Melhores de 2016: Por André Kaminski

1 de Janeiro, 2017 | por André Kaminski
Melhores do Ano
9

Rikard Zander (teclados), Jonas Ekdahl (bateria), Tom Englund (vocais, guitarras), Johan Niemann (baixo) e Henrik Danhage (guitarras).

Por André Kaminski

É uma honra para mim abrir a primeira postagem de 2017 na Consultoria do Rock. Espero que tenhamos mais um ano ótimo para o nosso site, nossos consultores e nossos leitores e que possamos todos estarmos contribuindo para a divulgação da boa música que não falta em nosso site. De minha parte, estarei mais um ano aqui contribuindo em novas resenhas, matérias, discografias e comentários para futuras listas. Agradeço a todos que estiveram conosco nesse 2016 e desejo a todos um feliz 2017.

Esse ano eu resolvi ouvir mais discos, inclusive considerando estes de última hora que saíram do meio de dezembro para cá. Em termos de qualidade, achei 2015 um pouco superior no geral. Porém, 2016 trouxe maior quantidade de bons discos. Esse ano também dei uma variada, mas percebi que discos com temáticas mais baixo astral e de andamento mais lento ou médio tempo se destacaram mais ao invés do peso e da velocidade. Tive muitas dúvidas no que acrescentar em minha lista, mas posso dizer que fiquei satisfeito com ela. Como trato bandas novas e velhas da mesma forma, a minha lista foi um misto de ambas. Fiquem a vontade para comentar o que acharam.


Evergrey – The Storm Within

O fato é que o Evergrey não me anima desde Monday Morning Apocalypse e isso se vão 10 anos. Porém, logo que pus este disco para ouvir, comecei a sentir as velhas lembranças da época do In Search of Truth, com Tom Englund e seu vocal melancólico fazendo belas melodias junto a canções que retratam a dor e o desespero humanos. Esse cara realmente tem o talento para compor músicas tristes, creio que se o encontrasse algum dia, iria consolá-lo. O cover de “Paranoid” do Sabbath ficou diferente, mas bem legal. Ouvi muita coisa nova em 2016 e digo que esse disco é o que me trouxe as melhores sensações no momento em que escrevo essas linhas. Não é um metal progressivo acessível, mas esses suecos sabem ser únicos. E isso é uma grande vantagem nesse mercado musical.


Megadeth – Dystopia

Esse disco foi muito elogiado nas diversas resenhas que li por aí. E dou razão a maioria delas. Dystopia é o melhor disco do Megadeth dos últimos 19 anos. Kiko Loureiro fez muito bem a Dave Mustaine e ao Megadeth em si, pois o brasileiro sabe refinar bem a sua guitarra, algo que contrasta e complementa bem com o estilo mais rústico de Mustaine. Com composições excelentes, o disco me arrebatou com “Dystopia” e “Bullet to the Brain”, músicas fortes, pesadas, bangueantes e que devem levantar o show no ao vivo. Mustaine deve estar rindo a toa com o novo hype em cima da banda. Merecido, por sinal.


Tygers of Pan Tang – Tygers of Pan Tang

Admiro Robb Weir e sua determinação para manter o Tygers of Pan Tang ativo. Com um início promissor e uma meia vida decadente, somente agora, quase três décadas depois, a banda volta a ter certo reconhecimento no cenário e um maior número de pessoas indo atrás de suas músicas. Este disco é mais focado no heavy tradicional do que no hard rock e a banda nos deixa ótimas canções, com destaque a “Do It Again” e “The Devil You Know”. Guitarras empolgantes, cozinha bem feita e os ótimos vocais de Jacopo Meille, é um disco feito para quem curte um heavy metal britânico sem frescura, como foi a boa e velha NWOBHM.


Murder Made God – Enslaved

Esse eu só recomendo a quem curte aquele death metal mais extremo do qual ultimamente andam chamando de “brutal”, talvez para diferenciar do death metal mais técnico ou melódico que algumas bandas vem tocando. Resumindo, aqui é somente pouco mais de meia hora de guitarras pesadíssimas, vocal gutural, bumbo duplo e blast beats. Dentre os discos do metal extremo que ouvi este ano, gostei bastante do que esses jovens gregos apresentaram. Espero que continuem nessa pegada, visto que tenho a impressão de que o death metal meio que passa em um período de baixa produção de boa qualidade nesses últimos 3 anos. Ou eu que tenho ouvido as bandas erradas.


Karmakanic – Dot

Sinfônico, progressivo, uma pancada de músicos e o baixista Jonas Reingold fazendo mais uma bela obra prima. “Dot” é aquele disco cheio de quebras de tempo, acelerações, passagens calmas e acústicas, explosões de guitarras e instrumentos inesperados em momentos imprevisíveis. Alguns momentos nos remetem ao jazz e algumas passagens até lembram a nossa velha bossa nova. A temática do disco gira em torno da Terra, o nosso “pálido ponto azul”, expressão famosa cunhada pelo falecido Carl Sagan. É o meu rock progressivo desse ano sem dúvida alguma.


Lacrimas Profundere – Hope is Here

Creio que quem não conheça o Lacrimas Profundere não deva começar ouvindo-os por este disco. A banda nos últimos tempos tem seguido uma linha de gothic rock com alguns poucos momentos mais gothic metal em que tem preferido atmosferas mais melancólicas ao invés do peso. Ultimamente a banda vem apresentando discos que precisam ser digeridos aos poucos, visto os nuances e as letras de difícil compreensão. Para alguns lento, para outros sem sal, mas eu ultimamente tenho apreciado melhor esse tipo de proposta sonora. É o tipo de disco que tem um quê de “classudo” e que eu adoraria ouvir em um dia de chuva que estivesse em casa pensando na vida. Destaco as faixas “Hope is Here” e “Aramis”.


Big Big Train – Folklore

Mais um rock progressivo, dessa vez fortemente influenciado pelo estilo de composição do Genesis somado com a influência folk do Jethro Tull. O Big Big Train é uma banda que existe há algum tempo, mas vem ganhando notoriedade nos últimos anos dentro da fechada comunidade prog. Esse seu décimo segundo álbum de estúdio é a meu ver, o melhor da banda (embora não tenha ouvido todos). Você sente a suavidade do acústico e do folk unido a intensidade do rock das guitarras e acha tudo lindo e impecável. Tantos nuances, tantos instrumentos e tantas atmosferas que o obrigarão a ficar em um quarto silencioso com bons fones de ouvido para captar cada detalhe.


Pesta – Bring Out Your Dead

Como de costume, Belo Horizonte nos presenteia com mais uma banda de grande qualidade e talento na forma desse doom/stoner cujas influências do Black Sabbath, Pentagram e Candlemass ficam evidentes. O vocalista Thiago Cruz usa um vocal limpo e mais agudo, mas que não soa deslocado a proposta da banda, soando bem próximo do heavy metal setentista. “March of Death” é muito boa, assim como “The 4th Horseman” trazem grandes riffs de guitarra, baixo pulsando bem e o uso de muito prato da bateria de Flavio Freitas. Se quiser uma ótima opção brasileira de rock pesado, recomendo muito esses mineiros.


Metallica – Hardwired… to Self-Destruct

Sabemos que há muita gente que malha de graça bandas famosas para parecer “cool” na internet. O Metallica então virou alvo fácil para isso, principalmente nos anos 2000. Logo após ouvir este disco, olha… se a crítica não for muito bem fundamentada, confesso que vou olhar meio torto para quem escreveu, porque não vejo muito o que reclamar com relação a este disco. Minto, vejo uma razão: esta capa medonha. Mas enfim, muito superior ao Death Magnetic em todos os sentidos, aqui eu finalmente vejo o Metallica com a pegada característica e própria que todos amamos, composições muito marcantes e os tradicionais solos de Hammett para quem acha que ele esqueceu como se toca guitarra lá nos anos 80. Ótimo disco deles e merecido destaque de 2016.


Insomnium – Winter’s Gate

Os finlandeses do Insomnium sempre foram uma banda meio deixada de lado quando se trata de melodic death metal, normalmente preterida pelo Amon Amarth e pelo Dark Tranquility. Mas nos últimos 10 anos pelo menos, tenho notado seus lançamentos com qualidade bem superior ao dessas duas bandas com mais fama. E Winter’s Gate me deu ainda mais motivos para achar isso. Uma faixa só chamada “Winter’s Gate” de 40 minutos contando histórias dos vikings misturando peso, atmosferas, melodias e velocidade em um melodeath surpreendente. Uma música só que não te cansa mesmo sendo tão longa.


Surpresa : Tarja – The Shadow Self

Falo que é surpresa porque apesar de todos que me acompanham nesse site saberem que sou fã de Nightwish, eu nunca tive lá muita estima pela carreira solo da senhora Cabuli. E não é que a branquela de cabelos negros me surpreendeu com um ótimo disco de metal sinfônico? Muito melhor que os três anteriores, posso dizer que Tarja finalmente me arrebatou em carreira solo e que The Shadow Self ficou na beirada para entrar junto a outros dois álbuns tão bons quanto. Até me deu vontade de dar uma chance aos anteriores.


Decepção: Dream Theater – The Astonishing

Estou cada vez mais dando razão as viúvas de Portnoy. Uns discos só medianos e agora essa tristeza em forma de CD me deixam a impressão que o baterista servia mesmo para conter as loucuras dos outros membros, apesar do próprio se fazer de louco. O que é isso, meu senhor? Eu não faço parte do time de detratores de LaBrie, mas o cara e o resto da banda não colabora. Que ideia tosca essa de fazê-lo interpretar tantos “personagens” diferentes? Tentaram dar um passo maior que a perna. De nada adianta querer fazer uma “rock opera” sem ter no mínimo uma estrutura e uma noção tal como uma Trans-Siberian Orchestra, um Avantasia ou um Ayreon. A banda nunca esteve tão queimada como agora e espero mesmo que Petrucci e Rudess que, aparentemente, assumiram o papel de chefes façam o Dream Theater a pelo menos lançarem álbuns dignos de sua discografia.


Outros ótimos discos de destaque em 2016

Monument – Hair of the Dog

Blue Mammoth – Stories of a King

Denner / Shermann – Masters of Evil

Anthrax – For All Kings

Arcpelago – Simbiose

Throes of Dawn – Our Voices Shall Remain

Zealotry – The Last Witness

Vulkan – Observants

Epica – The Holographic Principle

Freedom Call – Master of Light

David Bowie – Blackstar

Gojira – Magma


Karmakanic

Destaque positivo: vários ótimos discos de rock progressivo

Digo fácil que para quem é aberto ao novo progressivo pode se deliciar com diversas opções de discos bons e interessantes lançados tanto esse ano como nos 5 anos anteriores. Sério gente, Yes, Genesis, Gentle Giant e afins jamais deixarão de serem grandes bandas, mas há diversas outras atuais que pegaram muita coisa dessas antigas e transformaram em sons e atmosferas lindas, complexas, melódicas e até mesmo de fácil digestão se comparado com alguns discos antigos. Além do que eu já citei em minhas listas e sugestões, acrescento ainda o Messenger, Tony Patterson, Subsignal, Glass Hammer, Witchwood, Pendragon, Hidria Spacefolk, Psicomagia, Spock’s Beard e várias outras que agradarão os ouvidos de qualquer progueiro sem preconceitos.


Theatres des Vampires

Destaque negativo: o declínio do gothic metal

Gosto bastante deste estilo que mescla um lado mais romantizado ao peso do heavy metal. Apesar de muita gente considerar que o estilo esteja em decadência há uma década, sempre percebia bons e ótimos lançamentos em todos os anos. Mas 2016 foi realmente o ano que vi um declínio severo, tanto em quantidade quanto em qualidade. Só vi mesmo o Lacrimas Profundere com algum destaque esse ano. O restante tenho que dar o braço a torcer, o pouco que ouvi não me agradou muito. Uma pena, porque é um estilo que beneficia muito o vocal feminino, que gosto tanto dentro do heavy metal. Torço que isso possa se reverter em 2017.



9 Comentarios

  1. Alisson Caetano disse:

    Ouvi esse do Insomnum última semana. Gosto de uns trabalhos da banda, e esse até me agradou, mas ficou uma sensação de repetição. Não dos próprios trabalhos do grupo, mas do Edge of Sanity, que repete muitos dos andamentos e estruturas dos dois Crimson. Continua bacana, mas não me pegou por causa disso.

    • André Kaminski disse:

      Acho que a banda tem feito lançamentos bons constantemente, embora não tenha inovado tanto de um disco para o outro.

      • Alisson Caetano disse:

        Sim, do melodic atual, é uma das mais dignas, mas desse em si eu não achei clássico como ele tem sido considerado. Acho q o fator novidade não colou comigo, pois já tinha ouvido algo muito parecido anos antes.

  2. maironmachado disse:

    Dessa lista ouvi 3 discos: Metallica, Megadeth e Evergrey. Esse Evergrey achei terrível. O Big Big Train me deu curiosidade, pois não sabia que tinham lançado disco esse ano.

    Agora, todo mundo descendo o pau no disco do DT, me dá mais razão para nem chegar perto disso.

    E tu ta bem meigo querendo consolar o Tom Englund, hein???

    Feliz 2017!

    • André Kaminski disse:

      Evergrey já imaginava que não lhe agradaria. Mas eu recomendo fortemente os dois discos prog, além do Tygers of Pan Tang, que pode te lembrar o Saxon (é um disco bem diferente dos primeiros dá banda).

  3. Davi Pascale disse:

    Também não gostei do Dream Theater. Achei sonso. Aliás, já tem um tempo que um disco de inéditas deles não me empolga. O Megadeth e o Metallica também curti. Surpresa saber que você não curte a carreira solo da Tarja. Gosto bastante da carreira solo dela. O My Winter Storm acho fenomenal.

    • André Kaminski disse:

      Infelizmente, a carreira solo dela sempre me pareceu comum. Tem uma baita voz, mas suas composições não me empolgam. Acho o My Winter Storm e o Colours in the Dark fracos e o What Lies Beneath mediano. Mas esse último é muito bom e agora estou no hype de ouvir os anteriores para ver se mudo de opinião.

  4. Ronaldo disse:

    Já dei muitas chances pro Karmakanic mas não vai…acho que as composições não pegam, descem quadrado. Não ouvi esse novo do Big Big Train mas o que ouvi deles achei apenas ok, com alguns momentos realmente bons!
    Essa década anda boa de lançamentos no progressivo…as bandas que vc citou no último parágrafo tem materiais muito bons realmente!
    Abraço,

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