Por José Leonardo Aronna

Vamos analisar aqui, alguns discos gravados ao vivo, nos quais eu considero essenciais. Obviamente zilhões de ótimos discos “live” ficaram de fora. Os discos arrolados abaixo estão em ordem cronológica de lançamento. Os textos foram resgatados da comunidade Rock & Cultura do finado orkut, na qual era moderador e foram criados consultando inúmeras fontes. Enjoy!


the_who-live_at_leeds(polydor)4The Who – Live At Leeds [1970]

Tommy, lançado em 1969, conseguiu a prometida aclamação universal ao The Who, mas a verdade é que antes do seu lançamento o grupo já gozava de uma lendária reputação conquistada através de espetaculares concertos. Numa altura em que circulavam muitas gravações piratas de shows da banda, foi lançado um disco oficial ao vivo como modo de satisfazer a crescente demanda. Gravado na Universidade de Leeds, o disco era a fiel reprodução de todo o caráter explosivo e pirotecnia que o The Who passava no palco. Abrindo o concerto com a barulhenta “Heaven And Hell” (autoria do baixista John Entwistle), o disco está recheado de momentos de contagiante energia e boa disposição. Todos os temas recebem o tratamento instrumental vigoroso do fabuloso Keith Moon, que com o seu estilo livre de percussão expande e caracteriza as improvisações do grupo. Pete Towshend tem os seus riffs em particular destaque, sendo ele o fio condutor de toda a improvisação que ocorre no palco.

Com espantosos e bem sucedidos singles em sequência (“I Can’t Explain”, “Substitute”, “Happy Jack”, “I’m A Boy”, “My Generation”, e “Magic Bus”), o grupo ainda incluiu algumas covers como, por exemplo, a estrondosa versão hard-rock-blues, “Young Man Blues”. O álbum contém uma excelente e humorada interpretação da épica “A Quick One, While He’s Away” que concretiza melhor as idéias escutadas na (por vezes) desajeitada versão do tema que aparecera originalmente em A Quick One. Mesmo com alguns momentos delicados, a energia demolidora e irriquieta instrumentação são as principais características deste ruidoso disco.

Lançado num período de grande popularidade do grupo, Live At Leeds foi um sucesso instantâneo tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra. A versão remasterizada deluxe lançada em 2001 juntou novas canções ao lote de seis originais, garantindo a total reprodução do concerto que ocorreu na cidade de Leeds a 14 de Fevereiro de 1970. Já em 2010 saiu uma super caixa com os dois cds acima e mais dois cds com o show gravado na cidade de Hull, no dia seguinte, além do LP original e mais um single 7″! Tudo isso com farto material ilustrativo. A versão original do álbum apesar de conter apenas 6 músicas, também vem com um farto material: poster, cópias de contratos, rascunhos de letras, carta da EMI recusando o grupo, etc… Intenso e único documento cheio de momentos mágicos, Live At Leeds foi muitas vezes (justamente) considerado um dos melhores discos de rock ao vivo de sempre.


Made In JapanDeep Purple – Made In Japan [1972]

Após o sucesso de Machine Head, o Deep Purple voltou às turnês, tendo gravado três concertos em três dias no Japão. A particularidade e o fanatismo sem limites do público japonês, aliados à qualidade das performances do grupo, resultaram na sugestão concretizada de editar os resultados. Made In Japan continha as espetaculares atuações que o grupo fez entre 15 e 17 de Agosto de 1972. A verdadeira magia do Deep Purple sobressaía ainda mais ao vivo, e este álbum foi a transposição desse charme para disco. Made In Japan é uma amostra do puro talento do grupo, em especial da excentricidade dos músicos que improvisam frequentemente e jogam com a imprevisibilidade. Sendo esta uma turnê de promoção do disco mais recente, este ocupa um generoso espaço do álbum (“Highway Star”, “Smoke on the Water” e “Space Truckin’”). “Highway Star” abre Made In Japan de forma energética, captando na perfeição a energia que se sente durante todo o disco. A dupla Blackmore e Jon Lord se apresenta magnificamente e enche de beleza o tema. Quase todas as músicas foram estendidas através da introdução de novas sessões onde cada músico pôde intervir conforme lhe apeteceu.

O tema mais “aumentado” é “Space Truckin’” que dura vinte minutos (4,5 minutos na versão de Machine Head) onde Lord, Blackmore, Paice, Gillan, e Glover, constroem uma versão intensa e dramática da canção. “The Mule”, tal como no disco Fireball, é o espaço onde Ian Paice aproveita para fazer longos solos de bateria. Made In Japan continha todos os excessos, o volume absurdo, a energia incrível e a mística, argumentos que tornavam o Deep Purple a banda mais excitante ao vivo da primeira metade dos anos setenta. Ao contrário de muitos discos ao vivo que possuíam sessões regravadas e tratadas em estúdio, Made In Japan era a reprodução exata (e com poucos enganos) do talento musical do quinteto. Made In Japan era puro, balanceado, arrojado, e com todo o apelo musical que um disco ao vivo deve ter.


Yessongs_front_coverYes – Yessongs [1973]

Em 1973, a ambiciosa ideia de editar um LP triplo ao vivo parecia bastante plausível para o Yes. O sucesso e amadurecimento vivenciados com The Yes Album, Fragile e Close To The Edge, motivaram o grupo para concretizar este projeto. O álbum começa com Opening, um excerto orquestrado do tema “Firebird” Suite de Igor Stravinsky, que marca a entrada do grupo no palco. Elevando imediatamente os níveis de adrenalina através da ótima “Siberian Khatru”, a banda mostra o que sabe fazer melhor: espalhar a magia e talento dos seus componentes. A grande novidade na formação é a entrada de Alan White (ex-Plastic Ono Band) para a bateria, substituindo Bill Bruford que rumara para o King Crimson. Alan toca em quase todos os temas (Bruford interpreta apenas “Perpetual Change” e “Long Distance Runaround /The Fish”) e, mesmo sendo um baterista bastante diferente do seu antecessor, integra-se bastante bem no espírito do Yes.

Com um repertório composto quase na totalidade por épicos, o álbum está recheado de virtuosidade, como por exemplo, em “Heart Of The Sunrise”, “Perpetual Change”, “Long Distance Runaround/The Fish”, “Roundabout”, “Yours Is No Disgrace” ou “Starship Trooper”. O fenomenal Steve Howe é um dos sérios candidatos a protagonista graças ao seu equilíbrio e musicalidade impressionantes. Rick Wakeman não vira as costas ao duelo e usa os seus dinâmicos e bombásticos floreados no piano, órgão e vários sintetizadores, para colorir o eclético som do grupo. Tanto Wakeman como Howe têm a chance de brilhar individualmente, o primeiro na clássica, Excerpts from “The Six Wives of Henry VIII”, e o segundo na elegante peça de violão “Mood For A Day”. Jon Anderson apresenta o seu longo e seguro alcance vocal em perfeita harmonia com Chris Squire, enquanto este vê o seu frenético solo de baixo no tema “The Fish” em particular evidência. Com uma duração total de mais de duas horas, Yessongs é uma longa e intensa viagem ao imaginário sonhador e espiritual dos Yes. E embora a qualidade sonora das gravações não fosse por vezes a melhor, nada impediu o disco de ser entusiasticamente recebido e de manter o grupo nos tops de vendas.


King_Crimson_-_USAKing Crimson – USA [1975]

Anunciado o fim do King Crimson, chegava o tempo de dar uma última dose aos fãs. O esforço resultou numa compilação de concertos, com a formação Fripp/Bruford/Wetton/ Cross, que haviam sido gravados no verão de 1974 nos Estados Unidos. Após uma morna amostra de trinta segundos de “Walk On… No Pussyfooting”, tema do álbum solo que Fripp havia gravado com Brian Eno, o disco inicia-se agressivo e vivo. Começando com a frenética sequência de “Larks’ Tongues In Aspic Part II” e “Lament”, o talento coletivo do King Crimson vem imediatamente à tona: a meticulosidade dos solos de David Cross no violino, a excentricidade de Robert Fripp na guitarra, a espetacular improvisação Bill Bruford no seu kit de bateria, e o inegável talento de John Wetton na voz e baixo. “Exiles” acalma um pouco, num ambiente de mellotron e violino sobre o qual Wetton interpreta a misteriosa balada. “Asbury Park” é mais um dos testemunhos do corajoso e desenvolvido espírito de improvisação do grupo, ao estilo do período Starless & Bible Black. O mesmo álbum, Starless & Bible Black, além de “Lament”, é também representado pela desafiante cruzada sonora, “Fracture”, que aparece em estilizada versão.

“Easy Money” aparece transformada e em tom mais meditativo, estabelecendo assim um contraste para o único tema pré-Bruford-Wetton a ser tocado nestes concertos, o clássico incontornável “21st Century Schizoid Man”. Mesmo sem a presença dos saxofones, o tema possui uma dinâmica diferente que tira bastante mais proveito da bateria e violino, criando uma interessante alternativa (igualmente agressiva) à versão escutada no álbum ao vivo anterior, Earthbound. Curiosamente, USA termina com uma composição que mais tarde apareceria no álbum Red (o disco só seria lançado alguns meses a seguir aos concertos), uma embrionária versão da majestosa e dramática “Starless”. Fazendo justiça à qualidade técnica do grupo, todos os temas aparecem muito bem interpretados, acrescentando novas dimensões e faces a melodias já conhecidas. A versão lançada a público, quase um ano depois das gravações, incluiu ainda alguns overdubs de violino por parte de Eddie Jobson para compensar algumas partes inaudíveis de David Cross. Chegava ao fim mais um capítulo na história do grupo.


deep-purple-made-in-europe(live)-20130707195857Deep Purple – Made In Europe [1976]

O fim do Deep Purple, mesmo numa época em que já não estavam no auge, causou alvoroço no panorama musical. Made In Europe foi um dos discos lançados para saciar o apetite dos desiludidos fãs. O álbum continha as últimas atuações ao vivo do guitarrista Ritchie Blackmore com o grupo, isto é, efetuadas pelo mesmo line-up que gravou Burn e Stormbringer. Made In Europe só vem provar que o Deep Purple foi uma das melhores bandas que já pisaram um palco. Apesar de não estar bem à altura de Made In Japan, e de ter sofrido trabalho de edição em estúdio (incluindo excertos de ruído do público), o disco é na sua maioria um testamento do incontestável talento de Blackmore, Lord, Paice, Hughes, e Coverdale. A lista de canções abrange os dois discos gravados por estes cinco músicos, cujas interpretações são, na maior parte das vezes, superiores à versão de estúdio. O single de sucesso, “Burn”, abre o disco em grande ritmo, enfatizando a elevada técnica de Blackmore, Lord e Hughes. O álbum conta com dois temas estendidos (“Mistreated” e “You Fool No One”) onde o grupo introduz novas sessões intermédias e passagens improvisadas.

“You Fool No One” é o tema que mais beneficia deste tratamento, começando com uma interessante introdução de Jon Lord, para depois se transformar numa versão diferente da composição que se ouviu no álbum Burn. O disco termina com uma boa versão de “Stormbringer”, que nos faz desejar um álbum duplo, tal como Made In Japan o foi. Made In Europe peca pela sua curta duração, e por não representar tudo o que um concerto do grupo oferecia. Apesar disso, torna-se num objeto fundamental para retratar a terceira encarnação deste fabuloso conjunto. Tendo Ritchie abandonado o grupo em 1975, o guitarrista formou um novo grupo, Rainbow, no qual se manteve vários anos. O Deep Purple deu o seu último concerto em Março de 1976, e o seu final fez com que, logo depois, David Coverdale formasse o Whitesnake que contaram em sua formação Lord e Paice.


Gentle_Giant_-_Playing_the_FoolGentle Giant – Playing The Fool [1977]

À medida que a década de setenta se aproximava do fim, o Gentle Giant acumulava experiência de palco e exibia um sólido legado de música experimental, original e ecléctica. O álbum ao vivo Playing The Fool, lançado em 1977, chegava à perfeição, mostrando a espetacularidade e dinamismo dos concertos. Percorrendo quase toda a discografia do grupo – Gentle Giant (“Funny Ways”), Three Friends (“Peel the Paint”), Octopus (“Excerpts from Octopus”), In A Glass House (“Runaway”, “Experience”), The Power And The Glory (“Proclamation”, “So Sincere”), Free Hand (“On Reflection”, “Free Hand”, “Just the Same”) e In’terview (“I Lost My Head”) – o álbum confirmou que a banda inglesa não só conseguia reproduzir a complexidade da sua música num espetáculo ao vivo, como também sabia fazê-lo com estilo.

Desde os novos arranjos dos temas, passando pelo contagioso sentido de humor, até à inegável e intrínseca musicalidade dos seus membros, o Gentle Giant imortalizou-se como um dos mais interessantes grupos ao vivo. O som e ambiente dos espetáculos é captado categoricamente e bem audível nas explosivas batidas de John Weathers (bateria e percussão), na voz poderosa de Derek Shulman (voz, saxofone, flauta e percussão), nas elaboradas texturas de Kerry Minnear (teclados, violoncelo, vibrafone, flauta, percussão), nas propulsivas linhas de Ray Shulman (baixo, violino, trompete, flauta, percussão), e nas ambiciosas incursões sonoras de Gary Green (guitarras, flauta, percussão). Sendo um imaculado documento sobre o grupo, e apesar de Playing The Fool voltar a gerar algum murmúrio no circuito do rock progressivo, a queda da popularidade do gênero fez com que as vendas do álbum deixassem a desejar. Tais fatos não devem retirar o mérito e a classificação de clássico ao vivo que merece estar associado ao disco.


gen_secout_coverXLGenesis – Seconds Out [1977]

O Genesis pós-Peter Gabriel continuava imensamente popular e a idéia de documentar esta nova vida, mais propriamente os concertos de apoio a Wind & Wuthering, ganhou forma através de uma compilação dos espetáculos sob o título Seconds Out. À imagem dos ambientes de contos de fadas, que abundavam nos discos do Genesis, os espetáculos foram dominados por esse imaginário misterioso e sedutor. O receio de ouvir Phil Collins cantando temas da era “Gabriel” como “The Carpet Crawlers”, “I Know What I Like”, ou “Cinema Show”, é imediatamente posto de lado face à categórica performance de Collins. E quando Phil toma as rédeas de um dos maiores clássicos do Genesis, Supper’s Ready, é impossível ficar indiferente a sua interessante flexibilidade vocal. Para auxiliar Phil Collins na bateria, de modo que este pudesse concentrar mais na parte vocal, o grupo recrutou bateristas notáveis como Chester Thompson (ex-Frank Zappa) e Bill Bruford (ex-Yes e ex-King Crimson).

O álbum acaba por ser uma boa amostra da magia que estes três bateristas, Chester, Phil e Bill conseguem produzir. Chester toca a quase totalidade dos temas, sendo acompanhado ocasionalmente por Phil. Firth Of Fifth, que aparece aqui sem a fantástica abertura de piano, mostra Collins e Thompson em perfeita combinação na bateria, ao som de belos solos de guitarra de Steve Hackett e sintetizadores. Bruford, por sua vez, empresta o seu inconfundível timbre e maestria na bateria à movimentada versão de “Cinema Show”. Como sempre, Tony Banks está na linha da frente no que diz respeito a colorir os temas com os mais variados arranjos e texturas, sendo seguido de perto por Steve Hackett. A solidez do baixo de Mike Rutherford completa este dinâmico conjunto sonoro. Quer seja num medley ou numa canção integral, o grupo interpreta passagens musicais que vão desde 1970 (Trespass) até 1976 (Wind & Wuthering). As gravações sofrem de alguma timidez em volume e clareza, não fazendo por vezes justiça à qualidade das apresentações. Antes de o disco ser lançado, o guitarrista Steve Hackett, para choque dos fãs, anunciaria o abandono do grupo, alegando divergências musicais e falta de liberdade criativa. Sem tempo para se gerarem rumores sobre o fim do Genesis, a banda revelou prontamente a vontade de prosseguir como um trio, ao mesmo tempo que Seconds Out atingia o número 4 nas paradas do Reino Unido.


van-der-graaf-vital-1978Van der Graaf Generator – Vital [1978]

Em 1978, o Van der Graaf continuava a atravessar dificuldades e a lutar pela sobrevivência. Como sempre, o grupo via-se obrigado a fazer longas séries de concertos que serviam (quase) apenas para o sustento. Na hora de partir para a turnê de apoio a The Quiet Zone/The Pleasure Dome, o grupo decidiu que precisaria de mais um membro, tendo a vaga sido preenchida pelo violoncelista Charles Dickie. Mas sem a presença dos ex-membros Hugh Banton e David Jackson e dada a recente inclusão da guitarra elétrica por parte de Peter Hammill, o estilo musical do Van der Graaf ao vivo já estava irremediavelmente desviado para os riffs simples e agressivos da guitarra com distorção. O fato acabou por ajudar o grupo a proteger-se contra a energia e simplicidade do movimento punk e new wave que emergia no panorama pop. Com Hammill a conduzir na guitarra, Graham Smith e Charles Dickie nas cordas acústicas (violino e violoncelo) e a autoritária sessão rítmica constituída por Nic Potter (baixo) e Guy Evans (bateria), a banda transformou-se numa poderosa e ameaçadora potência musical. O álbum ao vivo, Vital, capturou perfeitamente essa energia, revelando todos os decibéis e nuances dos concertos de 1978. Começando com temas (“Ship of Fools”, “Still Life”, “Last Frame”) da segunda fase da carreira (pós 1975), que sofrem uma injeção de energia hard-rock, o resultado é surpreendente.

Claro que o grupo não deixa de recordar o passado mais progressivo nas interpretações de “A Plague of Lighthouse Keepers”, “Pioneers Over C”, e “Killer”, e o faz com aventureiros arranjos que dão nova vida às canções. Pelo meio, Hammill inclui dois temas da sua carreira solo, “Mirror Images” e “Nadir’s Big Chance”, que encaixam perfeitamente no contexto sonoro da banda. Uma das curiosidades da turnê de 1978 foi o regresso inesperado de David Jackson, que aceitou um convite de Hammill para regressar, se bem que o saxofonista perca bastante terreno para o violino e guitarra. Outro aspecto impressionante é o pouco público audível nos concertos, parecendo quase que a banda está a tocar em frente a poucas dezenas de pessoas. Para os que não assistiram aos concertos, Vital serviu como meio de imortalizar a revolucionária turnê do fim da década e mostrar o lugar distinto que a banda ocupava na música. Sempre a remar contra a maré, o grupo não conseguiu resistir às fracas vendas do disco, por muitos elogios que recebesse da crítica. Pouco depois do lançamento de Vital, o Van der Graaf colocaria um ponto final numa carreira recheada de incontornáveis contribuições para a música.


51aR8sDkqVLJethro Tull – Bursting Out – 1978

Numa banda onde os concertos eram sinônimos de excentricidade, musicalidade e diversão, dez anos depois do início da carreira, fazia falta um documento oficial ao vivo. Gravado na turnê de apoio ao álbum Heavy Horses, a compilação Bursting Out reunia a aguardada amostra das performances do grupo. Se bem que a ênfase recaia na nova fase folk do Jethro Tull, entre 1977 e 1978 (“No Lullaby”, “Jack In The Green”, “Songs From The Wood”, “Hunting Girl”, “One Brown Mouse”), a banda não perde oportunidade de revisitar resumidamente o clássico “Thick As A Brick”, ou até abordar o popular Aqualung (“Cross Eyed Mary”, “Aqualung”, “Locomotive Breath”). O sexteto composto por Ian Anderson (voz, flauta, violão), Martin Barre (guitarra), John Evan (teclados), David Palmer (teclados), Barriemore Barlow (bateria) e John Glascock (baixo), é imaginativo, descarado, e talentoso, mostrando o porquê da tremenda reputação ao vivo.

Entre as piadas de Ian Anderson, as variadas incursões instrumentais (“Conundrum”, “Flute Solo”, “Quatrain”), a pausa de David Palmer para ir ao banheiro (??!!), não faltam momentos de entretenimento. Os temas aparecem algo transformados, quer seja pelos novos arranjos instrumentais, quer pelo “novo” timbre e estilo vocal que caracterizava Ian Anderson na época. Mesmo pecando ligeiramente pelas grandes canções que ficaram de fora, o álbum consegue ser um equilibrado e dinâmico testemunho do que o grupo fazia de melhor. Medianamente recebido pela crítica e público, Bursting Out foi vítima do crescente desinteresse pelo rock progressivo, que aumentava à medida que a década se aproximava do fim.

21 comentários

  1. El comentarista

    Mayhem – Live in Leipzig

    Sam Cooke – One Night Stand

    Nirvana – Live at Reading

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  2. José Carlos Araujo de Paula Souza

    Só disquinho meia boca… kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Bela lista, e eu acrescentaria alguns favoritos pessoais, como: Queen – Live Killers, AC/DC – If You Want Blood (You’ve Got It), UFO – Strangers In The Night e Rainbow – On Stage

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  3. Pedro

    O Filmore East da Allman Brothers Band, era obrigatório nessa lista, além de outros possíveis nomes como Live At Apollo do James Brown, ou Live Album do Grand Funk Railroad

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  4. ALISSON CAETANO

    Swans – Swans Are Dead

    Fishmans – 98.12.28 男達の別れ

    Neil Young – Weld

    Talking Heads – Stop Making Sense

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  5. Pergaminho

    Rory Gallagher -Live in Europe
    Supertramp – Paris
    Wishbone Ash – Live Dates I & II

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    • Francisco

      “Live in Europe” e “Irish Tour”, de Rory Gallagher, são grandes álbuns gravados ao vivo. O palco era onde Rory mostrava por que foi um dos maiores em sua arte.

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  6. Mairon

    Só discaços. Destes que o Comodoro listou, aprecio Yes, Genesis, Jethro Tull, Van der Graaf e o Made in Europe

    Outros ótimos

    UFO – Strangers in the Night
    Scorpions – Tokyo Tapes
    Supertramp – Paris
    Allman Brothers – Fillmore East
    Uriah Heep – January ’73
    Grand Funk – Live
    Santana – Lotus
    Emerson Lake & Palmer – Welcome Back My Friends …
    Renaissance – Carneggie Hall
    Led Zeppelin – How The West Was Won

    e por ai vai

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    • Leonardo

      Mais uns preferidos que ainda não foram citados:

      David Bowie – David Live
      Neil Young – Time Fades Away
      Frank Zappa – Roxy And Elsewhere
      Black Sabbath – Live At Last
      Lou Reed – Rock And Roll Animal
      Focus – At The RAinbow
      The Kinks – On The Road

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      • Leonardo

        Corrigindo, o nome do disco do Kinks é One For The Road

      • Leonardo

        Me lembrei de outros que gosto muito:
        Roxy Music – Viva!
        Roxy Music – Heart Still Beating
        Rolling Stones – Get Yer Ya-Yas Out
        Pink Floyd – Ummagumma
        Elton John – Here And There
        Hawkwind – Space Ritual

      • Mairon

        Do Zappa tem vários ao vivo excelentes. O Roxy & Elsewhere é realmente muito bom, assim como o Fillmore e o Zappa in New York

      • Leonardo

        Zappa tem inúmeros discos ao vivo. Outro que eu gosto é o Sheik Yerbouti, mas tem tanto overdub que nem parece ser um disco ao vivo. Os discos da séries Shut Up ‘n Play Yer Guitar e You Can’t Do That On Stage Anymore tb são excelentes. Tb cito o The Best Band You Never Heard In Your Life.

      • Mairon

        A versão de “Stairway to Heaven” gravada em The Best Band You Never Heard In Your Life é sensacional!!!

  7. Manoel

    É difícil eu encontrar algum disco ao vivo que me agrada. Busco alguns pela internet de bandas mais recentes, inclusive aquelas que mais ouvi em vida. As vezes me pergunto o motivo que busco isso, percebendo que as musicas em estúdio pra mim sempre soam melhores. Mas é aquela coisa: conferir como um artista transfere a complexidade de suas músicas numa versão ao vivo. Esse do Gênesis achei maravilhoso. O ” Paris”, de Supertramp, só comprovou a competência da banda e sua virtuosidade.

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  8. Marcello

    A lista é ótima. Eu não sou muito fã do Made in Europe (prefiro o Live in London quando se trata da Mark III), mas os demais são todos obrigatórios. Claro que fica muita coisa de fora, porque há muitos discos ao vivo excelentes por aí. Bons discos ao vivo, para mim, aliam um repertório representativo do artista (embora não necessariamente uma coletânea de sucessos), versões que acrescentem alguma coisa às originais, uma boa interação com o público, e boa qualidade de gravação!

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  9. Anônimo

    Esqueceram do It’s Alive do Ramones e o Slade Alive! que é simplesmente incrível, principalmente pelo alcance vocal inacreditável do Noddy Holder.

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    • Leonardo

      O Slade Alive, que é um disco fantástico, foi gravado ao vivo no teatro do London’s Command Studio, o que perde um pouco a característica de um disco ao vivo gravado num show.

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  10. Francisco

    Lista excelente! Penso que os discos ao vivo colocam em xeque a qualidade de uma banda. Há bandas que, no palco, transmitem uma energia que,em estúdio, não conseguem expor. “At Fillmore East”, da Allman Brothers Band, entra fácil na lista dos maiores discos de todos os tempos. Outros discos ao vivo que gosto muito: “Foghat live”, de 1977; “Extraterrestrial live”, do BÖC (a versão ao vivo de “Veteran of the psychic wars” é muito superior à de estúdio!); “Rank”, dos Smiths; “Live album”, do Grand Funk Railroad.

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    • Anônimo

      Bem lembrado do disco ao vivo do Foghat, a versão de Honey Hush deles é simplesmente um clássico!

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      • Francisco

        Em “Honey hush”, o grande Rod Price destrói! “Fool on the city” e “Slow ride” também são clássicos dos anos 70.

      • Mairon

        Bela lembrança, tanto o Foghat quanto o BOC. Outro discaço ao vivo é o With a Little Help From Our Friends, do Gov’t Mule!

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