Convidados: André Kaminski, Daniel Benedetti, Mairon Machado, Micael Machado e Ronaldo Rodrigues

O tradicional grupo americano de stoner rock Nebula está de volta. Após um hiato de mais de uma década, o trio formado por Eddie Glass (guitarra, vocais), Tom Davies (baixo) e Mike Amster (bateria) lança seu sexto álbum no próximo dia 07 de junho, ou seja, em quatro dias. Porém, graças ao pessoal da Purple Sage, que agencia a banda, a Consultoria do Rock teve a honra de poder ouvir o mesmo antes de chegar às lojas. Vamos aos comentários de cinco consultores à respeito de mais um lançamento de 2019 Direto do Forno aqui no Test Drive.


André: Conheço o Nebula e já ouvi algumas vezes o seu bom álbum Apollo [2006], que aliás, foi o seu último antes de seu retorno há alguns anos. Aqui, a banda ressurge com um bom disco, uma mistura de stoner rock com psicodélico que dá uma cara única à banda, algo que anda meio raro nos dias de hoje. No Brasil, são completamente desconhecidos mas a banda possui um culto de fãs fiel lá nas terras do Tio Sam. Quanto a Holy Shit, este me passou também uma boa impressão, embora eu ainda goste mais do disco de 2006. Curti a abertura com “Man’s Best Friend” com peso e velocidade, sendo esta última característica algo que muitas bandas do estilo evitam e que achei que ficou muito bom. Preciso destacar aqui o quanto gostei do baterista Mike, cujas viradas e batidas nas canções são excelentes. Parece que a todo momento ele está surrando a bateria, gerando uma energia gigantesca às canções da banda. O que ele faz em “It’s All Over” é demais. Também curti “Fistful of Pills” que consegue a façanha de misturar surf music com stoner, ficando muito legal. Tirando “Gates of Eden” que é bem esquecível e com um pedal wah-wah bem chatinho, o restante do álbum me agradou bastante. Meus parabéns ao baterista Mike, a meu ver, o cara que roubou as atenções do disco.


Daniel: Sexto álbum da banda norte-americana Nebula, o primeiro em 10 anos. O que mais me impressionou neste disco é o fato dele ser bem pesado, com alguns riffs que abusam da agressividade. Exemplos destes supracitados ótimos riffs são “Man’s Best Friend”, “It’s All Over” e “Witching Hour”, verdadeiras pauladas que soaram muito bem aos meus brutalizados ouvidos. Minha favorita é a ‘sabbáthica’ “Tomorrow Never Comes”, com uma intrigante aura setentista. Apenas as três faixas finais me aparentaram demasiadamente arrastadas. Holy Shit navega neste mar Stoner, com muita influência Hard/Heavy, e, após esta primeira audição, acabou me agradando, devendo retornar muito brevemente para novas ouvidas!


Mairon: Confesso que ouvi Nebula umas 3 ou 4 vezes só, isso lá na década passada, e não foi algo que me chamou a atenção. Ao ouvir Holy Shit, me surpreendi com a força das distorções e do peso agressivo que os americanos entregam ao ouvinte. “Man’s Best Friend”. O mesmo é repetido ao longo das ótimas “Let’s Get Lost” (que baixão) e “Witching Hour”. “Messiah” tem um certo gingado que ficou muito legal ao unir-se com um grande B de Black Sabbath, apesar do solo fugir bastante do que o bigodudo fazia. Curti a segunda metade da experimental “It’s All Over”, a densidade da viajante “The Cry of A Tortured World”, e as inspirações surf music surpreendentes de “Fistiful of Pills”. Por outro lado, “Gates of Eden”, “Tomorrow Never Comes” não me atraíram, muito pelo excesso de psicodelia desnecessária. Para uma banda de trinta anos, é um disco bem rejuvenescido e interessante. Não que eu vá ouvir por diversas vezes ao longo dos próximos dias.  Porém, curtinho (40 minutos) e peg (s) ado do jeito que é, fica totalmente apropriado para colocar no carro em dias de trânsito pesado!


Micael: Eles estão de volta! O trio californianao Nebula, liderado pelo guitarrista/vocalista Eddie Glass (ex-Fu Manchu), sai de seu hiato de quase dez anos para lançar um dos melhores discos de sua carreira, que contava com 5 full lenghts e alguns EPs antes deste Holy Shit, o qual, pelo que pesquisei, ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, infelizmente! Conheci a banda alguns anos atrás, quando vieram tocar no país pela primeira vez e participaram de alguns programas de televisão mais “alternativos” de canais menores como Cultura e TVE (não lembro ao certo de onde os vi primeiro, mas quase certo que foi na TVE). Não é fácil possuir uma coleção da banda, pois poucos discos saíram por aqui, e mesmo os importados costumam ter edições bem reduzidas, mas a internet e os antigos programas de trocas de arquivos me deram uma excelente oportunidade de conhecer a íntegra o trabalho do grupo, e me apaixonar por seu “stoner rock” com um pezinho na psicodelia, e o fuzz soando alto nas guitarras da banda. A mesma fórmula, felizmente, reaparece neste novo disco, e não soa requentada. Uma ouvida mais desapercebida na faixa de abertura, “Man’s Best Friend” (uma ode satânica, tema pouco explorado pelo trio nos discos anteriores) já comprova isto, mas “It’s All Over” leva a psicodelia e a “viagem” um passo além daquele trilhado pelo grupo no passado. “Witching Hour” é uma viagem sem escalas de volta aos anos 1970, “Fistful of Pills” é uma vinhetinha com toques de surf music em seu arranjo (afinal, os caras são da California, certo?), “Tomorrow Never Comes” tem uns violões flamencos mais pro final (mas não conseguiu me atrair muito, confesso), e o encerramento com a longa “The Cry of A Tortured World” usa e abusa dos efeitos nas guitarras para gerar uma viagem psicodélica capaz de fritar alguns cérebros mais desavisados! As demais faixas, se não conseguiram se destacar aos meus ouvidos, servem para compor um disco digno do nome que a banda construiu no passado, e mostra que o trio está vivo, firme e forte nesta sua volta à estrada do rock and roll. Que desta vez seja para permanecer, e que novos
frutos desta reunião apareçam em breve! Recomendo!


Ronaldo: A experiente banda norte-americana Nebula retorna aos estúdios depois de longo hiato. E é valioso ouvi-los fazendo o que 95% das bandas do stoner-rock não fazem ao construir um rock pesado sem abrir mão da riqueza rítmica e de sonoridade. Passagens como a seção central de “Messiah”, a levada de “It’s All Over” ou o groove da segunda parte de “Tomorrow Never Comes” (que conta com uma surpreendente passagem de violão acústico) são pontos altos em meios a riffs empolgantes e bons solos de guitarra. Outra virtude é como a banda consegue transformar riffs banais em algo que fica aderido na mente do ouvinte. Alivia a mente saber que essas qualidades são devidamente condensadas em canções curtas, o que indica que a banda sabe extrair o melhor de suas ideias (das 9 faixas do disco, 7 delas tem menos de 5 minutos). Talvez o único ponto mais discutível seja o vocal, que apenas cumpre seu papel e ficou pouco destacado na mixagem, que parece ter sido pensada para fazer a banda soar como se estivesse tocando ao vivo no palco. Ainda que o stoner rock esteja assentado sob influências do Black Sabbath e do Motorhead, é possível ouvir em Holy Shit até mesmo reminiscências de Stooges, Dust, Neil Young, Edgar Broughton Band e Hawkwind. Um bom lançamento deste ano de 2019.

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