Por Rafael Bonatto

Após o enorme sucesso nos anos 70, os Bee Gees mais uma vez tiveram que reavaliar suas carreiras, suas músicas e estilos. Uma nova etapa da vida deles começara e ela vinha acompanhada de alegrias e tragédias, sucessos e rejeição, estigma e reconhecimento. Esta é a ultima parte da incrível jornada desta banda e sua belíssima Discografia!


Living Eyes [1981]

No final de 1979, os Bee Gees enfrentaram uma enorme rejeição ao seu som por parte das rádios e do público, principalmente pela alta exposição que tiveram nos últimos 5 anos. Outros estilos estavam surgindo e isso contribuiu para que o sucesso começasse a declinar. Independente disto, muito artitas apostavam na banda como compositores, produtores e hitmakers. Desta forma surgiu a oportunidade, em 1980, de produzir um álbum inteiro para Barbra Streisand, intitulado Guilty. Eles escreveram canções exclusivamente para ela e Barry, junto com Albhy Galuten e Karl Richadson criaram este grande sucesso na carreira de Barbra (e de Barry também, que agora alcançava novos vôos como produtor). 1981 entra com a esperança de resgatar seu público, trazendo algo novo. Sendo assim, os Bee Gees planejaram mais um álbum de inéditas. Desta vez, demitiram os músicos que há anos estavam com eles e prefiriram contratar novos instrumentistas de estúdio, como Don Felder da banda Eagles para as guitarras, Jeff Porcaro da banda Toto para bateria, Richard Tee para os Teclados, Harold Cowart para o baixo e Steve Gadd também para bateria. A idéia era trazer um som diferente do que estavam produzindo nos ultimos anos. Queriam afastar a imagem da banda “Disco” e todos estavam com medo e pressionados para fazerem um bom trabalho. O álbum abre com a sensacional “Living Eyes”, cantada inteiramente pelos três irmãos e desta vez em voz natural. Agora o som é mais clássico, mais pop, mais rock. Se o álbum anterior fazia você cair na noite, com mais energia, Living Eyes era o disco para ouvir ao entardecer, em um jantar calmo, por exemplo. Destaque para o belo refão e pela bateria do saudoso Jeff Porcaro. Ela é seguida pela up-rock beat “He’s a Liar”, uma clara referência a atual relação com o empresário Robert Stigwood, que não andava bem. A música mais agitada do álbum, foi escolhida como primeiro single. Atingiu apenas o #30 nas paradas americanas, bem diferente dos números 1 que estavam acostumados. Mesmo assim é muito bem produzida com excelente linha na guitarra, na bateria e um ótimo arranjo das cordas ao fundo. Vale a pena conferir. Já em “Paradise”, eles apostam na bela balada pop, não muito comum para aquela época, mas sem dúvida, uma das melhores canções dos Bee Gees, com letra excelente que fala de uma desilusão amorosa. Aqui eles utilizam mais instrumentos acústicos e novamente utilizam do recurso dos três cantando em harmonia em toda canção. “Don’t Fall in Love with Me” traz Robin Gibb de volta aos vocais principais, espaço que havia perdido nos últimos anos. É um clássico soft rock, com incrível arranjo instrumental e um ritmo preciso da bateria por Steve Gadd. De fato eles produziram muito bem este álbum e cada música soa de forma impecável. Um dos melhores vocais de Robin até hoje! Em 1981 o ABBA lançou seu último álbum The Visitors que por coincidência tinha uma música chamada “Soldiers”, assim como no álbum dos Bee Gees daquele ano. A do ABBA era mais inspirada, entretanto os Bee Gees entregam aqui uma tentativa de misturar o pop/rock com o recurso do vocal em falsete, algo que estavam evitando na época. Barry e Maurice arrasam nos violões rítmicos e apesar de ser diferente, é uma referência ao estilo que tocavam no final dos anos 60, mais arriscado e com dois bateristas ao mesmo tempo. “I Still Love You” traz Robin novamente nos vocais principais. Aqui Chuck Kirkpatrick toca sítara e piano Fender Rhodes, enquanto Ralph McDonald toca percussão. Outro soft rock de qualidade, é uma canção calma e com produção requintada. Quando juntamos Eagles com Bee Gees, o resultado é a incrível “Wildflower”, cantada por Maurice, pela primeira vez em 09 anos! Uma música simples, com arranjos acústicos e um belo arranjo vocal! Destaque também para Don Felder nas guitarras! Para fechar o álbum, temos três variações de estilos: “Nothing Could Be Good” que abusa do piano de uma foma quase jazz, bem romântico. Em “Cryin’ Every Day”, damos espaço a Robin cantar um dos primeiros synth-pops europeu, com direito a bateria eletrônica. É a música ‘night of’ do disco. E por fim “Be Who You Are”, com um arranjo sensacional de orquestra, bem longa, mas linda e Barry tendo uma performance vocal perfeita. De qualquer forma, não foi um bom momento na vida dos Bee Gees. Estavam enfrentando disputas judiciais com o empresário, os discos não vendiam e nem tocavam nas rádios, Robin encarava um divórcio e Maurice problemas de saúde. Depois disso, entenderam que tinham que dar um tempo, deixar o nome Bee Gees de lado. Pois é! Os gloriosos anos 70 haviam acabado. Este parecia o fim…mas só parecia!


E.S.P [1987]

Em breve resumo: assim que a divulgação de Living Eyes acabou, em 1981, os Bee Gees deram uma pausa na carreira e começaram a investirem em projetos solos. Barry virou um grande produtor, trabalhando com gente como Dionne Warwick, Kenny Rogers, Dolly Parton, Diana Ross e Michael Jackson. Por mais que o nome dos Bee Gees estava queimado, suas músicas ganhavam vida na voz de outros artistas. E todas foram sucesso! Estavam todos ouvindo Bee Gees sem saberem que eram eles por trás das canções. Robin, com ajuda de Maurice, lançou 3 álbuns solos, que também teve boa repercussão. Ainda sim, em 1983, por força de contrato, se reuniram como banda para produzir 05 novas músicas para a trilha do filme “Os Embalos de Sábado Continuam” (Staying Alive), continuação do sucesso de 1977, mas desta vez não ganharam tanta atenção. Nem eles, aliás, deram muita atenção ao filme e a trilha. A reaproximação de verdade ocorreu em 1986, quando a canção “Toys” de Robin Gibb chegou às rádios e tinha a participação de Barry e Maurice. Após passarem por várias experiências na vida e na musica, se deram conta que aquela era hora de voltarem. Então em 1987, com novo contrato com a Warner Bros., lançaram E.S.P., co-produzido pelo grande Arif Mardin mais uma vez, depois de 12 anos. Um grande sucesso da carreira, voltando as paradas muisicais, menos nos Estados Unidos, onde a rejeição ainda era grande. O disco é carregado de canções eletronicas e pop/rock, bem atual para época. O álbum começa com a faixa “E.S.P.”, um pop/rock enérgico, com excelente solo de guitarra de Reb Beach, das bandas Whitesnake e Winger. Com produção impecável, Barry entra nos versos e Robin canta um belo refrão. A letra fala da experiência extra-sensorial entre os três. Uma ligação forte, espiritualmente. Ela é seguida por “You Win Again”, um grande hit europeu de 1987! Na época eles estavam competindo com “Bad” de Micheal Jackson, “Faith” de George Michael, “La Isla Bonita” de Maddona e “With or Without You” do U2 e mesmo assim levaram o primeiro lugar facilmente. A canção começa com uma batida pop, que mistura vários sons criados por Maurice e pelo arranjador Rhett Lawrence. É contagiante, com ótimo ritmo e refrão. É considerada uma das melhores canções dos Bee Gees. Algo que os Bee Gees sabiam fazer, eram grandes baladas. “Live or Die (Hold Me Like a Child)” mostra isso, mesclando teclados elétricos, uma batida forte e belos vocais. Saindo do som romântico, temos a eletrizante “Giving Up the Ghost” com seus sintetizadores, pianos, bateria ao vivo e um ritmo de baixo incrível. Ela é primosoramente cantada por Robin e foi bem executada nos shows, no final da década de 80. Aqui participam Greg Phillinganes nos teclados, e sem serem creditados Glenn Frey e Timothy B. Schmit do Eagles, na guitarra e baixo, respectivamente. “The Longest Night” é outra balada, mas desta vez mais pop, com Robin nos vocais principais. Embora ele faça o vocal principal, o estilo de Barry predomina com a variação na melodia, o fluxo da letra e a estrutura musical com dois versos mas sem um grande refrão. De qualquer forma, vale a pena conferir! A canção mais estranha do álbum é sem dúvida “This Is Your Life”, que foi feita para as pistas de dança e mistura pop com Rap. Aqui é uma homenagem aos seus grandes hits, sendo mencionados nas letras, como “Jive Talking” e “How Can You Mend A Broken Heart”. Caso essa música tivesse feito sucesso, imagino três homens brancos de meia idade cantando Rap até o final da carreira. Ainda bem que não foi! A introdução foi usada na abertura dos shows em 1989.
Voltando ao mundo real, temos “Angela”. Uma grande balada, com um breve refrão cativante e melodia longa, bem no estilo de Barry. Will Lee faz um belo trabalho no baixo e Greg Phillinganes arrebenta nos teclados. Em “Overnight”, Maurice nos traz a canção mais Rock do álbum, com um ritmo perfeito, solos de guitarra e refrão com vocais bem altos. Com certeza é um dos destaques do disco. Já “Crazy for Your Love” é a pop chiclete do álbum, bem animada. “Backtafunk” é uma canção cativante, com boa energia e foi muito bem construída, tanto nos arranjos instrumentais, quanto nos vocais. Arif Mardin fez a linha do baixo e Bob Gay, tocou Saxofone. Toda essa mistura de sons e ritmos trouxe os Bee Gees de volta, e conseguiram mais uma vez ter sucesso! Não era nada comparado ao passado, mas estavam satisfeitos por chegarem até aqui! O álbum foi relançado em 2014, remasterizado em com bônus tracks.


One 1989]

Após o sucesso de E.S.P, os Bee Gees começaram a trabalhar em um novo álbum, ainda no início de 1988. Entretanto um fato abalou toda a família: Andy Gibb, seu irmão mais novo, faleceu em Março daquele ano, com apenas 30 anos de idade. Andy tinha feito muito sucesso nos anos 70, com grandes hits da Disco Music, como “I Just Want to Be Your Everything”, “Shadow Dancing” e “(Our Love) Don’t Throw It All Away”. Mas anos de abuso de drogas e álcool cobrou um preço caro. Barry costuma mencionar que Andy parecia seu irmão gêmeo, assim como Robin e Maurice eram, apesar da diferença da idade, pois tinham o mesmo jeito de pensar e gostos parecidos. Após o baque, a banda deu um tempo nas gravações e retornaram a Londres no final 1988, para dar continuidade a produção do próximo disco. E assim nasceu One, um álbum orientado por canções melancólicas e um som pop/rock mais maduro, mais obscuro e de forma mais orgânica. Mesmo assim os Bee Gees mantinham a qualidade de escrever e produzir boas canções. E como costume, usaram bons músicos, contratados para dar forma ao disco. Ele abre com a sensacional “Ordinary Lives”, com um ritmo que lembra “You Win Again”. Talvez eles queriam repetir o sucesso do ano anterior, mas desta vez possuia letras mais profundas, partes faladas e uma linha sem muitas surpresas. É uma boa música, mas não foi o grande sucesso que esperavam. Aqui temos Alan Kendall de volta a banda depois de quase 10 anos, nas guitarras, Nathan East no baixo e sem ser creditado, Don Henley do Eagles na bateria eletrônica. A segunda faixa, é a pop dançante “One”. Com letra romântica, é o grande sucesso do álbum. Inexplicavelmente foi um hit nos Estados Unidos, seu primeiro Top 10 lá, em 10 anos. Muito bem produzida, traz Barry nos vocais principais e um refrão chiclete. Aqui o destaque vai para a percussão eletrônica de Scott Glasel e um ótimo arranjo nos teclados. “Bodyguard” é uma música romântica, interpretada com classe por Robin Gibb. Belos sons nos teclados e um incrível solo na guitarra, executada por Alan Kendall, possui uma mistura perfeita das vozes no refrão, como se fossem dois personagens dialogando. Também foi sucesso nos Estado Unidos em 1990. Como curiosidade, seu o video-clipe foi sensurado na época, por conter uma temática mais sensual. Bee Gees broken the rules! Após o ‘açucar’ da música anterior, eles retornam com a provocativa “It’s My Neighborhood” , um Rock and Roll ao estilo do que Michael Jackson fazia, misturando elementos pop no ritmo. Em “Tears”, eles apostam na melancolia e nos arranjos mais tranquilos. Uma balada romântica, que tem forte influência do momento doloroso, da perda do irmão. “Tokyo Nights” é um pop diferente, com influências asiáticas e a letra fala de um homem que se sentia sozinho pois deixado por sua amada, que foi viver em Tokio. A melodia é bem parecida com o que Robin fez nos seus álbuns solo, anos antes. “Wish You Were Here” foi a canção mais difícil de ser finalizada, pois era uma homenagem ao irmão Andy. Uma produção refinada, com ótimos arranjos e vocal impecável por parte de Barry, Robin e Maurice. Deram o seu melhor, para entregar uma das músicas mais icônicas do grupo. No Brasil, ela fez muito sucesso, por ter feito parte da trilha sonora da novela Top Model em 1990. Outro destaque é a dinâmica “House of Shame” , a canção de Maurice no álbum. Outro pop/rock com elementos clássicos e um refrão incrível. Era uma das favoritas nos shows. Aqui Tim Cansfield arrebenta nas guitarras. E em “Will You Ever Let Me” o pop toma conta, com abuso dos sintetizadores. Após o lançamento do álbum, os Bee Gees embarcaram em sua primeira turnê mundial, a “One For All Tour”, após 10 anos loge dos palcos. Foi um enorme sucesso, passando pela Europa, América do Norte, Ásia e Oceania. Um dos shows foi gravado e lançado em 1990 em VHS e Laser Disc e recentemente remasterizado para DVD e CD. Os Bee Gees fechavam os anos 80 com chave de ouro musicalmente, apesar das tragédias em suas vidas pessoais. O show tem que continuar!


High Civilization [1991]

Em 1990, os Bee Gees começaram a compor e produzir canções para seu próximo disco. A ideia desta vez era utilizar sons mais modernos, mais urbano, ritmos diferentes criados eletronicamente e com poucos músicos. Pela primeira vez utilizaram backing vocals, além deles mesmos. As letras acabaram criando uma história conceitual, sobre relacionamentos e seus altos e baixos. É um disco incomum na carreira da banda e um pouco obscuro. A maioria das canções tem mais de 5 minutos de duração. Então em 1991 é lançado High Civilzation, o último álbum do contrato com a Warner Bros. O disco abre justamente com “High Civilization”, uma canção pop com letra política, de um futuro incerto. Seu ritmo é diferente e o refrão é marcante. Por esta música, os Bee Gees já mostraram o que queriam com este álbum. Em seguida temos a bela e incrível “Secret Love” que é uma mistura de pop e R&B proveniente da Motown, dos anos 60. Com melodia simples, a música vai crescendo e mescla muito bem a voz de Barry e Robin nos versos, e dos três Gibb’s no refrão. Foi um grande sucesso na Europa, atingindo o #05 nas paradas. Após este grande hit, temos o pop/rock “When He’s Gone”, que foi muito bem construido e tem uma mixagem impecável dando destaque a bateria de Scott F. Crago e a voz do Robin. Ela possui um incrível instrumental em seu final, com um perfeito solo de guitarra, executado por Alan Kendall. Foi escolhido como primeiro single nos Estados Unidos, mas absurdamente não fez sucesso. Em “Happy Ever After”, eles apostam em uma balada pop, com ritmos leves e eletrônicos. É uma história contada através de uma canção. Simples e tocante, é o momento relax do álbum. Vale a pena ouvir! “Party With No Name” apresenta vocais estranhos e diferentes por parte de Barry. Mas mostra todo seu alcance, algo que com o tempo deixou de fazer. É outra pop/rock dançante. A ideia mais obscura está em “Ghost Train”. Uma canção com introdução que remete a filmes de suspense, mas que depois vira um pop simples. Mesmo assim, tem um refrão que gruda na mente. “Dimensions” é a vez do Maurice mostrar seu lado criativo. Com batidas marcantes e um abuso da percussão, é outra canção obscura. Com certeza não é uma easy listening, mas mostra a versatilidade nas produções dos Bee Gees. Com certeza é inspirada nas canções da Paula Abdul e o pop dançante que ela fazia na época. “The Only Love” é a balada perfeita. Sem dúvida está entre as melhores dos Bee Gees e possui um arranjo incrível, puro. Aqui temos realmente uma ‘banda tocando ao vivo’, apesar de alguns overdubbs. Também é uma história de amor contada através de uma canção. O curioso aqui é o destaque total ao Barry, sem Robin cantar o refrão. Era um destaque nos shows. Foi originalmente escrita para Bryan Adams, que recusou a oferta. Melhor para banda! “Human Sacrifice” temos outra canção obscura, mas muito bem produzida. Possui inspiração no pop que Michael Jackson estava produzindo. Completa para uma pista de dança. Assim como a futurista “Evolution”, na qual Barry canta em falsete no refrão. Nas versões em CD, o álbum vinha com a música bônus “True Confessions”, um pop diferente, mas que é um diferencial positivo, por ter uma melodia mais simples. Vale a pena ouvir! Naquele ano os Bee Gees saíram em turnê pela Europa e o setlist com certeza foi um dos melhores, bem variado, com hits de todas as épocas da banda. Infelizmente não puderam seguir adiante com a turnê por problemas físicos de Barry, que ocasionou em cada vez menos shows. E assim o acordo com a Warner estava completo.


Size Isn’t Everything [1993]

Por não poderem fazer longas turnês mais, os Bee Gees se concentraram em fazer em fazer bons álbuns, com maior produção por parte de Barry, Robin e Maurice, com atenção as letras inspiradas e melhor escolha no que gravar. Com isso nasceu Size Isn’t Everything, um título sugestivo, mas que trazia mais uma tentativa de ter sucesso e quebrar barreiras. O álbum é voltado ao pop e ao rock, com elementos eletrônicos, porém mais orgânico. É considerado o álbum mais forte desde “Saturday Night Fever”. Nesta época eles assinaram com a Polydor/Polygram. Isso abriu espaço para Chitãozinho e Xororó gravarem com eles em 1992, uma versão de “Words (Palavras). Eles se conheceram em Miami quando a dupla brasileira se apresentava por lá. Acabaram virando amigos e concordaram em fazer algo juntos. Um tanto diferente, mas fez sucesso no Brasil e trouxe o nome dos Bee Gees de volta ao #01 lugar nas paradas.
Voltando ao disco, ele inicia com a enérgica “Paying the Price of Love”, um pop dançante totalmente eltrônico e atual para época, com elementos rítmicos marcantes. Apesar dos Bee Gees já terem dominado as pistas de dança nos anos 70, esta canção com certeza não deixava ninguém parado. Ganhou um video-clipe muito bem produzido, com computação gráfica e hologramas, para MTV. Ela é seguida pela pop/rock “Kiss of Life”, extremamente cativante, com ótimos rifs de guitarra e belos arranjos no teclado e no vocal. O interessante é que cada música do álbum possui um elemento diferente, como se fosse uma reunião de sucessos. Em “How to Fall in Love, Part 1” eles retornam as belas baladas românticas, com produção R&B e com excelente solo de sax, por Ed Calle. A música é o resultado de uma música escrita por Barry e de uma outra escrita por Robin, misturadas, assim como “Run To Me” de 1972 e foi um sucesso na Europa. Maurice tem duas canções como vocalista principal neste álbum. A primeira é “Omega Man”, uma canção pouco convencional em sua estrutura, mas possui uma junção interessante dos instrumentos, em seu arranjo. A segunda é “Above and Beyond”, que possui um ritmo parecido com “Secret Love”, do disco anterior. Bem melhor executada, é alegre e cativante. O destaque aqui são as variações vocais da banda. Em “Haunted House”, eles abordam pela primeira vez o tema do divórcio. É obscura, e se encaixaria muito bem no álbum anterior, mas desta vez os arranjoS são mais limpos. Aqui aprenderam que menos é mais. É interessante e vale a pena conferir. Em “Heart Like Mine”, Robin traz sua versão ‘Enya’ para banda. Romântica ao extremo, é a canção mais soft do álbum. Mas não se engane, ela foi muito bem produzida e possui vocais impecáveis. Os Bee Gees custumavam fazer um ‘set’ acústico em seus shows, tocando sucessos antigos de forma simples e pura. “Blue Island” foi criada justamente com essa intenção e é totalmente acústica. Foi uma homenagem às crianças da Bósnia, e temos apenas 2 violões, um teclado ao fundo como complemento e um solo de harmônica por Gustavo Lezcano. É o lado Bob Dylan do álbum e com certeza vale a pena conferir. O maior sucesso deste disco está na romântica “For Whom the Bell Tolls”, que foi sucesso em todo mundo, principalmente no Brasil, por fazer parte da trilha sonora da novela Sonho Meu em 1994. É um soft rock aos moldes de “The Only Love”, mas com arranjos mais fortes e uma seção vocal intercalada entre o falsete do Barry e ao vibrato do Robin. É uma das canções mais reconhecidas da banda, merecidamente.  O álbum fecha com “Fallen Angel”, uma visão dos Bee Gees ao Pet Shop Boys. De fato, na época, eles foram convidados a produzirem uma música para os Bee Gees, mas recusaram a oferta por terem medo de falharem. Com o resultado, Barry, Robin e Maurice, junto com o produtores Femi Jiya, John Merchant e o músico Tim Moore, criaram este espetáculo da EuroDance. E Robin carrega os vocais muito bem, afinal era um estilo que estava acostumado. A divulgação do disco ocorreu até 1994, isso porquê havia uma turnê planejada, mas que não saiu do papel. O álbum é dedicado ao pai Hugh Gibb, falecido em 1992.


Still Waters [1997]

Os Bee Gees estavam buscando reconhecimento por sua carreira tão brilhante. E para comemorar 30 anos de sucessos, eles passaram 3 anos produzindo seu próximo álbum. O conceito aqui era reunir diversos produtores da época, como Russ Titelman, David Foster, Hugh Padgham e Arif Mardin, afim de trazerem idéias novas e encontrarem um som moderno e atual. O resultado foi o brilhante Still Waters. Mais uma vez abusam de sintetizadores e batidas eletrônicas, porém desta vez o som estava mais maduro e linear. O álbum inicia com a excelente “Alone”, um pop com batidas marcantes, que mistura o acústico dos violões com teclados e um vocal perfeito. Foi um grande sucesso em todo mundo, inclusive nos Estados Unidos. Sua introdução é facilmente reconhecida e possui uma bela melodia. Os Bee Gees em sua melhor forma! “I Surrender” é uma tentativa do produtor renomado David Foster, em transformar os Bee Gees em uma mistura de Back Street Boys com Michael Jackson. É um pop comercial, mas muito bem executado e o destaque aqui é para o vocal impecável da banda. Já “I Could Not Love You More” é um R&B romântico. Tem o som das grandes baladas dos anos 90, cantadas por Mariah Carrey ou Whitney Houston. Outro sucesso para conta da banda. De qualquer forma é linda. “Still Waters Run Deep”, faixa que dá nome ao álbum é uma balada pop, com elementos Hip Hop em sua forma de cantar. Com produção refinada, traz o som que os Bee Gees executavam ao vivo, bem orgânica e mais uma vez o destaque vai para o arranjo vocal, em especial a parte do Robin. O refrão é incrível! Em “My Lover’s Prayer”, eles trazem o R&B romântico, bem reflexivo e desta vez não tinham vergonha ou preocupação em usar o falsete em suas canções. O resultado é uma música tocante e que emociona à primeira ouvida. Robin gravou uma versão solo em 2003 e foi um grande sucesso na Inglaterra. “With My Eyes Closed” é a tentativa da banda criar um hit Hip Hop, porém com orientação britânica. Funciona em partes, mas é esquecível. Mais uma vez mostra a versatilidade dos sons. O pop/rock estava de volta em “Irresistible Force” , com excelente vocal de Robin e um solo criativo na guitarra, executado pelo famoso Carlos Aloma, que tocou com David Bowie e John Lennon. A letra é pessoal e espiritualista. Em primeiro momento foi considerada para dar nome ao álbum. “Closer Than Close” é o momento Maurice do álbum. Extremamente pop, ele encontra em overdubs vocais mais ‘soprados’ para dar o clima certo a canção. Foi um dos pontos altos nos shows no final dos anos 90. “I Will” segue o mesmo consenso de “My Lover’s Prayer”, porém desta vez é mais otimista, alegre e com vocais bem dividos entre Barry e Robin. Lembra canções de final de ano, mas é incrível e agrada aquele que busca um pop gostoso de ouvir. Enquanto “Obsessions” traz uma linha melódica diferente e futurista, “Miracles Happen” vai ao contrário e mostra arranjos orquestrais mais sutis, com direito a coral de crianças no meio da canção, assim como em músicas natalinas. Ambas possuem belos refrões e com certeza, vai querer ouvir mais de uma vez. O álbum fecha com a favorita dos fãs “Smoke and Mirrors”, justamente por ter vocais solo dos três irmãos em trechos distintos. Robin nos versos, Barry no refrão e Maurice nas pontes. Com produção excelente, lembra muito o que Phil Collins vinha criando na época. O ano de 1997 foi fantástico para os Bee Gees, pois além de ganharem vários prêmios da música, foram induzidos ao ‘Rock and Roll Hall of Fame’ e reconhecidos com o ‘Lifetime Achievement Award’ da música britânica. Fora que seus discos voltaram a vender e suas músicas estavam direto nas rádios.

Com todo sucesso recente, eles embarcaram em uma turnê mundial, mas de uma forma especial por um show em cada continente, conhecido como One Night Only. Com avaliações positivas da crítica e shows lotados, a turnê resultou em um dos DVDs mais vendidos da história da música, bem como o CD ao vivo, facilmente encontrado até hoje nas lojas e nas rádios. Muito fãs mais novos conheceram os Bee Gees por este registro e a banda encerrava assim os anos 90 tão populares quanto nos anos 70.


This Is Where I Came In [2001]

Com o recente sucesso, os Bee Gees estavam prontos para entrarem no século 21 com o pé direito. Porém desta vez eles queriam tocar mais rock, mais ao vivo, de forma orgânica sem precisar passar bastante tempo em estúdio, tal qual faziam nos anos 60. E assim nasceu This Is Where I Came In. A primeira faixa é a própria “This Is Where I Came In”, com arranjos acústicos, bem diferente do que já haviam feito antes e cresce de forma primorosa depois do refrão, adicionando elementos elétricos e uma bateria perfeita. Sem dúvida, para quem gosta de rock, é a porta de entrada para conhecer a carreira da banda. Foi o último single de sucesso dos Bee Gees. Ela é seguida pela agressiva “She Keeps on Coming”, outro rock, mais agitado e cantado de forma diferente por Robin, abusando de seus graves. Vale a pena conferir! De forma bem mais tranquila vem “Sacred Trust”, um pop romântico com elementos eletrônicos, bem aos moldes do álbum anterior. Originalmente foi escrita para a boyband BackStreet Boys, que nunca chegaram a gravar e acabou virando um hit com outra boyband, One True Voice em 2002. Outra grande balada, que é muito querida pelos fãs é a excelente “Wedding Day”, uma hstória cantada que fala sobre o dia do casamento e a ansiedade de chegar até aquele momento. Possui um belo refrão, bem executado por Robin e um complemento incrível de guitarra no final. Uma das melhores da banda, sem dúvida! “Man in the Middle” é um pop/rock diferente, mas é uma das mais lembradas na voz de Maurice. Arranjos experimentais, retrata justamente a relação entre os irmãos: Maurice dividido e apaziguando as tensões entre Barry e Robin. Em 2004 esteve presente na coletânea ‘Number Ones’, como tributo a ele. Funcionava muito bem ao vivo. Maurice também entrega mais uma canção para o disco, em “Walking on Air”, uma homenagem ao som dos Beach Boys, mas trazido para o século 21. Para a construção da segunda parte do álbum, os irmãos incluiram canções solos, com pouca contribuição entre os três juntos. Isso para mostrar mais individualidade nas idéias. Robin apresenta a sensacional “Déjà vu”, bem atual, moderna com arranjos utilizados até hoje na música. Era uma favorita para ser o segundo single do disco, mas por ter sido escrita apenas por Robin, acabaram descartando a idéia. E também nos oferece a europop “Embrace”, com a mistura de elementos acústicos e eletrônicos. É um diferencial para o álbum. Já Barry incluiu “Technicolor Dreams”, criada aos moldes das canções jazz dos anos 40, incluindo um solo de clarinete de Neil Bonsanti, mais a banda da turnê anterior. Com o estilo único, atende os mais ouvintes mais exigentes, que buscam algo tradicional e original. E também no soft pop “Loose Talk Costs Lives”, simples, sem muitas surpresas, mas com arranjo primoroso. Já “The Extra Mile”, traz de volta os três juntos, criando uma grande balada, com direito a uma seção de metais perfeita, conduzida por Peter Graves. Foi concebida para ser tema das Olimpíadas de 2000 em Sydney, mas acabou não sendo aproveitada. Por fim, entrou para o álbum e é uma clássica composição dos Bee Gees. O som rock and roll que eles tanto buscavam, ficou a cargo de “Voice in the Wilderness” . Forte, enérgica e criada por improviso de toda banda, executando-a ‘ao vivo’ no estúdio, sem sombra de dúvida é tão cativante quanto a estranheza de sua linha melódica. É o resultado da máxima ‘a união faz a força’. Destaque para as guitarras que não deve nada para outros clássicos do rock! Com certeza vale a pena conferir e fecha o álbum e tecnicamente a carreira dos Bee Gees com chave de ouro!

Após o fim da divulgação do álbum, os Bee Gees informaram que dariam um tempo na carreira, para buscar novos ares, individualmente. O fato é que o clima não estava tão legal e precisavam relaxar, para não acontecer o que houve em 1969. Entretanto por ironia do destino, Maurice Gibb veio a falecer em Janeiro de 2003, resultando no fim oficial da banda. Após isso, Barry produziu um novo álbum para Barbra Streisand em 2005, entitulado “Guilty Pleasures”, e foi um grande sucesso. Já Robin saiu em diversas turnês mundiais e lançou alguns álbuns e DVD’s solo, com grande repercussão na Europa e na América Latina. Infelizmente, Robin também veio a falecer em Maio de 2012, deixando Barry Gibb o único integrante vivo dos Bee Gees. Barry recentemente lançou um disco solo, chamado “In The Now” e saiu em turnê por diversos países.

O legado que a banda construiu, jamais será apagado e seus sucessos fizeram, fazem e farão parte da história de muita gente, seja no Pop, no Rock, no Country ou na Disco Music!
Vida longa aos Brothers Gibb!

6 comentários

  1. Leonardo

    Rafael, na verdade não sou muito chegado no som dos Bee Gees, mas quero te parabenizar pela excelente matéria.
    Abraço

    Responder
    • Rafael Bonatto

      Olá Leonardo! De qualquer forma, agradeço por ter lido e pelo feedback!
      Qual sua banda ou estilo favorito?

      Responder
      • Leonardo

        Classic Rock e Prog Rock em geral. Abs

      • Rafael Bonatto

        Leonardo, neste caso, recomendo ouvit algumas faixas dos álbuns de 1967 a 1972. E também do último álbum, de 2001. Tem ótimos rocks lá! Valeu!

  2. Francisco

    Realmente uma das melhores e mais detalhadas discografias comentadas já publicadas na Consultoria. Parabéns!

    Responder

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