbum seja muito bom e tenha garantido apresentações do Riot com bandas como Molly Hatchet e o AC/DC, o conjunto estava à beira da falência no início de 1979.

Mas a sorte, finalmente, bateu à porta do Riot. Naquele mesmo ano, 1979, nas terras britânicas efervescia um novo movimento que favoreceria bandas com som na linha do Riot: a New Wave Of British Heavy Metal.

Assim que a NWOBHM rompeu o mainstream, um dos seus principais incentivadores, o DJ Neal Kay (que havia ouvido e gostado de Rock City) começou a divulgar o nome dos norte-americanos do Riot no Reino Unido.

Guy Speranza

Assim, muitos fãs britânicos começaram a importar cópias de Rock City, aumentando a vendagem do grupo. Deste modo, Arnell e Loeb, os donos da Fire-Sign Records, os quais haviam gravado e produzido Rock City, sentiram-se encorajados a produzir um novo disco do Riot.

Durante as sessões de gravação deste novo álbum, o guitarrista Louie Kouvaris deixou o conjunto, sendo substituído pelo roadie Rick Ventura. A arte da capa consta com a bizarra mascote do Riot.

“Waiting for the Taking” começa com uma ótima levada que lembra certa inspiração no Hard setentista, especialmente os britânicos do Deep Purple. “49er” tem um riff mais pesado e cadenciado faz parte da introdução da música e este segue ditando o ritmo da faixa. “Kick Down the Wall” apresenta um ótimo riff e aposta em certa cadência que dá à música um ritmo mais lento e favorece demais sua melodia.

Mostrando sua influência das bandas clássicas do Rock, o Riot traz uma versão do clássico eternizado pelo Steppenwolf, “Born to Be Wild”. No entanto, o conjunto faz uma versão repleta de personalidade, dando um viés bem mais agressivo e feroz ao clássico. Com poucos mais de 4 minutos e meio, a faixa que dá nome ao álbum, “Narita”, é toda instrumental. “Here We Come Again” continua em seu Heavy Metal com forte influência do Hard Rock setentista. Os solos são pontos altos de “Do It Up”, pois são repletos de feeling.

Em “Hot for Love”, o Riot optou por fazer uma introdução pequena, mas de forma mais melódica e quase acústica. A faixa tem um ótimo riff, com uma pegada bem NWOBHM. “White Rock” é a menor faixa de Narita e segue em um ritmo mais forte desde o seu início, em um tom de Heavy Metal tradicional. “Road Racin’” surge com um riff sensacional e este abre a última canção do trabalho, logo aumentando sua velocidade, acompanhado por uma ótima atuação da bateria de Peter Bitelli, que auxilia na manutenção da rapidez da faixa.

Sem nunca ter sido um grande sucesso comercial, Narita acabou aumentando o sucesso do Riot nos Estados Unidos e Europa e evitou que a banda entrasse em falência. Boa parte deste mérito se deveu a turnê bem-sucedida pelo Texas que o grupo fez em suporte a Sammy Hagar e sua carreira solo.

Esta turnê bem-sucedida com Sammy Hagar fez com que a Capitol Records fizesse uma proposta de lançamento mundial para Narita, desde que o grupo aceitasse fazer uma nova turnê com Sammy pela Europa. Tanto a Capitol quanto Sammy Hagar gostariam de ter uma banda jovem e pesada associada a eles e o Riot cumpria todos estes requisitos.

A turnê do Riot pelo Reino Unido com Hagar foi um sucesso, mas assim que a mesma terminou, a Capitol Records descartou o Riot. Mas, mesmo assim, os managers da banda Billy Arnell e Steve Loeb gastaram seus últimos recursos para promoverem Narita na maior quantidade de Rádios possível, e assim permitiram uma maior repercussão para o trabalho.

A tática funcionou, pois permitiu que a Capitol Records optasse por lançar o próximo álbum do Riot, Fire Down Under, o qual foi seu maior sucesso comercial. Narita também era o nome de um grupo que o guitarrista Mark Reale se apresentava em San Antonio, no Texas, juntamente ao vocalista Steve Cooper (SA Slayer), o baixista Don Van Stavern (que integraria o Riot no futuro) e o baterista Dave McClain.

Formação:

Guy Speranza – Vocal

Mark Reale – Guitarra

Rick Ventura – Guitarra

Jimmy Iommi – Baixo

Peter Bitelli – Bateria

Faixas:

  1. Waiting for the Taking
  2. 49er
  3. Kick Down the Wall
  4. Born to Be Wild
  5. Narita
  6. Here We Come Again
  7. Do It Up
  8. Hot for Love
  9. White Rock
  10. Road Racin’

4 comentários

  1. André Kaminski

    O Riot nunca foi lá um grande destaque em minhas audições mas fazem aquele heavy metal que é como comer um pastel de carne: sempre tem o mesmo sabor, mas dificilmente é ruim.

    Apesar de alguns lançamentos um tanto mais genericões com o passar dos anos, tem dois discos deles que se destacam para mim: Nightbreaker de 1993 e justamente este Narita, que acho muito bom. Prefiro esses dois discos ao mais conhecido Fire Down Under. Das faixas, a minha favorita é “Hot for Love”. Bela resenha, Daniel.

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    • Daniel

      Muito obrigado, André. Gosto da banda e concordo que o som deles é bem metal tradicional. Na minha opinião não tem comparação mesmo, o Narita é de longe o melhor trabalho deles. Abraço!

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    • Daniel

      Tranquilo, longe de ser meu favorito, mas acho o Thundersteel um disco bacana.

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