Por André Kaminski

O Mãyã vem do Rio de Janeiro e lançou neste ano o seu terceiro disco de estúdio intitulado Egophilia. A banda toca um estilo difícil de se encaixar em rótulos tradicionais. Sua sonoridade tem como base um hard/heavy, mas há muitos elementos do progressivo, psicodélico e outros estilos como o blues. Confesso que não consegui me lembrar de uma banda em específico que case bem com o som deles, mas senti uma certa influência de Dream Theater principalmente na progressividade rítmica.

Primeiramente, gostaria de destacar a excelente qualidade do material físico. Um pequeno livro cheio de ilustrações, contendo as letras e todos os créditos. Produção caprichada, que lamentavelmente o carteiro colocou de forma esquisita na caixa de correio aqui e quanto tirei da caixa de proteção, a capa parece que pegou um pouco de umidade e acabou com uma dobra terrível. Lamentável.

Independente disso, o que importa é a música e já adianto que gostei do que ouvi. Os caras buscaram a todo momento um som original e intrincado com muitas quebras rítmicas. Para o ouvinte de heavy/hard mais tradicional, é bem difícil de digerir. Há muita técnica no instrumental, principalmente na guitarra de Gimmy Maya (também vocalista) e no baixo de Renan Weignater. Completam a formação os também ótimos Gabriel Ferraz (teclados) e Thiago Alves (bateria). Além disso, uma infinidade de convidados aparecem dentre as muitas faixas do disco tais como Natalia Avila com vocais femininos e Eduardo Rezende com um saxofone.

Gabriel Ferraz (teclados), Renan Weignater (baixo), Gimmy Maya (vocais, guitarra) e Thiago Alves (bateria).

Após uma pequena faixa de introdução, o disco começa pra valer com “Bring Me Down”. Gimmy tem um vocal que fica na tonalidade média, nem muito grave e nem muito agudo. Boa voz, casa bem com o som e não soa exagerado nos agudos e drives. A música é boa, mas considero a que vem logo em seguida chamada “Bad Wolf” muito melhor. A guitarra, o baixo e os efeitos de teclado aparecem todos muito bem, um mérito da mixagem. Há momentos em que a guitarra dá um descanso e deixa o baixo, o teclado e a bateria sobressaírem. Gabriel inclusive percebo que faz trocas constantes da configuração de teclado porque sons diferentes surgem dele a todo instante.

Após mais um interlúdio com “Justice?’, vem uma faixa um tanto quanto polêmica para os padrões hoje que é “Little Bitch” falando de mulheres interesseiras. Mas as letras da banda são assim mesmo: ácidas e nada de politicamente corretas. “Uneasy” chega em uma pegada mais lenta e blueseada uma ótima escolha dando um sabor mais variado ao álbum. “Worst” traz novamente uma pegada diferenciada desta vez com um ar meio cabaré ao lado de um trompete que volta e meia rouba a cena.

O disco está apenas na metade porém, o lado B segue com faixas um pouco mais inferiores à primeira parte do disco, mas nada ao ponto de baixar demais o nível. Talvez para um estilo como o que tocam, a longa duração do álbum como 1 hora e 12 minutos acaba cansando um pouco. Eu cortaria uns três interlúdios e mais alguns minutos de algumas músicas baixando o álbum para 1 hora para ser mais facilmente apreciado. Desta parte final, deixaram a melhor canção por último com 9 minutos de “After All” que inicia em um belo piano e efeitos de guitarra sendo uma bela balada daquelas de emocionar qualquer rockeiro. É também a mais simples das canções.

No saldo geral, ótimo disco. Como disse, um pouco longo demais, todavia, deixou em mim grande impressão. O capricho do livreto (que logo mais atualizarei esta postagem como mais fotos) também é notório. Torço para o quarteto se tornar cada vez mais conhecido no cenário visto o empenho e dedicação para com este trabalho.

Tracklist

1 - Id
2 - Bring Me Down
3 - Bad Wolf
4 - Egophilia
5 - Justice?
6 - Little Bitch
7 - Heaven Is Not Enough
8 - Uneasy
9 - Perfection
10 - Fitting Into The System
11 - Worst
12 - Behind The Taste (The Revolving Doors)
13 - Seeds of Suicide
14 - Attention Whore
15 - Army Of The Clones
16 - (In)
17 - Tolerance
18 - Breaking The Cage
19 - The All's Mind
20 - After All

Thiago Alves (bateria), Renan Wignater (baixo), Gimmy Maya (vocais, guitarra) e Gabriel Ferraz (teclado).

 

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