Com André Kaminski, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Fernand Bueno, Mairon Machado e Micael Machado

Hoje, o Test Drive é sobre o EP do grupo alemão Olymp, que entrou em contato conosco por e-mail, mandando seu material. Veja a opinião de alguns de nossos consultores sobre Olymp.


André: Ao ouvir o início instrumental, já me lembrou na hora alguma faixa lado B do Iron Maiden. Quando entrou o vocal, me pareceu logo de cara o Chris Boltendahl do Grave Digger. Iron Maiden com o vocalista do Grave Digger parece ser algo legal não é? Infelizmente, nem tanto. É aquele típico trabalho “mazomeno” que não compromete mas também não empolga. A melodia instrumental é previsível, os riffs das canções são parecidos e o vocal parece inapropriado para esse tipo de canção. Há um momentinho bom aqui e ali, mas insuficiente para animar. Se fosse fazer uma recomendação aos caras, é se inspirar menos no Iron Maiden e mais no Grave Digger do começo da carreira sem a parte fantasiosa, quando eles eram mais speed metal. “Shut Down” é a melhor delas justamente por sair um pouco mais da linha Maiden. Enfim, mazomeno.


Daniel: Nostálgico. É assim que defino este EP, com apenas 4 canções que passam rapidamente. Se alguém me dissesse que se tratava de um disco resgatado diretamente dos anos 80, de alguma banda obscura da NWOBHM, eu possivelmente acreditaria. Fica evidente que a banda Olymp bebe fartamente (ou exclusivamente) nesta fonte supracitada, mas isto, a meu ver, não é um problema. As canções são baseadas no trabalho das guitarras, contando com ótimos riffs e solos bem legais, incluindo o uso amplo e irrestrito de guitarras gêmeas. Todas as faixas são boas, mas destaco “The Messanger” como minha preferida.


Davi: Foi com muita alegria que recebi o convite do Mairon para participar de mais um test drive. Essa é uma maneira muito bacana de ficarmos um pouco mais por dentro dos novos nomes que estão surgindo mundo afora. Sempre escuto os álbuns despido de preconceitos, e com a maior boa vontade do mundo, mas o escolhido dessa vez, não me cativou. Os garotos do Olymp apostam em um heavy metal tradicional, com bastante referência do som que era produzido na década de 80. (Até aí, lindo). Os arranjos deixam explícitos a admiração que eles têm pelo Iron Maiden. Algo perceptível em vários riffs e até algumas passagens de bateria. (Continua bonito). O problema é que as composições são fracas e falta malícia para os rapazes. (E escafedeu-se). Todas as músicas começam lento para crescer depois. Tudo bem, essa jogada existe não é de hoje e existem grandes músicas com essa fórmula. Só que não há necessidade de todas as músicas serem construídas assim. Seria interessante ter uma faixa mais direta, que já começa com a porrada comendo solta. A mixagem falta peso e, pior do que isso, deixa explícita a limitação dos músicos. O trabalho vocal também é bem fraquinho. Não tem uma passagem vocal que fique na sua cabeça. Falta personalidade, falta compositor, falta amadurecimento. Existem muitas bandas que começam sem prometer muita coisa e depois surpreendem se tornando grandes destaques na cena. Quem sabe esse não seja o caso deles? Não curti, mas boa sorte aos garotos.


Fernando: Lendo o press release que chegou para nós percebe-se que a banda é bastante ambiciosa, afinal “atingir o Olimpo dos deuses do metal” não é apenas um trocadilho com o próprio nome do grupo. Eles pelo menos entregam o que prometem, os riffs oitentistas, inclusive com timbragens bastante características da época, entretanto acho que ainda falta aperfeiçoar a parte vocal, que não é ruim, só não me parece ter um estilo próprio sendo forçadamente rouca em determinados momentos e com uns guturais aqui e acolá que não me parecem tão adequados. Mas no geral o que a banda apresenta deixa claro que se o objetivo é chegar ao topo do Olimpo o caminho ainda é longo e eles ainda nem saíram da cidade de Litochoro.


Mairon: O disco começa muito bem, com o riff pesado e grudento. Surgem as guitarras, e temos então a sensação de que voltamos aos anos 80, com o heavy metal muito bem tocado e o vocal bem encaixadinho, tudo certinho em “Lighting Eater”. Aí fica a expectativa para o solo, e quando ele surge, é rápido e muito, muito simples. Tipo, qualquer iniciante na guitarra poderia fazer algo similar. O cara até tenta ser um “virtuose”, mas por favor, falta bastante para isso. É o principal problema de Olymp, os caras tem uma ótima ideia de construção de música, mas os solos são tinhosos. “Fire and Fury” de novo investe em uma boa introdução, mas quando começa a música de verdade, é uma sequência de reaproveitamento do ritmo da anterior. O trecho central, que era pra ser “intrincado” e “trabalhado”, como se fosse a parte progressiva do metal, é vergonhoso. Depois de 5 tediosos minutos, chega o solo, de novo, que qualquer mirim em guitarra faz, e principalmente, cria. “Shut Down” é ainda mais vergonhosa. “The Messanger” de novo começa bem, mas se perde em uma faixa longa e insossa, e com um solo no mínimo constrangedor. Enfim, parece um grupo de adolescentes tentando fazer NWOBHM. A coisa não é ruim, mas honestamente, para um bando de barbados, esperava muito mais.


Micael: Metal oitentista com ótimos riffs de guitarra, baixão “na cara” do ouvinte, vocais que, por vezes, chegam a lembrar os de Cronos, do Venom, e uma velocidade um tanto quanto contida nas execuções das faixas. Este é o som do quarteto alemão Olymp, que debuta neste 2019 com seu primeiro EP de quatro faixas e pouco mais de 23 minutos, o qual leva o nome da banda. Em sua página do bandcamp, o grupo anuncia uma “versão limitada” do disco, pois “não temos dinheiro suficiente para uma versão ilimitada”… E esta falta de grana transparece na produção da bolachinha, que realmente soa como se tivesse sido gravada 35 anos atrás, e que, embora tenha deixado tudo plenamente audível, não transparece ter sido influenciada pelos recursos “tecnológicos” dos dias atuais (o que, convenhamos, cai muito bem com a proposta sonora da turma). Passando longe do revival thrash que assola as bandas “novas” atualmente, o grupo se foca em uma sonoridade mais obscura, lembrando por vezes um Mercyful Fate em seus primeiros dias (na parte instrumental, pois as linhas vocais exploram um espectro sonoro completamente diferente), ou um Venom menos agressivo e com maior domínio de seus instrumentos (além de aqui e ali aparecer um toquezinho de Saxon setentista na mistura). Atenção para o costume dos germânicos de fazerem introduções completamente diferentes do restante da melodia de suas canções (você pensa que a coisa vai para um lado, e, de repente, o som toma uma direção completamente oposta do que você imaginou). Não espere virtuosismos, grandes solos emocionantes ou empolgantes, nem passagens “épicas” ou com alguma característica medieval (apesar dos mais de sete minutos da faixa de encerramento, “The Messanger”, poderem nos enganar a princípio). A coisa aqui é hard rock metálico como se fazia bem no início dos anos 1980, e, se esta é sua praia, a diversão será plena e garantida. Sem destaques a apontar devido à regularidade do material, mas a indicação de uma atenta “orelhada” nas composições dos germânicos é totalmente apoiada. Confira!

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