Por Mairon Machado

Há algum tempo, a mídia musical no formato de vinil ressurgiu com força em todo o mundo. Saudosistas, contemporâneos e colecionadores de lançamentos exclusivos estão se deleitando com o velho-novo Long Play, que alcançou status de digital, vindo nos formatos 180 gr e 200 gr, com altas qualidades técnicas, sejam sonoras ou visuais.

Porém, seu mercado ainda está com valores altos quando comparado com outras mídias (CDs, DVDs) ou streamings como Spotify e Bandcamp. Em Lima, capital do Perú, a situação não é nem um pouco diferente. Tive a oportunidade de passar um fim de semana por lá, e acabei encontrando uma galeria próxima ao centro da capital peruana, localizada curiosamente na Avenida Brasil (nome facílimo de guardar), chamada Galeria Brasil, número 1275, onde apesar dos preços altos dos produtos por lá vendidos, me encantei com o local de tal forma que sinto-me na obrigação de trazer isso aos amigos da Consultoria.

Essa galeria trouxe-me muita nostalgia, já que fácil fácil lembrou-me bastante os velhos tempos da Galeria do Rock, e não por acaso, os peruanos a chamam carinhosamente exatamente de “La Galeria Del Rock”. Como a Consultoria tem a função de divulgar e compartilhar nossa paixão pela música, também é nossa tarefa informar aos leitores locais interessantes para se ampliar as coleções, e a “Galeria Del Rock” é apropriadíssima para tal.

Falando um pouco sobre a capital peruana, é uma cidade gigantesca, com diversos atrativos, principalmente culturais e gastronômicos. Para quem quer conhecer uma cidade legitimamente colonizada por espanhóis, Lima apresenta várias características europeias, principalmente no centro antigo, com as fachadas dos imensos casarões avançando sobre as calçadas. Em termos de comidas, frutos do mar e peixes predominam os restaurantes. A parte antiga da cidade é linda, contrastando com uma nova Lima que surge próxima ao Pacífico, moderna e muito diferente do que temos nas grandes cidades do nosso país. Quer visitar Lima e tem pouco tempo, vá em Miraflores e na região central. É o suficiente para se admirar um povo educado (apesar do trânsito caótico) e uma arquitetura fenomenal.

Mas vamos falar agora sobre a Galeria Brasil. Cheguei a ela por indicação do dono do Hostel onde me hospedei. Esse hostel, chamado Lima House , fica na av. España 264, e é dali que partimos em direção a Av. Brasil. Você pode ir a pé (uma meia hora caminhando) ou então, tomar um ônibus que vá pela Av. Brasil, e pedir para descer próximo ao número 1300. O legal é ir a pé, para apreciar as fachadas das casas, e se apavorar com as buzinas dos carros, que não param nunca.

Chegando no 1275, você irá se deparar com um prédio de uma fachada pequena, que parece ser apenas três andares. O andar térreo é repleto de fotocopiadoras, mas subindo as escadas, começa a brilhar os olhos do melomano mais fanático por música (o melomano é muito usado nas terras peruanas para definir os colecionadores de música, apesar de aqui em nosso país ainda não ser tão comum tal palavra). São lojas e lojas de discos, camisetas e instrumentos musicais, preenchendo longos corredores de dois andares inteiros da galeria. Ou seja, são quase 50 lojas de discos / artigos ligados a música.

Obviamente, não consegui visitar todas as lojas (apesar de ter ficado umas 4 horas na galeria), mas deu para ver que os preços dos vinis lá no Perú estão tão salgados quanto no Brasil, que o CD está bem avaliado por lá, e que a organização dos discos por lá é bastante similar ao de nosso país.

Com o sol peruano valendo R$ 1,30 reais, resolvi fazer buscas diretas em materiais que estava afim. Os discos giravam em torno de 50 soles (R$ 65,00) os usados, e 80 soles (R$ 104,00) os novos. Vale a pena para quem quer comprar discos novos. Os CDs saem entre 15 e 70 soles, desde usados até lançamentos. Importados giram por 40 soles, um belo preço, e mesmo os nipônicos, que são fáceis de encontrar por lá, não saem por mais de 50 soles.

Isso é um valor médio, mas dá para achar promoções. Foi em uma delas que fiz minhas compras, as quais foram um ABBA importado da Alemanha, um compacto de Elis Regina e Pelé, e o raríssimo álbum de estreia do grupo Mandrill. Os três saíram por 50 soles, uma bela barbada.

Mas o que me surpreendeu não foi essa barbada, mas sim a diversidade de produtos nas lojas (apesar do preço elevado) e que elas estavam cheias de compradores. Nenhuma loja estava vazia, e quase todas havia mais de um comprador. Se você quiser DVDs, há uma loja só deles. É saudosista e curte VHS? Também há uma loja especializada em VHS. Pretende atualizar seu aparelho de audição de discos? Há umas 4 lojas só com venda de toca discos novos e usados. Moletons e camisetas dos mais diferentes artistas são encontrados aos montes. Até os tradicionais K7s têm seu espaço garantido.

Algumas lojas que você obrigatoriamente pode conhecer:

– La Esquina del Vinilo (especializada em vinis importados e fitas k7)

– Moving Sound (especializada em CDs importados)

– Retrokromos (especializada em vinis usados)

– Audio Centro (especializada em equipamentos para toca-discos)

– Mundo Vinyl (especializada em LPs e CDs japoneses e coreanos)

– AGH Music (especializada em discos de Techno)

Ou seja, se você quer se sentir em casa, e estiver a fim de gastar um pouco, vale e muito a pena visitar essa galeria. Eu encontrei vários artigos raros por lá, mas com a grana curta, só peguei os três de cima mesmo. Quero um dia voltar para conhecer mais do Perú, e principalmente, angariar algumas raridades vinílicas na Galeria Brasil.

7 comentários

  1. Marcel

    Muito bom! Já fui em Lima uma vez e realmente o transito é de tirar do sério, ahaha! Vou deixar anotado aqui pra visitar essa galeria quando for novamente à cidade.

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  2. Ronaldo

    Que delícia ler um texto novo do Mairon! e a pauta foi bem legal…surpreendente até, não diria que em Lima haveria uma boa galeria de lojas de disco! não conheço a cidade, mas não a associaria com esse tipo de loja e nem de estar tão movimentada. Relato muito bacana! Viu algum disco das bandas peruanas 60-70istas?
    Abraço,

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    • Mairon

      Olá Ronaldo, apesar de ser tão raro quanto eleitor do Bolsonaro arrependido, há sim, mas com preços exorbitantes. Tal qual aqui no Brasil, Chile, Uruguai ou na Argentina, ao falarmos de preciosidades roqueiras desse período.

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  3. Luciano Sanches

    Que texto legal! Vou sempre a Lima e não conhecia essa galeria. Visita obrigatória na proxima vez. Em tempo, em Lima tem muito Rock, bares e baladas sensacionais!

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  4. André Kaminski

    Cara, eu sonho em entrar em um lugar desses que nunca tive a oportunidade de fazer (foda morar no interior). Obviamente tendo uns 1000 dinheiros para torrar a vontade.

    Um dia quem sabe chegarei ao seu nível, Maironildo.

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    • Mairon

      Quem dera André. Fui com uma mão na frente e outra atrás. Mas deu para me divertir

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