Por Ronaldo Rodrigues

com André Kaminski, Davi Pascale, Mairon Machado, Micael Machado e Daniel Benedetti

13 de julho: Dia Internacional do Rock! Ao ler uma biografia de um músico famoso ou bater um papo com algum fã, sempre  é muito divertido saber como a pessoa descobriu o rock. O estilo estabelece uma relação absolutamente passional com o ouvinte e isso é um prato cheio para altos papos. Para homenagear o estilo sessentão, tivemos a ideia de contar brevemente a trajetória particular de alguns dos escribas da Consultoria do Rock e sua iniciação rockeira. As histórias dos leitores serão muito bem vindas e apreciadas nos comentários. Long live rock!

Ronaldo: Meus pais nunca foram grandes ouvintes de música. Meu pai especificamente tinha alguns poucos LPs e os ouvia raramente…era afeito a Roberto Carlos e coisas do tipo. Minha mãe não tinha discos nem ouvia nada, mas gostava bastante de ver os filmes do Elvis Presley na TV. Meu contato com a música surgiu na igreja, pela via da música clássica, e posteriormente na escola, pelos coleguinhas que já iam tendo alguma influência musical dos pais e irmãos. Talvez o que eu mais lembre dessas influências era Beatles e Oasis (um grupo emergente na ocasião); o irmão de um amigo meu era fissurado nas duas bandas e sempre que eu ia na casa deles esse som rolava. Duas primas também minhas gostavam de rock/pop e através elas tive um breve contato com Queen, Guns and Roses, Van Halen, RPM, Rush, A-Ha, Duran Duran, mas nada de forma realmente contundente ou sistemática. Eu estava sempre ligado em FM e escutava de tudo, nacional ou internacional; discos de novela vez ou outra também apareciam, com aquelas saladas de sons. Muita coisa rondou meu ouvido até os 15 anos, mas sem impacto marcante. O que me pegava até então era realmente a música clássica, a qual eu pedia pra minha mãe comprar CDs ou tentava ver algum concerto. Já no colégio outras coisas foram aparecendo até que surgiu por mero acaso, uma cópia muito arranhada, sem capa e ainda emprestada sem consentimento do dono, do Led Zeppelin II na minha vida. Na primeira, não desceu bem…na segunda foi mais ou menos; lá pela quarta ou quinta vez de insistência aquilo fez todo o sentido! Um portal se abriu para que eu buscasse mais daquela sensação, aquela sonoridade. A busca foi muito turva no princípio…uma coletânea do Doors, outra do Deep Purple, o Reunion do Black Sabbath, Back in Black do AC/DC, até que em uma loja de discos ouvi Are you Experience? do Jimi Hendrix Experience e o primeiro álbum do Captain Beyond. Daí já estava decretado que eu viveria abraçado com o rock dos anos 60 e 70 dali por diante. Consegui a coletânea Early Days do Led Zeppelin e a trilha sonora do filme Almost Famous, que foram reforçando o quanto eu precisava daquilo. Quando entrei na faculdade, logo ingressei em uma banda de rock e conheci uma galera que me mergulhou de vez no rock dessa época e também no rock progressivo – vieram Free, Lynnyrd Skynnyrd, UFO, Uriah Heep, Pink Floyd, Yes, ELP. Outro amigo nessa época me apresentou didaticamente Beatles, Rolling Stones, Janis Joplin, CSN&Y, Creedence Clearwater Revival, Cream, John Mayall & Bluesbreakers. E assim me tornei um roqueiro convicto.

Davi: O início de minha paixão pelo rock n roll ocorreu muito cedo e de forma inusitada. Ano de 1985. Morávamos em um sobrado pequeno, mas aconchegante. Meu irmão e eu, apesar da diferença de idade, dividíamos o mesmo quarto. Eu era uma criança de apenas 3 anos de idade fazendo suas primeiras descobertas no mundo. Meu irmão tinha 10 anos nas costas e gostava de aprontar suas travessuras; ao descobrir um de meus medos, colocou-se a me atormentar diariamente. 85 foi um ano muito bom para o rock no Brasil – foi o ano da primeira edição do Rock in Rio, onde milhares de cabeludos puderam conferir seus ídolos de perto e milhões de pessoas puderam descobrir uma nova trilha sonora, graças à transmissão realizada pela maior emissora do país. Também foi o ano em que o RPM transformou-se em um verdadeiro fenômeno e que o Barão Vermelho se consagrou. Embora já existisse nos Estados Unidos, um canal como a MTV por aqui era algo inimaginável, mas um programa que marcou a turma dos anos 80 foi o Som Pop e, em casa, costumava-se gravar os clipes das músicas que gostávamos. Tinha uma banda, em especial, que aparecia por lá, e sempre que os via, saía correndo, subia a escada da sala até a metade e ficava olhando por entre as frestas do corrimão. Uma banda de hard rock americana que atendia pelo nome de Kiss. Sacando que tinha medo do grupo, todas as manhãs, meu irmão se plantava ao lado da minha cama segurando o LP Creatures Of The Night e ficava rindo toda vez que eu saltava da cama e descia as escadas em disparada. E assim foi, até que um dia não mais corri e pedi para que colocasse o vinil para tocar. Ouvir dos alto falantes o som pulsante da bateria de Eric Carr, a voz de trovão de Paul Stanley e o baixo ligeiro de Gene Simmons, me transportou imediatamente para uma nova dimensão. A partir dali, meu tempo seria dividido entre assistir meus desenhos animados, curtir meus brinquedos e revirar a coleção de discos que meu pai tinha em casa. Comentei com ele que tinha gostado da banda, ouvi tudo que tínhamos deles (na época, 3 Lp´s apenas) e pedi para que me apresentasse outros conjuntos. O primeiro que me mostrou foram os Beatles. Vendo que meu interesse por música só crescia, me ensinou a manusear os LPs, me deixava ler as revistas de música que comprava. Não demorou muito e começou a me levar nas lojas de discos sempre que ia comprar algo. Nessa época, ele frequentava muito o Edgar Discos. Até hoje me lembro das estantes de discos da loja. Meu conhecimento foi crescendo com o tempo. Ouvindo rádio, assistindo os artistas na TV, lendo Bizz e Rock Brigade, pescando os nomes que os amigos do meu irmão comentavam e buscando na prateleira de discos, pedindo para gravarem um k7 sempre que não conhecia e não possuía nada. Foi assim que entrei nesse universo sem fim, extremamente mágico e emocionante. Hoje, com 37 anos nas costas, continuo fazendo minhas descobertas por aí. Por outros meios, mas com a mesma intensidade. E vamos em frente que ainda há muito para descobrir…

Mairon: E hoje é o Dia Mundial do Rock, estilo que me pegou praticamente pelas fraldas, com a forte influência do meu irmão, Micael, que ouvia direto as então recentes bandas do BRock, tais como Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Titãs e RPM. Mas não foram essas as bandas que me transformaram em um aficcionado por rock. Foi ao conhecer Pink Floyd, Led Zeppelin, Slayer e principalmente, Queen, Yes e Black Sabbath, que acabei me apaixonando pelo ritmo, pelas melodias e harmonias, além das mais diversas emoções que o mundo do rock oferece ao ouvinte. Não há um dia em que eu não ouça ao menos um disco – é como um alimento ao cérebro. Que hoje especialmente possamos comemorar, com nossas audições preferidas e o volume no talo.

André: Diferente de muitos, entrei a fundo no mundo do rock um tanto tarde, por volta dos 16-17 anos. Gostava de algumas coisas de rock brasileiro, mas de maneira bem superficial. Foi quando um amigo começou a me mostrar álbuns do Dream Theater, Stratovarius, Helloween entre outras bandas que na época estavam em ascensão, tal como o System of a Down lá pelos idos de 2002-2003. Logo no lançamento de Once em 2004, o Nightwish acabou se tornando a minha banda favorita de todos os tempos. Aí uma coisa foi puxando a outra, e de repente me vi procurando bandas de heavy tradicional, thrash metal, hard rock e progressivo. E então acabei lendo a respeito e ouvindo outros discos das bandas que mais se destacavam aos meus ouvidos. O rock representa grande parte de minha vida e muito do que sou hoje. Estou sempre procurando novos discos, velhas pérolas desconhecidas e coisas que ainda estão na fila para ouvir. Iniciei há alguns anos a minha ainda pequena coleção e sempre que posso compro uma coisinha ou outra. O rock é o estilo que me diz algo diferente, que me toca e me faz sentir melhor a cada grande disco que ouço. O aprendizado e o prazer que o rock me proporcionou através dos anos moldaram a minha identidade e sinto que eu seria muito infeliz sem esta maravilhosa música que berra em meus alto-falantes. Não tenho lá histórias incríveis para compartilhar com vocês, apenas sou um sujeito comum com uma vida comum do qual imagino que muitos de vocês podem se identificar. Finalizo agradecendo a todos os nossos leitores que acompanham, a tantos anos, o nosso prezado site.

Daniel: Eu venho de uma tradicional família mineira e as coisas “mais extremas” que rolavam em casa eram os vinis da minha mãe: Julio Iglesias e Ray Conniff. Como nunca fui de assistir à televisão e ouvir rádio, o rock era algo totalmente desconhecido para mim. Com meus 14 ou 15 anos, um primo muito querido me apresentou o Metallica… e aquilo era diferente de tudo que eu já havia ouvido. Comecei a ir atrás de material da banda e me recordo que ouvi o Black Album até me cansar. Mas a coisa toda mudou mesmo quando um colega de escola me emprestou uma fita cassete na qual, já na primeira música, uma voz soturna recitava o verso: “Woe to you, oh, earth and sea…”. Aí já era. Depois do Iron Maiden vieram Black Sabbath, Sepultura, Megadeth, Helloween, Ozzy Osbourne, Dio… em resumo: o vírus do heavy metal havia me contaminado e jamais me curei. Ainda bem!

Micael: Acredito que meu primeiro contato com algo parecido com o rock foi quando ouvi “Você Não Soube Me Amar”, da Blitz, na TV, lá pelos meus nove, dez anos. Pouco depois a única rádio mais “alternativa” que existia na minha região (a Atlântida FM, que existe até hoje, embora com outra proposta) começou a tocar algumas coisas do nascente BRock (que, logicamente, ainda não tinha este nome), que não me chamaram muito a atenção. Um dia, esta mesma rádio fez um especial apresentando a íntegra do Rádio Pirata Ao Vivo do RPM. Como já conhecia algumas músicas da rádio, gravei este especial em uma fitinha K7, e posso dizer sem receios que este foi o tal “disco que mudou minha vida”, pois ouvi a tal fita quase até furar! A partir daí descobri Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!, Engenheiros do Havaí, enfim, as bandas mais conhecidas do chamado BRock, e também algumas outras que ficaram pelo tempo, mas que passavam com frequência na TV em programas como Mixto Quente ou Clube do Chacrinha. Ainda por esta época, alguns amigos me apresentaram o punk rock, com Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys, Agent Orange, Exploited, Inocentes, Garotos Podres e Cólera (dentre muitos outros), e o rádio trouxe o pop oitentista aos meus ouvidos (além de algum rock dos anos 70 também), até surgir nas rádios e na segunda edição do Rock in Rio o Guns And Roses, banda pela qual me apaixonei. Pensava ser um grupo de heavy metal até um amigo se indignar com minha falta de conhecimento e me mostrar o Somewhere In Time do Iron Maiden (iniciando com “Deja Vu”, uma das músicas menos conhecidas da Donzela, e ainda hoje uma de minhas preferidas). Logo depois vieram Metallica, Sepultura, Slayer, e aí a coisa desandou. Um tempo depois eu descobri que um disco do Pink Floyd chamado Animals, que eu já havia escutado várias vezes, finalmente começava a fazer sentido para mim na mesma época em que conheci o Nursery Crime do Genesis e uma coletânea do Yes, o Classic Yes. Aí foi a vez do progressivo entrar de vez para meu “cardápio musical”, se é que se pode chamar assim. Depois vieram as variações dentro destes mesmos temas, e o aprendizado continua como algo constante e contínuo, sempre tentando absorver algo novo sem esquecer das origens e daqueles favoritos de sempre. “Keep on rockin”, sempre!

8 comentários

  1. Fernando Bueno

    Muito legal pessoal! Infelizmente não pude participar, mas gostei muito das histórias de cada um e posso dizer que a minha seria uma mistura de tudo o que foi dito aí!

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  2. Anônimo polêmico

    O rock não morreu, ele apenas se tornou um tiozão reaça que usa bandana na cabeça e barba de lenhador. Ou então os afeminados emos com sua música de fresco e letras idiotas dignas de um sertanojo da vida.

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  3. Anônimo polêmico

    Antigamente rock era coisa de marginal, hoje se tornou estilo de som curtido por filho de vó que usa coque na cabeça e barba de lenhador e faz pose de mal. O Matanza apesar de ter músicas boas é a favorita desses reacionários babacas, enquanto os caras da banda desprezam neonazistas bolsominions. E hoje também tem muito indie metido a besta tocando música de fresco e acreditando que isso é rock. A impressão que se tem é que quanto mais informação a galera tem, menos ele vai saber tocar rock de verdade, menos ela irá saber sobre a vida. Se o rock não é de esquerda, ele é muito menos de direita, afinal o rock existe justamente para quebrar valores, dogmas cristãs e padrões impostos pela sociedade conservadora. Se é pra ser roqueiro reaça, então nem monte banda. Se gosta de música, vá tocar pagode e música sertanoja afinal em shows desses estilos é aonde mais se encontra bullys e cristãos fundamentalistas.

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  4. Igor Maxwel

    Junto com a data do meu aniversário e o da minha namorada, o dia mundial do rock é a minha data favorita!

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  5. Valmir

    Parece que sou o mais velho daqui. Então vou resumir minha relação com o Rock por década:
    Anos 60: Infância ouvindo absolutamente de tudo no rádio da minha mãe, quando música estrangeira também tinha italiana e francesa.
    Anos 70: A era dos mil sons, bem na minha adolescência.
    Tão vasta e de qualidade que só depois dos 40 anos tive o prazer de descobrir suas pérolas fora do mainstream.
    Anos 80: Arranjos mais sofisticados e fim da guitarra.
    Me decepcionou um pouco a pasteurização das gravações, porém o Rock nacional ficou melhor que o estrangeiro.
    Anos 90: Retorno da qualidade, com grunge na primeira metade e Revival sulista na segunda metade.
    As gravadoras finalmente aproveitaram a maior faixa dinâmica dos CDs para melhorar a sonoridade dos anos 70.
    Anos 2000/2010: Garimpando mais do mesmo.

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