Por André Kaminski

Lá por volta de 2007, o baixista dos finlandeses do Amorphis Olli-Peka Laine estava reparando que algumas das canções que estava compondo para o Amorphis estavam soando bem diferentes do que a banda costumava lançar. Querendo um espaço próprio para lançar estas composições, Olli chamou alguns amigos músicos finlandeses de bandas famosas para lançarem um disco com essas composições. O projeto acabou virando uma nova banda e o Barren Earth está aí desde 2007. Este que resenho já é o quarto disco da banda.

O estilo em que a banda toca é um tanto quanto estranho de definir. A base é um melodic death metal, bem comum vindo de várias bandas nórdicas. Porém, há também uns toques de metal progressivo e os vocais que variam do limpo ao gutural, parecem interpretar as letras de uma forma parecida com as bandas de folk metal. Para quem lê isso, parece soar estranho porque a forma como o vocalista das Ilhas Faroé Jón Aldará canta as partes limpas é toda pomposa e poética. É como se de repente no Kamelot antigo, o Roy Khan resolvesse cantar várias de suas músicas com guturais.

Sami Yli-Sirniö (guitarras), Marko Tarvonen (bateria), Anti Myllynen (teclado), Olli Pekka-Laine (baixo), Janne Pertillä (guitarras). Abaixo: Jón Aldará (vocais)

A banda é composta pelo já citado Jón Aldará (vocais), Janne Perttilä (guitarras), Sami Yli-Sirniö (guitarras, atualmente também toca no Kreator), Anti Myllynen (teclados, Azgaroth), Olli-Peka Laine (baixo, Amorphis) e Marko Tarvonen (bateria, Moonsorrow). Como podem reparar, seus integrantes vem de diversas bandas importantes da cena underground europeia.

O disco tem mais de uma hora e possui nove faixas das quais eu destacaria cinco que irei comentar aqui de forma mais detalhada. O disco inicia com “The Living Fortress” em que uma guitarra bastante melódica divide o posto com outra que desce nos riffs pesados e Jón Aldará fazendo suas diversas alternâncias entre vocal limpo e gutural. É uma canção muito progressiva, como se o Symphony X de repente se fundisse com o Amon Amarth. Uma tonalidade folk dada pelos teclados fazendo o som de uma flauta e uma pequena desplugada das guitarras também se faz presente e de forma curiosa. “The Ruby” ganhou até videoclipe. Porém, eu confesso que não entendi o porquê de aparecer uma mulher com uma roupa cybergótica segurando o que parece ser um fígado ensanguentado no vídeo junto da banda tocando. Mas né, tirando esses detalhes, a canção segue uma linha próxima da anterior com um melodeath progressivo exceto pela parte folk.

“Further Down” aposta mais na pegada progressiva e o gutural é mais presente que o limpo. Há muitas variações rítmicas. Teclados também muito enfatizados na produção dessa faixa. “Solitude Pith” é uma longa faixa de 10 minutos parecendo quase uma semi-balada. Mais lenta e reflexiva, os riffs pesados na metade da canção deixam o clima lembrando até algo do doom. Mas da metade final, os riffs aceleram e o progressivo impera. “Spire” se destaca em ótimos solos de guitarra, algo pouco explorado no disco em si. Tirando “Dysphoria” que é uma música bem comum e com melodias recauchutadas de canções anteriores, o restante do disco mantém um bom nível ainda contando com o mix de metal progressivo e melodeath que aparece no disco todo.

No saldo geral, um ótimo disco. Pode ser que dê as caras em minha lista de Melhores do final do ano. É uma sonoridade que vale a pena conhecer, mas já adianto que os vocais podem causar estranheza. Mas vai de gosto. Eu confesso que tenho um olhar diferente para alguns vocais incomuns. O Barren Earth é um exemplo que me causou ótima impressão.

  1. The Living Fortress
  2. The Ruby
  3. Further Down
  4. Zeal
  5. Scatterprey
  6. Solitude Pith
  7. Dysphoria
  8. Spire
  9. Withdrawal

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.