Por Davi Pascale

O Skid Row foi uma das últimas bandas de hard rock à se destacarem antes de ocorrer a explosão do grunge. Os garotos atingiram o estrelato já com seu debut, lançado em 1989. Porém, foi com seu segundo álbum, Slave To The Grind, que os músicos conquistaram respeito. O disco trazia um som mais pesado, uma aproximação maior ao heavy metal, embora as baladas continuassem presentes. A popularidade da banda crescia por minuto e realmente acreditava que se tornariam um dos grandes nomes do rock. Conseguia enxerga-los com uma popularidade tão grande quanto à de um Guns n Roses ou de um Van Halen. Uma pena que não tenham conseguido segurar a onda.

Naqueles tempos, era comum a gravadora lançar produtos especiais. Inúmeros singles, não só de diferentes músicas, mas diferentes versões, com capas e faixas complementares diferenciando de país para país. Formatos diferentes. Compactos, Lp´s promos, Lp´s pictures… Os colecionadores ficavam malucos. Esse álbum é uma compilação de covers que haviam sido lançados nesses singles e LP´s promocionais. Apenas 1 versão era inédita, de fato.

B-Side Ourselves é um trabalho muito bacana. Disco curtinho. 5 faixas distribuídas em aproximadamente 20 minutos. Aqui, era possível seus jovens seguidores descobrirem um pouco de suas influências, quem eram os artistas que faziam a cabeça deles quando garotos, que fizeram com que eles quisessem aprender a tocar um instrumento, montar uma banda… Como os caras surgiram no fim dos anos 80, era de se imaginar que suas principais influências viessem dos anos 70. E essa é a época que realmente predomina o repertório.

“Psycho Therapy”, clássico dos Ramones, abre o CD. Versão explosiva, rápida e pesada. Os vocais ficaram por conta do baixista Rachel Bolan. Trabalho vocal funcionou bem. O timbre de voz dele é bacana e combinou com a música. Ouvindo com atenção, você irá reparar em uma segunda voz de fundo. Trata-se de Taime Downe, músico conhecido entre os fãs de hard rock da época. O rapaz era vocalista de uma banda chamada Faster Pussycat. Banda que não teve um destaque muito grande, mas que gravou algumas coisas bacanas. O debut deles é bem interessante.

E eis que Sebastian Bach finalmente aparece no álbum. Quem conhece minimamente sua trajetória, sabe que o cantor é fanático pelo Kiss. Deve ter ficado muito contente em poder registrar um som de seus ídolos. Em “C´mon and Love Me”, os músicos mantiveram o arranjo, mas deram uma acelerada de leve e atacaram uma dose extra de peso. No final da canção, temos o músico soltando alguns de seus famosos agudos. Ficou muito bom..

“Delivering The Goods” vem a seguir. A faixa faz parte do repertório clássico do Judas Priest e surge aqui em um registro ao vivo, ao lado de Rob Halford. Uma vez que Sebastian e Halford estavam em seu auge, não precisa dizer que a gravação é destruidora. É simplesmente empolgante ouvir os dois berrando juntos. “What You Are Doing” é uma versão metalizada da galera do Rush. O instrumental é convincente, mas quem se destaca, mais uma vez, é Sebastian Bach. Essa é a fase que mais gosto dele, até esse disco é o que considero seu auge.

Para encerrar, temos uma interpretação destruidora de “Little Wing”, a tal faixa inédita. Lembro quando ouvi o CD pela primeira vez, na época, de ter pensado: “Skid Row tocando Hendrix!? Isso não vai funcionar….”. Estava errado. A gravação é sensacional. Trabalho de guitarra lindíssimo e, para variar, Sebastian quebrando tudo de novo. Essa música virou faixa de trabalho e ganhou um vídeo promocional, na época. Lembro que, assim como acontecia com “In a Darkned Room”, a versão do clipe era um pouco maior . Até hoje, lamento aquela não ser a versão oficial.

Claro… Não dá para comparar o nível técnico dos músicos do Skid Row com os músicos do Rush ou com Jimi Hendrix, mas também não dá para diminuir o trabalho deles. Souberam escolher direitinho qual música gravar e o que fazer. Tudo bem que se trata de um EP, mas não há nenhuma faixa que a voz não tenha combinado com a música ou que o instrumental tenha ficado morto. Pelo contrário, trata-se de um álbum divertido e empolgante. E aí? Vamos aproveitar o feriado e relembrar essa pérola? Diversão garantida.

Faixas:

  • Psycho Therapy
  • C´Mon and Love Me
  • Delivering The Goods
  • What You´re Doing
  • Little Wing

7 comentários

  1. Mairon

    O EP é ótimo, mas o que nunca entendi é pq na versão em vinil colocaram as mesmas faixas dos dois lados. Podiam ter caprichado mais …

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    • Davi Pascale

      Nunca tive o vinil. Comprei direto em CD. O encarte é bem legal. Você vai desdobrando e ele vira um pôster. Quero comprar a reedição em LP, com o vinil colorido, mas ainda não encontrei aqui no Brasil. Mas o que eles fizeram? Colocaram as 5 faixas nos dois lados?

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      • Mairon

        Exatamente. São as mesmas 5 faixas nos dois lados … Picaretagem monstra. Ainda bem que comprei na época que o vinil era mais barato que bala de leite!!

      • Davi Pascale

        Kkkk. Bem… é um EP, mas poderiam ter colocado 3 faixas de um lado e 2 de outro. Acho que faria mais sentido.

  2. Mairon

    Sim, no mínimo. Ou fazer uma “Best of” que fosse. É impressionante. E nunca soube por que fizeram isso!!

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  3. Tiago Bittencourt França

    O Skid Row é uma banda que ficou devendo um álbum ao vivo da turnê do Slave to the Grind, que, como o Davi mesmo citou, foi o auge deles. Mas o que eu não entendo mesmo é como a edição deluxe do debut deles, que saiu este ano pela Rhino comemorando os 30 anos do seu lançamento, não ganhou versão física. Para nós colecionadores foi uma grande decepção.

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    • Davi Pascale

      Pois é… Saiu somente uma edição com o vinil vermelho, mas sem os bônus ao vivo e tiragem bem simples. Sem encarte com letras, fotos ou comentários, sem capa dupla. O único diferencial é a cor do vinil. Esse eu não quis pegar…

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