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Por Pablo Ribeiro

2013 foi o ano do Black Sabbath. Reunindo a sua formação – quase – original, com o “Madman” Ozzy Osbourne, se juntando a dupla de cordas mais pesada e letal da história do Rock: O “riffmaster” Tony Iommi e o baixista Geezer Butler. Atingiram as mais altas posições de público e crítica com 13, primeiro disco de estúdio do trio original em 35 anos, uma paulada espetacular, digna dos melhores momentos do conjunto, álbum que nem mesmo a escolha equivocada do limitadíssimo Brad Wilk (Rage Against The Machine e Audioslave) na bateria tirou o brilho, e seguiram em uma tour triunfante pelo mundo (passando inclusive pelo Brasil), dessa vez com o excelente Tommy Cluffetos (da banda solo de Ozzy, ex-Rob Zombie) tocando com inacreditável competência as linhas do baterista original Bill Ward (que ficou de fora da festa por razões ainda a serem totalmente esclarecidas), onde a banda tocou – e ainda toca, já que a turnê continua – músicas de 13 bem como vários de seus clássicos assassinos de seus primeiros dez anos na ativa.

Aproveitando a popularidade alcançada pela banda nesse ano de 2013, a editora Darkside (do Rio de Janeiro) se adiantou e colocou no mercado o livro Destruição Desencadeada – A História Completa (adaptação do título original Doom Let Loose – An Illustrated History, lançado no exterior em 2006). E graças a essa sacada de conveniência da editora carioca, os fãs do quarteto finalmente têm a oportunidade de ter em mão uma versão em português desta que é uma das melhores biografias sobre o quarteto de Birmingham.

Edicao_Original_Do_Livro

Edição original do livro

E o material é de altíssima qualidade, tanto em conteúdo, quanto em apresentação. Essa aliás é uma qualidade pela qual editoria evidentemente prima muito. Começando por uma capa dura, em tratamento fosco, com o logotipo – em chamas – da banda (época Master Of Reality) envernizado, e passando pelo cuidado estético de todo o livro, percebe-se a preocupação em lançar um material de alta qualidade. Interessante notar a própria diagramação dos textos, que são divididos, em cada página, em duas colunas verticais, ao contrario de um único bloco retangular, como é comum quase todas as publicações de diversos gêneros.

Essa organização alternativa pode – a princípio – parecer um pouco cansativa de se ler, até por se distinguir do padrão, mas logo a leitura flui normalmente. A impressão interna (do miolo) das páginas de texto varia entre texto preto e/ou fotos (P&B) em página branca-reciclada e texto branco em página daquele roxo característico do conjunto (também da época de Master Of Reality). No final, ainda há quase 40 páginas em papel couché-brilho, incluindo dezenas de outras fotos (essas coloridas).

Visao_Geral_do_Livro

Visão geral do livro

Claro que nada disso valeria muita coisa caso o conteúdo de Destruição Desencadeada fosse fraco, mal escrito, ou de alguma forma, duvidoso. Pois bem: O capricho estético valeu cada gota de tinta. O texto de Martin Popoff é encorpado, informativo, direto e muito agradável de ler. Abundam informações valiosíssimas, curiosidades e histórias não tão conhecidas pelos fãs.

Ainda que o material do começo da banda (do final dos anos 60, antes mesmo de se chamarem de Black Sabbath, até os últimos anos da década de 70), indubitavelmente a melhor e mais poderosa fase da banda – com Osbourne nos vocais – receba uma atenção um pouco maior e seja agraciada com mais detalhes, todas as fases da carreira de quase cinco décadas do grupo é passada a limpo, via entrevista com os integrantes que passaram pelo conjunto, empresários e diversas outras pessoas envolvidas com o quarteto através desses 45 anos.

Muitas histórias são bem conhecidas do grande público, outras, apenas pelos fãs e por aqueles que seguiram a carreira do grupo de uma maneira mais constantes. O mais precioso, entretanto, são as questões que faziam parte do cotidiano interno da banda, revelados aqui, por aqueles que estavam lá, participando dos acontecimentos.

Muitas das histórias das partes não tão gloriosas da carreira do grupo são desvendadas pela primeira vez de maneira clara, como a demissão do falecido Ray Gillen, por exemplo, que se deu por causa da falta de comprometimento, profissionalismo e maturidade do talentoso músico. Essa história, como muitas, são validadas por vários membros do grupo e/ou equipe técnica, já em outras, há discordâncias.

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Black Sabbath através dos anos

As vezes de fato, mas na maioria das vezes de detalhes. Durante a leitura, as próprias personalidades de alguns músicos acabam por transparecer, revelando faces que nem sempre ficavam evidentes ao grande público. O também falecido Ronnie James Dio (tecnicamente o melhor vocalista a passar pelo conjunto, em trêsa oportunidades) por exemplo, por diversas vezes se mostra rancoroso e arrogante quando se trata de outros membros e formações do Sabbath, o que, apesar de forma alguma desclassificá-lo como uma das maiores, melhores e mais poderosas vozes do rock, não deixa também de ser um pouco decepcionante. Essa abordagem pessoal permeia o livro inteiro, que contempla as opiniões as de algumas das maiores lendas do rock das últimas décadas, bem como músicos de menos expressão, mas de inegável importância para o Black Sabbath.

Exatamente por isso, as informações aqui contidas são de uma precisão ímpar, já que fazem parte das memórias dos que estiveram lá, enquanto as coisas aconteciam. Tudo isso, costurado com maestria pelo respeitadíssimo Popoff (que, como fã, também contribui com suas lembranças), um dos melhores escritores de livros relacionados a Rock da atualidade, responsável por material sobre Rush, UFO, Rainbow, do próprio Dio, Judas Priest, Deep Purple e inúmeros outros.

O melhor e mais completo material sobre o quarteto de Birmingham, Destruição Desencadeada passa a limpo 45 anos de Black Sabbath, fazendo deste, leitura obrigatória para os fás da maior e mais influente banda de metal do mundo, e uma excelente pedida para quem quer conhecer, em mais de 400 páginas de ótimo texto e centenas de fotos, essa verdadeira entidade que mudou pra sempre o Rock and Roll. Compre!

3 comentários

    • André Kaminski

      Velho, agora em janeiro é nosso mês de férias e normalmente voltamos em fevereiro com matérias inéditas. Porém, você tem razão: Neil Peart é um caso especial, tal como foi também chocante a morte do Andre Matos. Agradeço a ideia e vou dar uma conversada com os caras.

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