Por Daniel Benedetti

Robert William Gary Moore nasceu em 4 de abril de 1952, em Belfast, na Irlanda do Norte. Seja no Blues ou no Rock, Gary ficaria conhecido pelo seu talento ao tocar guitarra. Moore cresceu em um lugar chamado Castleview Road, ao leste de Belfast, como um dos cinco filhos do casal Bobby, um promotor de eventos, e Winnie, uma dona de casa. Ele deixou a cidade quando era adolescente, por causa de problemas familiares (seus pais se separaram um ano depois) bem como pelo início de conflitos separatistas que começaram na Irlanda do Norte, ao final dos anos 1960.

Moore aprendeu a tocar ainda muito jovem, em um velho e acabado violão, aos dez anos de idade. Ele começou a se apresentar bem cedo, fazendo sua estreia ao vivo em uma banda de escola, durante o intervalo de um dos shows promovidos por seu pai. Ganharia sua primeira guitarra de qualidade (uma Fender Telecaster) aos 14 anos e aprendeu a tocar o instrumento da maneira padrão, mesmo sendo canhoto.

Em 1968, aos 16 anos de idade, Gary Moore se juntaria à banda Skid Row, em Dublin, na República da Irlanda. O grupo era composto por Brendan Shiels no baixo, Noel Bridgeman na bateria, Bernard Cheevers na guitarra e Phil Lynott nos vocais. Foi nesta época em que a amizade entre Gary Moore e Phil Lynott, o notável líder do Thin Lizzy, surgiu. Em pouco tempo, o Skid Row se reduziria a um Power Trio, com Gary Moore na guitarra, Brendan Shiels no baixo/vocais e Noel Bridgeman na bateria. Eles lançariam dois discos, Skid, de 1970, e 34 Hours, no ano seguinte.

Em 1970, o Skid Row faria uma turnê em que foi banda de abertura para o Fletwood Mac e ali Gary Moore conheceu o guitarrista Peter Green, surgindo uma admiração mútua entre eles. (Em 1995, Gary Moore lançaria um álbum em homenagem a Peter chamado Blues for Greeny).

Em dezembro de 1971, Gary Moore sairia do Skid Row, mas foi na época em que esteve no conjunto, excursionando pelos Estados Unidos e Europa, que o guitarrista ganhou reputação perante a indústria musical.

Fora do Skid Row, Gary Moore resolve lançar sua carreira solo. Sob o título de The Gary Moore Band, sairia seu primeiro trabalho solo, Grinding Stone. A gravadora responsável foi a CBS (Columbia) e a produção ficou a cargo do lendário Martin Birch.

Além de Gary Moore nas guitarras e vocais, o álbum conta com o baixista John Curtis e o baterista Pearse Kelly. Os teclados são providenciados por Jan Schelhaas, o qual, futuramente, tomaria parte em formações de bandas como Caravan e Camel. Todas as canções são composições autorais de Moore. O disco viria ao mundo em maio de 1973.

A faixa-título, “Grinding Stone”, abre os trabalhos em um esforço instrumental que supera os 9 minutos de duração. A sonoridade está baseada em um frenético Hard Blues Rock, mas repleto de balanço e swing, em que a guitarra de Moore é a grande protagonista. “Time to Heal” se mantém com um pé no Blues e outro no Boogie, com o Rock como amálgama, tendo os teclados bem proeminentes.

“Sail Acroos the Mountain” é uma balada de andamento bem arrastado e conta com vocais bem emotivos de Gary. “The Energy Dance” possui pouco mais de 2 minutos e é uma canção totalmente experimental.

“Spirit” é a grande peça central de Grinding Stone, superando a casa dos 17 minutos de duração. Novamente, assim como em sua antecedente, seu caráter experimental é notável, com o Rock Progressivo – e suas mudanças de dinâmicas características – consubstanciando uma de suas marcas. A presença de melodias dotadas de balanço, a existência forte da percussão e uma clara influência Funk, em suma, fazem de “Spirit” uma faixa única e essencial para o álbum.

A canção de encerramento é “Boogie My Way Back Home”, a qual faz jus ao nome, e demonstra a grande influência que o Blues teria na carreira de Gary Moore.

Grinding Stone é um disco que apresenta como o Blues e o Hard Rock teriam influência na carreira de Gary Moore, mas a palavra experimental pode ser bem aplicada neste caso. O Boogie Rock e o Rock Progressivo são presenças constantes em diferentes músicas, bem como a de melodias com um certo ‘balanço’, uma dose generosa de ‘swing’. Em outras palavras e até mesmo por conta de ser sua estreia solo – e em uma idade ainda tão jovem – Grinding Stone se mostra uma obra de um músico em busca de uma identidade, tanto em termos de composição quanto na sua forma de cantar – e, porque não – de tocar guitarra. O talento está lá, em estado bruto, mas ainda carecendo de lapidação.

Desta maneira, se há um verdadeiro petardo como “Spirit”, o disco também oscila em composições menos atraentes como “Sail Acroos the Mountain”. Contudo, o saldo final é bem positivo. Musicalmente, pode-se considerar que Grinding Stone seria um meio termo daquilo que Gary Moore fez no Skid Row e realizaria no soberbo Colosseum II.

Comercialmente, o álbum não fez sucesso e praticamente não repercutiu nas principais paradas de sucesso do mundo.

Entre o fim de 1973 e o início de 1974, Phil Lynott recrutaria Moore para substituir o guitarrista Eric Bell, em seu Thin Lizzy, com a missão de completar a turnê do grupo então em andamento. Moore permaneceria na banda até abril daquele ano, chegando a gravar a guitarra solo de “Still in Love with You”, presente no disco Nightlife, do Lizzy, lançado em 1974. Já em 1975, Gary Moore faria parte do Colosseum II, no qual ficaria até 1978. Um segundo álbum de estúdio, como artista solo, só seria lançado em 1978, com Back on the Streets.

Grinding Stone permanece como uma obra pouco divulgada e, até mesmo, menos conhecida na vasta discografia do ótimo Gary Moore. Mas, pelo que se apontou acima, é um trabalho que merece uma apreciação até mesmo para que o leitor tenha sua opinião sobre o disco.

Tracklist

1. Grinding Stone (instrumental)
2. Time to Heal
3. Sail Across the Mountain
4. The Energy Dance (instrumental)
5. Spirit
6. Boogie My Way Back Home

Gary Moore ao centro, junto ao Thin Lizzy.

5 comentários

  1. Ronaldo

    Ótimo texto! realmente é um disco pouco falado da carreira do Moore, e creio que o fato de ser um pouco ainda bruto e sem tanto direcionamento contribua pra isso. Foi muito bom vê-lo mencionado aqui, ainda mais quando se menciona conjuntamente o Skid Row, uma banda muito competente de vida curta.
    Abraço,

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    • Daniel Benedetti

      Eu acho o Skid Row bem legal, e, ao meu ver, conhecê-los é uma ajuda para se compreender a sonoridade de Grinding Stone. Muito obrigado pelo elogio, Ronaldo! Abraço.

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  2. Anônimo polêmico

    Eu curto muito a fase dos anos 80 do Gary Moore. Ele gravou com o genial Glenn Hughes no álbum Run for Cover de 1985 e também com seu amigo de longa data Phil Lynnot também no mesmo álbum na clássica Out in the Fields. Um dos melhores solos de guitarra do Moore para mim é Victims of The Future do álbum homônimo de 1983.

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    • Daniel Benedetti

      Eu também gosto bem desta fase oitentista do Gary Moore. Além dos citados, curto o Corridors of Power, disco que conta com a baladona “Always Gonna Love You” e uma versão matadora de “Wishing Well”, do Free. O álbum ainda tem o incrível Ian Paice na bateria.

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  3. Anônimo polêmico

    Ainda estou esperando a Consultoria do Rock fazer uma matéria sobre o Hawk, banda americana de hard rock dos anos 80 que já contou com o baterista do Guns N Roses, Matt Sorum e tinha guitarra o excelente Doug Marks.

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