Por Igor Miranda (Publicado originalmente no site Van do Halen)

Muitos podem achar que ele possui apenas dois álbuns. Mas Paul Andrews, o popular Paul Di’Anno conta com uma discografia bem mais extensa que seu trabalho de maior expressão pode mostrar – embora seja ele o que de mais valoroso foi mostrado ao público. Portanto, vamos ao que interessa.


Iron_Maiden_(album)_coverIron Maiden – Iron Maiden [1980]

Apesar de a produção de Will Malone ter recebido duras críticas de todos os membros do grupo (com motivos, diga-se de passagem), a estreia do Iron Maiden reúne uma seleção de músicas que a credencia a um dos grandes clássicos do Rock. Tomando a linha de frente da NWOBHM, Steve Harris e seus comandados já contavam com uma fiel legião de seguidores, que apenas aumentou após esse disco. Oferecendo climas e melodias sem perder a agressividade e crueza, a banda foi conquistando seu espaço, especialmente após a entrada do single “Running Free” nas paradas, fato que levou os músicos ao lendário programa Top of the Pops. Todas as faixas se transformaram em verdadeiros clássicos do grupo. Desde a abertura com “Prowler” até o encerramento com a canção que dá nome à banda, temos um verdadeiro desfile de hinos metálicos, com guitarras muito elaboradas para os padrões da época e a agressiva voz de Di’Anno combinando perfeitamente com a sonoridade mais Rock and Roll em relação ao que a banda faria posteriormente. A versão norte-americana contou com a inclusão de “Sanctuary” (também lançada como single) no track list. Apenas o primeiro passo de uma história coberta de glórias.

Paul Di’Anno (vocals), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarras), Dennis Stratton (guitarras), Clive Burr (bateria)

1. Prowler

3. Running Free

5. Transylvania

6. Strange World

7. Sanctuary

8. Charlotte the Harlot

9. Iron Maiden

 


Iron-Maiden-Killers

Iron Maiden – Killers [1981]

Duas peças fundamentais fizeram com que o Iron Maiden decolasse de vez em Killers. Primeiro, o lendário produtor Martin Birch, que finalmente conseguiu dar ao som do grupo o tratamento que ele merecia. Depois, a entrada daquele que é, na opinião deste que vos escreve, o melhor músico a passar pela banda em toda sua história. Com seu senso melódico superior, Adrian Smith caiu como uma luva e foi peça fundamental para que o conjunto se estabelecesse definitivamente como um dos maiores da história. Sua parceria de seis cordas com Dave Murray não é uma das mais lembradas de todos os tempos à toa. O segundo full-lenght mostra um quinteto entrosado, amadurecido e com ideias mais bem trabalhadas em relação ao debut. Paul se mostra confortável e dosa seu registro com experiência, permitindo-se variações que caíram como uma luva. Sobre as músicas, chega quase às raias do impossível apontar algum destaque. Sons como “Wrathchild” e a faixa-título se tornaram clássicos. Mas até as de menor projeção, como as alucinantes “Murders In the Rue Morgue”, “Purgatory” e “Another Life” merecem a mesma atenção. A versão norte-americana, mais uma vez, contou com a adição de uma canção exclusiva, “Twilight Zone”.

Paul Di’Anno (vocals), Steve Harris (baixo), Dave Murray (guitarras), Adrian Smith (guitarras), Clive Burr (bateria)

1. The Ides Of March

2. Wrathchild

4. Another Life

5. Genghis Khan

6. Innocent Exile

7. Killers

8. Twilight Zone

10. Purgatory

11. Drifter

 


Murder+One+1250807933_4ffb78e366f12cf3ed9Killers – Murder One [1992]

Após o primeiro fim de atividades do Battlezone, Paul Di’Anno entrou em contato com o amigo de longa data Cliff Evans e decidiu lançar outro projeto, com o sugestivo nome de Killers. Muder One trata-se, simplesmente, do que de melhor foi feito por Di’Anno após sua glória ao lado de Steve Harris e todo o time da Donzela de Ferro. Heavy Metal tradicional e agressivo, um verdadeiro convite a bater cabeça para qualquer fã. A agressividade do vocal chegava a arrepiar, lembrando seus mais gloriosos momentos. Some a isso uma banda totalmente envolta no espírito da empreitada e temos um play absolutamente memorável. Cacetadas certeiras como “Impaler” (abertura absolutamente alucinante) e “Marshall Lokjaw” são um verdadeiro convite para o espancamento coletivo. “The Beast Arises” é oitentista até a medula, com uma levada que chega a lembrar Accept da fase clássica. A longa “S&M”. junto com a trabalhada “Protector” também merecem destaque, assim como a cadenciada “Awakening” e sua intro que remete o ouvinte a outros sons tipicamente britânicos. Ainda há espaço para o ótimo cover de “Children of the Revolution”, do T-Rex e uma auto-homenagem com a regravação de “Remember Tomorrow”, para mostrar que o passado sempre acompanharia o vocalista e ele não via problema algum nessa verdade.

Paul Di’anno (vocals), Cliff Evans (guitarras), Nick Burr (guitarras), Gavin Cooper (baixo), Steve Hopgood (bateria)

1. Impaler

2. The Beast Arises

3. Children of The Revolution

4. S&M

5. Takin’ No Prisoners

6. Marshall Lokjaw

7. Protector

8. Dream Keeper

9. Awakening

10. Remember Tomorrow


Battlezone_Feel_My_PainBattlezone – Feel My Pain [1998]

Após passar um tempo atrás das grades (o que voltaria a acontecer recentemente), Paul resolveu reativar o Battlezone. Trazendo um approach bem mais moderno, Feel My Pain causou controvérsia junto aos mais conservadores, que não conseguem desligar a imagem do vocalista de seu passado. Outra atração para os fãs da NWOBHM é a presença de músicos do Tokyo Blade na formação, além do guitarrista brasileiro Paulo Turin, que se tornaria uma peça importante para o desenrolar do próximo disco que abordaremos na seção. Entre as músicas, destaque para a abertura com a faixa-título e a releitura para “Children Of Madness”, reentitulada “C.O.M. ‘98”. A clara referência à heroína em “Smack” mostrava a realidade de uma época obscura. Feel My Pain iniciava a longa relação de Di’Anno com o Brasil, onde o vocalista realizou a primeira grande turnê com o Battlezone, tocando por três semanas em shows com grande apelo popular. Apesar de algumas modernidades aqui e acolá, Feel My Pain é um trabalho que deve ser conferido pelos fãs mais ferrenhos.

Paul Di’Anno (vocals), John Wiggins (guitarras), Paulo Turin (guitarras), Colin Riggs (baixo), Marc Angel (bateria)

1. Feel My Pain

2. C.O.M. ‘98

3. Victim

5. Push

6. Snake Eye (Ode to…?)

7. Smack

8. The Black

9. Fear, pt. 1

 


61QMsNfSZMLDi’Anno – Nomad [2000]

Após nova dissolução do Battlezone, Paul buscou abrigo onde era mais querido, ou seja, em terras brazucas. Contando com o auxílio de seu amigo Paulo Turin, montou uma banda com músicos locais e gravou um novo trabalho. Direta ou indiretamente, o trabalho acabou antecipando a futura cozinha do Angra, unindo pela primeira vez o baixista Felipe Andreolli e o baterista Aquiles Priester. Musicalmente, Nomad funciona como uma espécie de resumo da carreira do vocalista. Temos elementos do Maiden, do Killers e do Battlezone fase dois, demonstrando muita diversidade sem perder o enfoque. Sons como a porrada “Mad Man in the Attic”, “Brothers of the Tomb” e a tradicional “War Machine” caíram no gosto dos fãs. Anos mais tarde, o álbum seria relançado lá fora com o título The Living Dead, que também é o de uma das faixas. Infelizmente, pouco foi feito para a divulgação, o que é uma pena, já que se trata de um grande disco. Ao menos serviu para estabelecer de vez a conexão de Di’Anno com o Brasil, onde é figurinha carimbada, com direito a shows em botecos e vilarejos, tocando muitas músicas das Spice Girls, como ele gosta de se referir ao Iron Maiden.

Paul Di’Anno (vocals), Paulo Turin (guitarras), Chico Dehira (guitarras), Felipe Andreolli (baixo), Aquiles Priester (bateria)

1. Intro

2. Mad Man in the Attic

3. War Machine

5. P.O.V. 2000

6. The Living Dead

7. Nomad

8. S.A.T.A.N.

9. Cold World

10. Do or Die

11. Dog Dead

Paul Di'anno

7 comentários

    • PAULO GUEIRAL

      Tbm acho , mas talvez o melhor disco do IM é o TNOTB , com outro Paul , só q Paul Bruce Dickinson !

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      • Igor Maxwel

        Eu, como fã de Powerslave, tenho que respeitosamente discordar de sua opinião, meu caro Gueiral…

      • Igor Maxwel

        Como assim “não, não é” ? Powerslave é sim o melhor disco da Donzela de Ferro nos dias de hoje. E quanto ao Di’anno, afirmo que o cara foi bom nos primeiros anos da banda, mas os problemas que ele tinha com o álcool e as drogas impediam o crescimento da banda de Steve Harris, e com isso ele levou um baita pé na bunda do patrão e o resto da história todo mundo já sabe…

  1. Igor Maxwel

    Não gosto do eterno “punk bêbado e drogado” da Donzela de Ferro, mas respeito quem gosta dele.

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  2. Fernando Bueno

    Gosto de muita coisa que o Paul Di Anno fez depois do Maiden. Mas o que sempre me incomodou foi a necessidade que ele tinha em sempre regravar alguma coisa dos dois primeiros discos do Maiden. Sempre me pareceu uma atitude bastante preguiçosa.

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